Najla Passos no sítio Carta Maior
Brasília - O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua, protocolou nesta sexta (28), em Paramaribo, capital do Suriname, pedido para que a União das Nações Sul-americanas (Unasul) convoque reunião extraordinária para discutir a crise em seu país. Durante a madrugada, ele se reuniu com seu equivalente brasileiro, o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em Brasília, para pedir apoio à convocatória. Antes disso, passou por Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai, onde conquistou adesões.
Em entrevista coletiva na embaixada da Venezuela no Brasil, antes de partir para o Suriname, Jaua afirmou que é imprescindível uma posição da Unasul em defesa da democracia venezuelana, visto que o bloco tem se mostrado mais eficiente do que outros organismos internacionais para solucionar os recentes ataques à democracia no continente, como os que envolveram Equador, Bolívia e Paraguai. “Cremos que teríamos maior eficácia que outras organizações demonstraram ao largo da história para desativar rapidamente as tentativas de golpe contra a democracia”, justificou.
Aos jornalistas, o ministro venezuelano se mostrou satisfeito com o teor da conversa travada com o colega brasileiro. Entretanto, o Itamaraty ainda não divulgou posição oficial sobre a convocatória. Em nota, o órgão disse apenas que a visita realizou-se no marco das viagens do ministro a países da região, com o objetivo de apresentar elementos atualizados sobre a situação interna na Venezuela, e que Jaua ressaltou o empenho do presidente Maduro na promoção do diálogo nacional.
“Ao agradecer a gentileza da visita e as informações prestadas, o Ministro Figueiredo manifestou a confiança de que, pela via do diálogo e do respeito ao ordenamento institucional, a Venezuela resguardará a ordem democrática e o Estado de direito, atendendo aos anseios do povo venezuelano e de seu Governo de seguir seu desenvolvimento com estabilidade política e paz”, diz o documento.
Na entrevista, o ministro também rechaçou o comportamento golpista da oposição no seu país que, por meio de manifestações violentas que se sucedem há 16 dias, colocam em xeque a estabilidade política da Venezuela. Ele lembrou que o presidente Nicolás Maduro foi eleito de forma democrática e transparente, em eleição fiscalizada e aprovada por organismos internacionais. "A única via para se estabelecer um governo é a democrática, por meio da decisão da maioria. Quem perde tem de respeitar isso. É o que esperamos do debate no seio da Unasul", justificou.
Conforme o chanceler, ao contrário do que vem sendo divulgado pela oposição venezuelana, com amplo apoio da imprensa internacional, os distúrbios estão restritos a um pequeno foco, proveniente de regiões de alto poder aquisitivo. “A Venezuela tem 335 municípios, e os focos de violência estão localizados em 18 municípios, notadamente em áreas de classe média ou classe média alta. Em mais de 300 municípios, no resto do país, não há qualquer tipo de perturbação”, ressaltou.
Ele contestou também a tese propagandeada pelos opositores de que o governo Maduro tem agido de forma violenta para reprimir manifestações legítimas. De acordo com ele, os ataques iniciados em 12 de fevereiro já foram organizados com o claro intento de desestabilizar o governo. “Não foi o governo bolivariano que começou ou provocou a violência. São grupos bem treinados para promover a violência que romperam com a paz e tranquilidade democrática”, rebateu. Segundo o ministro, das 14 mortes confirmadas, três foram de servidores públicos e as demais, de militantes da situação e oposição.
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