quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O desemprego é a derrota da nação. Vamos virar esse jogo.



Clemente Ganz Lúcio [1]

O desemprego voltou a ocupar a agenda sindical de lutas. Nos últimos doze meses são mais de 1,2 milhão de empregos com carteira assinada eliminados. Um grande problema!

O Ministério da Fazenda indica que a redução dos investimentos na Petrobrás e de seus fornecedores reduzirá em até dois pontos percentuais o PIB do país. O travamento dos investimentos e das atividades produtivas nos setores de petróleo e gás, construção, naval, bem como nos fornecedores diretos de máquinas e equipamentos, insumos, serviços, entre outros, têm causado milhares de demissões e repercussões sociais extremamente graves. Parte substantiva desse problema é consequência – mesmo que indireta - do combate à corrupção que atinge empresas desses setores.

Nos últimos anos o país aperfeiçoou o marco legal e regulatório de combate à corrupção, o que, combinado com o fortalecimento das instituições que atuam nesse campo, permite um esforço institucional inédito de enfrentamento dessa mazela. Mas, esse combate é longo, deve ser cuidadoso e persistente frente à complexidade do problema que aborda. O sofrimento social que causa deve ser usado para estabelecer um novo patamar na relação entre o setor privado e público, bem como para o reestabelecimento da ética na política. Há reformas fundamentais a serem realizadas para consolidar esse processo, entre as quais se destaca a reforma política e eleitoral.

Mas essa luta, que deve ser de todos, não pode derrotar o Brasil. A nação precisa ter instituições e mecanismos para investigar e punir e, ao mesmo tempo, criar condições para que a atividade econômica desses setores não parem. Ao travar e inviabilizar investimentos pune-se o país e a nação, e amplia-se a crise econômica que elimina empregos e salários; a economia entra em recessão, o que gera insegurança e instabilidade política e social.

As empresas dos setores de petróleo e gás, construção e naval, por exemplo, reúnem milhares de trabalhadores que dominam um conhecimento de engenharia e uma capacidade produtiva que estão entre as melhores práticas nos respectivos segmentos. Trata-se de um patrimônio nacional inalienável, que constitui nossa segurança produtiva para sustentar o crescimento econômico do país de maneira integrada ao mundo. O crescimento do país não pode prescindir dessa capacidade produtiva e da potencialidade que esses segmentos têm em termos de geração de emprego e renda.

Por isso, é urgente atuar no sentido de criar condições para que a capacidade produtiva, que os milhares de trabalhadores dessas empresas detêm, possa voltar a construir o Brasil, com geração de empregos e renda. Há soluções institucionais e econômicas que precisam ser criadas e viabilizadas para dar às empresas capacidade operacional e produtiva, o que exige competência e vontade política, de um lado e, de outro, visão que materialize o interesse geral da nação e o projeto de país que queremos.



[1] Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

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