sábado, 3 de agosto de 2013

Análise da indústria - Economista Mairon Edegar Brandes (DIEESE)



      Segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (PIM/IBGE), a produção industrial voltou a crescer em junho, registrando variação de 1,9%. Depois de ter crescido 1,8% em abril, no mês de maio a produção industrial teve queda no mesmo ritmo (1,8%), de acordo com os dados revisados.
Um bom trimestre
     O segundo trimestre fechou muito bem. Comparado com o mesmo período do ano passado o crescimento foi de 4,3% no trimestre. Na comparação entre os meses de junho, a produção nesse ano foi 3,1% maior. Em todo o semestre, o crescimento nesse ano é de 1,9%.
Recuperação, ainda que lenta
     Assim, a produção industrial continua apresentando recuperação nesse ano. No acumulado nos últimos 12 meses, em junho registrou-se uma variação de 0,2%. Trata-se do primeiro resultado positivo desde dezembro de 2011 (0,4%) e com esse resultado em junho a produção industrial manteve sua trajetória de recuperação que teve início em dezembro do ano passado quando registrava no acumulado em 12 meses (-2,6%).
Bens de capital e de consumo duráveis, seguem puxando o crescimento
     Com relação ao mês de maio a produção da categoria de bens de capital cresceu 6,3% (anulando queda de 3,7% de maio) e a de bens de consumo duráveis cresceu 3,6% (havia recuado 0,4% em maio). Comparado com junho de 2012 o crescimento foi de 18% e 4,5%, respectivamente. No primeiro semestre a produção de bens de capital cresceu 13,8% e a de bens do consumo duráveis teve crescimento de 4,9%. Cabe destacar que além da elevação do ritmo de crescimento da produção da indústria nesse ano, a base de comparação é baixa já que ambas categorias registraram queda na produção no primeiro semestre do ano passado (12,5% e 9,3%, respectivamente).
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis merecem destaque
     Com relação a maio desse ano e a junho do ano passado, a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis registrou crescimento de 2,9% (ante queda de 0,9% em maio) e 2,3%, respectivamente. No acumulado do primeiro semestre, no entanto, é a única categoria que apresenta variação negativa (-0,6). No acumulado em 12 meses a variação é de menos 0,1%. Na média móvel trimestral, essa categoria com o crescimento de 1,0% em junho interrompeu a trajetória de queda iniciada em janeiro.
Bens intermediários apresenta estabilidade
     A produção de bens intermediários não variou de maio para junho e registrou a mesma variação com relação a junho do ano passado e do acumulado no primeiro semestre com relação ao mesmo período de 2012 (0,4%). No acumulado em 12 meses registra queda de 0,2%. Dentre as categorias é a única que apresenta variação negativa na média móvel trimestral (-0,2%).
Setores em destaque no primeiro semestre
     No primeiro semestre de 2013, comparado com o mesmo período do ano passado, a produção de veículos automotores (14,9%), refino de petróleo e produção de álcool (8,7%), outros equipamentos de transporte (7,3%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,1%) e borracha e plástico (5,7%), foram os principais destaques positivos. Os destaques negativos foram os setores de edição, impressão e reprodução de gravações (-10,0%) e farmacêutica (-3,5%) pela categoria de bens semi e não duráveis, e a indústria extrativa (-6,4%) e de metalurgia básica (-3,8%) pela categoria de bens intermediários.
Perspectivas da indústria para o ano
     O crescimento da produção nas categorias de bens de capital, bens de consumo duráveis e bens intermediários, com exceção da indústria extrativa sobretudo mineral e de metalurgia básica, sugerem uma perspectiva de expansão dos investimentos para ampliação da capacidade produtiva na indústria geral e também na construção civil (FBCF). Segundo o IEDI, no primeiro semestre desse ano aumentou o déficit na balança comercial das indústrias de alta, média-alta e média-baixa intensidade tecnológica, havendo superávit apenas na indústria de baixa intensidade tecnológica, mais intensiva, comumente, em recursos naturais (são exemplos a indústria de celulose, papel e produtos derivados de madeira). Portanto, parece haver um crescimento da demanda por aqueles bens.
     Por outro lado, o pequeno recuo na produção da indústria de bens de consumo semi e não duráveis nesse primeiro semestre parece sugerir uma perspectiva de que a  demanda se estabilize ou passe a ser atendida de forma crescente por produtos importados, a exemplo do que ocorre em diversos setores dessa categoria de atividades, como exemplos, a indústria farmacêutica, a de edição, impressão e reprodução de gravações, a do vestuário, entre outras. A recente sobrevalorização do dólar pode impactar esse cenário ao longo do segundo semestre.
     Nesse sentido, é provável que a formação bruta de capital fixo (FBCF) mantenha seu crescimento no segundo trimestre desse ano, contribuindo para a continuidade do crescimento real do PIB esperado para o ano.
UCI e empregos
     Segundo a CNI, a utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria de transformação até o mês de maio foi em média de 82,1%. Isso equivale a um aumento de 0,9 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado (81,2%). O dado de junho será divulgado no próximo dia 08. Na comparação com junho de 2012, o emprego na indústria de transformação cresceu em junho desse ano 1,59%, segundo dados do CAGED/MTE. No mesmo período de análise, a produção dessa indústria cresceu 3,49%, segundo a PIM/IBGE.

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