Clemente Ganz
Lúcio [1]
O desemprego voltou a ocupar a
agenda sindical
de lutas. Nos últimos doze meses são mais de 1,2 milhão de
empregos com
carteira assinada eliminados. Um grande problema!
O Ministério da Fazenda indica
que a redução
dos investimentos na Petrobrás e de seus fornecedores reduzirá
em até dois
pontos percentuais o PIB do país. O travamento dos investimentos
e das
atividades produtivas nos setores de petróleo e gás, construção,
naval, bem
como nos fornecedores diretos de máquinas e equipamentos,
insumos, serviços,
entre outros, têm causado milhares de demissões e repercussões
sociais
extremamente graves. Parte substantiva desse problema é
consequência – mesmo
que indireta - do combate à corrupção que atinge empresas desses
setores.
Nos últimos anos o país
aperfeiçoou o marco
legal e regulatório de combate à corrupção, o que, combinado com
o
fortalecimento das instituições que atuam nesse campo, permite
um esforço
institucional inédito de enfrentamento dessa mazela. Mas, esse
combate é longo,
deve ser cuidadoso e persistente frente à complexidade do
problema que aborda.
O sofrimento social que causa deve ser usado para estabelecer um
novo patamar
na relação entre o setor privado e público, bem como para o
reestabelecimento
da ética na política. Há reformas fundamentais a serem
realizadas para
consolidar esse processo, entre as quais se destaca a reforma
política e
eleitoral.
Mas essa luta, que deve ser de
todos, não pode
derrotar o Brasil. A nação precisa ter instituições e mecanismos
para
investigar e punir e, ao mesmo tempo, criar condições para que a
atividade
econômica desses setores não parem. Ao travar e inviabilizar
investimentos
pune-se o país e a nação, e amplia-se a crise econômica que
elimina empregos e
salários; a economia entra em recessão, o que gera insegurança e
instabilidade
política e social.
As empresas dos setores de
petróleo e gás,
construção e naval, por exemplo, reúnem milhares de
trabalhadores que dominam
um conhecimento de engenharia e uma capacidade produtiva que
estão entre as
melhores práticas nos respectivos segmentos. Trata-se de um
patrimônio nacional
inalienável, que constitui nossa segurança produtiva para
sustentar o
crescimento econômico do país de maneira integrada ao mundo. O
crescimento do
país não pode prescindir dessa capacidade produtiva e da
potencialidade que
esses segmentos têm em termos de geração de emprego e renda.
Por isso, é urgente atuar no
sentido de criar
condições para que a capacidade produtiva, que os milhares de
trabalhadores
dessas empresas detêm, possa voltar a construir o Brasil, com
geração de
empregos e renda. Há soluções institucionais e econômicas que
precisam ser
criadas e viabilizadas para dar às empresas capacidade
operacional e produtiva,
o que exige competência e vontade política, de um lado e, de
outro, visão que
materialize o interesse geral da nação e o projeto de país que
queremos.
[1] Sociólogo, diretor técnico do
DIEESE, membro do CDES
– Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Nenhum comentário:
Postar um comentário