https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=SgLepzpxXYI
sábado, 31 de maio de 2014
Ao contrário de alguns, não sinto nenhuma vergonha de meu país
Por Marcelo Zero, transcrito do blog Democracia & Política
"Ao contrário de alguns, não sinto nenhuma vergonha do meu país.
Não sinto vergonha dos
36 milhões de brasileiros que conseguiram sair daquilo que Gandhi
chamava de a “pior forma de violência”, a miséria.
Agora, eles podem sonhar mais e fazer mais. Tornaram-se cidadãos mais livres e críticos. Isso é muito bom para eles e muito melhor para o Brasil, que fica mais justo e fortalecido. E isso é também muito bom para mim, embora eu não me beneficie diretamente desses programas. Me agrada viver em um país que hoje é um pouco mais justo do que era no passado.
Também não sinto vergonha dos 42 milhões de brasileiros que, nos últimos 10 anos, ascenderam à classe média, ou à nova classe trabalhadora, como queiram.
Eles dinamizaram o mercado de consumo de massa brasileiro e fortaleceram bastante a nossa economia. Graças a eles, o Brasil enfrenta, em condições bem melhores que no passado, a pior crise mundial desde 1929. Graças a eles, o Brasil está mais próspero, mais sólido e menos desigual. Ao contrário de alguns, não me ressinto dessa extraordinária ascensão social. Sinto-me feliz em tê-los ao meu lado nos aeroportos e em outros lugares antes reservados a uma pequena minoria. Sei que, com eles, o Brasil pode voar mais alto.
Não tenho vergonha nenhuma das obras da Copa, mesmo que algumas tenham atrasado.
Em sua maioria, são obras que apenas foram aceleradas pela Copa. São, na realidade, obras de mobilidade urbana e de aperfeiçoamento geral da infraestrutura que melhorarão a vida de milhões de brasileiros. Estive no aeroporto de Brasília e fiquei muito bem impressionado com os novos terminais e com a nova facilidade de acesso ao local. Mesmo os novos estádios, que não consumiram um centavo sequer do orçamento, impressionam. Lembro-me de velhos estádios imundos, inseguros, desconfortáveis e caindo aos pedaços. Me agrada saber que, agora, os torcedores vão ter a sua disposição estádios decentes. Acho que eles merecem. Me agrada ainda mais saber que tudo isso vem sendo construído com um gasto efetivo que representa somente uma pequena fração do que é investido em Saúde e Educação. Gostaria, é claro, que todas as obras do Brasil fossem muito bem planejadas e executadas. Que não houvesse aditivos, atrasos, superfaturamentos e goteiras. Prefiro, no entanto, ver o Brasil em obras que voltar ao passado do país que não tinha obras estruturantes, e tampouco perspectivas de melhorar.
Tranquiliza-me saber que o Brasil tem um sistema de saúde pública, ainda que falho e com grandes limitações. Já usei hospitais públicos e, mesmo com todas as deficiências do atendimento, sai de lá curado e sem ter gasto um centavo. Centenas de milhares de brasileiros fazem a mesma coisa todos os anos.
Agora, eles podem sonhar mais e fazer mais. Tornaram-se cidadãos mais livres e críticos. Isso é muito bom para eles e muito melhor para o Brasil, que fica mais justo e fortalecido. E isso é também muito bom para mim, embora eu não me beneficie diretamente desses programas. Me agrada viver em um país que hoje é um pouco mais justo do que era no passado.
Também não sinto vergonha dos 42 milhões de brasileiros que, nos últimos 10 anos, ascenderam à classe média, ou à nova classe trabalhadora, como queiram.
Eles dinamizaram o mercado de consumo de massa brasileiro e fortaleceram bastante a nossa economia. Graças a eles, o Brasil enfrenta, em condições bem melhores que no passado, a pior crise mundial desde 1929. Graças a eles, o Brasil está mais próspero, mais sólido e menos desigual. Ao contrário de alguns, não me ressinto dessa extraordinária ascensão social. Sinto-me feliz em tê-los ao meu lado nos aeroportos e em outros lugares antes reservados a uma pequena minoria. Sei que, com eles, o Brasil pode voar mais alto.
Não tenho vergonha nenhuma das obras da Copa, mesmo que algumas tenham atrasado.
Em sua maioria, são obras que apenas foram aceleradas pela Copa. São, na realidade, obras de mobilidade urbana e de aperfeiçoamento geral da infraestrutura que melhorarão a vida de milhões de brasileiros. Estive no aeroporto de Brasília e fiquei muito bem impressionado com os novos terminais e com a nova facilidade de acesso ao local. Mesmo os novos estádios, que não consumiram um centavo sequer do orçamento, impressionam. Lembro-me de velhos estádios imundos, inseguros, desconfortáveis e caindo aos pedaços. Me agrada saber que, agora, os torcedores vão ter a sua disposição estádios decentes. Acho que eles merecem. Me agrada ainda mais saber que tudo isso vem sendo construído com um gasto efetivo que representa somente uma pequena fração do que é investido em Saúde e Educação. Gostaria, é claro, que todas as obras do Brasil fossem muito bem planejadas e executadas. Que não houvesse aditivos, atrasos, superfaturamentos e goteiras. Prefiro, no entanto, ver o Brasil em obras que voltar ao passado do país que não tinha obras estruturantes, e tampouco perspectivas de melhorar.
Tranquiliza-me saber que o Brasil tem um sistema de saúde pública, ainda que falho e com grandes limitações. Já usei hospitais públicos e, mesmo com todas as deficiências do atendimento, sai de lá curado e sem ter gasto um centavo. Centenas de milhares de brasileiros fazem a mesma coisa todos os anos.
Cerca de 50 milhões de
norte-americanos, habitantes da maior economia do planeta e que não têm
plano de saúde, não podem fazer a mesma coisa, pois lá não há saúde
pública. Obama, a muito custo, está encontrando uma solução para
essa vergonha. Gostaria, é óbvio, que o SUS fosse igual ao sistema de
saúde pública da França ou de Cuba. Porém, sinto muito orgulho do "Mais
Médicos", um programa que vem levando atendimento básico à saúde a
milhões de brasileiros que vivem em regiões pobres e muito isoladas.
Sinto alívio em saber que, na hora da dor e da doença, agora eles vão
ter a quem recorrer. Sinto orgulho, mas muito orgulho mesmo, desses
médicos que colocam a solidariedade acima da mercantilização da
medicina.
Estou também muito orgulhoso de programas como o Prouni, o Reuni, o Fies, o Enem e os das cotas, que estão abrindo as portas das universidades para os mais pobres, os afrodescendentes e os egressos da escola pública.
Tenho uma sobrinha extremamente talentosa que mora no EUA e que conseguiu a façanha de ser aceita, com facilidade, nas três melhores universidades daquele país. Mas ela vai ter de estudar numa universidade de segunda linha, pois a família, muito afetada pela recessão, não tem condição de pagar os custos escorchantes de uma universidade de ponta. Acho isso uma vergonha.
Não quero isso para o meu país. Alfabetizei-me e fiz minha graduação e meu mestrado em instituições públicas brasileiras. Quero que todos os brasileiros possam ter as oportunidades que eu tive. Por isso, aplaudo a duplicação das vagas nas universidades federais, a triplicação do número de institutos e escolas técnicas, o Pronatec, o maior programa de ensino profissionalizante do país, o programa de creches e pré-escolas e o "Ciência Sem Fronteiras". Gostaria, é claro, que a nossa educação pública já fosse igual à da Finlândia, mas reconheço que esses programas estão, aos poucos, construindo um sistema de educação universal e de qualidade.
Tenho imenso orgulho da Petrobras, a maior e mais bem-sucedida empresa brasileira, que agora é vergonhosamente atacada por motivos eleitoreiros e pelos interesses daqueles que querem botar a mão no pré-sal. Nos últimos 10 anos, a Petrobras, que fora muito fragilizada e ameaçada de privatização, se fortaleceu bastante, passando de um valor de cerca de R$ 30 bilhões para R$ 184 bilhões. Não bastasse, descobriu o pré-sal, nosso passaporte para o futuro. Isso seria motivo de orgulho para qualquer empresa e para qualquer país.
Estou também muito orgulhoso de programas como o Prouni, o Reuni, o Fies, o Enem e os das cotas, que estão abrindo as portas das universidades para os mais pobres, os afrodescendentes e os egressos da escola pública.
Tenho uma sobrinha extremamente talentosa que mora no EUA e que conseguiu a façanha de ser aceita, com facilidade, nas três melhores universidades daquele país. Mas ela vai ter de estudar numa universidade de segunda linha, pois a família, muito afetada pela recessão, não tem condição de pagar os custos escorchantes de uma universidade de ponta. Acho isso uma vergonha.
Não quero isso para o meu país. Alfabetizei-me e fiz minha graduação e meu mestrado em instituições públicas brasileiras. Quero que todos os brasileiros possam ter as oportunidades que eu tive. Por isso, aplaudo a duplicação das vagas nas universidades federais, a triplicação do número de institutos e escolas técnicas, o Pronatec, o maior programa de ensino profissionalizante do país, o programa de creches e pré-escolas e o "Ciência Sem Fronteiras". Gostaria, é claro, que a nossa educação pública já fosse igual à da Finlândia, mas reconheço que esses programas estão, aos poucos, construindo um sistema de educação universal e de qualidade.
Tenho imenso orgulho da Petrobras, a maior e mais bem-sucedida empresa brasileira, que agora é vergonhosamente atacada por motivos eleitoreiros e pelos interesses daqueles que querem botar a mão no pré-sal. Nos últimos 10 anos, a Petrobras, que fora muito fragilizada e ameaçada de privatização, se fortaleceu bastante, passando de um valor de cerca de R$ 30 bilhões para R$ 184 bilhões. Não bastasse, descobriu o pré-sal, nosso passaporte para o futuro. Isso seria motivo de orgulho para qualquer empresa e para qualquer país.
Orgulha ainda mais,
porém, o fato de que agora, ao contrário do que acontecia no passado, a
Petrobras dinamiza a indústria naval e toda a cadeia de petróleo,
demandando bens e serviços no Brasil e gerando emprego e renda aqui; não
em Cingapura. Vergonha era a Petrobrax. Pasadena pode ter sido um erro
de cálculo, mas a Petrobrax era um crime premeditado.
Vejo, com satisfação, que hoje a Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU e outros órgãos de controle estão bastante fortalecidos e atuam com muita desenvoltura contra a corrupção e outros desmandos administrativos.
Vejo, com satisfação, que hoje a Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU e outros órgãos de controle estão bastante fortalecidos e atuam com muita desenvoltura contra a corrupção e outros desmandos administrativos.
Sei que hoje posso, com
base na "Lei da Transparência", demandar qualquer informação a todo
órgão público. Isso me faz sentir mais cidadão. Estamos já muito longe
da vergonha dos tempos do “engavetador-geral”. Um tempo constrangedor e
opaco em que se engavetavam milhares processos e não se investigava nada
de significativo.
Também já se foram os
idos vergonhosos em que tínhamos que mendigar dinheiro ao FMI, o qual
nos impunha um receituário indigesto que aumentava o desemprego e
diminuía salários. Hoje, somos credores do FMI e um país muito
respeitado e cortejado em nível mundial. E nenhum representante nosso se
submete mais à humilhação de ficar tirando sapatos em aeroportos. Sinto
orgulho deste país mais forte e soberano.Um país que, mesmo em meio à pior recessão mundial desde 1929, consegue alcançar as suas menores taxas de desemprego, aumentar o salário mínimo em 72% e prosseguir firme na redução de suas desigualdades e na eliminação da pobreza extrema. Sinto alegria com esse Brasil que não mais sacrifica seus trabalhadores para combater as crises econômicas.
Acho que não dá para deixar de se orgulhar deste novo país mais justo igualitário e forte que está surgindo. Não é ainda o país dos meus sonhos, nem o país dos sonhos de ninguém. Mas já é um país que nos permite sonhar com dias bem melhores para todos os brasileiros. Um país que está no rumo correto do desenvolvimento com distribuição de renda e eliminação da pobreza. Um país que não quer mais a volta dos pesadelos do passado.
Este novo país mal começou. Sei bem que ainda há muito por que se indignar no Brasil.
E é bom manter essa chama da indignação acessa. Foi ela que nos trouxe até aqui e é ela que nos vai levar a tempos bem melhores. Enquanto houver um só brasileiro injustiçado e tolhido em seus direitos, todos temos de nos indignar.
Mas sentir vergonha do próprio país, nunca. Isso é coisa de gente sem-vergonha".
FONTE: escrito por Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB. Publicado na revista ISTOÉ por Paulo Moreira Leite, diretor da Sucursal da revista em Brasília
O problema não é o Brasil: é você
Toda vez que um
assunto polêmico surge na mídia, viraliza nas
redes sociais e chega às rodas de amigos,
reuniões de família e mesas de bar, começam a
pipocar, por toda parte, juízos de valor
genéricos a respeito “do Brasil” e “do povo
brasileiro”.
Essas
“análises”, que estão em alta no atual momento
pré-Copa, costumam ser, mais especificamente,
materializadas na forma de chavões babacas
mais antigos que a minha avó: são os famosos
“só no Brasil”, “isso é Brasil!”, e, ainda, o
clássico e meu preferido “o problema é a
cabeça do brasileiro” (que também pode
aparecer na carinhosa versão “o povo
brasileiro é burro”).
Que
a internet e os círculos sociais estão
recheados de ideias idiotas, preconceituosas e
desprovidas de qualquer senso lógico ou nexo
com a realidade não é novidade. O problema
aqui é que as pérolas pertencentes à categoria
“Brasil é uma merda porque é uma merda, e eu
não tenho nada a ver com isso” não vêm sendo
enquadradas como apatia mental, como deveriam,
mas como demonstração de revolta consciente e
politizada “contra tudo que está aí”. Um
quarto dos brasileiros acha que uma mulher de
shortinho merece ser estuprada? “Isso é
Brasil!”. A Petrobrás fez um mau negócio em
Pasadena? “Brasil, né?”. Algumas obras da Copa
do Mundo atrasaram? “Só no Brasil mesmo!”.
Não.
Não. E não. Na verdade, esse tipo de
pensamento vazio, reducionista e arrogante
empobrece o debate dos problemas que estão por
detrás dos acontecimentos (que acabam sendo
levianamente rotulados como “coisa do
Brasil”), além de estimular e legitimar uma
atitude resignada e egoísta ao melhor (ou
pior) estilo Pôncio Pilatos (“lavo minhas
mãos, porque a merda já estava feita quando eu
cheguei aqui”).
“Só no Brasil”? Não.
Em
primeiro lugar, vale uma pesquisa prévia a
respeito do assunto sobre o qual se está
emitindo opinião: será mesmo que o Brasil é o
único país a enfrentar esse problema específico que
você conheceu superficialmente através do link
que seu amigo compartilhou no Facebook? Pode
ter certeza que, em 99% dos casos, a gente
carrega o fardo junto com mais algumas dezenas
de países (se não com todas as
nações do planeta), ainda que ele pese mais ou
menos conforme o caso.
E
não estamos falando apenas de países
considerados “mais atrasados” e “menos
civilizados” que o Brasil. Tem
corrupção na Europa, os
Estados Unidos mal possuem um sistema
público de saúde, o
racismo segue forte em diversos países
“desenvolvidos”, e a
Inglaterra é descaradamente sexista. Por
isso, antes de iniciar um festival de
ignorância, babar ovo de gringo gratuitamente
e resumir seu discurso a uma frase
despolitizada como essa, lembre-se que o
Google está a apenas um clique. Caso
contrário, você corre o risco de continuar
contribuindo para que 40%
dos nascidos no Brasil prefiram ter outra
nacionalidade (apesar
de o
Brasil ser sonho de consumo
internacionalmente).
Se “isso é Brasil”, então “isso” é
você também.
Dou
a qualquer um o direito de achar o Brasil uma
merda monumental e sem precedentes, desde que
admita ser uma merda de pessoa também. Assim,
quando alguém disser “o Brasil é um lixo” ou
“o povo brasileiro é burro”, na verdade estará
dizendo “eu sou um lixo” e “eu sou burro”.
Combinado? Porque, caros amigos niilistas
radicais, é estranhamente conveniente
excluir-se, deliberadamente, do conjunto de
brasileiros, negando a própria cultura e
origem, bem na hora em que “a coisa aperta”,
não é?
As
expressões “isso é Brasil” ou “esse é o povo
brasileiro” não são, portanto, apenas
generalizantes e reducionistas, mas também um
tanto arrogantes. Quem as profere se julga
acima dos defeitos da sociedade brasileira, e
é incapaz de perceber que suas próprias
convicções, ideias e preconceitos são na
verdade um reflexo das características e
problemas da sociedade brasileira como um
todo.
Nem
é preciso nem dizer que esse tipo de
perspectiva segregatória, em que o locutor se
coloca em posição imparcial e de superioridade
em relação ao restante da população, gera
verdadeiros fenômenos de cegueira coletiva. Um
exemplo clássico é a inabilidade de algumas
pessoas em enxergar o próprio racismo, o que
popularizou expressões como “não sou racista,
mas…”, culminando com a negação
da existência de racismo no Brasil por
determinadas “correntes ideológicas”.
Então,
antes que comecemos a negar outros “ismos” por
aí (o que, a bem da verdade, já acontece),
vamos parar de subir em pedestais imaginários
e nos colocar em nossos devidos lugares: na
arquibancada junto com o resto do povão e toda
a torcida do Flamengo.
Se “isso é Brasil”, repetir esse
chavão não vai mudar nada (talvez só pra
pior).
Imagine
a seguinte situação hipotética: um sujeito
dito “politizado” está surfando na rede,
checando o feed de notícias do Facebook, dando
um rolê pelo Twitter e teclando no WhatsApp,
quando, casualmente, se depara com uma notícia
revoltante (sabemos que a internet está cheia
delas). Indignado com a situação ultrajante da
qual acaba de tomar conhecimento, nosso amigo
resolve mostrar toda a sua revolta por meio de
um comentário impactante no perfil de quem,
muito sagazmente, compartilhou aquela notícia
chocante com ele. “Fazer o que, né, colega?
Isso é o país em que vivemos. Viva o
Bra-ziu!”.
Satisfeito
com sua contribuição, o internauta bem
informado segue para os próximos “hits do dia”
nas redes sociais, afinal, “isso é
Brasil” — não tem jeito. E ele, pessoa
politizada e, portanto, ciente do “beco sem
saída” que é o nosso país, nem vai se dar ao
trabalho de pensar sobre o assunto (e muito
menos fazer algo a respeito), uma vez que essa
nação é feita de pessoas naturalmente
incompetentes e políticos naturalmente
corruptos. Confere? Não confere. Na verdade,
cidadão politizado, o problema, neste cenário,
não é o Brasil. É você.
Quando
um indivíduo, ao deparar-se com determinado
problema que considera sério, resume seu
pensamento e manifestação à depreciação verbal
genérica e gratuita de seu país, só podemos
concluir que ele atingiu um nível sobre-humano
de apatia mental e social. Além de não agir
para mudar a situação que o indignou,
contribui para difundir um clima negativo,
conformista e preguiçoso por onde passa,
contagiando outras pessoas com a ideia
deturpada de que é impossível mudar as coisas
para melhor (ou que simplesmente não vale a
pena), porque “o povo brasileiro é assim
mesmo”.
Resumo
da ópera: quem não quiser realmente tentar
entender o problema, trocar ideias sobre como
solucioná-lo, contribuir com organizações e
movimentos sociais envolvidos no assunto,
criar ou participar de campanhas de
conscientização, e procurar votar em políticos
empenhados na causa em questão, que pelo menos pare de encher o saco com
reducionismos pessimistas e burros.
A esfera pública agradece.
“Isso é Brasil” agora, mas pode
mudar. E depende de você também.
Imaginem
se, há 30, 40 anos atrás, quando ainda
vivíamos uma ditadura, todos pensassem que o
“Brasil é assim mesmo”, que “somos um povo
submisso que só funciona na ‘base da
porrada’”? Imaginem se a população tivesse
desistido de exigir a redemocratização, e se
resignado, limitando-se a comentar com seus
conhecidos, em cafés e restaurantes, que
“aquilo era o Brasil”. Foi porque as pessoas
não se conformaram com o que o Brasil era ou
parecia ser que hoje nós vivemos uma
democracia plena, onde todos podem se
manifestar da forma que julgam melhor (até de
forma superficial e não construtiva, como a
que estamos tratando neste texto).
O direito à
liberdade de pensamento e expressão é
indiscutível, e o que deixo aqui é apenas um
humilde conselho: vamos usar essas
prerrogativas de verdade. Para
debater, e não para cair em chavões limitados
e vazios de que o país é uma porcaria
generalizada, pior que qualquer outro, que
nosso povo é burro e corrupto, que estamos no
fundo poço e nunca sairemos dele, e que é
impossível mudar a realidade em que vivemos.
Isso não quer dizer, de forma alguma, que
devemos fugir dos problemas ou nos
conformarmos com o que já foi conquistado,
pois ainda existem inúmeros desafios a serem
superados nesse Brasil continental. Se “isso”
é mesmo o Brasil, a mudança só depende de nós.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
NA EUROPA, AGRICULTORES NÃO QUEREM SABER DE CONVERSA COM O MERCOSUL.
Mauro Santayama, em seu blog
Enquanto há gente dando como favas contadas a assinatura do acordo de
livre comércio entre a União Européia e o Mercosul, há setores, na própria
Europa, que não querem ouvir falar do assunto.
Enquanto técnicos do Mercosul estão se reunindo para fechar a proposta
dos países do bloco sul-americano a ser apresentada à União Européia, a
imprensa divulga que diversas associações de agricultores e pecuaristas
europeus se manifestam, mais uma vez, contra a assinatura de qualquer tratado
que afete os seus interesses.
A COPA-COGECA – que reúne mais de 100 associações de agricultores e de
cooperativas agrícolas da União Européia e de países como a Turquia, Islândia,
Noruega e Suíça, enviou documento às autoridades responsáveis pela agricultura
na União Européia, lembrando que 70% das carnes importadas pela região já
provêm do Mercosul.
Na carta, as organizações afirmam que a aprovação do tratado traria
bilhões de euros em prejuízo para os agricultores e pecuaristas europeus.
A alegação é a de que o Mercosul não pode oferecer os mesmos padrões
sanitários e de “rastreabilidade” cobrados dos agricultores do velho
continente, e de que existem barreiras à entrada de produtos agrícolas europeus
nos países do Mercosul.
Mesmo que não houvesse a mobilização clara dos agricultores europeus por
seus interesses – mobilização que tem que ser levada em conta na avaliação da
proposta européia para o Mercosul – ainda assim, não teríamos nenhuma garantia
para nosso setor agrícola, tradicionalmente prejudicado pelos subsídios da
Europa e dos Estados Unidos à sua agricultura.
Novas leis em processo de aprovação pelos EUA e a U.E, no lugar de
acabar com os subsídios, estão substituindo-os por mecanismos de apoio, como
seguros, que na prática representam mais dinheiro vivo para os agricultores.
E a própria COPA-COGECA continua fazendo pressão para ter apoio e entrar
em novos mercados, como fez, em recente manifesto, pedindo que se mantenham
subsídios, no setor leiteiro, afim de que se possa “aproveitar” as
oportunidades, abertas pelo aumento do consumo de leite na índia e na China,
que deverá ser de 30% nos próximos dois anos.
Esse tipo de mobilização é mais que suficiente para mostrar que,
por mais que nos abaixemos, e abramos célere e irresponsavelmente nossos
mercados para os europeus e norte-americanos, nunca seremos tratados como
iguais.
E se não é para sermos tratados como iguais, mas para entregar a América
do Sul, único mercado para os manufaturados feitos no Brasil, então para que
assinar esse tratado, principalmente quando estamos tendo crescentes déficits
no comércio com a Europa e os EUA nos últimos anos?
Achar que esses déficits vão se transformar em superávits se abrirmos
nossas fronteiras para os europeus beira a insensatez e a ingenuidade, já
que nem sequer na agricultura, onde
somos reconhecidamente competitivos, eles querem ceder afim de levar vantagem
em outras áreas, como as de serviços e manufaturas, por exemplo.
Sem se
preocupar em mostrar suas verdadeiras intenções, a União Europeia
entrou, ontem, com denúncias contra o Plano Safra brasileiro 2013/2014
na OMC - Organização Mundial do Comércio, menos de 15 dias depois do seu
anúncio pela Presidente Dilma.
A
intenção é pressionar o Brasil - aproveitando o ano eleitoral - até o
limite, obrigando o governo a aceitar condições danosas para o nosso
país, no futuro.
O Ministro Mauro Borges, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, afirmou, recentemente, que o Mercosul “não aceitará um acordo de
livre comércio, sem uma proposta agrícola que for “para valer”, e contou aos
repórteres que a Presidente Dilma Roussef teria perguntado o que a União
Européia tem a oferecer para o Brasil.
O Ministro poderia ter sido sincero, e respondido que a U.E está oferecendo ao nosso país, o que costuma oferecer sempre que há esse tipo de negociações de araque, como ocorreu, pela última vez, em 2004: rigorosamente, nada.
O BRASIL PINTADO PELA MÍDIA
transcrito do blog Democracia & Política

Por RIBAMAR FONSECA
"Graças à liberdade de imprensa, sofremos diariamente um bombardeio de informações que, infelizmente, nem sempre expressam a verdade e, por isso, devem ser analisadas
O Brasil está melhor ou pior do que há 20 anos? Muita gente – mais precisamente aquelas pessoas que não usam a massa cinzenta para pensar – responderá: Muito pior. Por quê? Porque – dirão – a violência e a corrupção aumentaram escandalosamente. Essas respostas por si só já serão suficientes para revelar a pobreza de raciocínio de alguns e a tendência política de outros. Isso porque, na verdade, o que aumentou mesmo foi o volume e a velocidade das informações recebidos hoje pelas pessoas, em todos os recantos do país, graças ao extraordinário avanço dos meios de comunicação.
Explica-se: estamos hoje melhor informados do que há 20 anos sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Sentados confortavelmente em nossa poltrona favorita e sem nenhum esforço, bastando apenas acionar o botão do controle remoto para ligar a TV, ficamos sabendo de tudo o que acontece no mundo inteiro, inclusive assistindo alguns eventos em tempo real, como o futebol, por exemplo, mesmo que tenham como palco o Japão, no outro lado do planeta. O celular e a internet também fazem parte dessa estrutura de comunicação que deixou conectados praticamente todos os habitantes da Terra.
A televisão e a internet, portanto, transformaram o nosso planeta na aldeia global preconizada por McLuhan e passamos todos, mesmo os que residem nos lugares mais remotos, à condição de testemunhas oculares da história. Cabe a nós, no entanto, usando o cérebro – o que infelizmente muita gente não faz – o trabalho de processar as informações que nos chegam a todo momento através dos veículos de comunicação de massa, de modo a separar o joio do trigo. Graças à liberdade de imprensa, sofremos diariamente um bombardeio de informações que, infelizmente, nem sempre expressam a verdade e, por isso, devem ser analisadas. Lamentavelmente, porém, os quase anencéfalos preferem, por comodidade ou preguiça mental, digerir as informações como elas chegam. E passam a pensar pela cabeça dos que as divulgam.
A violência, na verdade, é proporcional ao tamanho da população, mas não sofreu nenhum aumento. O que acontece é que todos os atos de violência, em qualquer parte do país e do mundo, chegam ao conhecimento de todos, inclusive com vídeos que revelam a sua crueza. Através dos veículos de comunicação – ou mesmo da internet – ficamos sabendo de um crime no interior do Rio Grande do Sul ou da morte de detentos no presídio do Maranhão, de um linchamento no interior de São Paulo ou de um vaso lançado na cabeça de um torcedor em Recife, de um atirador solitário nos Estados Unidos que mata vários estudantes ou de um atentado que provoca a morte de dezenas de pessoas no Oriente. Em qualquer lugar há sempre uma câmera registrando tudo, inclusive assaltos de rua, e cria-se a falsa ideia de que a violência aumentou. Antes da televisão e da internet, quem mora no Acre, por exemplo, demorava quase um mês para saber que um famoso ator morrera no Rio.
O mesmo acontece com a corrupção. A corrupção sempre existiu no mundo desde as épocas mais remotas e no Brasil desde a sua descoberta, mas nunca foi tão falada como agora. No período da ditadura, não havia notícias de corrupção, o que, no entanto, não significa que não existisse, mas apenas que eram escondidas pela censura. No governo de Fernando Henrique Cardoso/PSDB-DEM, por exemplo, o diretor da Policia Federal era demitido todas as vezes em que as investigações sobe corrupção se aproximavam do Palácio do Planalto. E a chamada Grande Imprensa, aquinhoada por FHC, fazia vista grossa para as denúncias, adotando um comportamento completamente diferente do que tem hoje. Não havia interesse em divulgar o lado negativo do governo tucano, o que também não significa que não havia corrupção. Basta lembrar, entre os casos mais escandalosos, o "Projeto Sivam", a "pasta cor-de-rosa", a "emenda da reeleição" etc. É justamente quando existe censura ou a imprensa se cala que a corrupção mais corre solta.
Ouve-se hoje com frequência esta frase, pronunciada com indignação contra o governo: "Todos os dias os jornais estampam em suas páginas noticias de corrupção". Ou seja, eles fundamentam sua opinião no que "os jornais estampam", o que nem sempre significa que os fatos noticiados sejam verdadeiros. Além disso, raras são as pessoas que se lembram de que a Polícia Federal é órgão do governo e, portanto, é o governo que está combatendo a corrupção. É preciso lembrar, também, que a liberdade de imprensa é fruto da democracia, fundamental para o seu fortalecimento, pois permite que o povo tenha conhecimento de tudo de bom e ruim que acontece no seu país. No Brasil de hoje, no entanto, essa liberdade só é usada para divulgar os fatos negativos, alguns inverídicos e outros superdimensionados, o que leva os quase anencéfalos a formar opinião negativa dos governantes.
Essa, aliás, é precisamente a intenção da Grande Mídia, conforme deixou escapar numa inconfidência o tucano Álvaro Dias: pintar um quadro negro do país, demonizando o governo para facilitar a eleição do tucano Aécio Neves, candidato oposicionista à Presidência da República. O motivo é claro: os donos dos grandes veículos de comunicação querem voltar a ter os privilégios que desfrutavam no governo tucano de Fernando Henrique, pois o governo petista parece que não foi muito generoso com eles. E convencidos de que os fins justificam os meios, não se importam com os males que estão causando ao país, dentro e fora de suas fronteiras."
FONTE: escrito por Ribamar Fonseca no jornal on line "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/141175/O-Brasil-pintado-pela-m%C3%ADdia.htm)
OS ORÁCULOS DA PILANTRAGEM
Mauro Santayama, em seu blog
(Hoje em Dia) - A Comissão Européia acusou, formalmente, na semana passada, os bancos
HSBC, Crédit Agricole e JP Morgan, de promover acordos, por debaixo do pano,
para manipular a taxa interbancária EURIBOR - que afeta diretamente o custo dos
empréstimos para os tomadores.
Do golpe, participavam também o Barclays, o Societé Generále, o Royal
Bank of Scotland, e o Deutsche Bank, já condenados, pelo mesmo crime, em
dezembro, a pagar multa de mais de um bilhão de euros.
O Deutsche, maior banco da Alemanha, teve de ser capitalizado em 8
bilhões de euros, esta semana, para para não quebrar. O Banco Espírito
Santo, de Portugal, também a ponto de quebra, foi acusado, pela KPMG, de graves
irregularidades em suas contas. E o Crédit Suisse foi condenado a pagar
2.6 bilhões de dólares à justiça dos EUA, por favorecimento ao desvio de
divisas e à sonegação de impostos.
Para Bertold Brecht, era melhor fundar um banco que assaltá-lo. E
Bernard Shaw lembrava que não há diferença entre o pecado de um ladrão e as
virtudes de um banqueiro.
O mundo muda. Hoje, uma diferença de menos de 2% separa o peso das seis
maiores economias emergentes das seis maiores economias “desenvolvidas” e as
reservas em mãos do primeiro grupo quase triplicam as do segundo.
Mas, no Brasil, continuamos ouvindo, como se fossem oráculos, a opinião
dos banqueiros estrangeiros, que só estão em nosso país para organizar a
espoliação sistemática de nossas riquezas e do nosso mercado.
Lá fora, a opinião pública chama essa gente de banksters (foto) unindo em uma só palavra o termo bankers (banqueiro) e gangsters (bandidos).
Aqui, o que diz um representante deles - que estão quebrando ou
são acusados de crimes em seus países de origem - é sagrado.
Independente de quem estiver no poder no governo, o Brasil, se quiser
continuar atraindo dinheiro externo, precisa estabelecer instrumentos próprios
de defesa da imagem do país lá fora, criando, como se está projetando fazer com
os BRICS, agências próprias de qualificação, bancos de fomento, fundos de
reserva, etc.
Até mesmo porque a credibilidade das principais agências de qualificação
que existem hoje está tão baixa, no exterior, quanto a dos bancos, aos
quais tantas vezes se aliam e protegem, para enganar e pilhar países e
correntistas.
É preciso que aprendamos a não dar ouvidos aos enganosos oráculos da
pilantragem.
Assim como no Brasil, na China os maiores bancos são estatais, e a
dependência de capital externo no mercado financeiro é – até por uma questão
estratégica - marginal e quase irrelevante.
A diferença que existe entre nós e eles – prestes a se transformar na
maior economia do planeta – é que, no Brasil, a opinião de instituições
externas, acusadas de envolvimento em duvidosos episódios e nas últimas crises
internacionais, orienta e pauta as ações do governo, e vai para a primeira
página dos jornais.
Em lugares como Pequim e Xangai, o país, os empreendedores e os
consumidores, estão se lixando, redondamente, para a opinião dos bancos
ocidentais.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Banco do Sul: outro legado de Chávez
Beto
Almeida
Os chanceleres da Unasul, reunidos na semana que passou no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares, ferramenta financeira destinada ao financiamento de projetos de integração da América do Sul.
Trata-se de mais um dos grandes legados do presidente Hugo Chávez, falecido em 2013. Sem dúvida, o lado visionário de Chávez também se revela aqui nesta decisão, que vinha sendo procrastinada injustificadamente, inclusive pela relutância das autoridades financeiras do Brasil. Da mesma forma que até hoje, o governo brasileiro não tomou qualquer medida para vincular-se à TeleSUR oficialmente, favorecendo a integração informativo-cultura da América Latina, o que teria plena sintonia com o discurso autocrítico feito por Lula em encontro com blogueiros, quando reconheceu que muito pouco foi feito para a democratização da comunicação no Brasil.
O Banco do Sul, assim como a Unasul, nasceu graças a uma pregação incansável de Chávez, e agora já terá a companhia do Banco dos Brics, bem como de outras medidas adotadas pela Rússia, China e Iran para a desdolarização gradual da economia. O Banco do Sul é também uma grande bofetada nos EUA e, tal como o BNDES já vem fazendo, ao financiar a construção do Porto de Mariel, em Cuba, representará uma capacidade ampliada para a realização de projetos de infraestrutura que avancem na integração da América Latina, sempre sabotados pelos EUA.
Certamente, com mais esta ferramenta, surge clara a possibilidade de ampliar as operações sem o dólar – indispensável ante a crise e a instabilidade do capitalismo internacional – bem como o encorajamento para tirar do papel um conjunto de projetos integracionistas, a exemplo do que a Rússia, a China e o Iran já vem fazendo em matéria energética. Depois de Unasul, TeleSUR, Banco do Sul, agora pode estar chegando a vez do Gasoduto do Sul, tão sonhado pelo revolucionário Hugo Chávez.
Mas, para que isto se torne realidade, é preciso manter a unidade das forças progressistas, seja no Brasil, na Venezuela, na Argentina, Uruguai e Bolívia, seguindo o exemplo de uma persistência revolucionária incansável que nos legou Chávez, desde a audaciosa, meticulosa e arriscada construção de um movimento revolucionário bolivariano no interior das forças armadas venezuelanas. É este instrumento que hoje, materializado na unidade cívico-popular, mantém de pé a Revolução Bolivariana, capaz de impulsos construtivos como o Banco do Sul, de amplificar as energias da Revolução Cubana e de iluminar permanentemente os árduos caminhos da indispensável integração latino-americana.Como todo revolucionário, Chávez ultrapassa seu tempo físico e se mantém entre nós como criador, um construtor, um animador e um formador de consciências transformadoras.
Beto Almeida é jornalista membro do diretório da TeleSUR. Artigo publicado originalmente na Carta Maior
Os chanceleres da Unasul, reunidos na semana que passou no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares, ferramenta financeira destinada ao financiamento de projetos de integração da América do Sul.
Trata-se de mais um dos grandes legados do presidente Hugo Chávez, falecido em 2013. Sem dúvida, o lado visionário de Chávez também se revela aqui nesta decisão, que vinha sendo procrastinada injustificadamente, inclusive pela relutância das autoridades financeiras do Brasil. Da mesma forma que até hoje, o governo brasileiro não tomou qualquer medida para vincular-se à TeleSUR oficialmente, favorecendo a integração informativo-cultura da América Latina, o que teria plena sintonia com o discurso autocrítico feito por Lula em encontro com blogueiros, quando reconheceu que muito pouco foi feito para a democratização da comunicação no Brasil.
O Banco do Sul, assim como a Unasul, nasceu graças a uma pregação incansável de Chávez, e agora já terá a companhia do Banco dos Brics, bem como de outras medidas adotadas pela Rússia, China e Iran para a desdolarização gradual da economia. O Banco do Sul é também uma grande bofetada nos EUA e, tal como o BNDES já vem fazendo, ao financiar a construção do Porto de Mariel, em Cuba, representará uma capacidade ampliada para a realização de projetos de infraestrutura que avancem na integração da América Latina, sempre sabotados pelos EUA.
Certamente, com mais esta ferramenta, surge clara a possibilidade de ampliar as operações sem o dólar – indispensável ante a crise e a instabilidade do capitalismo internacional – bem como o encorajamento para tirar do papel um conjunto de projetos integracionistas, a exemplo do que a Rússia, a China e o Iran já vem fazendo em matéria energética. Depois de Unasul, TeleSUR, Banco do Sul, agora pode estar chegando a vez do Gasoduto do Sul, tão sonhado pelo revolucionário Hugo Chávez.
Mas, para que isto se torne realidade, é preciso manter a unidade das forças progressistas, seja no Brasil, na Venezuela, na Argentina, Uruguai e Bolívia, seguindo o exemplo de uma persistência revolucionária incansável que nos legou Chávez, desde a audaciosa, meticulosa e arriscada construção de um movimento revolucionário bolivariano no interior das forças armadas venezuelanas. É este instrumento que hoje, materializado na unidade cívico-popular, mantém de pé a Revolução Bolivariana, capaz de impulsos construtivos como o Banco do Sul, de amplificar as energias da Revolução Cubana e de iluminar permanentemente os árduos caminhos da indispensável integração latino-americana.Como todo revolucionário, Chávez ultrapassa seu tempo físico e se mantém entre nós como criador, um construtor, um animador e um formador de consciências transformadoras.
Beto Almeida é jornalista membro do diretório da TeleSUR. Artigo publicado originalmente na Carta Maior
Crise só aumentou a desigualdade
Por Leonardo Boff, no site da Adital
Está causando furor entre os leitores de assuntos econômicos, economistas e principalmente pânico entre os muito ricos um livro de 700 páginas escrito em 2013 e publicado em muitos países em 2014. Transformou-se num verdadeiro best-seller. Trata-se de uma obra de investigação, cobrindo 250 anos, de um dos mais jovens (43 anos) e brilhantes economistas franceses, Thomas Piketty. O livro se intitula "O capital no século XXI” (Seuil, Paris 2013). Aborda fundamentalmente a relação de desigualdade social produzida por heranças, rendas e principalmente pelo processo de acumulação capitalista, tendo como material de análise particularmente a Europa e os USA.
A tese de base que sustenta é: a desigualdade não é acidental, mas o traço característico do capitalismo. Se a desigualdade persistir e aumentar, a ordem democrática estará fortemente ameaçada. Desde 1960, o comparecimento dos eleitores nos USA diminuiu de 64% (1960) para pouco mais de 50% (1996), embora tenha aumentado ultimamente. Tal fato deixa perceber que é uma democracia mais formal que real.
Esta tese sempre sustentada pelos melhores analistas sociais e repetida muitas vezes pelo autor destas linhas, se confirma: democracia e capitalismo não convivem. E, se ela se instaura dentro da ordem capitalista, assume formas distorcidas e até traços de farsa. Onde ela entra, estabelece imediatamente relações de desigualdade que, no dialeto da ética, significa relações de exploração e de injustiça. A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenômenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade.
Piketty vê nos USA e na Grã-Bretanha, onde o capitalismo é triunfante, os países mais desiguais, o que é atestado também por um dos maiores especialistas em desigualdade Richard Wilkinson. Nos USA executivos ganham 331 vezes mais que um trabalhador médio. Eric Hobsbawn, numa de suas últimas intervenções antes de sua morte, diz claramente que a economia política ocidental do neoliberalismo "subordinou propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário”.
Em termos globais, citemos o corajoso documento da Oxfam Intermón, enviado aos opulentos empresários e banqueiros reunidos em Davos em janeiro deste ano como conclusão de seu relatório "Governar para as elites, sequestro democrático e desigualdade econômica”: 85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bilhões de pobres do mundo.
O discurso ideológico aventado por esses plutocratas é que tal riqueza é fruto de ativos, de heranças e da meritocracia; as fortunas são conquistas merecidas, como recompensa pelos bons serviços prestados. Ofendem-se quando são apontados como o 1% de ricos contra os 99% dos demais cidadãos, pois se imaginam os grandes geradores de emprego.
Os prêmios nobéis J. Stiglitz e P. Krugman têm mostrado que o dinheiro que receberam do Governo para salvarem seus bancos e empresas mal foram empregados na geração de empregos. Entraram logo na ciranda financeira mundial que rende sempre muito mais sem precisar trabalhar. E ainda há 21 trilhões de dólares nos paraísos fiscais de 91 mil pessoas.
Como é possível estabelecer relações mínimas de equidade, de participação, de cooperação e de real democracia quando se revelam estas excrecências humanas que se fazem surdas aos gritos que sobem da Terra e cegas sobre as chagas de milhões de co-semelhantes?
Está causando furor entre os leitores de assuntos econômicos, economistas e principalmente pânico entre os muito ricos um livro de 700 páginas escrito em 2013 e publicado em muitos países em 2014. Transformou-se num verdadeiro best-seller. Trata-se de uma obra de investigação, cobrindo 250 anos, de um dos mais jovens (43 anos) e brilhantes economistas franceses, Thomas Piketty. O livro se intitula "O capital no século XXI” (Seuil, Paris 2013). Aborda fundamentalmente a relação de desigualdade social produzida por heranças, rendas e principalmente pelo processo de acumulação capitalista, tendo como material de análise particularmente a Europa e os USA.
A tese de base que sustenta é: a desigualdade não é acidental, mas o traço característico do capitalismo. Se a desigualdade persistir e aumentar, a ordem democrática estará fortemente ameaçada. Desde 1960, o comparecimento dos eleitores nos USA diminuiu de 64% (1960) para pouco mais de 50% (1996), embora tenha aumentado ultimamente. Tal fato deixa perceber que é uma democracia mais formal que real.
Esta tese sempre sustentada pelos melhores analistas sociais e repetida muitas vezes pelo autor destas linhas, se confirma: democracia e capitalismo não convivem. E, se ela se instaura dentro da ordem capitalista, assume formas distorcidas e até traços de farsa. Onde ela entra, estabelece imediatamente relações de desigualdade que, no dialeto da ética, significa relações de exploração e de injustiça. A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenômenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade.
Piketty vê nos USA e na Grã-Bretanha, onde o capitalismo é triunfante, os países mais desiguais, o que é atestado também por um dos maiores especialistas em desigualdade Richard Wilkinson. Nos USA executivos ganham 331 vezes mais que um trabalhador médio. Eric Hobsbawn, numa de suas últimas intervenções antes de sua morte, diz claramente que a economia política ocidental do neoliberalismo "subordinou propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário”.
Em termos globais, citemos o corajoso documento da Oxfam Intermón, enviado aos opulentos empresários e banqueiros reunidos em Davos em janeiro deste ano como conclusão de seu relatório "Governar para as elites, sequestro democrático e desigualdade econômica”: 85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bilhões de pobres do mundo.
O discurso ideológico aventado por esses plutocratas é que tal riqueza é fruto de ativos, de heranças e da meritocracia; as fortunas são conquistas merecidas, como recompensa pelos bons serviços prestados. Ofendem-se quando são apontados como o 1% de ricos contra os 99% dos demais cidadãos, pois se imaginam os grandes geradores de emprego.
Os prêmios nobéis J. Stiglitz e P. Krugman têm mostrado que o dinheiro que receberam do Governo para salvarem seus bancos e empresas mal foram empregados na geração de empregos. Entraram logo na ciranda financeira mundial que rende sempre muito mais sem precisar trabalhar. E ainda há 21 trilhões de dólares nos paraísos fiscais de 91 mil pessoas.
Como é possível estabelecer relações mínimas de equidade, de participação, de cooperação e de real democracia quando se revelam estas excrecências humanas que se fazem surdas aos gritos que sobem da Terra e cegas sobre as chagas de milhões de co-semelhantes?
Mídia esportiva e complexo de vira-lata
Transcrito do Blog do Miro
Por Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe), no site Vermelho:
No último sábado, dia 24 de maio, toda a imprensa parou para cobrir a final da Copa dos Campeões da Europa, a chamada Champions Cup. Um belo jogo onde se teve até gol espírita aos 48 minutos da segunda etapa levando o jogo para a prorrogação. Somado ao desgaste físico do Atlético e ao peso da camisa do Real Madrid em decisões, vimos a equipe branca da capital espanhola levantar sua décima taça desta competição, credenciando os merengues a participarem do Mundial de Clubes da Fifa.
Entretanto, um fato mais curioso que a chegada do time treinado por Simeone a esta final me chamou a atenção durante a semana que antecedeu esta partida: o comportamento da imprensa esportiva brasileira.
Assim como muitos brasileiros e brasileiros sofrem do complexo de vira-latas (eternizado por Nélson Rodrigues) também a mídia e seus cronistas de futebol (em sua maioria) parecem ter os mesmos sintomas desta “doença”.
O local que abrigou a final, o famoso estádio da Luz de Portugal, reconstruído para a Eurocopa de 2003, foi saudado aos quatro ventos como exemplo do que há de mais moderno! Entretanto, a maior parte destes mesmos cronistas, não disse que os novos estádios brasileiros são mais modernos que este local. Aí eu me pergunto: Por que omitiram esta informação? Porque somente no Programa do polêmico Neto, no Bandsports vimos de maneira clara às comparações entre esta arena esportiva e as nossas?
Outro exemplo de subserviência esportiva, que poderíamos pensar como outra modalidade de neocolonialismo cultural, o neocolonialismo futebolístico, também pôde ser notado ao longo da semana que antecedeu a este jogo.
Nenhum dos comentaristas que lá estavam, ousaram comentar sobre as promiscuas relações entre a direção de grandes clubes europeus com a Máfia Europeia (como o Milan da Itália e seu chefão Sílvio Berlusconi) ou mesmo sobre as difíceis condições econômicas vividas pela classe trabalhadora tanto em Portugal, sede da final, como na Espanha, país de onde vieram os dois finalistas.
Cabe destacar ainda a surpresa com que observaram que também lá, no dito 1° Mundo existiam cambistas! O jornalista que o abordou parecia estar vendo um marciano, tamanho o Complexo de Inferioridade que se portava durante a entrevista.
É inegável que o futebol europeu, possui um poderio econômico maior que o nosso, mas por que não se investiga sobre os investidores obscuros de times até então medianos, como PSG, Mônaco e Chelsea, ou ainda sobre a situação do Málaga da Espanha, que de novo rico, passou a clube falido em apenas duas temporadas?
Pois bem, a resposta é simples, lá como cá, o futebol ainda é governado por pessoas de passado e presente duvidosos, muitos, inclusive, possuindo relações estreitas com empresários e políticos corruptos, ou seja, não é exclusividade da CBF ou do futebol brasileiro tantos problemas organizacionais extra campo...
Temos muito que melhorar, especialmente no quesito violência nos estádios e calendário, afinal de contas não faz sentido sermos o único país do mundo a não seguir o calendário da bola, perdendo muitos jogadores durante o fim do primeiro semestre, que deveria ser o fim da competição nacional.
Enfim, mudanças precisam ser feitas, mas a estrutura é semelhante, até mesmo no quesito transparência, pois tanto a Uefa como a Conmebol, pecam muito em suas prestações de contas...
Mas, a pergunta que não quer calar é: Por que os nossos locutores e comentaristas não mostraram a verdadeira Europa? Por que ficar nos reduzindo a sub colônias futebolísticas?
Tá na hora do Ministério da Saúde desenvolver uma vacina anti Complexo de Vira Lata, pois, sinceramente, com esta mídia subserviente, anda ficando cada vez mais chato se assistir futebol...
No último sábado, dia 24 de maio, toda a imprensa parou para cobrir a final da Copa dos Campeões da Europa, a chamada Champions Cup. Um belo jogo onde se teve até gol espírita aos 48 minutos da segunda etapa levando o jogo para a prorrogação. Somado ao desgaste físico do Atlético e ao peso da camisa do Real Madrid em decisões, vimos a equipe branca da capital espanhola levantar sua décima taça desta competição, credenciando os merengues a participarem do Mundial de Clubes da Fifa.
Entretanto, um fato mais curioso que a chegada do time treinado por Simeone a esta final me chamou a atenção durante a semana que antecedeu esta partida: o comportamento da imprensa esportiva brasileira.
Assim como muitos brasileiros e brasileiros sofrem do complexo de vira-latas (eternizado por Nélson Rodrigues) também a mídia e seus cronistas de futebol (em sua maioria) parecem ter os mesmos sintomas desta “doença”.
O local que abrigou a final, o famoso estádio da Luz de Portugal, reconstruído para a Eurocopa de 2003, foi saudado aos quatro ventos como exemplo do que há de mais moderno! Entretanto, a maior parte destes mesmos cronistas, não disse que os novos estádios brasileiros são mais modernos que este local. Aí eu me pergunto: Por que omitiram esta informação? Porque somente no Programa do polêmico Neto, no Bandsports vimos de maneira clara às comparações entre esta arena esportiva e as nossas?
Outro exemplo de subserviência esportiva, que poderíamos pensar como outra modalidade de neocolonialismo cultural, o neocolonialismo futebolístico, também pôde ser notado ao longo da semana que antecedeu a este jogo.
Nenhum dos comentaristas que lá estavam, ousaram comentar sobre as promiscuas relações entre a direção de grandes clubes europeus com a Máfia Europeia (como o Milan da Itália e seu chefão Sílvio Berlusconi) ou mesmo sobre as difíceis condições econômicas vividas pela classe trabalhadora tanto em Portugal, sede da final, como na Espanha, país de onde vieram os dois finalistas.
Cabe destacar ainda a surpresa com que observaram que também lá, no dito 1° Mundo existiam cambistas! O jornalista que o abordou parecia estar vendo um marciano, tamanho o Complexo de Inferioridade que se portava durante a entrevista.
É inegável que o futebol europeu, possui um poderio econômico maior que o nosso, mas por que não se investiga sobre os investidores obscuros de times até então medianos, como PSG, Mônaco e Chelsea, ou ainda sobre a situação do Málaga da Espanha, que de novo rico, passou a clube falido em apenas duas temporadas?
Pois bem, a resposta é simples, lá como cá, o futebol ainda é governado por pessoas de passado e presente duvidosos, muitos, inclusive, possuindo relações estreitas com empresários e políticos corruptos, ou seja, não é exclusividade da CBF ou do futebol brasileiro tantos problemas organizacionais extra campo...
Temos muito que melhorar, especialmente no quesito violência nos estádios e calendário, afinal de contas não faz sentido sermos o único país do mundo a não seguir o calendário da bola, perdendo muitos jogadores durante o fim do primeiro semestre, que deveria ser o fim da competição nacional.
Enfim, mudanças precisam ser feitas, mas a estrutura é semelhante, até mesmo no quesito transparência, pois tanto a Uefa como a Conmebol, pecam muito em suas prestações de contas...
Mas, a pergunta que não quer calar é: Por que os nossos locutores e comentaristas não mostraram a verdadeira Europa? Por que ficar nos reduzindo a sub colônias futebolísticas?
Tá na hora do Ministério da Saúde desenvolver uma vacina anti Complexo de Vira Lata, pois, sinceramente, com esta mídia subserviente, anda ficando cada vez mais chato se assistir futebol...
Vamos ter Copa, sim, e protestos agora ficaram patéticos
Ricardo Kotscho no site Vale Pensar
Com apenas um protesto contra a Copa marcado para esta terça-
Com apenas um protesto contra a Copa marcado para esta terça-
feira, em Brasília, a onda de manifestações vai-se esvaziando, a
cada dia de forma mais melancólica, mostrando que a maioria da
população brasileira, que ama o futebol e não mistura seleção
com política, não quer mais saber de baderna.
Vamos ter Copa do Mundo no Brasil, sim, apesar da urubuzada
que sobrevoou o país nestes últimos meses e infernizou a vida
de quem mora nas grandes cidades. Felipão e seus 23 convocados
já estão concentrados na Granja Comary, em Teresópolis, só
esperando o início jogo de estreia do Brasil contra a Croácia, no
Itaquerão, daqui a 16 dias.
Foram patéticos os últimos protestos organizados pela turma do
quanto pior, melhor, cada vez menores e mais radicais, a ponto
de tentarem impedir a saída do ônibus da seleção que seguiu
ontem do Rio para Teresópolis e, depois, a sua entrada na Granja
Comari.
Empunhando bandeiras do Sindicato dos Profissionais de Educação
e de partidos radicais da esquerda sem votos, um grupo de 200
professores xingou os jogadores que saiam do hotel próximo ao
Galeão e chutaram o ônibus aos gritos de "pode acreditar,
educador vale mais do que o Neymar". O que tem uma coisa a ver
com a outra? Que direito estes vândalos travestidos de educadores
têm de impedir a passagem de quem quer que seja? Outros 30
gatos pingados e irados se postaram diante dos portões da
concentração em Teresópolis.
No último final de semana, em São Paulo, tivemos duas marchas
que, mais uma vez, fecharam a avenida Paulista. Não são mais
necessárias multidões nem grandes causas populares para
interditar a principal via da maior cidade do país. De manhã, no
sábado, foi a vez da autodenominada "marcha das vadias", em
que mulheres desfilaram com os seios nus apesar do frio e da
garoa; à tarde, apareceu um bando contra a Copa e contra tudo,
que fez o mesmo trajeto, interditando ruas em direção ao centro.
Em cada uma, não havia mais do que 300 "protestantes" nesta
cidade de mais de 10 milhões de habitantes. Quem essa gente
representa?
Diante do fracasso das manifestações anunciadas em larga escala
pela mídia grande, ficamos sabendo que, há duas semanas, veio
até um reforço do exterior. "Um grupo de cerca de cem ativistas,
entre eles barbudos, mocinhas universitárias, skatistas e até
rapazes com cara de advogado assistiam sem piscar à palestra
do moço magrinho que tentava ensinar como mudar o mundo",
relata Silas Martí, da "Folha".
O moço magrinho era um tal de Sean Dagohoy, do coletivo
americano Yes Man, que deu uma "oficina de ativismo" no Centro
Cultural de São Paulo, para ensinar os nativos, durante três horas,
a "pensar em ações de protesto contra o Mundial de futebol".
Dagohoy ainda advertiu seus alunos que não poderia se
responsabilizar pela "eventual brutalidade daqueles que estão
no poder".
Era preciso informar ao ativista gringo que as maiores brutalidades
a que assistimos nos últimos meses não partiram dos que estão
no poder, mas de grupos de black blocs e outros celerados que
se aproveitavam das "manifestações pacíficas" para afrontar a
polícia, depredar patrimônio público e privado, saquear lojas, tacar
fogo em ônibus.
Derrotados, eles podem voltar a qualquer momento, e todo
cuidado é pouco. Que a bola comece logo a rolar para a gente
poder mudar de assunto. Os nobres parlamentares brasileiros,
por exemplo, já estão dando sua contribuição, ao anunciar que
só vão trabalhar durante seis dias durante toda a Copa. Menos mal.
Agora é com você, Felipão!
BLANCHARD E A CONVERSA FIADA DO FMI
Mauro Santayama, em seu blog
Na falta do que fazer com relação a certos países, o pessoal do FMI
tergiversa como é o caso do economista-chefe da instituição, Olivier
Blanchard. Blanchard anunciou, em palestra proferida na semana passada,
em Nova Iorque, que os “investidores” estão preocupados com o Brasil, e os
países emergentes irão “crescer menos” nos próximos anos, enquanto as “nações
desenvolvidas” farão exatamente o contrário.
Por essa lógica peculiar, que costuma ser repetida à exaustão por certos
meios de comunicação e revistas internacionais, projetam - em previsões que
quase nunca coincidem depois, com os números reais - que os EUA vão crescer
2.9% este ano, e a China, 7.5%, ou seja, quase o triplo dos
norte-americanos - e são os emergentes que estão deixando de crescer e os
“desenvolvidos” que os estão ultrapassando.
Quanto ao Brasil, o economista afirma que os investidores estão
“preocupados com o país”, citando problemas como a inflação – que está dentro
da meta; as contas externas e as contas fiscais; e o superávit
primário, que continua sendo cumprido. E não dá a mesma atenção ao
fato de que importantes recursos, vindos de fora, voltaram ao Brasil, atraídos
pelo aumento dos juros e pela Bolsa.
A mesma lógica diz que o México vai bem, e o Brasil vai mal,
quando tivemos superávit no comércio com a China, no ano passado, os
mexicanos amargaram um déficit de 51 bilhões de dólares com os chineses, e nós crescemos 2.3% e eles, 1.2%.
É certo que temos tido problemas, principalmente em relação ao
comércio exterior. Mas Olivier Blanchard se esquece de que o FMI é mais relevante para os
países que lhe devem dinheiro, do que para os que lhe emprestam, como é o caso
do Brasil, credor da instituição desde a crise da Grécia em 2008; detentor
da sexta maior reserva monetária do mundo; e quarto maior credor individual
externo do Tesouro dos Estados Unidos.
O FMI já foi importante para o Brasil quando, na condição de credores -
e de sétima maior economia do mundo - ainda tínhamos paciência e esperança nas
reformas destinadas a dar maior peso aos países emergentes na
organização.
Com o provável anúncio da constituição do banco dos BRICS, na cúpula
presidencial que reunirá os presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul, em Fortaleza, em julho, o Fundo vai ficar, para o Brasil, ainda
menos relevante.
CHUMBO TROCADO NÃO DÓI
Mauro Santayama, em seu blog
(Hoje em Dia) - O governo dos EUA acusou, formalmente, há alguns dias,
cinco militares chineses, de uma suposta “Unidade 61398”, com sede em Xangai,
de atividades de espionagem eletrônica. Sua finalidade: o “roubo de informações
industriais” de empresas norte-americanas, para entrega a concorrentes chineses
- principalmente indústrias estatais.
Trinta e uma acusações foram feitas pelo Estado da Pensilvânia contra
Wang Dong, Sun Kailiang y Wen Xinyu, por responsabilidade material, e contra
Huang Zhenyu e Gu Chunhui, pela manutenção da infraestrutura usada nas
operações de infiltração. Eles podem ser condenados à revelia, de dez a quinze anos de prisão.
Entre as empresas e instituições norte-americanas supostamente
prejudicadas, citam a Westinghouse, a filial da alemã Solarworld, a U.S. Steel,
a Alcoa, a Allegheny Technologies, e a United Steel Workers, que congrega
empregados do setor siderúrgico. Os dados desviados teriam a ver com o desenho
de uma usina nuclear; com disputas
comerciais com a China, nas áreas de produção de aço e células solares. E
também com o roubo de credenciais de acesso de funcionários à empresa Allegheny
Technologies.
Em rematado exercício de cinismo - considerando-se a lisura dos Estados
Unidos na matéria - John Carlin, o diretor do FBI encarregado da Divisão de
Segurança Nacional da instituição, afirmou: "que fique claro, que essa
conduta é criminal e que não é a que se espera de uma nação responsável e nem que
seja tolerada pela comunidade econômica global”, e, também, que os EUA “não
exercem atividades de espionagem em benefício de suas empresas.”
O Sr. Carlin poderia, explicar, então, junto às outras autoridades
norte-americanas, encarregadas do caso, em benefício de quem foi espionada a
Petrobrás, além do próprio governo brasileiro,
e cidadãos de todo o mundo.
Ou responder o que ocorreria, se, em resposta às atividades de
espionagem eletrônica em massa das agências norte-americanas de informações, o
governo chinês, o brasileiro, e tantos outros, decidissem levar aos tribunais
os milhares de funcionários que trabalham espionando para o governo dos Estados
Unidos, todos os dias, apenas na NSA.
Chumbo trocado não dói. Se os EUA estão preocupados com a espionagem
chinesa - embora do ponto de vista moral não tenham nenhuma condição para isso - os chineses
agem, também, da mesma forma, ao proibir, como fizeram, também ontem, a
utilização do Windows 8 como sistema operacional em computadores de sua
administração pública.
Quanto aos acusados, a China já disse que não vai extraditar os seus soldados. E declarou que vai romper, a partir de agora, a tênue cooperação que tinha, com os Estados Unidos, no campo da segurança cibernética.
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