terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fuz, Huck, FHC e os homens sem honra

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Corrupção: quem o Judiciário protege

Por Antonio Martins, no site Outras Palavras. Transcrito no blog do Miro.
Em 22 de setembro de 2016, o ex-ministro Guido Mantega viveu um pesadelo. Às 7 da manhã, ele acompanhava sua esposa, Eliane Berger, em internamento para cirurgia contra um câncer (ela faleceu 14 meses depois). Foi surpreendido por uma ordem de prisão preventiva, decretada pelo juiz Sérgio Moro. Voltou às pressas para casa, onde a Polícia Federal o aguardava desde às seis, acompanhada de uma multidão de repórteres. “Faz as malas, reúne as coisas”, disse o delegado que chefiava a operação. Horas depois, diante da repercussão negativa provocada pela brutalidade do ato, Moro revogou a prisão. Um único fato havia servido de pretexto para decretá-la. Preso alguns dias antes, o empresário Eike Batista dissera vagamente – sem jamais oficializar a declaração ou oferecer circunstâncias – que havia pago R$ 5 milhões a Mantega, para obter vantagens do governo federal.

O caso do ex-ministro é um entre dezenas. Entre 2015 e 2017, as chamadas “delações premiadas”, oficializadas ou não, dominaram o noticiário pobre do velho jornalismo brasileiro. Os vazamentos de informação eram permanentes. Interessados em notoriedade, procuradores e policiais antecipavam para jornalistas o suposto conteúdo das denúncias. Repórteres e editores aéticos divulgavam as informações com estardalhaço, sem a menor preocupação em apurar sua veracidade. O país acreditou estar vivendo uma “cruzada contra a corrupção”. Os alvos principais eram políticos da esquerda. Mas de repente, tudo mudou – exatamente no momento em que vieram à tona as delações da Odebrecht.

Faz exatamente um ano – foi em 30/1/2017 – que a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, homologou as delações, tomadas e negociadas durante meses, de 77 executivos da maior empreiteira do Brasil. Eles revelaram o pagamento de propinas a centenas de políticos. Destes, 108, contra os quais há evidências mais graves, foram incluídos na chamada lista de Fachin – em referência ao ministro do STF encarregado, à época, de relatar a Operação Lava Jato. Retrato da promiscuidade das instituições brasileiras com o grande poder econômico, ela inclui personalidades do PT. Mas traz também outras figuras. Por exemplo, Michel Temer, que teria recebido 10 milhões de reais. José Serra, o “Vampiro” ou “Vizinho”, com R$ 36 milhões, em quatro campanhas distintas. Aécio Neves, o “Mineirinho” – um recordista, enquadrado em cinco inquéritos. Eliseu Padilha, o “Fodão”, principal articulador político do governo, hoje empenhado em liquidar a Previdência pública. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, o Inca, envolvido em corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ao contrário das afirmações feitas por Eike Batista contra Mantega, aqui não há falas vagas, mas acusações circunstanciadas. Os 77 executivos detalharam o motivo da propina, as condições em que foi paga e em alguns casos as datas dos pagamentos e números das contas receptoras. Mas há exatamente um ano, paira silêncio quase completo na mídia. Sumiram as manchetes bombásticas. Desapareceram os trechos de documentos, destacados pelo Jornal Nacional para causar impacto.

Numa rara matéria a respeito, publicada sem destaque ontem, a Folha reconhece o pior. Não foi apenas a mídia que esqueceu a delação da Odebrecht. O STF, o Ministério Público e a Polícia Federal também parecem ter perdido a memória. Dos inquéritos abertos, 94% estão parados. Ninguém foi preso. Ninguém virou réu. Apenas um político foi denunciado pela Procuradoria Geral da República – o líder do governo no Senado, Romero Jucá. Mesmo assim, Jucá, o Caju da Odebrecht, não tem motivos para perder o sono. A investigação está travada, porque o STF não a libera. Indagado pelos autores da matéria a respeito, o Supremo sequer dignou-se a responder.

Há uma suspeita fundada sobre a razão de todo este corpo mole. Os crimes prescrevem. Veja o que ocorreu na quarta-feira passada, por exemplo. Lula foi condenado em Porto Alegre, pela TRF-4. No mesmo dia, em Brasília, a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF para arquivar um dos inquéritos em que o senador José Serra é acusado de receber R$ 20 milhões da JBF. O pretexto: Serra tem mais de 70 anos e por isso, a prescrição, que já é curta, ocorre na metade do tempo… Em São Paulo, estão igualmente prestes a prescrever as acusações contra Geraldo Alckmin e o próprio Serra, por recebimento de propina para favorecer a Odebrecht em obras como o Metrô e o Rodoanel.

Ou seja, se o STF, o Ministério Público Federal e a PF continuarem agindo como fazem há um ano, teremos em breve o seguinte cenário: Lula e alguns outros ficarão inelegíveis e poderão ser presos. Mas a Justiça brasileira permitirá que Temer, Serra, Aécio, Alckmin, Rodrigo Maia e centenas de outros políticos, denunciados pela Odebrecht, JBS e outras megaempresas fiquem livres, disputem as eleições e talvez ocupem o Palácio do Planalto.

A posição claramente partidária da Justiça brasileira é uma ameaça à democracia – mas também implica riscos aos próprios privilégios do Judiciário. Setores cada vez mais amplos da opinião pública estão se dando conta da farsa. No sábado, o filósofo Vladimir Safatle, um crítico notório do lulismo, escrevia: “a sanha anticorrupção vai até Lula e termina nele (…). Um país onde Lula é condenado e Temer é presidente e Aécio Neves senador é algo da ordem do escárnio”.

Ou seja, os farsantes podem estar dando um tiro no pé, porque as duas consequências políticas à vista são muito desfavoráveis a ele. A primeira, o próprio Safatle enuncia: se a conciliação, tão tentada por Lula, mostrou-se incapaz de sensibilizar as elites, talvez seja necessário um novo tipo de governos de esquerda – ao estilo jararaca, não mais paz e amor. Segunda consequência, mais específica. O Judiciário está se desmoralizando rapidamente. Muito em breve, precisará entrar na pauta nacional uma vasta reforma deste poder profundamente elitista, perdulário e conservador. Tanto partidarismo de Moro e do TRF-4 quanto o corpo mole na apuração das delações da Odebrecht podem se voltar contra aqueles que os praticam.

Huck e a piração dos liberais frívolos

Por Luis Nassif, no Jornal GGN. Do blog do Miro

As conspirações não são planejadas nos mínimos detalhes. Criam-se as condições, abre-se a garrafa e deixam os demônios à solta. Vão sendo criadas situações, que exigem ajustes de rota, muitas vezes fugindo dos planos originais.

Mesmo assim, as apostas do sistema Globo-mercado-Insper em Luciano Huck parecem ter sido pensadas desde o início do impeachment. Tudo foi feito, desde então, para a desmoralização completa da classe política, pouco importando se de cambulhada fossem jogados fora os aliados tucanos.

O alvo central sempre foi Lula, depois o PT. Mas não houve traumas maiores quando a fogueira consumiu José Serra, Aécio Neves e quando consumir Geraldo Alckmin.

Liquidada a classe política, sobrariam dois atores de massa: as celebridades televisivas e os pastores de almas. Para a estrutura de poder, juntando classe empresarial, financistas, Huck cai como uma luva, por simbolizar uma espécie de modernidade, ainda que vazia.

JK tornou-se o mais popular dos políticos de seu tempo, inclusive aceito pelo andar de cima, por simbolizar esse lado moderno brasileiro – apesar do apoio que recebia da base trabalhista. Mas seu plano de metas incendiou a imaginação dos pequenos, médios e grandes empresários. Planejar o futuro, ainda que de forma incipiente, era o grande sinal de modernidade daqueles tempos, refletido na bossa-nova, a síntese perfeita do brasileiro moderno.

Nos tempos atuais, a bandeira hasteada é a do empreendedorismo. Huck é o empreendedor nato, desde os tempos da Feiticeira e outros personagens criados, mas é apenas isso. Pertence à geração dos jovens bilionários, os amigos de Aécio Neves, o político que levou a sofisticação do mercado aos negócios públicos.

Aliás, é necessário ainda decifrar esse fenômeno dos modernos coronéis. Em vez dos sistemas tradicionais de usufruto, novas práticas casadas com pretensos modelos modernizadores de gestão. Estão nesse grupo Marconi Perillo, Beto Richa, antes deles Aécio Neves e Eduardo Campos e o mais perigoso deles, Paulo Hartung.

Por tudo isso, é possível que Luciano Huck estivesse nos planos do golpe como o grandes desfecho desde o primeiro momento. Não João Dória Júnior e seu exibicionismo vulgar, menos ainda Alckmin e seu provincianismo, mas o bom moço, o que faz o bem de dia e monta negócios à noite, inclusive em sociedade com Accioly, um dos laranjas de Aécio.

A aposta é tão pesada que nosso dileto colaborador, André Araújo, se surpreendeu com o entusiasmo despropositado de Carlos Melo, professor do INPER, normalmente um analista sóbrio e equilibrado.

Para André, é a pior aventura que poderia acontecer com o país desde a redemocratização, endossada por nomes de quem nunca se esperaria abraçar aventuras, como Marcos Lisboa, Armínio Fraga, que nunca foram dados a fantasias.

O projeto é de uma simplicidade apavorante. Sendo popular, poderá ser eleito, principalmente se o Judiciário cumprir com sua parte nesse latifúndio, prendendo e/ou impedindo Lula de se candidatar. Huck será um mero laranja, sem nenhuma experiência e nenhuma inserção política.

Por trás dele, haverá os manejadores, como Armínio Fraga e Paulo Hartung, provavelmente executando uma plataforma ultraliberal, “que fará o governo FHC parecer um governo nacionalista”, supõe André.

Diz ele: “Nos meus mais de 70 anos nunca pensei ver o meu Pais submetido a uma palhaçada politica com apoio de alguns brasileiros alienados e frívolos. Pensar que o Brasil FOI um dos BRICS em um certo momento, um dos países lideres entre os grandes emergentes. Hoje Russia, China e Índia devem estar rindo de nós, deixamos de ser um Pais para ser um circo mambembe”.

A tentativa de comparar Huck ao ex-cowboy Ronaldo Reagan é indevida. Reagan era do meio artístico, mas foi por 30 anos presidente do poderoso Sindicato dos Atores e duas vezes governador da California antes de se aventurar à presidência.

É curioso que, quando Lula eleito, muitas vezes se usou a imagem do PRI mexicano como ameaça, o pacto político que juntou crime organizado, poderes Judiciário e Legislativo e a classe política mais corrupta das Américas.

Hoje se caminha a passos largos para institucionalizar um PRI brasileiro, sem povo e sem votos, mas com todos os vícios do modelo mexicano.

Tuiuti constrange a Globo e os "midiotas"


Por Altamiro Borges, em seu blog

O desfile da Paraíso do Tuiuti, que agitou o Sambódromo do Rio de Janeiro neste domingo (11), segue bombando nas redes sociais. Em várias enquetes, os internautas já elegeram a escola como a melhor do Carnaval de 2018. Com muita irreverência e criatividade, ela retratou a escravidão no Brasil, exibindo as carteiras de trabalho destruídas pela “deforma” trabalhista do covil golpista. O destaque, porém, foi o carro alegórico com a gigantesca e tenebrosa figura em alusão ao usurpador Michel Temer – “O Vampiro Neoliberalista”. Abaixo da figura sinistra, diversos passistas batendo panelas, vestindo camisetas da “ética” CBF e carregando seus patinhos amarelos da “incorruptível” Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – verdadeiros fantoches!

A escola pode até não vencer o disputado carnaval carioca, mas já causou frisson e constrangimento. Como registrou o crítico de televisão Maurício Stycer, do UOL, a Tuiuti deixou na defensiva os apresentadores da Globo – a principal protagonista do golpe dos corruptos que depôs Dilma Rousseff e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer. “Do camarote da Globo, onde narrava o desfile, Fátima Bernardes, Alex Escobar e Milton Cunha reagiram com comedimento ao surpreendente protesto, como se estivessem constrangidos”. Eles evitaram comentar os fantoches manipulados pela mídia e sequer citaram o nome de Michel Temer – apesar da faixa presidencial do vampirão. “Encerrado o desfile, o camarote da Globo recebeu vários participantes da Tuiuti – mas nem o vampiro, nem os ‘manifestoches’ foram assuntos das entrevistas”.

O constrangimento da emissora é perfeitamente compreensível. Se fosse possível, ela simplesmente censuraria o desfile. Ela apoiou o golpe de forma consciente, planejada, e segue apoiando a quadrilha no poder com suas contrarreformas que impõem a volta da escravidão e o fim da aposentadoria no Brasil. A dúvida é sobre como se comportaram diante da telinha os “midiotas” que foram às ruas na cavalgada golpista com suas camisetas amarelas da CBF e os patinhos da Fiesp. Será que eles já perceberam que foram os grandes otários retratados neste magistral desfile? Ou é preciso desenhar?

Abaixo, reproduzo o samba-enredo da escola Paraíso do Tuiuti:

*****

Meu Deus, meu Deus! Está extinta a escravidão?

Irmão de olho claro ou da Guiné

Qual será o valor? Pobre artigo de mercado

Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor

Tenho sangue avermelhado

O mesmo que escorre da ferida

Mostra que a vida se lamenta por nós dois

Mas falta em seu peito um coração

Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz



Eu fui mandinga, cambinda, haussá

Fui um rei egbá preso na corrente

Sofri nos braços de um capataz

Morri nos canaviais onde se planta gente



Ê calunga! Ê ê calunga!

Preto Velho me contou, Preto Velho me contou

Onde mora a senhora liberdade

Não tem ferro, nem feitor



Amparo do rosário ao negro Benedito

Um grito feito pele de tambor

Deu no noticiário, com lágrimas escrito

Um rito, uma luta, um homem de cor



E assim, quando a lei foi assinada

Uma lua atordoada assistiu fogos no céu

Áurea feito o ouro da bandeira

Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel



Meu Deus! Meu Deus!

Se eu chorar não leve a mal

Pela luz do candeeiro

Liberte o cativeiro social



Não sou escravo de nenhum senhor

Meu Paraíso é meu bastião

Meu Tuiuti o quilombo da favela

É sentinela da libertação

Shell deita e rola nos eventos de Brasília, depois de lobby denunciado por diário britânico

https://l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.viomundo.com.br%2Fdenuncias%2Fshell-deita-e-rola-nos-eventos-de-brasilia-depois-de-lobby-denunciado-por-diario-britanico.html&h=ATOHtjKoSmfTJOxSilTEYKO-KWak817QURS7bSyJh5t4-5Ped5l8ok2DQ0fot3N5zhR9IcOezztxzM1wrqMKZsidwJdkLT7pVEuX16Pj_hky2GaNG_K2MtqLwgPyhw9DuaYlCLoLndj-vRjNTVyA92XSIh-o0Smpa2yCKwgAXct3Q13chDeqNdBMWF65veFDgMpoB-kA-42gvuYVsk2XCKpW2XkGzy7nb6zZwptTnlVbkYrAZRFzz1bgMGQOrz36njVcwLUy5vDmRQ

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Agenda de guerra no Brasil: as ilusões são nossas inimigas.



 *José Álvaro de Lima Cardoso.
     Recentemente (06.02) o jornalista Bob Fernandes denunciou a realização em São Paulo, de um evento organizado pela FBI, tratando de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes e da Lava Jato. Presentes, vários chefes da organização policial americana, além de empresários, investidores, advogados, do Brasil. A entrada da imprensa no evento foi proibida. Bob Fernandes comentou o evidente absurdo da situação: “imaginem: nossa Policia Federal estrelando evento como esse em território norte-americano”. Não custa lembrar que, em 2013, a presidente da República cancelou uma viagem aos EUA, porque vieram à tona os grampos da NSA do palácio Alvorada, Itamaraty, Petrobras e até o telefone pessoal da presidente.  
    O acontecimento evidencia, o que já era largamente conhecido, a relação da Lava Jato com os comandantes do golpe no Brasil e, principalmente, com o Império. É sabido e já documentado (teremos muito mais detalhes no futuro) que a operação esteve sempre em articulação com o Departamento de Justiça americano, e com as agências de espionagem estadunidenses (NSA, a CIA, o FBI). Para atingir seus intentos a operação usou todos os procedimentos ilegais possíveis: prisões arbitrárias, vazamento seletivo de delações de criminosos, desrespeito à presunção de inocência, escuta telefônica ilegal da presidenta da República. Incendiaram a opinião púbica, contra pessoas delatadas, espalhando o ódio na classe média manipulada, com a conivência do STF.
     O site Wikileaks, que publica documentos internos do governo dos EUA, divulgou que, em outubro de 2009, o Departamento de Estado daquele país realizou um seminário de cooperação, que contou com a presença de membros da Polícia Federal, Judiciário, Ministério Público, no Rio de Janeiro. Deste seminário, (“Projeto Pontes: construindo pontes para a aplicação da lei no Brasil”), participaram promotores e juízes federais dos 26 estados brasileiros, além de 50 policiais federais de todo o país. A delegação do Brasil era a maior do grupo, que tinha membros de vários países latino americanos. Segundo o material divulgado pelo Wikileaks, que alguns blogs no Brasil divulgaram, os policiais americanos ensinaram aos aprendizes do Brasil e demais países, técnicas de investigação nos casos de lavagem de dinheiro, confisco de bens, métodos para extrair provas dos acusados, negociação de delações premiadas, uso de exame como ferramenta, etc. Este evento mostrou, mais uma vez, o descuido das autoridades brasileiras com interferências deste tipo, tão mais graves porque vindas do país mais imperialista do mundo. O evento, possivelmente, levou à criação da Força Tarefa Lava.
    Em fevereiro de 2015, o então procurador geral da República, Rodrigo Janot, e um grupo de procuradores da força-tarefa responsável pela Operação Lava Jato, foram aos Estados Unidos trocar informações com autoridades americanas sobre as investigações das fraudes na Petrobras. Os procuradores realizaram reuniões com o Departamento de Justiça, o FBI, o Banco Mundial e na OEA (Organização dos Estados Americanos). Todas estruturas de controle da informação e dominação utilizadas pelo imperialismo. Essas são informações oficiais, possivelmente uma série de encontros foram realizados de forma sigilosa. Se o golpe não fosse uma tragédia gigantesca, seria uma piada pronta. Os procuradores foram tratar do problema de corrupção na Petrobrás com representantes do país que é, de longe, o mais corrupto do mundo. Como está fartamente documentado, os EUA usam todos (TODOS) os recursos possíveis e imagináveis, financiando golpes e comprando governantes no mundo todo, para acessar riquezas e matérias-primas e conservar sua hegemonia (que, aliás, se encontra em crise).
     Sérgio Moro e Rodrigo Janot Sérgio (até o final do seu mandato) atuaram sempre em parcerias com órgãos dos Estados Unidos. Fato que não fazem muita questão de esconder. Recentemente, em novembro de 2017, Sergio Moro impediu mais uma testemunha de responder perguntas sobre a ligação entre a Lava Jato e os Estados Unidos, alegando que não iria colocar em risco um acordo de delação do interrogado com autoridades americanas por um "mero capricho" da defesa de Lula. Tudo indica que foi montado um acordo informal com o Departamento de justiça dos EUA, para “exportar” delatores, sem a participação do Ministério da Justiça brasileiro.  
     O golpe visa a destruição do Brasil enquanto nação soberana. Daí o fato de que não apenas e matérias primas e empresas estão sendo entregues ou desarticuladas, mas principalmente as possibilidades de geração de pesquisa e conhecimento está sob ataque inusitado. Razão pela qual estão destruindo a Universidade Pública, a pesquisa, a ciência, e a inovação. Os objetivos dos entreguistas que assaltaram o poder é transformar o Brasil numa espécie de proterado dos EUA. Por isso a entrega de todos os ativos estratégicos para as empresas estrangeiras, tanto para a economia, quanto para a segurança nacional: campos bilionários do pré-sal, usinas hidrelétricas, terras férteis, parte da Amazônia, companhias de água e saneamento, Casa da Moeda, etc.
     Estão implementando, com determinação e rapidez uma agenda de guerra no Brasil. Um dos objetivos centrais da referida agenda é impedir a retomada da industrialização e internacionalizar ainda mais a economia brasileira, tornando o país uma plataforma de matérias primas das multinacionais. A ideia dos estrategistas do golpe, ao que tudo indica, é destruir tudo o que existe de público e estatal como empresas estatais estratégicas, seguridade social, ensino público e gratuito, saúde pública, previdência social. É também uma política de assalto à renda e as condições de vida do povo brasileiro. Mas o conjunto de maldades que está sendo encaminhado contra o povo e contra o país, está só começando, vem muito mais coisa por aí.
     No dia 1º de fevereiro, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, sugeriu a possibilidade de um golpe militar na Venezuela. Segundo ele “na história da Venezuela, e dos países sul-americanos, às vezes os militares são o agente da mudança quando as coisas estão ruins e a liderança não serve ao povo”. Essa foi a manifestação de um secretário de Estado do país que lidera o golpe no Brasil, e que vem perpetrando golpes mundo afora, com a ajuda de militares ou não. Com um detalhe: os EUA sabem que a tentativa de golpe na Venezuela enfrentaria uma firme resistência, que inclusive vem sendo preparada pelo governo. Aqui, se preciso for, irão continuar tentando dar uma fachada de legalidade ao golpe. Mas se houver necessidade, dependendo da reação da população à implantação da agenda de guerra, podem dar um golpe e instalar uma ditadura militar. A essa altura dos acontecimentos, a partir das peças que já estão postas no tabuleiro, não deveria haver ilusões quanto à essa possibilidade.
                                                                                             *Economista.

Lava Jato: as brechas para a interferência dos EUA

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