sábado, 30 de novembro de 2013
Pesquisa mostra que 56% dos homens já foram agressivos com a companheira
Flávia Albuquerque - Agência Brasil - 29.11.2013 - 14h50 | Atualizado em 29.11.2013 - 15h48
Violência contra a mulher
A pesquisa mostrou ainda que 16% dos entrevistados admitem já ter sido agressivos com a companheira. Mas quando listada uma série de atitudes consideradas violentas, é que se chega ao resultado de 56% deles admitindo terem sido agressivos.
São Paulo - Uma pesquisa elaborada pelo Data Popular a pedido do Instituto Avon revelou que 56% dos homens já tiveram atitudes que caracterizam violência doméstica contra suas parceiras. De acordo com a pesquisa “Percepções dos Homens Sobre a Violência Doméstica contra a Mulher”, divulgada hoje (29), na capital paulista 41% dos brasileiros conhecem pelo menos um homem que tenha sido violento com sua parceira. Para fazer a pesquisa foram entrevistados 995 homens e 505 mulheres a partir de 16 anos em 50 municípios das cinco regiões do país.
A pesquisa mostrou ainda que 16% dos entrevistados admitem já ter sido agressivos com a companheira. Mas quando listada uma série de atitudes consideradas violentas, é que se chega ao resultado de 56% deles admitindo terem sido agressivos. Entre os itens apontados estão: xingou, empurrou, ameaçou com palavras, deu um tapa, um soco, impediu de sair de casa, arremessou algum tipo de objeto, humilhou em público,obrigou a fazer sexo sem vontade e ameaçou com arma.
Segundo o estudo 53% dos homens entram no casamento com expectativa de felicidade, mas a mesma porcentagem atribui à mulher a responsabilidade pelo sucesso da união. Ainda dentro das expectativas 85% acham inaceitável a mulher ficar alcoolizada 69% não concordam que ela saia com amigos sem sua companhia e 46% consideram inaceitável o uso de roupas justas e decotadas.
O estudo indicou também que a mulher ainda é vista como responsável pelo trabalho doméstico, já que 89% não aceitam que a mulher não mantenha a casa em ordem. Em outro aspecto a pesquisa constatou que 29% dos entrevistados acreditam que o homem só bate porque a mulher provoca e 23% batem porque só assim a mulher "cala a boca", além de que 12% acha que têm razão em bater na mulher caso ela os traia.
De acordo com o estudo o ambiente na infância pode ser o fator influente no comportamento do homem adulto 67% dos agressores presenciaram discussões dos pais quando crianças, enquanto entre os não agressores esse número cai para 47%. Entre os agressores 21% viram violência física e entre os não agressores esse índice cai para 9%.
Quando questionados sobre a Lei Maria da Penha 92% dos homens se disseram favoráveis, mas 35% afirmaram que a desconhecem parcial ou totalmente. A maioria dos homens não entende que a lei atua para diminuir a desigualdade de gênero. Para 37% as mulheres desrespeitam mais os homens por causa da lei e 81% defendem que os homens também deveriam ser protegidos pela lei.
O presidente da Avon, David Legher observou que a pesquisa mostrou que a sociedade ainda está muito longe de poder dizer que a violência doméstica não existe. Segundo ele a ideia de ouvir homens nesta edição da pesquisa que é feita desde 2009, veio para sentir as impressões do gênero sobre o tema e o resultado impressionou. "No Brasil a cada quatro minutos uma mulher é vítima de violência doméstica e a cada minuto uma morre em função disso. Temos que erradicar esse comportamento da sociedade. A pesquisa mostra que a mulher acha normal que isto aconteça. O primeiro passo é a mulher acordar desta situação. Tem que perceber e contar esta história para alguém", ressaltou.
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, destacou que o poder público não tem condições de enfrentar esta realidade sozinho e para acabar com a violência contra as mulheres é necessário que os movimentos sociais e empresas participem. “As parcerias com empresas e movimentos sociais são uma determinação do Governo Federal. Temos que aproveitar e transformar isto em políticas pública, porque neste momento se reconhece a existência do fenômeno. E estas políticas públicas devem reverter de fato estes dados”.
O fato de muitas atitudes violentas serem consideradas normais pelos homens e nem serem lembradas por eles é cultural e patriarcal, como se fizesse parte do contrato do casamento. Eleonora lembrou que até dez anos atrás as feministas ficavam isoladas sem conseguir mostrar essa realidade. “No governo de Luiz Inácio Lula da Silva as políticas ficaram mais sérias e punitivas. O machismo existe e temos que mudar essa sociedade sexista. Nas novas gerações já há mudanças de comportamento”.
A ministra disse não ver muitas mudanças entre os homens adultos. “Depende do meio em que vive, a cultura em que está envolvido, mas acredito que estamos no caminho certo porque a sociedade está inteiramente mobilizada. Esta mudança de mentalidade é para mim os maiores desafios. Devem ser feitas campanhas acesso maior das mulheres à informação, acolhimento maior e julgamentos exemplares”, explicou.
A POLÍTICA CRIMINOSA DO BLOQUEIO A CUBA
“A maioria dos cidadãos cubanos nasceu sob as punições e ressalvas que o bloqueio exercido durante mais de meio século pelos Estados Unidos reserva aos moradores da vizinha e pequena ilha. Resulta o mais longo cerco econômico, comercial e financeiro da história, assegurado por leis e disposições [norte-americanas, mas condenado pela comunidade internacional].
Por Orlando Oramas León, na “Prensa Latina”
CUBA LIBRE
São os [ridículos e criminosos] itens ["jurídicos"] seguidos pelas autoridades da potência do norte, perseguindo e punindo nem só ao povo de Cuba, senão também aos cidadãos, empresas e interesses de terceiras nações.
É extraterritorial, mas, além disso, é criminoso, por quanto seu propósito principal é submeter por fome, doenças e carências a população humana toda.
Fato cotidiano para os cubanos, não por se terem acostumados a viver sob seus efeitos, mas sim por terem vencido a situação e por terem ainda se colocado por cima de todas suas penalidades, desde o desumano até o ridículo.
Não se livram os meninos com cardiopatias, também não se livram os doentes do HIV-AIDS, nem e os acadêmicos e artistas, nem esportistas, quer dizer, o conjunto da sociedade do país caribenho.
O bloqueio torna impossível a vida dos cubanos e, para isso, obsta as compras do país, medicamentos, instrumentos e outros insumos do sistema de saúde pública.
Por esse conceito, entre maio de 2012 e abril de 2013 um país de limitados recursos como Cuba teve de designar 39 milhões de dólares na aquisição desses produtos vitais para a vida de seus moradores em mercados longínquos ou através de intermediários.
Mas, há ainda mais. Os especialistas cubanos de saúde defrontam dificuldades para seu treino em técnicas de atendimento médico.
Acontece a mesma coisa com os equipamentos de imagens médicas controlados ou apoiados no sistema operacional Windows XP de 64 bits. A sua ativação em Cuba não é possível, devido ao bloqueio.
Especialistas do “Instituto Nacional de Oncologia e Radio biologia” foram proibidos de participarem da oficina do “Sistema LabWare-LIMS”, celebrado na Colômbia, sob o pretexto de que a empresa norte-americana “LabWare”, patrocinadora do evento, não podia tratar assuntos com Cuba.
Também o “Centro Nacional de Genética Médica” está no alvo das atenções do “Escritório de Ativos Estrangeiros” (OFAC) do Congresso [dos EUA], uma das principais mãos executivas da política norte-americana de isolamento contra o vizinho país.
O Centro segue sem a aquisição de um Analisador Genético, produzido apenas por companhias norte-americanas como a “Applied Biosystems”, da “Life Technologies”.
O “Instituto Nacional da Gastrenterologia”, no central bairro do Vedado, em Havana, precisa de equipamento de radiofrequência. Trata-se de equipamento que, no nosso continente, comercializa a empresa “Olympus Latin America Inc.” Mas, é tecnologia norte-americana e, portanto, os pacientes cubanos não podem usá-la.
Meninos da ilha, mas, também de outros países salvaram suas vidas no “Cardiocentro Pediátrico William Soler", de Havana. Mas, essa emblemática instituição defronta sérias dificuldades para adquirir óxido nítrico, gás fabricado por companhias americanas e europeias.
Seu uso terapêutico, inalado, fundamenta-se em sua capacidade para obter vasodilatação pulmonar potente e sustentada sem reduzir o tom vascular sistêmico de modo significativo.
"Por seu efeito potente, esse gás é utilizado para tratar as crises de hipertensão pulmonar que se apresentam no pós-operatório da cirurgia cardiotorácica pediátrica, complicação que pode causar a morte ao paciente, apesar da boa efetividade da cirurgia". É a opinião da doutora Herminia Palenzuela, responsável pelo programa de qualidade do referido hospital.
Por se tratar de gás com características especiais, não se pode deslocar de avião, e seu transporte em navio requer um conjunto de precauções, explicou.
"Se torna difícil garantir deslocamento em navio desde países longínquos. Além disso, necessitaríamos fornecimento estável, porque se trata de pacientes com cardiopatias críticas que não podem ficar à espera".
"Pela distância curta que existe entre Cuba e os Estados Unidos, caso pudéssemos adquiri-lo lá, existiria fluxo constante, mas, não temos acesso", disse à imprensa local.
Palenzuela, também professora consultora, referiu que a presença de hipertensão pulmonar persistente depois de operado o paciente ou da aparição de crises de hipertensão pulmonar agudas, é observada com frequência em meninos recém-nascidos e lactantes pequenos.
Outra das limitações do bloqueio [norte-americano] que afeta a cardiologia pediátrica em Cuba é a impossibilidade de acessar ao “Sevoflurane”, o melhor anestésico pediátrico para a cirurgia cardiovascular e que apenas é produzido nos Estados Unidos.
Do mesmo jeito, o Instituto de Nefrologia confronta dificuldades com a não-disponibilidade de kits para transtornos tissulares HLA, produzidos pela firma de origem norte-americana “One Lambda”, que interdita sua venda a Cuba. Tal proibição não cessa, mesmo diante do fato de esse produto ser fundamental para impedir o fenômeno da rejeição nos transplantes ou no enxerto contra o receptor, segundo critérios de compatibilidade.
Os pacientes com o HIV da maior ilha das Antilhas são discriminados e tratados como "inimigos", pois são impedidos de receber as combinações de antirretrovirais que inserem “Tenofovir” da firma “Gilead”.
É comprida a listagem das consequências do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, contidas no relatório que já circula na Assembleia Geral da ONU. Será um glossário de perdas e punições que sofre um país pequeno, em vias de desenvolvimento, mas, sobretudo, é a demonstração de política criminosa que põe em perigo a vida de toda uma nação.”
FONTE: escrito por Orlando Oramas León e publicado na “Prensa Latina”. O autor é Editor Chefe da Redação Nacional da “Prensa Latina”. Transcrito no portal "Vermelho" (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=230420&id_secao=7
Transcrito do blo Democracia e Política
O TAL DE “MUNDO MAIS SEGURO”...
1ª. Bomba Nuclear subaquática detonada no mundo (Atol Bikini - 1946)
Por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado no blog “Redecastorphoto”

Manlio Dinucci
“Quer dizer, então, que “a diplomacia abriu um novo caminho rumo a um mundo mais seguro – um futuro no qual se possa confirmar que o programa nuclear iraniano é pacífico e que o Irã não poderá produzir bombas atômicas”...
A boa nova foi anunciada um mês antes do Natal, pelo laureado do Prêmio Nobel, presidente Barack Obama: ele acabava de fazer um mundo mais seguro. Assim sendo, poderia continuar a aumentar os arsenais de bombas atômicas que os EUA mantêm na Europa: as B61-11 foram transformadas em B61-12, que também podem ser usadas como bombas rebenta-bunker no caso de um primeiro ataque nuclear...
É parte do “mapa do caminho” do governo Obama para manter a supremacia nuclear dos EUA.
Os EUA mantêm cerca de 2.150 ogivas nucleares armadas, quer dizer, em prontidão, prontas para serem lançadas por mísseis e bombardeiros; além de outras 2.500 ogivas em arsenais, mas que podem ser rapidamente ativadas e outras 3.000 adicionais que foram descartadas, mas não desmanteladas e que podem ser reativadas: no total, são cerca de 8.000 ogivas nucleares.

Por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado no blog “Redecastorphoto”
Manlio Dinucci
“Quer dizer, então, que “a diplomacia abriu um novo caminho rumo a um mundo mais seguro – um futuro no qual se possa confirmar que o programa nuclear iraniano é pacífico e que o Irã não poderá produzir bombas atômicas”...
A boa nova foi anunciada um mês antes do Natal, pelo laureado do Prêmio Nobel, presidente Barack Obama: ele acabava de fazer um mundo mais seguro. Assim sendo, poderia continuar a aumentar os arsenais de bombas atômicas que os EUA mantêm na Europa: as B61-11 foram transformadas em B61-12, que também podem ser usadas como bombas rebenta-bunker no caso de um primeiro ataque nuclear...
É parte do “mapa do caminho” do governo Obama para manter a supremacia nuclear dos EUA.
Os EUA mantêm cerca de 2.150 ogivas nucleares armadas, quer dizer, em prontidão, prontas para serem lançadas por mísseis e bombardeiros; além de outras 2.500 ogivas em arsenais, mas que podem ser rapidamente ativadas e outras 3.000 adicionais que foram descartadas, mas não desmanteladas e que podem ser reativadas: no total, são cerca de 8.000 ogivas nucleares.

Arsenal nuclear da OTAN (EUA) depositado na Turquia
O arsenal russo é comparável, mas são menos ogivas prontas para lançamento, só cerca de 1.800. O novo Tratado START entre os EUA e a Rússia não limita o número de ogivas nucleares operacionais nos respectivos arsenais, mas só as ogivas em estado de prontidão para serem lançadas de transportadores estratégicos com alcance superior a 5.500 km (3.418 milhas): o teto foi fixado em 1.550 ogivas para cada lado, mas já foi ultrapassado, porque cada bombardeiro é contado como uma ogiva, apesar de carregar 20 ou mais bombas. O Tratado START deixa aberta a possibilidade de melhoria na qualidade das forças nucleares.
Para tanto, os EUA estão instalando um “escudo” antimísseis na Europa, ostensivamente “para neutralizar um ataque iraniano” (hoje, impossível), mas, de fato, para obter vantagem estratégica sobre a Rússia, a qual está tomando contramedidas.
Além das ogivas norte-americanas, a OTAN tem mais 300 ogivas francesas e mais 225 ogivas britânicas, nucleares, é claro, praticamente todas em posição para lançamento a qualquer momento.
Israel – que é a única potência nuclear em todo o Oriente Médio e, diferente do Irã, não assinou o “Tratado de Não Proliferação Nuclear” – tem algo entre 100 e 300 ogivas, com vetores de transporte e disparo; e produz plutônio suficiente para fabricar 10-15 novas ogivas nucleares por ano, semelhantes à que os EUA usaram em Nagasaki. Israel também produz trítio, gás radiativo usado para fabricar ogivas de neutrons, que causam menor contaminação radiativa, mas são mais letais.
Em 1986 Mordechai Vanunu revelou ao mundo a existência do arsenal nuclear de Israel
Ao mesmo tempo, a confrontação nuclear está se desenvolvendo na região Ásia/Pacífico, onde os EUA estão promovendo uma escalada militar. A China tem arsenal nuclear, estimado em cerca de 250 ogivas, e cerca de 60 mísseis balísticos intercontinentais. A Índia tem cerca de 110 ogivas nucleares. O Paquistão, 120. E a Coréia do Norte, como se sabe, também tem as suas.
Além desses nove países que possuem armas atômicas, há pelo menos mais 40 outros em posição de comprá-las. De fato, não há nenhuma separação entre o uso civil e o uso militar da energia nuclear, e se pode obter urânio e plutônio enriquecido o bastante para fabricar bombas atômicas, de praticamente qualquer reator. Estima-se que o mundo já acumulou quantidade suficiente desses materiais para produzir mais de 100 mil bombas atômicas; e continua a produzi-los em quantidades crescentes: há mais de 130 reatores nucleares “civis”, que produzem urânio altamente enriquecido, pronto para produzir armas atômicas.
Aí está! Eis o tal o mundo “tornado mais seguro”... “porque” as cinco maiores potências nucleares plus a Alemanha (que vendeu a Israel submarinos nucleares de ataque) assinaram um acordo pelo qual “o programa nuclear do Irã será exclusivamente pacífico”. [Pano rápido].
FONTE: escrito por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado por Castor Filho no blog “Redecastorphoto”. O autor, Manlio Dinucci, é geógrafo e geopolíticólogo italiano. Suas últimas publicações são: “Geocommunity”, Ed. Zanichelli 2013; “Geografia del ventunesimo secolo”, Zanichelli 2010; “Escalation. Anatomia della guerra infinita”, Ed. DeriveApprodi 2005 (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/11/o-tal-de-mundo-mais-seguro.html).
O arsenal russo é comparável, mas são menos ogivas prontas para lançamento, só cerca de 1.800. O novo Tratado START entre os EUA e a Rússia não limita o número de ogivas nucleares operacionais nos respectivos arsenais, mas só as ogivas em estado de prontidão para serem lançadas de transportadores estratégicos com alcance superior a 5.500 km (3.418 milhas): o teto foi fixado em 1.550 ogivas para cada lado, mas já foi ultrapassado, porque cada bombardeiro é contado como uma ogiva, apesar de carregar 20 ou mais bombas. O Tratado START deixa aberta a possibilidade de melhoria na qualidade das forças nucleares.
Para tanto, os EUA estão instalando um “escudo” antimísseis na Europa, ostensivamente “para neutralizar um ataque iraniano” (hoje, impossível), mas, de fato, para obter vantagem estratégica sobre a Rússia, a qual está tomando contramedidas.
Além das ogivas norte-americanas, a OTAN tem mais 300 ogivas francesas e mais 225 ogivas britânicas, nucleares, é claro, praticamente todas em posição para lançamento a qualquer momento.
Israel – que é a única potência nuclear em todo o Oriente Médio e, diferente do Irã, não assinou o “Tratado de Não Proliferação Nuclear” – tem algo entre 100 e 300 ogivas, com vetores de transporte e disparo; e produz plutônio suficiente para fabricar 10-15 novas ogivas nucleares por ano, semelhantes à que os EUA usaram em Nagasaki. Israel também produz trítio, gás radiativo usado para fabricar ogivas de neutrons, que causam menor contaminação radiativa, mas são mais letais.

Em 1986 Mordechai Vanunu revelou ao mundo a existência do arsenal nuclear de Israel
Ao mesmo tempo, a confrontação nuclear está se desenvolvendo na região Ásia/Pacífico, onde os EUA estão promovendo uma escalada militar. A China tem arsenal nuclear, estimado em cerca de 250 ogivas, e cerca de 60 mísseis balísticos intercontinentais. A Índia tem cerca de 110 ogivas nucleares. O Paquistão, 120. E a Coréia do Norte, como se sabe, também tem as suas.
Além desses nove países que possuem armas atômicas, há pelo menos mais 40 outros em posição de comprá-las. De fato, não há nenhuma separação entre o uso civil e o uso militar da energia nuclear, e se pode obter urânio e plutônio enriquecido o bastante para fabricar bombas atômicas, de praticamente qualquer reator. Estima-se que o mundo já acumulou quantidade suficiente desses materiais para produzir mais de 100 mil bombas atômicas; e continua a produzi-los em quantidades crescentes: há mais de 130 reatores nucleares “civis”, que produzem urânio altamente enriquecido, pronto para produzir armas atômicas.
Aí está! Eis o tal o mundo “tornado mais seguro”... “porque” as cinco maiores potências nucleares plus a Alemanha (que vendeu a Israel submarinos nucleares de ataque) assinaram um acordo pelo qual “o programa nuclear do Irã será exclusivamente pacífico”. [Pano rápido].
FONTE: escrito por Manlio Dinucci, no jornal “Il Manifesto”, da Itália, sob o título “L'ARTE DELLA GUERRA: Ecco «il mondo più sicuro”. Artigo traduzido pelo “pessoal da Vila Vudu” e postado por Castor Filho no blog “Redecastorphoto”. O autor, Manlio Dinucci, é geógrafo e geopolíticólogo italiano. Suas últimas publicações são: “Geocommunity”, Ed. Zanichelli 2013; “Geografia del ventunesimo secolo”, Zanichelli 2010; “Escalation. Anatomia della guerra infinita”, Ed. DeriveApprodi 2005 (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/11/o-tal-de-mundo-mais-seguro.html).
MENSAGEM À CLASSE MÉDIA
“Manifesto por menos impostos, pelo combate à corrupção e contra a subversão? Um alerta para você perceber a tempo que pode estar fazendo o jogo do (seu) inimigo...

Você que é classe média, seja a favor da redução de impostos, sim: menos impostos para a classe média e imposto zero para famílias pobres, para periferias. Defenda mais imposto para ricos. Essa agenda, a da tributação progressiva, a da justiça tributária – paga mais quem tem mais –, é sua. Assim é que se vai financiar a melhoria dos serviços públicos. Não caia na conversa fiada de que imposto para rico, banco, fazenda e empresa é “um fardo que inviabiliza a competitividade econômica” – na verdade, eles nunca serão a favor de abrir mão de qualquer parte de seus ganhos e lucros, evidentemente, e se pudessem não pagariam nada. Repare como os jornais, a TV, nunca debatem esse tema. Ou melhor, até debatem, mas quando o fazem é sempre do ponto de vista do andar de cima. É um sinal, não acha?

Sem saber, assim como na extinção da CPMF, fazendo o jogo do inimigo
Você que é classe média, seja sim a favor do combate à corrupção: contra a compra de jornais ditos independentes por políticos que tentam tapear você, manchete após manchete, vendendo como notícia o que é manobra de blindagem. Contra a chantagem de promotores que ameaçam com denúncias para amealhar fortunas. Contra o financiamento privado de campanhas eleitorais, que torna os representantes no parlamento marionetes dos mais diversos interesses empresarias ou de máfias. É óbvio, mas repare que (quase) ninguém defende uma correção radical dessa anomalia.
Classe média, não seja complexado(a). A síndrome de vira-lata em relação ao Brasil é sistematicamente alimentada no contexto de uma estratégia geopolítica. Claro, seja crítico. Mas não seja derrotista, envergonhado. Você nasceu aqui, ou veio viver aqui: defenda seu lugar. Repare que, muitas vezes, o noticiário que você lê, ouve ou vê, embora seja veiculado em português, parece ter sido produzido fora daqui. Não é curioso?
Você que é classe média, seja conservador. Conserve o que vale a pena ser conservado: a Constituição, por exemplo; ou a política de distribuição de renda; ou a excelente concepção do SUS. Lembre que certos tribunos da República de hoje promoveram, há pouco tempo, a compra de votos para aprovar a reeleição presidencial no curso do primeiro mandato do maior interessado na mudança. Isso que é subversão! Note que forçar condenações sem provas e espernear contra o direito de recorrer é inconstitucional. Isso é subversão. Entenda que educação e saúde públicas, universais e de qualidade liberariam seu orçamento de classe média de um grande fardo. Lembre quem derrubou a CPMF [sonegadores, PSDB e DEM], que financiaria a saúde pública. Pense em quem nunca investiu na expansão das universidades federais. Faça esse esforço e você vai perceber que estão tentando fazer você de bobo. Ser feito de bobo da corte parece ser um papel histórico da classe média que você pode romper, para seu próprio benefício.”
FONTE: escrito por Ricardo Muniz no “Brasil 247” (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/122129/%C3%80-classe-m%C3%A9dia.htm) Retirado do blog Democracia & Política
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
O Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios representa o que há de melhor entre o povo brasileiro
Depoimento: José Álvaro de Lima Cardoso (supervisor
técnico do Escritório Regional do DIEESE em Santa Catarina)
Ao longo de 25 anos de estreita
convivência (física, inclusive, pois a sede do Sindicato é vizinha “de parede” do
DIEESE), tornei-me testemunha ocular do trabalho desenvolvido pela direção do Sindicato
dos Trabalhadores em Edifícios de Florianópolis. É trabalho árduo, feito com uma
categoria sofrida, explorada e que tem condição de trabalho bastante precária. Com o passar dos anos, através da convivência
e das lutas enfrentadas lado a lado, tornei-me um admirador dos líderes do
Sindicato e de suas muitas qualidades. Simplicidade, disposição para o trabalho
duro, bom humor - habilidades desenvolvidas pelas dificuldades trazidas pela
vida – são algumas das características do pessoal da direção da entidade. Na
realidade, é claro, essas são qualidades da própria categoria, de onde surgem
seus líderes e dirigentes sindicais. Pessoas de história densa e sofrida, que vêm
do interior do estado, ou mesmo de estados vizinhos, para vencer: ter um
emprego, uma casa, constituir uma família; conquistar, na garra, vida digna.
Chama atenção como o Sindicato consegue
conciliar um forte trabalho de base, (fazendo visitas permanentes aos
trabalhadores em seu postos de trabalho), com uma adequada visão dos grandes
temas de interesse nacional. A ação do Sindicato está longe de ser meramente
corporativa. Apesar de contar com apenas dois diretores liberados, essa direção
está sempre presente nos eventos da sua central (a CUT), nas atividades
promovidas pela FECESC, nos debates sobre temas diversos organizados pelo
DIEESE. Em função dessa ativa participação nas atividades coletivas, a direção
tem clareza das grandes lutas e dos grandes temas dos trabalhadores brasileiros.
Os dirigentes do Sindicato, mesmo os não liberados, têm opinião formada sobre
salários, salário mínimo, emprego, renda, questão de gênero, racial, enfim, dos
grandes temas relacionados aos trabalhadores.
As limitações de escolaridade dos
trabalhadores da base, não atrapalham a comunicação entre estes e os dirigentes
sindicais. Os sindicalistas desenvolveram com o tempo uma compreensão das
possibilidades e limitações de sua base, o que possibilita encaminhar as
discussões com fina pedagogia e entendimento das especificidades da categoria. Esse
tipo de habilidade não é fácil de se desenvolver, ela só amadurece com esforço,
perseverança e convivência permanente com os trabalhadores, através das
conversas e troca de ideias. O Jornal do Sindicato, por exemplo, ao invés de
ser enviado pelos Correios, é entregue pelos dirigentes, de mão em mão,
oportunidade ímpar para troca de ideias, de informações, críticas e/ou
sugestões. É um trabalho difícil, que não é pra qualquer um, e é feito com
esmero e dedicação.
Tivemos uma amostra decisiva das
qualidades do Sindicato por ocasião da luta pela implantação dos pisos
estaduais em Santa Catarina, vitoriosa em 2009. O
movimento sindical catarinense empreendeu uma batalha de (no mínimo) três anos
para implantar os pisos estaduais, a partir de meados de 2006. A unidade e a
perseverança do movimento sindical catarinense foram imprescindíveis em toda a
caminhada até setembro de 2009 quando a Lei 459/09 foi aprovada. Vigentes a
partir de janeiro de 2010, os pisos significaram ganhos reais expressivos para
os pisos das categorias, naquele ano, especialmente os mais baixos. A direção
do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios, percebendo que era uma luta
fundamental para os trabalhadores em geral, e para a categoria que representa,
assumiu a campanha e foi decisiva em todos momentos da mesma, nas reuniões, na
negociação, na divulgação e na coleta de assinaturas pela emenda popular,
empreendida em 2009.
Os trabalhadores
que o Sindicato dos Edifícios representam, é o que existe de melhor entre nós,
brasileiros. Gente que luta, que produz, que ama o Brasil e que extrai o
sustento do suor honesto do seu rosto. Neste momento perigoso do Brasil, em que
a economia sofre um processo de desnacionalização e em que os “reis do
camarote” são prestigiados por uma parte expressiva da mídia, mais do que nunca
é fundamental valorizar o que temos de melhor no país.
25/11/3013.
A recuperação bizarra da Europa
Por Vinícius Gomes, no sítio Outras Palavras: Transcrito do Blog do Miro
Assim que descoberto, o dado chocou tanto que precisou ser desmentido. No começo da semana, jornalistas perceberam que um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado há dois meses, revelava, sobre a Grécia (pág 112): “As taxas de HIV e uso de heroína cresceram significativamente; cerca de metade das novas infecções de HIV foram auto-infligidas, para permitir aos pacientes receber benefícios de 700 euros mensais e admissão mais rápida nos programas de substituição de drogas”. Horas depois, porta-vozes da OMS desmentiram a informação, atribuindo-a a um estranho “erro de revisão”.
Assim que descoberto, o dado chocou tanto que precisou ser desmentido. No começo da semana, jornalistas perceberam que um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado há dois meses, revelava, sobre a Grécia (pág 112): “As taxas de HIV e uso de heroína cresceram significativamente; cerca de metade das novas infecções de HIV foram auto-infligidas, para permitir aos pacientes receber benefícios de 700 euros mensais e admissão mais rápida nos programas de substituição de drogas”. Horas depois, porta-vozes da OMS desmentiram a informação, atribuindo-a a um estranho “erro de revisão”.
Mas é duro tapar o sol com a peneira. Três anos depois de iniciados os programas de “austeridade” no Velho Continente, uma série de dados está demonstrando que a queda da qualidade de vida é mais dramática que se pensava. Além disso, não há sinais de recuperação das economias – um sinal de que o sacrifício irá se prolongar, a menos que haja revolta social. Eis alguns dados, elencados pelo jornalista Bernard Cassen, no site internacional Mémoire des Luttes:
- O número de suicídios de mulheres gregas pelo menos dobrou;
- Na antes riquíssima Finlândia, um em cada cinco jovens de 25 anos
sofre de desordens psíquicas ou mentais associadas à depressão
econômica;
- Na Espanha e Grécia tornou-se comum jovens casais retornarem à casa dos pais de um dos cônjuges;
- Em Milão, capital financeira da Itália, já não são incomuns as cenas
de antigos membros da classe média obrigados a viver na rua;
- Apesar do desmonte dos serviços públicos, a dívida pública cresceu na Espanha, Portugal, Itália e Bélgica, após os pacotes de “austeridade”. O “remédio” está matando o doente: a receita pública cai muito mais que a despesa, porque, em economias submetidas à recessão, a arrecadação de impostos é muito menor.
Cassen zomba da situação atual dos dirigentes europeus: agora “eles precisam desesperadamente de uma ‘success story’” – mesmo que ínfima. Por isso, apelaram para o caso da Irlanda. O país anunciou que dispensará a renovação do pacote de “salvamento” de 85 bilhões de euros, que recebeu há anos. “A que preço?”, pergunta o jornalista. Ele mesmo responde: “13% da população permanece em desemprego; o PIB per capita caiu 8% em relação a 2008; a dívida pública, que era de 104% do PIB em 2011, saltou para 125%: eis o que custa aos irlandeses salvar os banqueiros e o euro”…
OS CARROS E OS TANQUES.
(JB) - Segundo informações do governo, a balança comercial apresentou déficit de US$ 1,350 bilhão na quarta semana de novembro.
Foram US$ 4,151 bilhões de exportações e US$ 5,501 bilhões em importações. No acumulado do ano, a balança apresenta um déficit de US$ 1.455 milhões.
Os dados se explicam pela queda na venda de produtos manufaturados, mas também pelo aumento das importações, com destaque para combustíveis e lubrificantes.
Enquanto isso, piora a situação da Petrobras, com o adiamento, agora para esta semana, da discussão sobre a implantação de um sistema de reajuste automático de combustíveis, que ficou para quinta-feira.
Em meados deste ano, a estatal tinha um prejuízo de 700 milhões de dólares por mês com a importação de combustíveis, que está sendo coberto com a venda de ativos. E o governo resiste a mudar essa situação, com receio de criar um novo indexador que poderia colocar em risco o controle da inflação.
Segundo a ANP, apesar do saldo negativo no comércio de gasolina com outros países, o país continua autossuficiente em óleo e derivados, já que as exportações de petróleo bruto compensam as importações de petróleo leve, e também da própria gasolina.
Mas isso não resolve o problema das trocas nacionais com o exterior. As exportações de manufaturados têm caído, não apenas pela questão cambial, mas também devido aos efeitos da crise internacional em outros países - principalmente da Europa e da América do Sul.
Cada dólar economizado na compra de combustíveis no exterior, evita a necessidade de conseguir divisas para pagar essas importações, e melhora, em consequência, a situação da economia nacional.
O atraso na construção das novas refinarias indica que não está próxima a solução desse problema. Se tudo der certo, a Abreu e Lima, em Pernambuco, com 280.000 barris de capacidade, ficará pronta em 2014.
Mas o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro só entrará em produção em 2016, e as refinarias do Maranhão e do Ceará, apenas em 2017 e 2018.
Considerando-se a pressão da imprensa financeira internacional e das agências de rating sobre o Brasil, em temas como o cálculo da dívida interna, o balanço de pagamentos, e a questão fiscal, pode ser tarde demais.
Urge, portanto, buscar a substituição de combustíveis importados, por fontes nacionais, e se, possível, renováveis, para a frota de automóveis, que cresceu aceleradamente nos últimos anos.
Enquanto importamos gasolina, mandamos etanol para o exterior.
Informações do setor de açúcar e álcool dão conta de que as exportações desse combustível devem continuar consistentes neste segundo semestre, favorecidas pelo câmbio, com o dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,30.
No primeiro semestre, o Brasil exportou 710 milhões de litros de combustível para os EUA, com crescimento de mais de 100% ante o primeiro semestre do ano passado.
Um dos caminhos que eventualmente poderiam ser trilhados seria achar uma forma de subsidiar, marginalmente, a venda desse combustível no mercado interno, para que ele ficasse no Brasil, e se voltasse a investir no aumento da produção.
É mais barato, para o país, gastar reais para aumentar a oferta de álcool nacional, do que arranjar dólares para trazer gasolina do exterior.
Outra solução seria investir em maior eficiência energética, e em outras fontes renováveis de origem nacional.
Na semana passada, o executivo brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial do grupo Renault-Nissan, criticou publicamente a demora nas negociações sobre a criação de uma política de incentivo para carros híbridos e elétricos no Brasil.
Já que não dá para aumentar a produção de combustíveis de um dia para o outro, é preciso fazer com que os carros rodem mais quilômetros com menos combustíveis fósseis, ou possam, eventualmente, deles prescindir.
Em declarações para mais de uma centena de jornalistas de todo o mundo no Salão Internacional de Tóquio, Ghosn declarou que há “falta de interesse” do governo brasileiro para resolver a questão.
Para ele, apesar das declarações e da alusão à necessidade de menor emissão de poluentes, não se cogita investir em uma rede de recarga de veículos ou mobilizar o consumidor para o uso de carros elétricos.
O que ocorre com a frota particular de automóveis também se estende para o transporte público de passageiros.
Nos programas de mobilidade estabelecidos para a Copa do Mundo, não se programou o uso de ônibus movidos a gás ou a etanol, quando isso já é comum em outras cidades do mundo, e a tecnologia está amplamente disponível.
Nem a adoção, ainda que experimental, de ônibus a hidrogênio, como os desenvolvidos pela COPPE do Rio de Janeiro.
Seria recomendável pensar sinergicamente nessa questão, analisando todas as alternativas, para estabelecer uma política nacional de combustíveis que leve em consideração as características de cada região.
Só assim poderemos começar a nos livrar da dependência estrangeira e da ameaça de maiores déficits comerciais nos próximos anos.
Foram US$ 4,151 bilhões de exportações e US$ 5,501 bilhões em importações. No acumulado do ano, a balança apresenta um déficit de US$ 1.455 milhões.
Os dados se explicam pela queda na venda de produtos manufaturados, mas também pelo aumento das importações, com destaque para combustíveis e lubrificantes.
Enquanto isso, piora a situação da Petrobras, com o adiamento, agora para esta semana, da discussão sobre a implantação de um sistema de reajuste automático de combustíveis, que ficou para quinta-feira.
Em meados deste ano, a estatal tinha um prejuízo de 700 milhões de dólares por mês com a importação de combustíveis, que está sendo coberto com a venda de ativos. E o governo resiste a mudar essa situação, com receio de criar um novo indexador que poderia colocar em risco o controle da inflação.
Segundo a ANP, apesar do saldo negativo no comércio de gasolina com outros países, o país continua autossuficiente em óleo e derivados, já que as exportações de petróleo bruto compensam as importações de petróleo leve, e também da própria gasolina.
Mas isso não resolve o problema das trocas nacionais com o exterior. As exportações de manufaturados têm caído, não apenas pela questão cambial, mas também devido aos efeitos da crise internacional em outros países - principalmente da Europa e da América do Sul.
Cada dólar economizado na compra de combustíveis no exterior, evita a necessidade de conseguir divisas para pagar essas importações, e melhora, em consequência, a situação da economia nacional.
O atraso na construção das novas refinarias indica que não está próxima a solução desse problema. Se tudo der certo, a Abreu e Lima, em Pernambuco, com 280.000 barris de capacidade, ficará pronta em 2014.
Mas o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro só entrará em produção em 2016, e as refinarias do Maranhão e do Ceará, apenas em 2017 e 2018.
Considerando-se a pressão da imprensa financeira internacional e das agências de rating sobre o Brasil, em temas como o cálculo da dívida interna, o balanço de pagamentos, e a questão fiscal, pode ser tarde demais.
Urge, portanto, buscar a substituição de combustíveis importados, por fontes nacionais, e se, possível, renováveis, para a frota de automóveis, que cresceu aceleradamente nos últimos anos.
Enquanto importamos gasolina, mandamos etanol para o exterior.
Informações do setor de açúcar e álcool dão conta de que as exportações desse combustível devem continuar consistentes neste segundo semestre, favorecidas pelo câmbio, com o dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,30.
No primeiro semestre, o Brasil exportou 710 milhões de litros de combustível para os EUA, com crescimento de mais de 100% ante o primeiro semestre do ano passado.
Um dos caminhos que eventualmente poderiam ser trilhados seria achar uma forma de subsidiar, marginalmente, a venda desse combustível no mercado interno, para que ele ficasse no Brasil, e se voltasse a investir no aumento da produção.
É mais barato, para o país, gastar reais para aumentar a oferta de álcool nacional, do que arranjar dólares para trazer gasolina do exterior.
Outra solução seria investir em maior eficiência energética, e em outras fontes renováveis de origem nacional.
Na semana passada, o executivo brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial do grupo Renault-Nissan, criticou publicamente a demora nas negociações sobre a criação de uma política de incentivo para carros híbridos e elétricos no Brasil.
Já que não dá para aumentar a produção de combustíveis de um dia para o outro, é preciso fazer com que os carros rodem mais quilômetros com menos combustíveis fósseis, ou possam, eventualmente, deles prescindir.
Em declarações para mais de uma centena de jornalistas de todo o mundo no Salão Internacional de Tóquio, Ghosn declarou que há “falta de interesse” do governo brasileiro para resolver a questão.
Para ele, apesar das declarações e da alusão à necessidade de menor emissão de poluentes, não se cogita investir em uma rede de recarga de veículos ou mobilizar o consumidor para o uso de carros elétricos.
O que ocorre com a frota particular de automóveis também se estende para o transporte público de passageiros.
Nos programas de mobilidade estabelecidos para a Copa do Mundo, não se programou o uso de ônibus movidos a gás ou a etanol, quando isso já é comum em outras cidades do mundo, e a tecnologia está amplamente disponível.
Nem a adoção, ainda que experimental, de ônibus a hidrogênio, como os desenvolvidos pela COPPE do Rio de Janeiro.
Seria recomendável pensar sinergicamente nessa questão, analisando todas as alternativas, para estabelecer uma política nacional de combustíveis que leve em consideração as características de cada região.
Só assim poderemos começar a nos livrar da dependência estrangeira e da ameaça de maiores déficits comerciais nos próximos anos.
Equador: a opção pela dependência
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Escrito por Elaine Tavares |
Quarta, 27 de Novembro de 2013 |
Apesar de
toda a propaganda que se faz do Equador, colocando-o
dentro de um espectro de "país dirigido pela esquerda",
não são poucas as contradições vivenciadas pelo governo
de Rafael Correa, cada vez mais distante do que se
poderia considerar um mandato com o povo.
Indiscutivelmente, o primeiro mandato trouxe avanços
importantes, como a realização de uma nova Constituinte,
soberana e autônoma, que, apesar de todos os percalços,
conseguiu levar para dentro do documento que rege a vida
das gentes numa nação uma série de avanços fundamentais
que, inclusive, servem de exemplo a todo o mundo.
Mas, no
cotidiano da vida, quando a Constituição começou a ser
regulamentada, os interesses econômicos e políticos
começaram a aparecer com força e a ditar regras que, de
certa forma, destroem toda a lógica do sumak kausai (o
bem viver - que é o bem viver de corte indígena, não é o
consumismo do mundo capitalista), centro de toda a
Constituição nacional. Um dos exemplo mais visíveis é o
da mineração e da exploração de petróleo. Mesmo que a
natureza tenha ganhado um capítulo dentro da carta
magna, revestindo-se de direitos, na prática tudo cai
por terra quando os interesses econômicos cobram a conta
do que chamam "progresso". Em nome do que denominam
"desenvolvimento", as classes dominantes impõem seu
modelo e passam por cima do que foi construído
coletivamente com muita luta pela população do país.
Os povos
indígenas são os que mais têm sofrido nesse processo.
Primeiro porque sistematicamente sofrem desqualificações
sobre a sua maneira de viver a política. Não é raro que,
a qualquer grito de rebeldia, eles sejam imediatamente
ligados a setores da direita raivosa do Equador, tal
qual o grupo do ex-presidente Lucio Gutierrez, de
descendência indígena. Basta que haja qualquer oposição
ao projeto governamental e lá vem o velho discurso de
que os índios estão sendo manipulados, que fazem o jogo
da direita etc. ...
É fato que
a direita se aproveita - e muito bem - das batalhas
travadas pelos indígenas contra as propostas do governo,
mas daí a dizer que eles são manipulados é pura
ideologia. E também mostra que a elite dominante
continua mantendo pelas populações originárias um
profundo desprezo, a tal ponto de nunca admitir que os
indígenas possam pensar, formular políticas e definir
suas demandas de maneira autônoma e livre.
Outro
discurso que o governo usa com bastante maestria, até
porque Rafael Correa é bastante carismático e uma figura
midática, é o da necessidade do progresso. Alegando que
o país tem imensas riquezas minerais que necessitam ser
exploradas para que as gentes possam ascender a bons
níveis de consumo, o governo vem passando por cima
daquilo que foi a pedra fundamental da nova
Constituição: a vontade popular. No caso dos territórios
indígenas, está na lei que, para qualquer tipo de
exploração dos recursos, a comunidade precisa ser
ouvida. Mas não é o que acontece. Mesmo que as
comunidades estejam gritando contra a exploração,
fazendo lutas, enfrentando a polícia, o governo
permanece surdo. E ainda joga o restante da população
contra os indígenas, alegando que eles estão tentando
impedir o "progresso" do país. De certa forma, o governo
alimenta o velho ódio, de origem colonial, entre brancos
e índios. Não são raros os textos e opiniões de gente da
esquerda de toda a América Latina que também cai nesse
canto de sereia.
Ataque
à educação indígena
O mais
novo ataque do governo de Rafael Correa é contra a
educação indígena. Mesmo que a Constituição tenha
garantido o direito à pluriculturalidade, na prática o
que está acontecendo no campo da educação é o
soterramento de toda e qualquer iniciativa indígena,
ganhando força a homogeneização da educação. O primeiro
golpe foi na Universidade Intercultural Amawtay Wasi,
universidade indígena que existe no Equador desde 2004
com o objetivo de atuar na educação superior a partir de
uma pedagogia autóctone. Ou seja, a forma de ensinar e
os conteúdos do ensino estão completamente ligados ao
jeito de ser das comunidades indígenas que, ao contrário
do que muitos pensam, mantiveram vivos seus pressupostos
éticos e pedagógicos apesar de mais de 500 anos de
dominação.
Assim, a
universidade surgiu justamente para se contrapor ao
modelo bancário de educação segmentada,
descontextualizada e colonizada. Entre seus princípios
está a proposta de criar um sistema de educação superior
que tenha a sua identidade (indígena), dentro de um
marco da integralidade do conhecimento, permitindo assim
superar a ruptura usual que existe entre teoria e
prática. Busca ainda formar profissionais que tenham uma
visão intercultural, descolonizada, capazes de entender
onde vivem e de buscar soluções para os problemas
concretos das nacionalidades e populações. Gente que
também seja capaz de conhecer os mais diversos saberes
que existem nas comunidades, apropriando-se deles para
melhorar a vida e para construir, de verdade, uma
sociedade intercultural, na qual o saber científico
conquistado pelo mundo ocidental dialogue com os saberes
originários, sem dominação.
Não
bastasse essa "heresia" descolonial, a Amawtay Wasi tem
uma estrutura física e pedagógica que está totalmente
integrada à cosmovisão dos povos indígenas. Todo o
trabalho se ampara nos princípios de vincularidade (a
relação entre o todo e as partes), complementariedade (a
necessidade de um ‘outro’, com o qual se dialoga),
simbólico (relação entre o saber científico e o que ele
significa no âmbito simbólico) e a reciprocidade (a
troca de saberes). Esses são conceitos muito difíceis de
serem compreendidos por aqueles que têm uma formação
racional, ocidental. É praticamente outra episteme e
precisa ser compreendida como uma forma radicalmente
diferente de atuar, de educar e de viver.
Pois com a
nova lei de educação, o governo de Rafael Correa decidiu
homogeneizar o processo educativo, sem levar em
consideração a própria Constituição que garante a
pluriculturalidade. Depois de vários meses sendo
visitada por tecnocratas governamentais, a Universidade
teve seu registro suspenso. Não pode mais funcionar da
forma como se organiza, a partir dos princípios que
regem o mundo indígena. Os "educadores" governamentais
querem que a Amawtay Wasi morra ou se iguale às demais
universidades organizadas dentro dos cânones ocidentais.
Mas não é essa a proposta da universidade indígena. Ela
quer, justamente, se contrapor a essa pedagogia
desestruturante e colonial. No contexto de uma sociedade
pluricultural, não há motivo para que isso não aconteça.
É só uma universidade diferente, que atua dentro
da episteme dos povos indígenas que ali vivem desde
muito antes dos espanhóis chegarem e invadirem seus
mundos, impondo uma cultura de dominação e de
extermínio.
Mas Rafael
Correa tem sido implacável, espalhando ainda que a
universidade é foco de resistência de grupos ligados a
Lúcio Gutierrez. Como argumento usa o fato de a mesma
ter sido criada durante o governo daquele presidente. Na
verdade, o que quer é destruir um espaço de formação
indígena construído a duras penas pelas comunidades.
As
escolas comunitárias
Todo esse
ataque ao mundo indígena ainda não terminou. Agora, o
governo decidiu também eliminar as pequenas escolas
comunitárias que atuam na lógica intercultural,
ensinando em duas línguas. Não quer mais que a educação
alternativa (leia-se indígena) se faça nas pequenas
unidades que atuam com a proposta de unidocência, porque
os indígenas acreditam que o conhecimento é um só, e não
pode ser dividido em aulas de 50 minutos desconectadas
do mundo real.
Mais uma
vez, os tecnocratas governamentais decidiram que a
educação de primeiro e segundo grau do Equador devem
seguir as propostas do Banco Mundial e precisam se
constituir em "Unidades Educativas do Milênio", às quais
são reputadas as novidades tecnológicas e todas aquelas
"maravilhas" que os projetos vindos de fora apregoam.
Falam em escolas equipadas com computadores, alto nível
de ensino, novos conceitos pedagógicos. Tudo dentro da
proposta ocidental, sem considerar as especificidades da
pedagogia indígena. Segundo a pedagoga e comunicadora
Rosa María Torres (http://otra-educacion.blogspot.com.br),
a proposta está centrada na aparência, sem que sequer se
mencione a situação dos professores, por exemplo,
categoria que tem protagonizado grandes lutas no país.
No campo
da propaganda o governo de Correa consegue convencer.
Desde 2008 vem construindo uma série de UEMs (Unidades
Educativas do Milênio), cujo número já ultrapassa as 24,
atendendo 23 mil estudantes. E segue construindo outras
tantas, dizendo que aumentará esse número em mais de 30
até 2014. Os prédios bonitos e bem pintados aparecem
como o "progresso para todos". E justificam a exploração
de petróleo na região do Parque de Yasuní. "Com o
petróleo teremos mais saúde e educação para todos", diz,
na tentativa de buscar apoio para as ações de fechamento
das escolas indígenas. Conforme anunciou, das 18 mil
escolas comunitárias que existem, apenas cinco mil
seguirão abertas. Conforme diz, as escolas comunitárias,
aquelas que são geridas de forma alternativa, "são o
atraso, a marca da pobreza".
Já os
educadores que sempre estiveram nas comunidades quando o
Estado as abandonava, têm outra posição. Eles dizem que
essas escolas que vivem à margem do sistema oficial são,
recorrentemente, referência na inovação e na
transformação cultural, tanto no Equador quanto no
mundo. Segundo eles, esse tipo de escola multigrau e
unidocente não é necessariamente uma escola para pobres.
Ao contrário, é uma escola que se contrapõe ao sistema
bancário imposto pelo Banco Mundial a toda América
Latina. Como exemplo lembram do programa Escola Nova,
que existe na Colômbia, e o das Escolas Não-Formais,
experiência de Bangladesh, ambas modelos premiados
internacionalmente.
Mas, ainda
assim, segue a "planificação" da educação, sem que se
leve em conta a voz dos educadores e das comunidades.
Toda a proposta vem sendo construída por burocratas,
apresentando as modernidades como a solução do problema
educativo. "Fecharemos as escolinhas precárias e os
alunos serão realocados nas Unidades Educativas do
Milênio", diz, sorridente, Correa, na televisão. Num
primeiro momento, tudo pode parecer muito bom. Novos
prédios, fusão de escolas, urbanização de escolas
rurais, transporte escolar. Tudo preparado para a
criação de grandes complexos escolares com educação
igualada/homogênea/ocidental, sem que se leve em conta
as especificidades culturais, tal como reza a própria
Constituição.
Diz a
pedagoga Rosa María Torres sobre uma UEM que visitou:
"Em Otavalo, norte de Quito, inaugurada em abril de
2009, com grande presença da mídia. Era a terceira UEM
construída no país e custara 2 milhões de dólares. Os
alunos, 800, são de maioria indígena. A escola abriu com
os sete primeiros anos de educação básica. Tem 38 salas
de aula, quadros digitais, cozinha, restaurante, espaços
esportivos, laboratórios, bibliotecas, 38 computadores e
internet banda larga. O desenho da escola é tradicional,
frio, sem qualquer presença da cultura local. Os
professores sequer sabem usar o quadro negro digital, é
visível a falta de capacitação. Nota-se que os espaços
são subutilizados, há problemas de segurança e não se vê
qualquer preocupação com a capacitação dos professores".
Ou seja, tudo conspira para uma ode à tecnologia, sem
cuidado pedagógico e muito menos com o contexto
cultural.
A
experiência das escolas indígenas
Inka
Samana é uma pequena escola indígena no sul do país,
reconhecida internacionalmente como espaço de uma
"revolução educacional", por sua proposta diferenciada
de ensino de saberes que vão além do formal. Pois também
ela deverá entrar no sistema homogeneizado da "educação
nacional", abrindo mão dos aspectos simbólicos e
culturais que a caracterizam. Os protestos têm sido
grandes, mas o governo segue surdo. Quem quiser conhecer
melhor essa bonita experiência de educação indígena pode
encontrar sua voz nas redes sociais (https://www.facebook.com/pages/INKA-SAMANA/101245569927872?fref=ts).
Rosa María
Torres lembra ainda de outras experiências comunitárias
indígenas como as da província de Pichincha, a Escola
Ecológica Samay e a Yachay Huasi (Escola do Saber), que
atuam no diálogo entre educação formal e educação
indígena. Há coisas do mundo das comunidades que as UEMs
não tocarão, com certeza, como a sabedoria dos mais
velhos, fazer uma rede ou como reconhecer uma semente,
reforçando a ideia de que só a educação
formal/ocidental/moderna/científica é que é importante.
Enfim, são dezenas de experiências comunais, culturais e
alternativas que estão prestes a sucumbir diante da
ideia de uma "educação única, nacional". Isso não pode
ser possível num país com tantos povos indígenas, já tão
acostumados a atuar dentro de seu mundo cosmogônico e
simbólico.
A luta é
desigual. O governo constrói prédios vistosos e garante
a gratuidade do ensino formal, mesmo que a qualidade
desse ensino esteja submetida aos ditames
internacionais. As pequenas escolas indígenas vivem de
contribuições da comunidade ou de ajuda externa. O
governo já declarou que não aportará recursos a essas
experiências. Sufoca todas elas no campo econômico e
depois acusa os educadores de aliança com ONGs
estrangeiras e grupos direitistas. É um cenário difícil
de se assimilar.
A mesma
prática tem se dado no campo universitário. No mesmo
momento em que anuncia o descredenciamento da
Universidade Intercultural Amawtay Wasi, o governo
divulga a criação de quatro novas universidades
estatais, onde os equatorianos poderão ter ensino
superior gratuito. Difícil para quem segue acreditando
que as culturas indígenas não têm nada a dizer no mundo
aceitar que as mudanças da educação equatorianas não
sejam boas. Pois se se aumentam as universidades
públicas, se se constroem novas escolas, amplia-se o
ensino gratuito. Poucos são os que questionam esse
processo de destruição do saber indígena, da forma
indígena de educar. Para boa parte das gentes, rendidas
ao mundo ocidental, racionalizado e dependente, mais
vale uma escola grande que um ensino de qualidade. Se as
diretrizes vêm do Banco Mundial, melhor ainda, vão
aprender conforme aprendem os "gringos".
Poucos são
aqueles que observam criticamente o processo de
aprofundamento do colonialismo mental em pleno governo
dito "progressista". A destruição das escolas
comunitárias, dos espaços indígenas de saber e da
universidade Amawtay Wasi são, na verdade, uma grande
ofensiva do capital contra os povos indígenas,
tradicionalmente um entrave nos planos de ganância e
destruição de empresas transnacionais, da elite local e
de muitos governantes. Estrangular essas experiências é
um ato de força e de beligerância.
Os
indígenas agora denunciam e não deverão aceitar tudo
isso sentados. Eles encontrarão suas formas de resistir
e manter viva suas culturas. Serão acusados de alianças
com Gutierrez, com forças estrangeiras que querem
destruir o governo "popular" e muitas outras coisas
mais. Algumas comunidades podem até se enredar nessas
armadilhas, isso não se descarta. Mas qualquer guinada
para a direita dos povos originários só se dará por
conta do desrespeito às culturas antigas, por conta da
insensibilidade do governo em dialogar, pela arrogância
- herança colonial - e pela intransigência de Correa.
O Equador
vive uma hora importante de aprofundamento da
dependência e da submissão aos grandes interesses
internacionais. Não há interesse em se aliar aos povos
autóctones para a construção do sumak kausai, conforme
grita a Constituição. O que parece direcionar a ação do
governo é o mesmo modelo desenvolvimentista que já
mostrou todas as suas tristes e destruidoras faces por
onde passou. Explorar petróleo, explorar minério,
desalojar famílias, garantir um consumo fictício a uma
classe média emergente, provocar a destruição do
ambiente, incutir uma educação alienante e colonizada e
maquiar o sistema de saúde. Tudo isso pode estar sendo
construído para servir de base para a consolidação
daquilo que "la radio buemba" (o que se diz nas ruas,
boatos) já anuncia: a vinda de um acordo comercial de
livre comércio com os Estados Unidos. Se isso se
confirmar, o futuro será sombrio, com o aprofundamento
da dependência econômica, política e cultural. Tudo como
antes.
Então,
nada de novo no front. A não ser a força viva das gentes
de Abya Yala que, mesmo derrotadas, se reorganizam e
voltam a se levantar.
Elaine
Tavares é jornalista
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