Com
crise, salários dos países sobem menos que o esperado. Expansão foi de
1,2% em 2011, contra 2,1% em 2010 e 3% em 2007, segundo dados da OIT.
Remuneração dos emergentes é ainda muito inferior ao das economias
centrais.
RIO
— A crise afetou, e muito, a expansão dos salários dos trabalhadores no
mundo, mostra Relatório Mundial sobre salários da OIT em 124 países. De
acordo com o estudo, os salários médios cresceram 1,2% em 2011 — abaixo
das variações de 2007 (3%) e de 2010 (2,1%). Sem incluir a China nos
cálculos, o avanço teria sido de apenas 0,2% no ano passado.
—
O informe mostra com clareza que a crise teve um forte impacto sobre os
salários e, por extensão, sobre os trabalhadores — disse o diretor
geral da OIT, Guy Ryder. — Mas o impacto não foi uniforme.
Mas
os efeitos da crise nos rendimentos foram diferentes entre os países. A
despeito da crise global, as economias emergentes registraram um
incremento nos salários médios em 2011. Já os países desenvolvidos viram
as remunerações recuarem no ano passado. Com isso, no ano passado, o
salário médio nos países desenvolvidos caiu 0,5%. Já no Leste da Europa e
na Ásia Central, a alta foi de 5,2%. Na América Latina e Caribe, o
crescimento salarial foi, em média, de 2,2%.
Embora
os salários tenham avançado significativamente nos emergentes, os
ganhos nesses países ainda estão muito longe dos valores pagos aos
trabalhadores nas economias centrais. Um trabalhador da indústria
recebe, por hora, US$ 1,40 nas Filipinas, US$ 5,50 no Brasil, US$ 13 na
Grécia, US$ 23 nos Estados Unidos e quase US$ 35 na Dinamarca.
O
relatório enfatiza que os salários cresceram a um ritmo menor do que a
produtividade do trabalho durante a última década na maioria dos países
estudados pela OIT. A produtividade laboral se refere ao valor dos bens e
serviços produzidos por cada trabalhador.- Em nível social e político,
sua interpretação mais clara é que os trabalhadores e suas famílias não
estão recebendo o que merecem.
Nas
economias desenvolvidas, a produtividade laboral aumentou mais do que o
dobro dos salários desde 1999. Nos Estados Unidos, a produtividade
laboral por hora nas empresas não agrícolas aumentou cerca de 85%,
enquanto que as remunerações subiram somente cerca de 35% desde 1980. Na
Alemanha, essa produtividade aumentou em quase um quarto ao longo das
duas últimas décadas, enquanto que os salários se mantiveram estáveis.
Na China – onde os salários quase triplicaram durante a última década - a
renda do trabalho diminuiu enquanto o PIB aumentou muito mais
rapidamente do que o gasto salarial total.
O
relatório adverte que os encarregados de tomar decisões políticas
deveriam ter cuidado de não promover a produtividade às custas dos
salários com o objetivo de conseguir maior produtividade e promover as
exportações. Segundo a OIT, os países deveriam evitar a estratégia de
sair da crise com cortes de salários. É preciso, sugere o documento,
promover uma conexão maior entre o crescimento da produtividade do
trabalho e o crescimento das remunerações dos trabalhadores.
Fonte: O Globo
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