da Assessoria de Imprensa – CUT Nacional, via e-mail
O presidente da FETEMS/CUT (Federação dos Trabalhadores em Educação
de Mato Grosso do Sul), professor Roberto Magno Botareli Cesar, foi
nesta quinta-feira (5) à sede da Polícia Federal em Campo Grande-MS,
denunciar ameaças de morte e intimidações que vem sofrendo desde ontem.
Apesar da gravidade dos fatos, o delegado se recusou a recebê-lo. Quem
registrou o Boletim de Ocorrência (BO) foi o escrivão de plantão.
Para garantir proteção ao dirigente e investigação séria e detalhada
sobre os fatos, o presidente da CUT, Vagner Freitas, encaminhou na
manhã desta quinta, um ofício ao Ministério da Justiça e à Secretaria
Geral da Presidência da República.
A intimidação feita a Roberto na manhã de hoje ocorreu por volta das
sete horas, quando um motoqueiro que se apresentou como jornalista, mas
não mostrou nenhum crachá de identificação, foi à sede da Federação
procurar o dirigente. Pelas perguntas, o motoqueiro deixou claro que
sabe detalhes da rotina do presidente da FETEMS/CUT. Quando a
recepcionista disse que ele não estava, por exemplo, o rapaz perguntou:
Ele não está fazendo a caminhada que faz todos os dias? Ontem, uma
pessoa que se identificou como “Maurício Pistoleiro” foi mais explícita:
ligou no telefone fixo da FETEMS/CUT e ameaçou o dirigente de morte.
Roberto e outros dirigentes da Federação relacionam as ameaças e
intimidações ao fato de os movimentos sociais terem conseguido impedir a
realização de um leilão que os fazendeiros da região iriam fazer no
próximo sábado para arrecadar dinheiro para contratar seguranças armados
para atuar nas áreas de conflito de terras com os indignes
sul-mato-grossenses.
Isso porque, Roberto recebeu a ligação ameaçadora momentos após a
Justiça Federal em Mato Grosso do Sul suspender o chamado “Leilão da
Resistência”, organizado pela Acrissul (Associação dos Criadores do Mato
Grosso do Sul), que esperava levantar R$ 3 milhões. A juíza Janete
Cabral considerou que o leilão constitui um incentivo à violência
fundiária.
A disputa de terras entre índios e produtores rurais tem histórico
violento no Estado. Segundo a Famasul (Federação da Agricultura e
Pecuária de Mato Grosso do Sul), 80 propriedades estão ocupadas por
indígenas no Estado. Em 30 de maio, o índio terena Oziel Gabriel foi
morto durante uma operação policial para retirada dos indígenas da
fazenda Buriti, mo município de Sidrolândia (MS).
Em setembro, durante a 6ª Conferência da Educação Pública, em
Aparecida do Taboado, a FETEMS/CUT homenageou Oziel e familiares. O
terena assassinado era um estudante universitário que lutava pela
retomada do seu território. Em sua fala, Roberto lamentou o fato do
estado do Mato Grosso do Sul concentrar mais de 50% dos assassinatos de
índios no país. Roberto disse, então, que a 6ª conferência, além de um
espaço para debater o Plano Nacional de Educação, os desafios do
movimento sindical, era também o momento ideal para reafirmar o
compromisso da entidade com a diversidade, para discutir a educação no
campo, na cidade, indígena e quilombola e, também, para fortalecer o
compromisso das professoras, dos professores e dos dirigentes sindicais
com uma escola pública inclusiva, democrática e comprometida com os
valores da solidariedade e da igualdade.
A FETEMS/CUT é a maior entidade sindical de Mato Grosso do Sul, tem
72 Sindicatos Municipais de Trabalhadores em Educação (Simted’s)
filiados e o professor Roberto representa mais de 25 mil
trabalhadores/as.
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