terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O momento sindical


João Guilherme Vargas Neto 

No Repórter Sindical

As manifestações sindicais da quarta-feira da semana passada contra as medidas provisórias 664 e 665 tiveram sucesso em pelo menos três aspectos: a unidade de ação das Centrais Sindicais que as convocaram, o seu caráter nacional, com eventos em todo o Brasil e o eixo comum contra o surrupio dos benefícios.
Na véspera, em Sertãozinho, a cidade inteira havia se manifestado contra a desindustrialização em uma passeata convocada pelo movimento sindical e apoiada pelo patronato, pelo comércio, pela prefeitura e muitas entidades. O exemplo de Sertãozinho deve estimular em todo o Brasil, e principalmente em São Paulo, manifestações unitárias em defesa da indústria e do emprego. É preciso acordar o Brasil e o grito deve ser dado pelo movimento sindical em aliança estratégica com os outros setores prejudicados, sem oportunismos e sem politiquices.
Na sexta seguinte, em Guarulhos, o Sindicato dos Metalúrgicos organizou a sua já tradicional entrevista coletiva para todos os veículos de comunicação da cidade; na pauta, o balanço transparente das conquistas de 2014 (resenhadas em um folheto muito bem editado) e a confirmação do empenho de luta contra as demissões de trabalhadores.
Prosseguem, essa semana, as negociações entre as Centrais Sindicais e os representantes do governo sobre as medidas provisórias.
O movimento unido exige a retirada delas do Congresso Nacional e a abertura de verdadeiras negociações sobre o que pode ser feito para melhorar (do ponto de vista dos beneficiários e do ponto de vista do governo) o sistema de proteção social aos trabalhadores.
Devem-se estabelecer escrupulosamente os números que deem conta real dos fatos. Eu mesmo, no afã de discutir o assunto, anunciei uma porcentagem da Selic como suficiente para o atendimento da economia de 18 bilhões de reais pretendida pelo governo, que não corresponde à realidade.
Assim como me penitencio pelo erro (ao invés de 0,4 ponto percentual da Selic deveria ter falado em, pelo menos, 1,3 ponto percentual), exijo que se esclareçam todos os números com transparência.
No processo de negociações em curso todos os participantes devem ter um mínimo de coerência numérica para garantir a seriedade das discussões.

João Guilherme Vargas Neto é consultor sindical de diversas entidades sindicais e membro do corpo técnico do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
E-mail: joguvane@uol.com.br

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