domingo, 15 de julho de 2018

Portugal enfrenta o "austericídio" e cresce!

Por Antonio Barbosa Filho, em seu blog:

Portugal comemora o terceiro ano de governo de Esquerda com índices econômicos inéditos no país e uma acelerada recuperação, depois das fracassadas políticas "de austeridade" impostas pelo sistema financeiro internacional. O aumento do PIB em 2017, de 2,7%, foi o maior atingido neste século; e o desemprego ficou em 7,3%, o menor desde 2002!
  

O primeiro-ministro socialista António Costa prestou contas ao Parlamento, nesta semana, afirmando que "chegamos ao governo há três anos com quatro objetivos: acabar com a austeridade; relançar a economia; recuperar os níveis de proteção social; e equilibrar as finanças públicas. Temos cumprido, e temos conciliado o fim da austeridade com o cumprimento dos compromissos europeus". Costa lidera uma coalizão do seu Partido Socialista (que hoje tem uma linha claramente de esquerda, não obstante divergências internas), o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, que reúne agrupamentos menores. 

As políticas adotadas são inversas às que os banqueiros internacionais apregoam ou, em casos como o do Brasil e da Grécia, impõem através de governos-títeres. António Costa insiste, por exemplo, em "rechaçar o modelo de salários baixos e empregos precários", adotado pelos golpistas brasileiros. Não por acaso, o Brasil padece de uma taxa de desemprego que é o dobro da portuguesa, 13,7% em 2017 (todos os números aqui citados referem-se àquele ano). Lá a dívida pública está em 126% do PIB, quatro pontos a menos do que no ano anterior (nos Estados Unidos é de 105%, subindo), e o déficit público caiu pela metade, para 2,1% neste governo - melhor resultado desde a democratização, em 1974!

A pouco mais de um ano das eleições de 2019, a esquerda portuguesa luta para manter a unidade que trouxe tantos êxitos e retirou o país da profunda crise neoliberal pós-2008. Há críticas internas contra o que alguns consideram a linha do primeiro-ministro muito moderada, e exigem melhorias mais intensivas em serviços básicos como a Saúde. Daí a preocupação com surgimento de candidaturas de esquerda dentro ou fora da atual coalizão, tentando tirar proveito do bom momento, mas tendo a liberdade para catalisar descontentamentos justos. 

Lembremos que nos governos de direita que antecederam o atual, quase a metade da população (de 10,5 milhões) vivia em situação de pobreza, enquanto dois milhões abocanhavam 60% da renda nacional. Ao favorecer os mais ricos e os grupos econômicos estrangeiros (especialmente a troika formada pelo FMI, União Européia e Banco Central Europeu, cobrando juros impagáveis por dívidas assumidas pela direita, ao longo de décadas) o governo neoliberal de Portugal, tal e qual o grupo que usurpa o poder no Brasil conseguiu a façanha de registrar a média de 52 falências de empresas portuguesas por dia...

* Antonio Barbosa Filho é jornalista e editor do blog valepensar.net.

Flávio Rocha e a fábula da presidência

Por Rafael Duarte, no site Saiba Mais:

O empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, sai menor do que entrou desta segunda aventura para chegar ao Palácio do Planalto. Até lançar a pré-candidatura à presidência da República pelo PRB, em abril de 2018, Rocha era apenas mais um empresário liberal milionário em sua contradição: recebia dinheiro público do Estado via empréstimos a juros abaixo do mercado, pagava em suaves prestações e atacava esse mesmo Estado por gerir mal os recursos.

A agência Saiba Mais revelou em fevereiro deste ano que entre 2007 e 2017 as empresas do grupo Riachuelo receberam R$ 3 bilhões do Estado brasileiro, contabilizando 23 empréstimos junto ao BNDES, além de benefícios fiscais. Só no Rio Grande do Norte, a Guararapes, braço têxtil do grupo Riachuelo, recebe isenção de impostos desde 1959.

Em quatro meses de pré-campanha, porém, Flávio Rocha foi além do personagem contraditório “liberal na economia e conservador nos costumes”. Ele se apresentou como um cidadão completamente desconectado da realidade do país que desejou presidir.

Numa entrevista ao programa Band Eleições, em abril, o dono da Riachuelo afirmou que não via a desigualdade no Brasil como um problema. “Se a desigualdade fosse um problema, seria um problema de muito fácil solução”, disse.

Menos de um ano antes, o Instituto Oxfan revelou em pesquisa inédita que os seis empresários brasileiros mais ricos ganham o mesmo que os 100 milhões mais pobres do país.

Em outra entrevista, concedida ao jornalista Bob Fernandes, o dono da Riachuelo disse, e reafirmou diante do espanto do entrevistador, que o Brasil viveu os últimos 100 anos sob o regime socialista.

O pior de tudo isso é que Flávio Rocha parece mesmo acreditar naquilo que diz.

Não à toa, as pesquisas de intenção de voto apontam que o brasileiro confia tanto em Flávio Rocha como confia em Levy Fidélix, eterno candidato à presidência que propôs a criação de um Aerotrem, em São Paulo. Os dois oscilam juntos entre 0 e 1%.

Nem no Rio Grande do Norte, o discurso do empresário com raízes potiguares sensibilizou os colegas do setor. Em pesquisa recente divulgada pela Federação das Indústrias do RN, o ex-presidente Lula apareceu como primeira opção dos empresários locais. Flávio Rocha obteve 2,65% das intenções de voto, o mesmo percentual do líder do movimento dos trabalhadores Sem Teto Guilherme Boulos, pré-candidato pelo PSOL.

Criador do Brasil 200, movimento que reúne os mil empresários mais ricos do Brasil e curiosamente lançado em Nova York, Flávio Rocha chegou a declarar, a jornalistas em Natal (RN), que seria uma traição aos colegas se lançasse candidatura à presidência usando o movimento como trampolim. Um mês depois anunciou que disputaria a sucessão de Michel Temer.

Para dar uma cara mais jovem à campanha, se uniu ao Movimento Brasil Livre (MBL), principal propagador de notícias falsas pela internet.

Sem conteúdo e reproduzindo chavões ultrapassados, como “a república bolivariana do PT” ou “os esquerdistas querem implantar o comunismo no Brasil”, não houve marketing ou fake news que ajudasse a decolar um candidato que só tinha dinheiro, desinformação e preconceito à oferecer sob um telhado de vidro.

Aliás, Flávio Rocha repetiu várias vezes nas últimas semanas, sobre sua plataforma de campanha, que “o melhor programa social é o trabalho”. A Riachuelo, segundo ele, gera 20 mil postos de trabalho no país. Ótimo slogan, mas que soa indecoroso repetido pela boca de um empresário acusado por ex-funcionários em 5.300 ações trabalhistas, entre 2000 e 2017.

Um dia antes de anunciar a desistência de concorrer ao Palácio do Planalto, o dono da Riachuelo foi condenado pelo crime de injúria e danos morais contra uma procuradora do Trabalho no Rio Grande do Norte. Terá que pagar uma multa de R$ 153,7 mil.

O motivo que levou Rocha a ofender a honra da procuradora foi uma ação de R$ 38 milhões ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho contra a Guararapes por descumprir legislação trabalhista ao contratar, segundo o MPT de forma irregular, facções de costura no interior potiguar.

O que fica desta segunda aventura de Flávio Rocha à presidência da República é o constrangimento. Num vídeo que circulou pela internet há dois meses, o empresário aparece ao lado do pai Nevaldo Rocha, visivelmente sem graça, cantando ao lado de funcionários da empresa o hit “vai, painho, o presidente vai ser o seu filhinho”.

Essa é a mensagem que fica da pré-campanha de Flávio Rocha.

A da fábula de um filhinho de papai rico que quer acabar com o comunismo no Brasil.

A Embraer vai virar Vemag?

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

A gente era guri e entre os carros mais populares do Brasil estavam os DKV-Vemag (na verdade, DKW, de Dampf Kraft Wagen, em alemão): um sedã, uma camioneta, o jipe “Candango” e, já no final, um coupé, o Fissore.

Vemag, acredite, significava “Veículos e Máquinas Agrícoslas”, a empresa brasileira que detinha os direitos de fabricação dos alemães da Auto Union – hoje a Audi, subsidiária da Volkswagen).

Quando lançados, tinham metade das peças produzidas aqui e, anos depois, todas elas.

Mas a Volks comprou a Auto Union e passou a “apertar” a Vemag com ameaças de cassar-lhe a licença de uso no Brasil. Tanto fez que comprou a Vemag, anunciando um grande futuro para ela, como você vê no anúncio que reproduzo no alto do post.

Meses depois. a Vemag estava fechada e os DKV saíram de linha, apesar da promessa da VW de que a compra da Vemag, mão era para uma empresa ficar mais fraca, mas as duas mais fortes”.

Repete-se, 60 anos depois, a história com a compra (o nome é este, não se engane com o papo de “joint-venture”) da Embraer pela Boeing.

Não tão rápido, porque a carteira de encomendas da Embraer em jatos de médio porte é imensa.

Nenhuma razão “de mercado” portanto, para vender uma empresa que é, disparado, a maior do mundo neste segmento.

Nem se está vendendo galpões e maquinários para montagem de aeronaves, essencialmente. Vende-se, isto sim, a tecnologia e o conhecimento aeronáuticos que o país desenvolveu em meio século.

A história de que ficaremos com a aviação executiva e a militar é um dourado falso sobre a pílula, porque é a aviação comercial quem dá suporte a estes setores, seja em faturamento, seja em desenvolvimento tecnológico.

E a nova empresa, assumidamente, responderá diretamente à matriz norte-americana.

Os galpões da Vemag, de onde sairiam, segundo a promessa, mais DKV, passaram a servir para a montagem da Kombi VW.

Se não tivermos um governo que impeça esta barbaridade, as plantas da Embraer, em poucos anos, estarão fazendo o mesmo.

Moro e Dallagnol não passam de fantoches dos EUA

https://www.conversaafiada.com.br/mundo/moro-e-dallagnol-nao-passam-de-fantoches-dos-eua--

Dilma é candidata em Minas: reação do Aécio


https://www.facebook.com/valmirbaptistadasilva/videos/384586238612172/

Clarín: como o EUA usou a Lava Jato para destruir o Brasil


https://www.conversaafiada.com.br/mundo/clarin-como-o-eua-usou-a-lava-jato-para-destruir-o-brasil

sábado, 14 de julho de 2018

Lula na cova dos leões

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:


Olhando os diferentes cenários da pesquisa XP, divulgada há pouco no Infomoney, e comparando-os às últimas pesquisas de intenção de voto lançadas por outros institutos, conclui-se que, a poucos mais de 80 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o quadro está congelado. As oscilações nas últimas semanas não são relevantes.

Produziu-se mais ou menos um consenso entre todos os institutos. No cenário com Lula, ele tem em torno de 30%. Sem sua presença, Bolsonaro lidera com cerca de 20%. Embaralhados em segundo lugar, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, com alguma vantagem para os dois primeiros.

É como se o eleitorado estivesse aguardando o desdobrar dos acontecimentos, em especial a resolução do caso Lula, antes de se posicionar. A postura do eleitor coincide com a dos partidos, que também demonstram grande indecisão, até mesmo insegurança, em relação ao caminho que deverão adotar.

A pesquisa XP identificou ainda que a maior parte do eleitorado ainda não despertou: 36% das pessoas responderam que ainda não tem “nenhum interesse” nas eleições. Esse percentual deverá sofrer forte mudança nas próximas semanas. Neste sentido, a previsão de Geraldo Alckmin, em entrevista dada hoje, de que o cenário eleitoral irá virar de ponta-cabeça, pode estar certa.

Lula, mesmo preso na cova dos leões em que foi jogado, através de sórdida trama, maquiavelicamente urdida (assim como foi o impeachment) pela mídia e pelo judiciário, continua líder nas sondagens de intenção de voto.

O petista avançou dois pontos na segunda semana de julho, num sinal de que o imbróglio do último domingo dia 8 pode lhe ter sido favorável. Bolsonaro tem 20%, Marina 10%, Alckmin e Ciro, 7%.

Num eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 40% a 33%, segundo o XP.

Outros candidatos aparecem empatados com Bolsonaro no segundo turno, com um viés declinante para o capitão da reserva, em relação às últimas semanas. Bolsonaro e Ciro, por exemplo, pontuam 33% X 31% num eventual segundo turno entre os dois.

Clique aqui para ver os dados estratificados da pesquisa, que também não trazem nenhuma novidade. Em cenários sem Lula, Ciro e Marina crescem muito fortemente no Nordeste.

A XP tem trazido ainda um quarto cenário, em que Fernando Haddad é apresentado ao entrevistado como “o candidato apoiado por Lula”. Neste caso, o petista pontua 12%, empatado com Marina, com 11%, e à frente de Ciro, com 8%. Mas este cenário não tem muito sentido, na medida em que não está confirmado qual será o plano do PT, caso o registro de Lula seja cassado.