Transcrito do Portal Desacato
De fato, o objetivo oculto por trás da
obsessão do orçamento equilibrado é atender aos interesses do setor
bancário e financeiro à custa do suor e do sangue dos brasileiros.
A Folha na realidade está construindo as
condições para a guerra civil no país. Ela prega a ruptura não só da
Constituição mas do que resta do pacto solidário construído no Brasil
desde a Era Vargas, e que resistiu inclusive à ditadura militar, tendo
sido consideravelmente ampliado na democracia. O editorial é o mais
descarado apelo ao retrocesso que as classes dominantes brasileiras
jamais tiveram a ousadia de propor. Não tem qualquer compromisso com os
interesses reais da população brasileira. É o enxovalhamento do povo.
Em grave crise financeira, a Folha
chutou o pau da barrada: perdido por um, pedido por mil. Talvez acredite
que um novo governo, qualquer que seja, trate financeiramente a Grande
Imprensa ainda melhor do que tem feito o atual. No seu nível de
irresponsabilidade, empurra milhões de pessoas para uma revolta contra
as instituições, mediante a sonegação de direitos básicos que pareciam
irreversíveis. Sabemos perfeitamente que uma guerra civil não começa
como guerra civil. Começa com um estado de pré-convulsão social, do tipo
instigado pela Folha, vai para a convulsão, depois para os atentados,
depois para a guerrilha. Só depois vem a guerra. E é quando os militares
entram para por ordem na casa, a seu modo!
Diante desse ataque da direita radical empreendido pela Folha, e em face do derretimento das instituições do Estado que ela expõe, o desafio que se coloca às forças progressistas é buscar formas concretas de fortalecer o estado solidário na base da sociedade, juntando as forças do empresariado industrial autêntico, não picareta, com as forças organizadas dos trabalhadores. O grande lance é a construção de pacto social negociado diretamente entre essas classes, e cujas proposições concretas sejam levadas ao Governo para aplicação em alternativa ao sistema vigente de total subserviência ao rentismo não produtivo.
Diante desse ataque da direita radical empreendido pela Folha, e em face do derretimento das instituições do Estado que ela expõe, o desafio que se coloca às forças progressistas é buscar formas concretas de fortalecer o estado solidário na base da sociedade, juntando as forças do empresariado industrial autêntico, não picareta, com as forças organizadas dos trabalhadores. O grande lance é a construção de pacto social negociado diretamente entre essas classes, e cujas proposições concretas sejam levadas ao Governo para aplicação em alternativa ao sistema vigente de total subserviência ao rentismo não produtivo.
Em termos teóricos, nosso desafio é
fazer a revolução burguesa-industrial e a revolução social
simultaneamente. A revolução burguesa, sim, porque o sistema atual
coloca a indústria como escrava de um sistema financeiro de agiotagem
que estrangula a capacidade de investimento, inovação e expansão do
setor industrial privado. A revolução social porque, se voltarmos ao
crescimento econômico, o que é perfeitamente possível, podemos não só
defender como expandir o estado de bem estar social como base da
estabilidade social e política do país.
O editorial da Folha é um acinte
porque coloca a perspectiva de uma tragédia quando temos alternativas
promissoras à mão. É uma estupidez econômica achar que temos de fazer
superávit primário ou evitar níveis mesmo baixos de déficit. As
economias norte-americana, inglesa e japonesa vivem de déficits desde
2008. A norte-americana teve déficits gigantescos de 2009 ao ano passado
(até 10% do PIB), do que resultou uma firme retomada do crescimento.
Nós reduzimos o superávit primário em 2009 e 2010, e tivemos crescimento
especular de 7,5% em 2010.
Não é esse déficit insignificante de 30 bilhões de reais, usado pela Folha para chantagear o país e forçar o abandono do projeto social brasileiro, que constitui um desarranjo da economia. O problema da economia é a ausência de um programa de investimento público, mesmo que deficitário. O déficit público de hoje, quando bem operado para investimentos em infraestrutura, torna-se crescimento do PIB e da receita amanhã. Em outras palavras, ele se paga por si mesmo como ensina há 80 anos a boa doutrina keynesiana.
Não é esse déficit insignificante de 30 bilhões de reais, usado pela Folha para chantagear o país e forçar o abandono do projeto social brasileiro, que constitui um desarranjo da economia. O problema da economia é a ausência de um programa de investimento público, mesmo que deficitário. O déficit público de hoje, quando bem operado para investimentos em infraestrutura, torna-se crescimento do PIB e da receita amanhã. Em outras palavras, ele se paga por si mesmo como ensina há 80 anos a boa doutrina keynesiana.
Se não conseguirmos construir um grande
pacto social para superarmos a crise econômica e política, e se em lugar
disso, intimidado pela Folha, o Governo implementar um programa
regressivo do tipo proposto por ela, já sabemos o endereço aonde os
doentes sem cobertura de saúde, os idosos e aposentados despojados de
direitos previdenciários, os estudantes pobres sem condições de pagar
faculdades, a turma do Bolsa Família e os sem casa e tantos outros
pobres devem procurar ajuda: vão todos para a porta da Folha, esperando
que ela os reenvie para a proteção do sistema bancário!
*José Carlos de Assis é economista,
doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do
Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP.

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