Sensor Econômico divulga ótimo entrevista com Márcio Pochman da Rede Brasil Atual
qui, 08/10/2015

Da Rede Brasil Atual
Presidente da Fundação Perseu Abramo
diz que governo tem ciência de que o quadro pode se alastrar e
contaminar também o próximo ano e que, portanto, é preciso tomar
iniciativas mais firmes
São Paulo – Em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje
(7), o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu
Abramo, rebate críticas ao documento "Por um Brasil mais justo e
democrático", lançado por ele, em conjunto com outros 200 profissionais,
entre economistas, advogados, urbanistas e intelectuais, com o objetivo
de oferecer alternativas à crise econômica.
Segundo o economista, as medidas de
combate à crise deveriam ter sido tomadas de forma gradual, e o ajuste
fiscal implementado provocou um choque que desorganizou a capacidade do
governo de liderar os investimentos. O economista destaca ainda a
necessidade de fortalecimento da indústria, e que a conjuntura para
tanto é favorável, dada a desvalorização cambial.
Sobre as críticas veiculadas na imprensa
tradicional às propostas contidas no documento, Pochmann diz que as
recebeu de "de forma democrática", mas que parte delas é destrutiva, e
parte de uma visão que ele identifica como "certo terrorismo econômico".
Ele defende que é preciso pensar os rumos para o país, no médio e longo
prazos.
"É necessário discutir o Brasil e
mostrar que há alternativas. Não estamos prisioneiros de um só caminho,
que passa pela recessão em que estamos vivendo. É plenamente possível
identificar que a retomada do crescimento da economia poderá oferecer
condições muito melhores que temos no atual momento", defende Pochmann.
Ele diz que o governo tem ciência de que
o quadro recessivo, inicialmente previsto para o primeiro semestre
deste ano, pode se alastrar e contaminar também o ano que vem e que,
portanto, é preciso tomar iniciativas mais firmes.
Acesse a íntegra do documento "Por um Brasil mais justo e democrático":
- Vol. 1 – Mudar para sair da crise – Alternativas para o Brasil voltar a crescer
- Vol. 2 – O Brasil que queremos – Subsídios para um projeto de desenvolvimento nacional
O economista afirma que, passadas as
batalhas mais importantes, no âmbito do Congresso Nacional, como
apreciação dos vetos presidenciais, o governo terá maiores condições de
liderar esforço pela retomada econômica.
"O governo deu um passo importante na
recomposição ministerial. Superando essa situação de instabilidade
política, acredito que o governo vai ter melhores condições para poder
encaminhas medidas que visam a recuperar a competitividade, como a
própria redução da taxa de juros, desbloqueando os investimentos
públicos, que são chave no ponto de vista de estimular os investimentos
privados."
Ele lembra que, com a desvalorização do
real frente ao dólar, são positivas as condições para a atração de
investimentos internacionais, com base na substituição de importações e
no estímulo às exportações, e que as áreas como infraestrutura e
agricultura continuam se mostrando atraentes e "dando sinais de muita
prosperidade".
Pochmann compara o quadro atual, com
situação ocorrida em 1999, quando imediatamente após a eleição, o então
presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também adotou medidas
contrárias ao seu discurso de campanha, com forte teor contracionista e,
contudo, a recuperação ocorreu, e no ano seguinte, a taxa de
crescimento do PIB foi de 4,5%. "Não podemos descartar que o ano de
2015 possa ser apenas um ponto de inflexão, com um melhor encaminhamento
para o ano de 2016."
Perguntado sobre impactos de uma
eventual rejeição do balanço da contas da presidenta Dilma Rousseff pelo
Tribunal de Contas da União (TCU), Pochmann lembra que o órgão não tem o
papel de Justiça, e que a decisão caberá ao Congresso. Ele ressaltou
ainda que as ditas 'pedaladas' "tratavam-se, fundamentalmente, de
repetição de medidas já realizadas por outros governos, inclusive o
governo FHC".
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