segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pela punição dos facistas do RN

Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:

Em 23 de outubro, o Viomundo publicou esta denúncia: Professor foi ver ato pró-impeachment, acabou xingado e espancado por fascistas: “Um me aplicou choque elétrico, como os torturadores do DOI-CODI. A PM assistiu a tudo e nada fez”.

O professor em questão é Daniel Valença, licenciado do curso de Direito, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), atualmente fazendo doutorado em Direitos Humanos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O fato ocorreu Natal (RN) na quarta-feira anterior, 21 de novembro.

Ele mesmo conta:

Fui ver com meus próprios olhos o ato em Natal pró-impeachment. Eram cerca de 15 manifestantes e mais 10 “seguranças” contratados para “proteger” os bonecos de Dilma e Lula. Como em todo o Brasil, novamente a UJS rasgou os bonecos – o fizeram, aliás, em São Paulo, no Recife e em João Pessoa.

Corri para acalmar a confusão e impedir que os jovens fossem agredidos fisicamente. No meio do caminho, um dos organizadores do ato me aplicou um mata-leão, hora em que perdi meus óculos e celular. A PM assistiu a tudo e nada fez, exceto deter os jovens da UJS que, já algemados, continuaram sendo agredidos física e verbalmente.

Fui cercado por todo esse grupo que berrava “petista!”, “comunista!”, “bandido filho da puta”. Respondi insistentemente que era petista e comunista com muito orgulho e que tinha o direito de sê-lo. Foi então que um manifestante fascista veio por trás e me aplicou um choque elétrico, prática comum aos torturadores do DOI-CODI

(…)


Ao final, sugeríamos aos leitores que assistissem ao vídeo.

De lá para cá:

1) Descobriu-se que assessores dos deputados federais Felipe Maia (DEM) e Rogério Marinho (PSDB) organizaram o ato contra Dilma, Lula e o PT, embora os participantes se dissessem “apartidários”. São dois: Jean do Rego Rocha (matrícula de nº 218182) e Francisco Washington Cavalcanti Dantas (matrícula de nº 219469), nomeados, respectivamente, nos gabinetes do democrata e do tucano em Brasília (DF). Felipe Maia é filho do senador Agripino Maia (DEM-RN).

2) Na quarta-feira passada 28, por volta das 17hs, três jovens jovens da União da Juventude Socialista (UJS) foram parados e revistados pela polícia, quando saíam da sede do PCdoB, em Natal. Estranhamente são três dos cinco jovens da UJS presos no dia do ato. Coincidência? Intimidação? Provocação?

3) Os vídeos postados sobre o ato , inclusive o publicado aqui no Viomundo, foram sendo derrubados um a um, provavelmente por participantes do ato pró-impeachment, para evitar o reconhecimento dos que praticaram violência.

4) Porém, com a ajuda de um leitor, nós conseguimos uma coletânea de 19 vídeos, de diferentes tamanhos, a quase totalidade sem edição. Eles mostram a violência de vários ângulos. Inclusive num deles o agressor pede que a câmera (provavelmente de um celular) seja desligada. O áudio, porém prossegue. Somam 43min19s. Nós subimos para o You Tube e para o Vimeo, do jeito que recebemos. Por precaução, salvamos também nos nossos computadores.

A partir do minuto 29 da coleção de vídeos, o que se assiste é um conluio criminoso: três jovens da UJS detidos, já imobilizados, de joelhos no chão e rosto para a parede, são agredidos, xingados e ameaçados por líderes do ato pró-impeachment com a conivência de policiais.

Atente à movimentação de três, especialmente. O careca, de camisa listrada de branco e azul, é Washington Dantas, que trabalha no gabinete do tucano Rogério Marinho.

Os outros dois ainda não conseguimos identificar. Um, o que aplicou choque elétrico no professor Daniel Valença e em vários jovens da UJS e do PT, usa camiseta verde e boné. O outro, também de boné, veste camiseta amarela.

Qualquer semelhança com a barbárie diária diariamente nas periferias do Brasil contra jovens, principalmente pretos e pobres, não é mera coincidência.

Manifestações populares fazem parte da democracia. Mas não se pode aceitar a incitação ao ódio e à violência.

É o alerta do manifesto (na íntegra, ao final) de entidades de direitos humanos, acadêmicas, movimentos sociais, sindicatos e pessoas físicas (na íntegra, abaixo) em solidariedade a Daniel Valença e aos jovens vítimas da violência dos fascistas. O Viomundo divulga-o em primeira mão:

As manifestações populares são legítimas. Contudo, deve-se repudiar qualquer iniciativa que vise a propagar o discurso do ódio e incite à violência. Não se pode tolerar a naturalização da violência e do ódio que, agora, manifestam-se a pretexto do exercício de “liberdade política” – “liberdade” essa que tem vindo acompanhada de instrumentos de repressão, usados contra quem discorda dos atos: armas de choque e seguranças particulares pagos.

(…)

Consideramos que os/as responsáveis pela violência praticada no dia 21/10 devem ser punidos/as.

*****

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO PROFESSOR DO CURSO DE DIREITO DA UFERSA DANIEL VALENÇA E ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA NO ATO DO DIA 21/10 NA CIDADE DE NATAL/RN

As pessoas, entidades e organizações abaixo assinadas vimos manifestar apoio e solidariedade ao professor universitário Daniel Valença, bem como repudiar as acusações injuriosas que estão sendo divulgadas a seu respeito.

Na quarta-feira, dia 21/10, o professor foi vítima de agressões verbais, morais e físicas durante manifestação contra o governo da presidenta Dilma e ao Partido dos Trabalhadores em Natal – RN. Na ocasião, os bonecos infláveis utilizados pelos manifestantes foram furados e os jovens apontados como responsáveis (Wangle Alves, Pedro Henrique, Frederico Germano, Eduardo Silvestre e Leonardo Rodrigues), rapidamente detidos pela polícia. Em atitude completamente desproporcional, líderes do movimento pró-impeachment agrediram esses jovens – já imobilizados -, iniciando um linchamento.

O professor Daniel Valença, ao tentar impedir as agressões, passou a ser o foco deles. Chegaram a imobilizá-lo com um golpe no pescoço (“mata-leão) e utilizaram uma arma de choque no seu corpo, além de lhe dirigirem xingamentos e palavras de ódio.

A violência continuou pela internet e os mesmos envolvidos passaram a veicular informações distorcidas a respeito do professor, com o objetivo nítido de deturpar sua imagem, especialmente em seu espaço de trabalho, a UFERSA, instituição à qual sempre teve uma dedicação exemplar.

Atestamos a reputação ilibada do professor Daniel Valença, cujas trajetórias política e profissional sempre foram comprometidas com a defesa dos direitos humanos e contrárias a quaisquer manifestações de propagação de ódio e violência, como as que foram observadas no dia 21.

O que ocorreu em Natal não está dissociado do mesmo contexto de ódio do qual recentemente foram vítimas o militante do MST João Pedro Stédile, o Professor Mauro Iasi, bem como Fernando Haddad e Eduardo Suplicy. Tem sido recorrente em diversas manifestações similares à de Natal o repúdio a valores progressistas e aos direitos humanos, bem como ofensivas destrutivas, de truculência, contra quaisquer pessoas que apresentem posicionamento contrário às ideias que procuram disseminar (entre elas, a volta da ditadura militar e a ojeriza a ideais de esquerda).

As manifestações populares são legítimas. Contudo, deve-se repudiar qualquer iniciativa que vise a propagar o discurso do ódio e incite à violência. Não se pode tolerar a naturalização da violência e do ódio que, agora, manifestam-se a pretexto do exercício de “liberdade política” – “liberdade” essa que tem vindo acompanhada de instrumentos de repressão, usados contra quem discorda dos atos: armas de choque e seguranças particulares pagos.

Por fim, estendemos nossa solidariedade aos jovens e demais que foram agredidos/as fisicamente na manifestação e consideramos que os/as responsáveis pela violência praticada no dia 21/10 devem ser punidos/as.

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