Por Ribamar Fonseca, jornalista e escritor
"Sempre foi dito, nesta
coluna, que a conspiração para derrubada da presidenta Dilma Rousseff,
liderada pelo senador Aécio Neves, e a Operação Lava-Jato, comandada
pelo juiz Sergio Moro, são parte de um projeto muito maior, inspirado no
exterior, com o objetivo de impedir que o Brasil se torne efetivamente
uma grande potência, libertando-se em definitivo da influência dos
Estados Unidos. Com o pretexto de combate à corrupção, busca-se
enfraquecer a nossa mais importante estatal, a Petrobrás, como parte de
velho projeto (desde o governo de FHC) para entregá-la ao capital estrangeiro, junto com as nossas riquezas petrolíferas, em especial o pré-sal.
Ao mesmo tempo, usa-se o
mesmo combate à corrupção como cortina de fumaça para ações mais
ousadas, que atingem setores de fundamental importância para a segurança
nacional. Além do petróleo, que é estratégico para a soberania
nacional, sutilmente tenta-se agora sabotar o programa nuclear
brasileiro, de modo a evitar que o Brasil conquiste um lugar entre as
grandes potencias nucleares. A prisão do almirante Othon Pinheiro da
Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, pela Policia Federal, por
ordem do juiz Sérgio Moro, seria o primeiro passo para paralisar e
desmontar, inclusive, o programa de construção do primeiro submarino
nuclear nacional.
A prisão do almirante,
conforme revelou a jornalista Tereza Cruvinel, foi comemorada pelo
jornal americano "New York Times", que o acusa de realizar
clandestinamente um programa nuclear no Brasil. Só essa informação já
seria suficiente para suspeitar-se que existe algo muito mais perigoso à
nossa soberania, nessa chamada fase de "radioatividade" da Operação
Lava-Jato, do que o combate à corrupção, até porque não há nada que
efetivamente comprove o envolvimento do almirante e justifique a sua
prisão. E o magistrado já quer investigar até a construção do submarino
nuclear pela nossa Marinha, o que começa a deixar à mostra o verdadeiro
objetivo de tudo isso.
Alguns articulistas,
entre eles o jornalista e economista José Carlos de Assis, advertiram
para o fato de que a prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva "pode
ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do
Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas",
que é mais avançada do que a dos norte-americanos. Ele vai mais além em
suas advertências, ao afirmar que o almirante "é um arquivo vivo de
tecnologia" e que "metê-lo na cadeia como prisioneiro comum, sujeito às
torturas psicológicas do juiz, que se especializou em delações premiadas
arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e
para a Defesa".
Na verdade, como já se
tornou rotina vergonhosa o vazamento seletivo dos depoimentos dos presos
da Lava-Jato, o depoimento do almirante corre o risco de ganhar as
manchetes dos jornais e, especialmente, os ouvidos no exterior dos
interessados em sabotar o programa nuclear brasileiro. Como o almirante é
o cérebro do programa, não é difícil imaginar que tipo de informação
pretendem arrancar dele depois de passar por aquela "fase" que antecede
as delações premiadas. Cabem, então, três perguntinhas: será que os
nacionalistas brasileiros, civis e militares, vão aceitar sem reagir
essa ameaça à soberania nacional? A Marinha, em particular, e as Forças
Armadas, em geral, vão manter os braços cruzados diante dessa
interferência indébita no programa de defesa nacional? E o governo, não
diz nada?
O combate à corrupção
não pode servir de pretexto para entregar-se aos interesses estrangeiros
segredos de Estado. Afinal, o Brasil não pode assistir inerte a ações
contrárias aos interesses nacionais. Se nada for feito para defender o
nosso país dos excessos da Lava-Jato, que parece ter se tornado, junto
com Aécio e companhia, instrumento de interesses externos, não seria
melhor entregar logo para o juiz Moro, de direito, o poder que ele já
exerce de fato, considerando que diante do silêncio do STF e o apoio
escancarado da mídia ele se tornou o homem mais poderoso do país?
Antes de encerrar, apenas um lembrete aos supersticiosos: já estamos no clima de agosto..."
FONTE: escrito
por Ribamar Fonseca, jornalista e escritor, no portal "Brasil 247"
(http://www.brasil247.com/pt/colunistas/ribamarfonseca/191195/E-agora.htm).
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