quarta-feira, 21 de maio de 2014

Entrevista com Tarso Genro

Rio Grande do Sul 247 – Pré-candidato à reeleição, o governador 
do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou, nesta segunda-
feira (19), que a oposição está fazendo uma campanha contra o 
governo da presidente Dilma Rousseff (PT), com o apoio da 
imprensa. Segundo ele, "as grandes cadeias de comunicação são 
democratas [militantes do DEM] ou tucanas e fazem campanha 
massiva" contra legendas alinhadas à esquerda.
"Em todas as categorias existem as pessoas com desvio de 
conduta. Ocorre que a campanha que se faz toma todos políticos 
como corruptos e todos os partidos como venais. Isso pode trazer 
um dano irreversível à democracia. Se essa tese vencer e se 
extinguir a politica, o primeiro passo é acabar com a liberdade de 
imprensa", disse.
Em sabatina à Folha, Uol e SBT, o petista disse também que o 
maior erro de seu mandato foi ter subestimado os problemas da 
máquina pública que, de acordo com o petista, foram herdados 
da gestão anterior, comandada por Yeda Crusius (PSDB). 
"Subestimei a crise em que estava a máquina pública. Estava 
muito mais sucateada do que pensávamos. Cometi um erro de 
avaliação que custou uma demora maior na realização de obras
 importantes", disse.
Com o objetivo resolver o problema da dívida do estado, que, 
atualmente representa 209% da receita gaúcha, Genro aposta 
na reformulação da política fiscal, proposta em tramitação no 
Congresso Nacional. O projeto já passou pela Câmara e precisa 
ser aprovado pelo Senado.
"Este governo está equacionado. O que nós vamos fazer no 
próximo [governo], para fazer essa transição até 2017? Abrir um 
novo espaço fiscal, nós já aprovamos o projeto de reestruturação 
da dívida na Comissão Mista, agora vai para o Senado, vai ser 
aprovado esse ano. E vamos captar recursos. Já nos abre crédito 
novamente de R$ 4 bilhões para continuar investindo em 
infraestrutura", disse.
Segundo o governador, o estado utilizou recursos próprios a fim 
de melhorar a remuneração do funcionalismo e criticou a oposição. 
"Os nossos adversários adotaram uma outra visão: o Estado tem 
de pagar a dívida e ficar quieto. Chamavam isso de deficit zero, 
e o Estado paralisou. Hoje nós temos o maior crescimento industrial 
do país, e nós temos também o maior crescimento do PIB do país 
aqui no Rio Grande do Sul".
Sistema carcerário
Diante dos problemas de superlotação que afetam o Presídio 
Central de Porto Alegre, o governador disse que a penitenciária 
será desativada até o final do ano com a construção de novas 
unidades prisionais, porém, segundo ele, o presídio deve começar 
a ser esvaziado em agosto.
O presídio abriga 4,5 mil detentos o dobro de sua capacidade. 
Além da superlotação, a Organização dos Estados Americanos 
apontou, por meio de uma inspeção, problemas como falta de 
atendimento médico, de medidas preventivas contra incêndios e 
más condições de higiene.
"Se conseguirmos fazer todos os novos presídios, esvaziaremos 
o Presídio Central, mas as obras não andam como nós prevíamos. 
Temos ações do Ministério Público mandando construir os presídios 
e ações mandando parar as obras, questionando procedimentos", 
declarou.
Tarso, que é ex-ministro de Justiça, disse que o sistema prisional 
brasileiro é uma "fábrica de delinquentes". Para ele, o aumento da 
violência é decorrente da indústria do entretenimento. "Há toda 
uma estética televisiva e cinematográfica da morte, do estímulo 
da violência, do elogio da força e da superioridade da brutalidade. 
Isso é terrível para a juventude. Hoje uma pessoa mata para 
roubar um tênis. Na minha época, os atos de delinquência juvenil 
eram roubar fruta da casa do vizinho ou camisetas para o time 
de futebol", disse.

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