http://www.youtube.com/watch?v=k8zS5gxCEkU
quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A INFÂNCIA VISTA DE CIMA
A inundação de
imagens nesta era digital vem flexionando a realidade, que de
relacional pende cada vez mais para o imagístico. É o
fotográfico registrando o que já foi raro e transformando-o em
banal, pois quando sete bilhões de humanos disparam flashes
capturando o milissegundo no tempo – espaço significa que, ver
uma foto de alguém desfrutando de suas férias na praia será
igual a milhares de outras imagens semelhantes. Ver uma é ter
visto outras centenas sem jamais ter visto nenhuma outra.
Ainda assim, há algo de interessante no mundo das imagens, a
perspectiva de largura e altura. É o enquadramento, e por isso
o enclausuramento de quem foi fotografado, a imagem só faz
sentido presa em sua ótica.
Mas mude, por
um momento, o ângulo de visão. Deixe, por um segundo de focar
rostos e sorrisos, frentes e versos, sofrimentos ou alegrias
para suspender sua câmera imaginária a noventa graus, até que
a única coisa que possa ser vista seja o alto das cabeças
humanas como pequenos pontos salpicados por calçadas e
avenidas. Da clausura da imagem para a contemplação do homem
sem altura e sem profundidade. Que significação poderia se
atribuir a isso senão a distorção ótica que a sociedade da
imagem vem fazendo de sua própria infância?
De todo o
conjunto, da soma de um todo cujo resultado será a vida
humana, a infância é aquela parte da vida que menos
conhecemos. Mesmo entre especialistas o termo “infância” é
cercado de significados, consonâncias e dissonâncias. Sabemos
como nascemos desde a concepção do termo. Sabemos como o corpo
jovem se desenvolve junto à abstração cognitiva do aprendizado
e por fim, sabemos como morremos e assim abrimos mão da vida,
mesmo a contragosto. Mas como abstraímos as primeiras
informações e atribuímos a elas significado, isso se mantém
como foco de estudo científico-filosófico há mais de duzentos
anos. Não à toa as melhores propostas para essa fase da vida
vieram de Freud.
É o período
fálico do menino-Édipo que concorrerá com o pai pelo amor
indivisível da mãe. O impulso no desejo de matar o pai contido
pelo medo da castração e por fim, em algum momento, a
identificação paterna. Período conturbado e intenso do que,
para Freud, realiza-se a formação do aparelho psicológico.
Podemos retratar a vida, a morte. A juventude ou a velhice,
mas nenhuma imagem é capaz de dizer o que significa a
infância, nesse sentido somos todos pontinhos negros vistos de
cima. Iguais, sem profundidade e ainda no “raso” de toda uma
vida.
Nesse raso,
feitos completamente vulneráveis, e é nessa vulnerabilidade
que residem as maiores violações de direitos civis da história
humana. Do infanticídio de recém-nascidos considerados
imperfeitos desde tempos ancestrais aos atuais que ainda são
realizados em solo amazônico. Do trabalho escravo em minas de
carvão cujo combustível alimentou a revolução industrial às
lavouras de tabaco e as confecções “piratas” capitalistas
travestidas de comunismo até as crianças-soldado africanas as
quais não aparecem no jornal das oito, a infância é aquele
ponto obscuro, cano de descarga de todas as perversidades, mas
que são esquecidas na juventude das imagens cotidianas.
A infância
vista de cima não cresce, permanece como um ponto na calçada,
mas é tratada como vitrine de nossas esperanças, um eterno
amanhã o futuro de uma nação. Então, qual é o retrato, a
imagem da infância brasileira? É aquela analfabetizada e
beijada nas duas bochechas magras pelo candidato da vez.
Enclausurada na creche da esquina ou em casa onde faz a guarda
dos irmãos menores. A infância brasileira é um espectro
fantasmagórico que hora se apossa de um corpo são e que
repousa em berço esplêndido, hora agoniza na favela, aquela
mesmo ali vista da sua janela. Brasil infantil na democracia
do “eu não sei, não sabia e jamais saberei”. Infância perdida
em todas as nossas desigualdades, imagens não compartilhadas,
não curtidas, mas que estão ai, espalhadas em todas as nossas
casas legislativas re-eleitas para representar nossa própria
meninice.
A infância é
esta imagem vista de cima, o pontinho preto sem identificação.
Acovardada no terror da auto castração e da dor da vida
adulta. A boa notícia é que passa. O sujeito cresce, amadurece
e torna-se senhor de sua própria vida para finalmente
aparecer, ser fotografado e estampar o post de alguém e aí
perder-se de novo entre milhares outras imagens.
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Leonardo Alves de Lima nasceu em Barra Mansa cidade industrial do Sul do estado do Rio de Janeiro. Estudou em escola pública ingressando ainda jovem na indústria metalúrgica até se voluntariar em uma Organização Não Governamental de cunho humanitário. Casado, pai de dois filhos atualmente é gestor de conhecimento.
Leonardo Alves de Lima nasceu em Barra Mansa cidade industrial do Sul do estado do Rio de Janeiro. Estudou em escola pública ingressando ainda jovem na indústria metalúrgica até se voluntariar em uma Organização Não Governamental de cunho humanitário. Casado, pai de dois filhos atualmente é gestor de conhecimento.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Um novo contexto para o setor financeiro?
Catia Uehara,
Regina Camargos e
Gustavo
Cavarzan*
A partir de 2012 teve início de
forma mais clara o desenho de um possível novo cenário para o setor financeiro
no Brasil. Essa possibilidade se coloca a partir de indicativos de mudanças em
três variáveis fundamentais na lógica de funcionamento dos bancos atuantes no
país. Primeiramente, ressalta-se a ofensiva do governo federal contra os
elevados spreads bancários,
diagnosticados como um dos obstáculos à continuidade do processo de crescimento
e desenvolvimento econômico, na medida em que o alto custo do dinheiro impede
decisões de investimento das empresas e de consumo das famílias. A partir deste
diagnóstico, os dois grandes bancos públicos federais foram acionados para
iniciar um movimento de redução de suas taxas de juros, na expectativa de que
os bancos privados os acompanhassem a fim de não perderem mercado.
Além dos spreads, as tarifas bancárias também foram reduzidas nos bancos
públicos a partir de outubro de 2012, visto que a cobrança abusiva de tarifas
consiste em uma das principais reclamações dos consumidores com relação ao
setor financeiro. Finalmente, completando o cenário, temos a inflexão na
política monetária do Banco Central que, a partir de agosto de 2011, iniciou um
processo de redução da taxa básica de juros da economia (Selic) até chegar ao
seu menor patamar histórico em outubro
de 2012 (7,25%), apesar da elevação na última reunião para 7,5%. Sabe-se que as
instituições financeiras são as principais credoras da dívida pública federal,
em parte corrigida pela taxa Selic, e, portanto são afetadas pela menor
rentabilidade dos títulos públicos e dos depósitos compulsórios, que também são
remunerados, em parte, por esta taxa.
De fato, nos últimos 12 meses o spread geral da economia brasileira caiu
3,6 pontos percentuais (p.p.), chegando ao patamar de 11,7 p.p. em março deste
ano, valor ainda extremamente elevado para os níveis internacionais. Essa
redução se deve, em grande parte, a baixa nos juros cobrados pelos bancos
públicos. No cheque especial, por exemplo, a taxa mensal cobrada pela Caixa
caiu 47% entre março de 2012 e janeiro de 2013. No Banco do Brasil a queda foi
de 39%, enquanto nos bancos privados chegou ao máximo de a 5%. Este mesmo
padrão é verificado para outras linhas de crédito, ou seja, observa-se redução
dos juros nos principais bancos, ainda que com intensidade maior nas
instituições públicas.
Os juros menores e a Selic em
baixa já se refletiram nos resultados dos bancos, acostumados, historicamente, aos
ganhos elevados, prazos curtos para o retorno das aplicações e risco baixo,
três características só encontradas simultaneamente no mercado financeiro
brasileiro. Esse esquema é um entrave ao desenvolvimento do país, pois
dificulta mecanismos de financiamento de longo prazo para empreendimentos
produtivos.
Os benefícios da queda nos juros e
spreads para a economia brasileira,
no entanto, não são imediatos, pois não se sabe ao certo como os bancos irão
reagir a este novo cenário, ou seja, os reflexos objetivos da mudança de
patamar das taxas de juros dependem da resposta que será dada pelas
instituições financeiras diante da tentativa do governo de alterar a cultura rentista.
Nesse momento, é possível traçar duas possibilidades de reação em curso.
A primeira parte da avaliação de
que os bancos não
necessariamente perdem rentabilidade com a queda nos juros, já que existe no
Brasil uma grande margem para crescimento das operações de crédito, num
contexto de aumento do emprego e da renda. Dessa forma, os bancos precisariam
mudar a estratégia de negócios, passando a ganhar menos na rentabilização de
cada operação e mais no volume de operações. A segunda reação possível,
em linha com o tradicional conservadorismo dos bancos brasileiros, é o corte de
custos operacionais, principalmente do número de
trabalhadores.
Têm-se, então, dois padrões de
atuação bastante distintos, que coloca em lados opostos bancos públicos e
privados. Os públicos têm apostado no crescimento das operações de crédito. Em
2012, a Caixa e o Banco do Brasil aumentaram suas carteiras de crédito em 42% e
25%, respectivamente, mantendo a inadimplência baixa, a rentabilidade alta e o
nível de emprego estável ou em crescimento, no caso da Caixa. Já os três
maiores bancos privados (Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) elevaram o
crédito em apenas 8,5%, em média, no mesmo período, tiveram queda na
rentabilidade e cortaram quase 10 mil postos de trabalho. Sem dúvida, a
estratégia adotada pelas instituições públicas é a que interessa ao
desenvolvimento do país, mas esse segmento não é capaz de alavancar sozinho uma
retomada mais vigorosa da economia .Se os bancos privados não mudarem suas estratégias
de negócios, corre-se o risco de perder a oportunidade histórica de superar o rentismo
e de elevar os patamares da taxa de investimento da economia brasileira.
*Técnicos do DIEESE.
“Financial Times” JÁ EM CAMPANHA PELA VOLTA DA DIREITA AO PODER NO BRASIL
quarta-feira, 22 de maio de 2013
“O ROTO FALANDO DO BEM COSIDO”
Por Flávio Aguiar
“Em editorial de 19/05/2013 (“Go-go to go-slow”), o “Financial Times” [jornal britânico da direita, braço dos grandes conglomerados econômicos e financeiros internacionais, da mesma forma que a grande mídia brasileira] “rides again” contra o Brasil e contra o governo Dilma.
É interessante o modo como se constrói a retórica. Primeiro, fala-se de tudo o que Brasil conquistou recentemente: recorde no leilão da Petrobrás, 11 bilhões de dólares; a captação da oferta pública da carteira de seguros do Banco do Brasil permanece sendo a maior, 5,6 bilhões. Empresas de petróleo pagaram 1,4 bilhões por licenças de exploração. Um diplomata brasileiro está à testa da OMC. A popularidade de Dilma está na estratosfera, “graças ao pleno emprego”. A sua reeleição parece garantida.
Mas, garante o jornal, tudo isso não passa de uma “fachada”. Daí, vem a ladainha da miséria: na verdade, esse bem-estar aparente esconde um mal-estar. Os investimentos caem (como se explica isso diante dos números do outro parágrafo é um mistério). O Brasil só reinveste 18% do seu produto, contra 24% do conjunto da América Latina e 30% da Ásia.
O modelo baseado no consumo interno está esgotado. O estilo “deixa-que-eu-chuto” (“Bossy-boots”, um insulto de natureza pessoal) da presidente é inadequado politicamente, as decisões são demasiadamente centralizadas. Isso favorece o combate à corrupção,o jornal admite, mas atrasa as decisões. Seu governo não aplica as necessárias reformas favoráveis ao mercado (“the governement eschewed market-oriented reforms”) em favor de indústrias com lobbies tradicionais, como as montadoras.
Diz-se que o Brasil está perdendo oportunidades. O dinheiro (para investir em infraestrutura, por exemplo) está sobre a mesa, mas parado. É tempo de agir, adverte o jornal. O dinheiro está barato, mas não vai ser sempre assim.
De novo, fica aquele cheiro de queimado no ar. Trata-se de levantar a bola do companheiro Aécio? De baixar a bola do Brasil em tempos de sucesso? De associar pleno emprego e desaceleração econômica? (Sem falar nos aumentos de salário para quem não investe nem sabe gastar, como o povão)? Tudo junto incluído? Pode ser. Porque a bem costurada política econômica brasileira – com seus rasgões e remendos existentes e por fazer – vai dando certo, e por isso mesmo só merece o desprezo – que disfarça o pânico – de quem pensa sempre “market-oriented”.
Mas o cheiro de queimado permanece, e se estende. Porque ele vem das entranhas do jornal. Tudo o que seus editoriais defendem já deu e está dando errado. O ideário “market-oriented”, que é a pedra de fundamental de seu ideário, está levando a Europa – onde ele vive, o jornal – para a hecatombe, porque para o brejo já levou.
No dia seguinte ao do editorial (20/05, “Europe’s Hollow Efforts to Save a Lost Generation”, “O esforço vazio da Europa para salvar uma geração perdida”) a “Spiegel International” publicou uma matéria escachapante sobre o desemprego entre os jovens na Europa. A palavra “hollow” significa “vazio”, “oco”, “cavidade”, “buraco”; mas ela tem uma conotação moral. Quer dizer também “insincero, irreal, pouco profundo, sem valor”. É uma das palavras-chave de poema famoso de T. S. Eliot, “The hollow men”, escrito em 1925, na moldura do desencanto vivido na esteira da Primeira Guerra Mundial:
“We are the hollow men
We are the stuffed men
Leaning together
Headpiece filled with straw. Alas!”
"Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Aí de nós!"
(Na tradução de Ivan Junqueira)
O vaticínio do poema pode se aplicar tanto aos “maket-oriented” hegemônicos na Zona do Euro, como ao mundo que estão moldando, semeando o desencanto e o desespero num continente que vai perdendo o passo do futuro.Os números são estapafúrdios. Mesmo na próspera Alemanha, de pouco desemprego, entre os de menos de 25 anos (e 18 ou mais) o desemprego é de 7,9%. No restante da Zona do Euro: Áustria, 9,9%; Holanda, 10,3%; Malta, 16%; Luxemburgo, 18,5%; Estônia, 19,4%; Finlândia, 19,5%; Bélgica, 19,6%; França, 26,9%; Eslovênia, 27,1%; Chipre, 28,4%; Irlanda, 30,9%; Eslováquia, 35,9%; e agora os campeões – Portugal, 38,6%; Itália, 38,7%; Espanha, 55,5% e Grécia, 59,4%. Média ponderada, 23,5%: uma catástrofe. Nas palavras da matéria, “Está se formando na Europa uma geração perdida”.
Voltemos ao período entre-guerras. A expressão “uma geração perdida” foi usada como epigrafe no romance “O sol também se levanta”, de Ernest Hemingway, começado em 1925 e publicado em 1926. Na época, o autor atribuiu a expressão à escritora Getrude Stein, e ele mesmo associou-a à geração que amadureceu durante a Primeira Guerra Mundial e foi por ela irremediavelmente “danificada”. Depois, Hemingway escreveu que, na verdade, o criador da expressão fora o proprietário da oficina onde Stein mandava consertar seu carro.
Voltando ao nosso século, o artigo da “Der Spiegel” assinala que a aversão das elites políticas européias por qualquer coisa que signifique “dispêndio de verbas” vai estrangulando, na prática, os programas e promessas de criação de projetos para estimular a geração de empregos em geral, quanto mais entre os mais jovens. “Big promises, scant results”, resume a revista: “Grandes promessas; resultados pífios”, traduzindo livremente.
Enumera a revista: em fevereiro deste ano, o Conselho Europeu votou um investimento de 6 bilhões de euros até 2020 para geração de empregos entre os mais jovens, mas desavenças entre os países-membros sobre a aplicação do dinheiro fez o começo do programa ser postergado para 2014. Um programa de investimento franco-germânico nos países do “sul da Europa” com o mesmo objetivo permanece “nebuloso”, apesar do entusiasmo da ministra alemã do Trabalho, Ursula von der Leyen, uma candidata da CDU à uma possível sucessão de Angela Merkel. A prática alemã tem sido mais a de contratar jovens nos países mais prejudicados para trabalhar... na Alemanha, o que não ajuda muito a economia desses.
Novas promessas estão em curso, pelo menos no plano das intenções. A próxima cúpula européia deve priorizar o tema. Mas pouco será feito, provavelmente, dentro da ótica de mostrar para o público em geral que está se fazendo tudo o que é possível gastando o menos possível também. Alertados pelas lições da história advindas daquele período da “geração perdida” e dos “homens ocos”, analistas de diferentes procedências (historiadores, economistas não obcecados pela “market-orientation”, escritores, artistas, antropólogos, psicólogos etc) vêm advertindo sobre os riscos inerentes a essa situaçào européia: afinal, foi naquele “vazio de perspectivas” que os nazifascismos prosperaram.
Mas nada disso abala os “market-oriented”. Sem sombra de dúvida, o sem mundo de certezas iluminadas não admite sombras nem dúvidas. Muito menos uma sombra do tamanho do Brasil.”
FONTE: escrito por Flávio Aguiar, correspondente internacional da “Carta Maior” em Berlim (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=6102) [Título, imagem (do google) e trecho entre colchetes acrescentados por este blog ‘democracia&política’].
BRASIL DESLOCA 25 MIL MILITARES EM AÇÃO INÉDITA EM FRONTEIRAS
domingo, 19 de maio de 2013
Super Tucanos A-29
Do Correio de Corumbá
“O Ministério da Defesa deve enviar até 25 mil
militares para patrulhar toda a fronteira terrestre do país simultaneamente em
operação inédita, relacionada à segurança da Copa das Confederações. A ação
deve afetar diretamente cerca de seis milhões de brasileiros que vivem próximo
às fronteiras.
A “Operação Ágata 7” será a maior ação militar
voltada à segurança pública realizada no governo Dilma Rousseff em número de
participantes, equipamentos e abrangência.
As dimensões da ação também superam todas as operações
do gênero realizadas desde a criação, em 2009, do “Estado Maior Conjunto das
Forças Armadas” - o órgão tem a missão de
integrar e coordenar as ações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Serão cobertos 16.886 quilômetros de fronteira com
dez países, segundo o brigadeiro Ricardo Machado Vieira, chefe de operações
conjuntas do Ministério da Defesa. "Será
a maior operação que já fizemos", afirmou. Operações do gênero
realizadas no passado foram capazes de cobrir apenas pedaços da fronteira.
Sua realização foi anunciada na terça-feira (14) pela
presidente Dilma. Será a primeira vez que os comandos militares da Amazônia, do
Oeste e do Sul trabalharão integrados em uma mesma operação.
"Mas não
vamos ter um homem a cada 100 metros. Já identificamos posições que sabemos que
são mais críticas", disse Vieira.
Isso significa que as tropas serão espalhadas em
pontos da fronteira que já vêm sendo investigados há cerca de um mês por cem
militares dos setores de inteligência das Forças Armadas.
Os locais específicos não foram revelados, mas as
maiores concentrações de tropas devem acontecer nas regiões de Tabatinga (AM),
Assis Brasil (AC), Ponta Porã, Corumbá (MS) e Foz do Iguaçu (PR), entre outras.
Centenas de aeronaves e veículos devem ser usados.
Os principais meios de transporte das tropas e agentes ligados a diversos
ministérios para as regiões mais remotas devem ser helicópteros Black Hawk,
Pantera, Cougar e Esquilo. Caças Super Tucano da Aeronáutica serão usados para
interceptar aviões suspeitos, e drones (aviões não tripulados) farão vigilância
aérea.
Embarcações de patrulha da Marinha devem interditar
os principais rios que cruzam a fronteira e blindados do Exército ocuparão as
estradas que dão acesso ao país. Todos os militares envolvidos levarão
armamento letal e terão poder de polícia.
COMBATE AO CRIME
O objetivo da ação será combater diversos tipos de
atividades criminosas. Alguns exemplos são os garimpos irregulares na fronteira
com as Guianas, pistas de pouso irregulares e tráfico de drogas na região
amazônica, contrabando de armas e mercadorias ilícitas no oeste e sul da
fronteira e a entrada de explosivos pelo sul, entre outras.
Segundo Vieira, não há foco específico em
determinado tipo de atividade criminosa. A ideia do governo é combater os
diversos tipos de crime na fronteira para beneficiar o país como um todo - combatendo, por exemplo, a entrada de
drogas, armas e mercadorias irregulares nas capitais.
A estratégia do governo em operações semelhantes
realizadas no passado foi interromper e sufocar atividades de traficantes e
contrabandistas na fronteira, para prejudicar suas finanças. Quando os
militares saíram da região, operações específicas da Polícia Federal e da
Receita Federal tentaram capturar criminosos que voltaram à região para tentar
se recuperar do "prejuízo" dos dias de bloqueio.
A data específica de início da ação é tratada como
informação sigilosa. Foi anunciado apenas que a operação deve começar em maio e
durar cerca de três semanas - terminando
antes da Copa das Confederações da FIFA. O torneio ocorrerá entre os dias
15 e 30 de junho e reunirá equipes de oito países.
Essa será a sétima edição da “operação Ágata”, um
esforço militar iniciado em 2011 para patrulhar a fronteira brasileira com
ações militares massivas. As operações anteriores aconteceram em regiões
específicas do país. A última levou mais de 12 mil militares para os Estados de
Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre, no fim do ano passado.
Nas seis edições anteriores, foram apreendidos mais
de 750 veículos e embarcações e 12 toneladas de drogas. Os militares aproveitam
a presença na região para oferecer tratamento médico e odontológico em povoados
e cidades isoladas. Cerca de 63 mil pessoas foram atendidas.”
FONTE: Agência Força Aérea (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?page=notimp).
COMPLEMENTAÇÃO
ÁGATA 7 - CONHEÇA AS
AERONAVES DA FAB EMPREGADAS NA OPERAÇÃO
“Conheça as aeronaves da Força Aérea Brasileira
empregadas na ‘operação Ágata 7’, que mobiliza os militares das Forças Armadas
no reforço da vigilância e monitoramento de 16,8 mil Km de fronteira seca.
Cerca de 50 aeronaves, como os A-29 Super Tucano, caças de alta performance
F-5, aviões radar, aeronaves remotamente pilotadas (ARP), aeronaves de
transporte e helicópteros serão empregadas.
FONTE: Agência Força Aérea (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=14973&ÁGATA 7).
Uruguai: MUJICA REJEITA TÍTULO DE “PRESIDENTE MAIS POBRE DO MUNDO”
quarta-feira, 22 de maio de 2013
José Mujica (Imagem:
“Brasil de Fato”)
“O
presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou, em entrevista concedida na
sexta-feira (17) à rede estatal chinesa Xinhua, que não concorda com o título
que lhe foi atribuído pela imprensa internacional de “presidente mais pobre do mundo”, em razão de seu estilo de vida
simples. Segundo ele, esse título é incorreto porque “pobres são aqueles que precisam de muito para viver”. Segundo ele,
sua vida austera tem como objetivo “manter-se
livre”.
“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que
precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o
suficiente”, afirmou.
"Sou austero, sóbrio, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso de muito mais do que tenho. Luto pela liberdade e liberdade é ter tempo para fazer o que se gosta”, disse o presidente. Ele considera que o indivíduo não é livre quando trabalha, porque está submetido à lei da necessidade. "Deve-se trabalhar muito, mas não me venham com essa história de que a vida é só isso".
Assim como já fez com outros correspondentes internacionais, Mujica recebeu a equipe de reportagem chinesa em sua modesta propriedade rural em Rincón del Cierro, nos arredores de Montevidéu, ao lado dos cães e galinhas que cria e alimenta todos os dias.

"Sou austero, sóbrio, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso de muito mais do que tenho. Luto pela liberdade e liberdade é ter tempo para fazer o que se gosta”, disse o presidente. Ele considera que o indivíduo não é livre quando trabalha, porque está submetido à lei da necessidade. "Deve-se trabalhar muito, mas não me venham com essa história de que a vida é só isso".
Assim como já fez com outros correspondentes internacionais, Mujica recebeu a equipe de reportagem chinesa em sua modesta propriedade rural em Rincón del Cierro, nos arredores de Montevidéu, ao lado dos cães e galinhas que cria e alimenta todos os dias.

Aos 77 anos, Mujica doa 90% de seu salário de 260 mil pesos uruguaios (quase 28 mil reais) a instituições de caridade. Não possui cartão de crédito nem conta bancária. Sua lista de bens em 2012 inclui um terreno de sua propriedade e dois com os quais conta com 50% de participação, todos na mesma área rural – diz ter alma de camponês, e se orgulha de sua plantação de acelgas, e já pensa em voltar a cultivar flores.
Possui dois velhos automóveis dos anos 1980 (entre eles um Fusca com o qual vai ao trabalho) e três tratores.
Segundo o presidente uruguaio, essa opção de vida foi gestada durante os anos em que viveu preso sob duras condições (1972-1985) em razão de sua atividade como guerrilheiro como membro do MLN-T (Movimento de Libertação Nacional - Tupamaru), movimento que lutou contra a ditadura militar.
Segundo o presidente uruguaio, essa opção de vida foi gestada durante os anos em que viveu preso sob duras condições (1972-1985) em razão de sua atividade como guerrilheiro como membro do MLN-T (Movimento de Libertação Nacional - Tupamaru), movimento que lutou contra a ditadura militar.
"Por que cheguei a esse ponto? Porque vivi muitos anos em que, quando recebia um colchão à noite para dormir, já me dava por contente. Foi quando passei a valorizar as coisas de maneira diferente”, disse ele sobre seus tempos de cárcere, quando disse ter passado a conversar com rãs e formigas para “não enlouquecer”.
Ele afirmou duvidar que a próxima eleição presidencial, marcada para 2014, vá atrapalhar sua gestão, e se diz animado com um projeto pessoal para quando deixar o Executivo, em março de 2015: "Quando terminar esse trampo (changa em espanhol, referindo-se à Presidência) que tenho agora, vou me dedicar a fazer uma escola de trabalhos rurais nesta região”.
"O governo funcionará até o último dia, mas já adianto que, após as eleições, os governos uruguaios costumam tomar medidas de impacto”, quando se espera avançar medidas de infraestrutura sobre portos em águas profundas e a renovação da rede ferroviária, além da lei de regulação da mídia.
Perguntado se, após deixar o governo, ele tentará acumular fortuna, ele disse: “Depois terei de gastar tempo para cuidar do dinheiro e muito mais tempo da minha vida para ver se estou perdendo ou ganhando. Não, isso não é vida”, enfatizou.”
FONTE: “Ópera Mundi”. Transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=214175&id_secao=7). [Imagens do Google acrescentadas por este blog ‘democracia&política’].
BOATO SOBRE BOLSA FAMÍLIA EXIGIU APARATO AMPLO E “PROFISSIONAL”
Por Eduardo Guimarães
“Ainda há pouco o que dizer de
concreto sobre a origem do boato literalmente criminoso de que o programa ‘Bolsa
Família’ seria suspenso, mas, preliminarmente, pode-se tirar algumas conclusões
interessantes desse episódio.
Em
primeiro lugar, o
fato de que o boato expôs a importância do benefício para um setor extremamente
amplo da sociedade.
Para mensurar a importância do
programa, basta dizer que 13 milhões de famílias (um contingente de cerca de 50 milhões de brasileiros) são beneficiadas
pelo seu orçamento de quase 25 bilhões de reais.
As multidões que, angustiadas, foram
arrastadas às agências da Caixa Econômica Federal pela informação falsa mostram
que qualquer grupo político que, no poder, tente desidratar o programa para
atender ao clamor da mídia conservadora, está fadado ao suicídio político.
Em editorial de
quarta-feira, por exemplo, o jornal “Folha de São Paulo”, assim como tantos
outros veículos alinhados à direita do espectro político, pede que o
pré-candidato tucano Aécio Neves defenda a extinção do “Bolsa Família”
publicamente.
O texto, como de costume laudatório
ao PSDB, reclama de que Aécio [sobre o ‘Bolsa Família’] “Reluta, ainda, em assumir uma dicção mais
liberal com denúncia ácida de seu aspecto assistencialista”.
O “ainda” contido nessa frase dá
margem a muita reflexão. Sugere que aquilo que o jornal chama de “denúncia ácida”
do “aspecto assistencialista” do
‘Bolsa Família’ ainda ocorrerá…
Como se vê, o PSDB pode até ter um
discurso de que, no poder, iria manter o ‘Bolsa Família’, mas os interesses que
estão por trás desse grupo político esperam dele que interrompa o investimento
de um volume tão grande de recursos só para ajudar pobres, caso vença a eleição
do ano que vem.
Nesse aspecto, a comoção em torno do
boato mostra que a eleição de um governo tucano poderia resultar em grave
comoção social, caso programas sociais como o ‘Bolsa Família’ fossem
desidratados ou até extintos.
Em
segundo lugar, a
escolha das regiões Norte e Nordeste como alvos do boato revela clara intenção
política por trás dele.
Uma das perguntas mais
significativas que se faz é a seguinte: por
que só Pará, Piauí, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Alagoas,
Sergipe, Rio Grande do Norte, Amazonas e Tocantins foram atingidos [pelo boato]
se o Bolsa Família está presente no país inteiro?
Em
terceiro lugar, os
meios para difusão do boato. Relatos das vítimas revelam que três instrumentos
foram usados para difundi-lo: internet, telefone e “boca a boca”.
É evidente, porém, que uma população
tão desassistida não iria ficar fazendo interurbanos para outros Estados para
difundir a informação falsa. E tampouco teria como usar a internet em larga
escala.
Uma pesquisa feita pelo Blog [“Cidadania”]
na internet, porém, localizou postagem (vide
imagem no topo deste post) em um fórum do UOL [do Grupo tucano “Folha”] em
que alguém que se diz “Filho de pai alemão e mãe finlandesa, nascido e criado no Brazil”
trata de difundir o boato.
A pessoa coloca a seguinte frase em
destaque:
“Tá rolando um boato de que o
bolsa família vai acabar, minha empregada está preocupada”
Mais abaixo, na página, o cidadão,
que se diz filho de estrangeiros, mostra que a tese de jornalistas da grande
mídia como Ricardo Noblat, de que o governo Dilma e o PT é que teriam espalhado
o boato, não tem a menor lógica.
O cidadão que difunde o boato afirma
que sua empregada “Disse que se [o Bolsa Família] acabar nunca mais vai votar no PT”
e que ele mesmo “Apesar de não votar no PT” estaria “Preocupado”
por ter “Medo de ela
pedir aumento”.
Como se vê, o boato não foi
espalhado apenas por “boca a boca” entre gente pobre. Além da internet,
telefonemas foram usados e não se imagina gente humilde fazendo ligações
interurbanas para difundir a notícia falsa.
Perguntas
importantes:
--Por que os Estados do Sul, do
Sudeste e do Centro Oeste não foram atingidos pelo boato criminoso?
--Quem e quantos fariam interurbanos
para passar a informação falsa adiante?
--Qual a motivação de pessoas como a
que se diz “filho de pai alemão e mãe
finlandesa” para colocar a informação falsa na internet?
--Quem se beneficiaria da difusão
desse boato?
É possível concluir, também, que se
uma simples busca na internet permitiu a este Blog localizar alguém difundindo
o boato alarmista, por certo a Polícia Federal não terá maiores dificuldades
para localizar outras postagens parecidas.
As vítimas do boato também poderão
ajudar a refazer seu caminho relatando quem as desinformou, que será procurado
e, por sua vez, relatará quem lhe passou a informação e assim por diante, de
forma a chegar à origem da farsa.
A principal conclusão que se pode
extrair desse episódio, neste momento, é a de que um aparato significativo e
muito dinheiro foram usados para espalhar uma informação que dificilmente
interessaria ao PT e ao governo Dilma espalhar.”
FONTE:
escrito por Eduardo Guimarães no
seu blog “Cidadania”
(http://www.blogdacidadania.com.br/2013/05/boato-sobre-bolsa-familia-exigiu-aparato-amplo-e-profissional/).
[Trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
COMPLEMENTAÇÃO
MINISTRO DA JUSTIÇA DIZ QUE BOATOS SOBRE BOLSA FAMÍLIA PODEM TER SIDO ORQUESTRADOS
Por Thais Leitão, repórter da Agência Brasil
“O ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, disse ontem (21) que a velocidade com que os boatos
sobre o fim do Bolsa Família
se espalharam levanta a suspeita de que a ação possa ter sido “orquestrada”.
“Isso
chama a atenção porque tivemos a eclosão [dos boatos] em vários pontos diferentes do território nacional e com uma velocidade
espantosa. Não podemos afastar a hipótese de ter havido orquestração desses
boatos sabe-se lá por que razão. Evidentemente, houve uma ação de muita
sintonia e isso nos leva a cogitar essa hipótese”, disse ao acrescentar que
haverá rigor
nas punições,
embora ainda não seja possível identificar quais delitos foram cometidos.
Quanto à possibilidade de motivação
política para a divulgação dos boatos, Cardozo disse que ainda é cedo para
qualquer posicionamento. “Seria leviano
da minha parte, como ministro da Justiça, falar sobre isso enquanto a apuração
não for concluída”, destacou.
Segundo ele, a PF está investigando
o caso com “absoluta prioridade”. “Ações
como essas mostram profundo descompromisso com o interesse público e com o
país.”
A informação falsa de que só seria
possível sacar o benefício até sábado (18) levou muitas pessoas às agências da
Caixa Econômica Federal e dos Correios.”
FONTE
DA COMPLEMENTAÇÃO:
escrito por Thais Leitão, repórter
da Agência Brasil (Edição: Talita Cavalcante) (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-21/cardozo-diz-que-boatos-sobre-bolsa-familia-podem-ter-sido-orquestrados).
terça-feira, 21 de maio de 2013
Uma conferência para pôr em marcha o projeto de integração sul-americana
J. Carlos de Assis
21/05/2013
O projeto de integração sul-americana tem sido uma história recorrente de aspirações idealistas e parcos resultados. No nível latino-americano, em geral teve como principal foco, desde a ALALC e a ALADI, a promoção do livre comércio entre os países da região, o que esbarrou em obstáculos representados pelas grandes assimetrias produtivas dentro do bloco. Já ao nível sul-americano o Mercosul prosperou, também limitado, porém, à ideia de promoção do livre comércio, sem cuidar efetivamente de integração produtiva. Já o Pacto Andino previu integração produtiva, mas colapsou por motivos políticos.
O fato é que, quando se fala em integração, os ideólogos do livre comércio se adiantam e tomam a cena. A inspiração parece vir do Mercado Comum Europeu, porém sem considerar que, na Europa, o projeto integracionista partiu da efetiva integração de duas indústrias básicas através do acordo do carvão e do aço, isto é, de duas indústrias básicas, a de energia e a siderúrgica. Além disso, os países europeus – primeiro seis, depois nove – restauraram sua infraestrutura de transportes no pós-guerra num contexto integracionista.
Embora, enquanto instituição política, o Mercosul seja um sucesso, sua contribuição ao desenvolvimento regional é pífia, justamente porque lhe falta o sentido da integração produtiva. Sem um mínimo de especialização produtiva entre os países, sobretudo na área industrial, o comércio sozinho não possibilita aumento substancial da produção e desenvolvimento. Ou, ainda pior, países que estejam num nível assimétrico de tecnologia tendem a aniquilar os sistemas produtivos dos menos desenvolvidos, destruindo renda e emprego nos mais fracos.
Os signatários do Mercosul se defendem disso promovendo um livre comércio limitado dentro do bloco mediante a criação de barreiras protecionistas seletivas. Na prática, porém, o sistema funciona com atritos frequentes conforme se pode ver nas relações comerciais entre o Brasil e a Argentina. É pouco provável que haja uma solução permanente para esses impasses fora de um grande projeto de integração e especialização produtiva dentro do bloco, o que exigirá, como aconteceu na Europa, um mínimo de planejamento regional.
Suponho que a Conferência de Caracas seja um primeiro passo nesse sentido. É que a Unasul, que nasceu sobretudo como uma instância política, está evoluindo para ser um efetivo instrumento de integração sócio-econômica. Anteriormente ela já havia absorvido e redirecionado a IIRSA, que se transformou em Cosiplan – um mapeamento das necessidades de infraestrutura na região porém ainda sem uma clara visão de financiamento. Agora se trata de mobilizar o principal ativo da América do Sul, ou seja, seus recursos naturais.
A exploração e transformação na própria região dos abundantes recursos naturais da América do Sul talvez seja nossa última oportunidade de não perder o bonde da história. Mesmo porque, com o avanço da tecnologia, recursos naturais hoje considerados valiosos podem perder interesse. Explorar os recursos naturais implica auto-sustentabilidade e proteção ambiental, porém, certamente num grau de responsabilidade maior do que o sistema atual de mineração predatória para exportação de matérias primas, que concentra renda e gera pouquíssimos empregos de qualidade.
O problema, a meu ver, é que um grande programa de desenvolvimento de recursos naturais na América Latina requer logística adequada. O desenvolvimento logístico, por sua vez, requer investimentos públicos a fundo perdido, e isso requer, por sua vez, uma base adequada de financiamento. Só vejo uma alternativa para enfrentar essa deficiência: fazer o que fizeram Estados Unidos e Brasil no passado, a saber, criar um imposto vinculado ao financiamento dos transportes com base na gasolina ou na propriedade de automóveis. Em uma palavra, criar poupança interna para alavancar financiamentos.
Não temos muito tempo. A Europa está afundando e ameaça afundar com ela boa parte do mundo. A selvagem política patrocinada pelos dirigentes políticos europeus tende a restringir importações e aumentar exportações, já que seu regime de “austeridade” não permite aumentar a demanda interna. Já estamos, na América do Sul, enfrentando as consequências dessa política, inclusive via seu efeito sobre a China (desaceleração, redução de importações de matéria prima). Ou nós nos integramos efetivamente, protegendo nossos mercados e estimulando o sistema produtivo comum, ou voltaremos mais uma vez ao ciclo das crises externas recorrentes pelo lado do balanço de pagamentos.
21/05/2013
Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais
e Desenvolvimento Integral da Região começa na próxima semana em
Caracas e, pelo que me consta, é a primeira iniciativa sistemática no
sentido de buscar caminhos efetivos para a integração produtiva da
América do Sul.
Data: 20/05/2013
Realiza-se em Caracas na próxima semana, entre os
dias 27 e 30, a “Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais e
Desenvolvimento Integral da Região”, a qual, pelo que me consta, é a
primeira iniciativa sistemática no sentido de buscar caminhos efetivos
para a integração produtiva da América do Sul. Em razão da crise financeira
global, sobretudo na Europa, este é um momento estratégico para fazer
avançar essa iniciativa, já que a região deve preparar-se para
condicionantes externos cada vez mais limitativos a seu desenvolvimento.O projeto de integração sul-americana tem sido uma história recorrente de aspirações idealistas e parcos resultados. No nível latino-americano, em geral teve como principal foco, desde a ALALC e a ALADI, a promoção do livre comércio entre os países da região, o que esbarrou em obstáculos representados pelas grandes assimetrias produtivas dentro do bloco. Já ao nível sul-americano o Mercosul prosperou, também limitado, porém, à ideia de promoção do livre comércio, sem cuidar efetivamente de integração produtiva. Já o Pacto Andino previu integração produtiva, mas colapsou por motivos políticos.
O fato é que, quando se fala em integração, os ideólogos do livre comércio se adiantam e tomam a cena. A inspiração parece vir do Mercado Comum Europeu, porém sem considerar que, na Europa, o projeto integracionista partiu da efetiva integração de duas indústrias básicas através do acordo do carvão e do aço, isto é, de duas indústrias básicas, a de energia e a siderúrgica. Além disso, os países europeus – primeiro seis, depois nove – restauraram sua infraestrutura de transportes no pós-guerra num contexto integracionista.
Embora, enquanto instituição política, o Mercosul seja um sucesso, sua contribuição ao desenvolvimento regional é pífia, justamente porque lhe falta o sentido da integração produtiva. Sem um mínimo de especialização produtiva entre os países, sobretudo na área industrial, o comércio sozinho não possibilita aumento substancial da produção e desenvolvimento. Ou, ainda pior, países que estejam num nível assimétrico de tecnologia tendem a aniquilar os sistemas produtivos dos menos desenvolvidos, destruindo renda e emprego nos mais fracos.
Os signatários do Mercosul se defendem disso promovendo um livre comércio limitado dentro do bloco mediante a criação de barreiras protecionistas seletivas. Na prática, porém, o sistema funciona com atritos frequentes conforme se pode ver nas relações comerciais entre o Brasil e a Argentina. É pouco provável que haja uma solução permanente para esses impasses fora de um grande projeto de integração e especialização produtiva dentro do bloco, o que exigirá, como aconteceu na Europa, um mínimo de planejamento regional.
Suponho que a Conferência de Caracas seja um primeiro passo nesse sentido. É que a Unasul, que nasceu sobretudo como uma instância política, está evoluindo para ser um efetivo instrumento de integração sócio-econômica. Anteriormente ela já havia absorvido e redirecionado a IIRSA, que se transformou em Cosiplan – um mapeamento das necessidades de infraestrutura na região porém ainda sem uma clara visão de financiamento. Agora se trata de mobilizar o principal ativo da América do Sul, ou seja, seus recursos naturais.
A exploração e transformação na própria região dos abundantes recursos naturais da América do Sul talvez seja nossa última oportunidade de não perder o bonde da história. Mesmo porque, com o avanço da tecnologia, recursos naturais hoje considerados valiosos podem perder interesse. Explorar os recursos naturais implica auto-sustentabilidade e proteção ambiental, porém, certamente num grau de responsabilidade maior do que o sistema atual de mineração predatória para exportação de matérias primas, que concentra renda e gera pouquíssimos empregos de qualidade.
O problema, a meu ver, é que um grande programa de desenvolvimento de recursos naturais na América Latina requer logística adequada. O desenvolvimento logístico, por sua vez, requer investimentos públicos a fundo perdido, e isso requer, por sua vez, uma base adequada de financiamento. Só vejo uma alternativa para enfrentar essa deficiência: fazer o que fizeram Estados Unidos e Brasil no passado, a saber, criar um imposto vinculado ao financiamento dos transportes com base na gasolina ou na propriedade de automóveis. Em uma palavra, criar poupança interna para alavancar financiamentos.
Não temos muito tempo. A Europa está afundando e ameaça afundar com ela boa parte do mundo. A selvagem política patrocinada pelos dirigentes políticos europeus tende a restringir importações e aumentar exportações, já que seu regime de “austeridade” não permite aumentar a demanda interna. Já estamos, na América do Sul, enfrentando as consequências dessa política, inclusive via seu efeito sobre a China (desaceleração, redução de importações de matéria prima). Ou nós nos integramos efetivamente, protegendo nossos mercados e estimulando o sistema produtivo comum, ou voltaremos mais uma vez ao ciclo das crises externas recorrentes pelo lado do balanço de pagamentos.
O maior extrativista do continente: Brasil

Extrativismo é a apropriação de enormes volumes de recursos naturais ou sob práticas intensivas, os quais, em sua maioria, são exportados como matérias primas aos mercados globais. Parece passar despercebido que, segundo essa definição, o maior extrativista da América do Sul é o Brasil.
Essa situação nem sempre é reconhecida, já que, quando se fala de extrativismo, em primeiro lugar pensa-se na mineração, e em segundo lugar declara-se que os exemplos destacados são países como Chile, Peru ou Bolívia. As imagens populares concebem essas nações andinas como as líderes mineiras continentais, e até globais.
A realidade dos últimos anos é outra. O Brasil se converteu no maior produtor e exportador mineiro do continente. Esse país extraiu mais de 410 milhões de toneladas de seus principais minerais em 2011, enquanto todas as nações sulamericanas somadas, se apropriaram de um pouco mais de 147 milhões de toneladas. Esses indicadores se baseiam na extração, na América do Sul, de cobre, zinco, chumbo, estanho, bauxita, carvão e ferro (que representam os principais minerais por seu volume de extração e exportação). É impactante observar que o Brasil extrai quase o triplo que a soma de todos os demais países sulamericanos que têm mineração relevante (Argentina, Bolívia, Colõmbia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela).
Esses enormes volumes brasileiros se devem especialmente à apropriação de ferro e bauxita. Mas esse país é também o que tem uma das reservas mineiras mais diversificadas (além disso é um importante produtor de carvão, chumbo, algumas “terras raras”). Que o Brasil seja o maior minerador continental tampouco é fato recente, e já no ano 2000 extraía o dobro do volume de todos os demais países sulamericanos.
Como se sabe, por cada tonelada de mineral extraído existem diversas proporções de uma “mochila ecológica”, que representa todo o material não aproveitado. Ao somar-se essa mochila, as cifras de recursos naturais apropriados aumentam ainda mais. Esse é um indicador importante para o caso do ouro, já que seu volume final é pequeno para incidir nos indicadores acima, mas têm uma altíssima mochila ecológica (um quilo de ouro requer remover 540 toneladas de matéria, segundo a média de referência global), e em muitos casos ele é obtido por procedimentos muito contaminantes e destrutivos (tais como a desflorestação associada e o uso do mercúrio). Nessa rubrica o primeiro produtor sulamericano em 2011 foi Peru (188 toneladas), mas Brasil foi o segundo (com 67 toneladas), seguidos por Argentina e Chile.
O extrativismo em seu sentido estrito é muito mais que a mineração. A apropriação de grnades volumes de recursos naturais ou sob procedimentos intensivos, para alimentar as exportações, se repete em outros setores, destacando-se os hidrocarbonetos e a agricultura. Nessas rubricas, Brasil também é um “campeão”.
Ainda que o Brasil é atualmente um produtor petroleiro de nível médio (ocupando o terceiro lugar na América Latina), e voltado para seu próprio consumo, também é certo que se prepara para explorar reservas marinhas. Seu governo espera colocar o país entre as primeiras potências petrolíferas mundiais.
As novas jazidas se encontram na plataforma costeira, a enormes profundidades, condições duras de perfuração e altas temperaturas. Essa extração é de um enorme risco ambiental, tal como ficou claro no acidente da plataforma da BP no Golfo do México em 2010. Apesar dessa catástrofe e da evidência desses riscos, a discussão brasileira está muito mais concentrada nos níveis de regalias ou sua distribuição, que em avaliar se não seria mais sensato uma moratória para esse tipo de extrativismo.
Isso é muito diferente do que acontece, por exemplo, em várias lcoalidades amazônicas, onde a vivência cidadã diante dos diferentes impactos sociais e ambientais, não está disposta a aceitar mais compensações econômicas, mas reclama moratórias.
Finalmente, o Brasil também lidera no extrativismo agrícola. Atualmente é o primeiro produtor mundial de soja; na safra 2011/12 superou os 66 millones de toneladas métricas (em nosso continente é seguido por Argentina con 40 milhões de ton m). É também o primeiro exportador mundial, e boa parte do que comercializa é feito sem processamente. Esse fenômeno vai a par de um enorme aumento da área de cultivo, que superou os 24 milhões de hectares.
Dessa forma, o extrativismo avança no Brasil em várias frentes. Se se somam a extração dos recursos naturais mineiros, hidrocarbonetos e agrícolas, o nível de apropriação dos recursos naturais no Brasil é aterrorizante, e deixa muito atrás a qualquer país sulamericano. Esse estilo de desenvolvimento gera pressões ambientais e sociais fortíssimas, que vão desde os conflitos no meio rural ao drama ecológico que se observa no Cerrado ou na Caatinga, eco-regiões que podem desaparecer ao converter-se em terras agrícola-pecuaristas.
O extrativismo exagerado faz com que a economia brasileira seja muito dependente de exportações como a de ferro ou soja para crescer. A proporção dos produtos primários aumenta no comércio exterior e caem os manufaturados. O país se torna muito dependente das condições globais, tais como os preços internacionais das matérias primas ou o advento dos investidores estrangeiros.
Por esses motivos, um exame rigoroso mostra que a economia brasileira parece-se mais com a economia dos países andinos do que normalmente é assumido pelos analistas convencionais, que frequentemente dizem ser um exemplo da industrialização. Mais ainda, durante as duas administrações de Lula da Silva, a economia se primarizou ao invés de industrializar-se.
Diferentemente do que acontece em outros países sulamericanos, essa expansão do extrativismo não se deve somente às injeções de capital internacional, e sim aos próprios fundos internos estatais. O governo brasileiro incentiva decididamente esse extrativismo por medidas diretas ou financeiras (em especial a partir de seu banco de desenvolvimento, o BNDES).
Há vários exemplos. Petrobrás é uma corporação petrolífera mista. Vale, a segunda empresa mineradora do mundo, ainda que formalmente privada, tem a metade de suas ações dependentes dos fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e sua principal fonte é o BNDES. Por esses e outros canais, o governo tem amplos poderes de controle sobre essa corporação.
Também o extrativismo agrícola também é apoiado diretamente pelo governo. Este se beneficia do maior pacote de ajuda financeira estatal do continente (o chamado Plano Agrícola e Pecuário), que, para los anos 2012/13, totalizou 115,2 bilhões de reais destinados a essa financiamento, o que favorece diretamente la expansión da agroindústria exportadora ao invés dos pequenos agricultores.
Esta é uma situação de enormes paradoxos: uma parte nada desprezível do dinheiro arrecadado pelo Estado é usado para fomentar, apoiar e até subsidiar o extrativismo, o que alimenta em primeiro lugar a globalização, ao invés das necessidades internas do próprio Brasil. Em troca, ficam dentro do país aquelas mochilas ecológicas e outros impactos ambientais, e um amplo leque de efeitos sociais, políticos e econômicos.
São essas medidas de apoio ao extrativismo, a persistência de uma inserção internacional funcional na globalização, e a contenção do protesto social, o que explica que o governo brasileira seja mais uma vez apresentado como exemplo econômico a seguir pela economia convencional. Daí se originam as felicitações que se encontram nas páginas do The Economist ou nos foros de Davos. Porém, se a perspectiva se deslocasse para a sociedade civil ou na Natureza, está claro que o Brasil deveria deixar de ser o campeão do extrativismo e começar, o quanto antes, a discutir uma estratégia pós-extrativista.
Tradução: Tania Faillace.
Fonte: America Latina en Movimiento.
Foto: SXC.
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