João Franzin, no Repórter Sindical
O
sindicalismo é construção dos trabalhadores e da sociedade brasileira.
Os trabalhadores o constroem quando organizam entidades e por meio delas
buscam direitos e dignidade. A sociedade participa ao reconhecer a
legitimidade das organizações e apoiar suas demandas.
Há
um terceiro elemento nessa construção. É o Estado, que se coloca a
favor ou contra, conforme os governos em seu comando. No Brasil, mesmo
regimes autoritários não conseguiram frear os avanços trabalhistas. Nos
últimos anos, com Lula e Dilma, como aponta o Diap, houve muitos ganhos,
e reais, em praticamente todas as categorias profissionais.
Dilma,
Aécio e Eduardo (este menos) procuraram se compor com o sindicalismo,
respeitando diversidades. Agora, só Dilma e Aécio acenam compromissos
com o campo sindical. Dilma, no 1º de Maio, usou rede nacional para
reafirmar a política de aumento real do salário mínimo. Aécio, em
reunião com Centrais em São Paulo, prometeu rever os descontos do
imposto de renda nos salários.
Nos
anos 50, mesmo clandestino, o PCB, então forte entre os trabalhadores,
atuou pró-criação da Petrobras e em prol de Juscelino, em cujo governo o
salário mínimo deu um salto. Nos anos seguintes, o sindicalismo foi
vanguarda e também retaguarda durante o governo de Jango. Com a
ditadura, entrou na linha de tiro do regime, mas sem abrir mão de lutar,
ainda que com escassos meios.
O
período seguinte viu um movimento sindical ativo em três frentes: 1)
Contra o arrocho salarial e a carestia; 2) Retorno das liberdades
democráticas; 3) Pela Assembleia Constituinte e durante seu período de
vigência. O desfecho de tudo isso foi a maciça presença nas Diretas-Já.
Com a eleição presidencial de 1989, cada segmento seguiu sua orientação.
Nos
governos Lula e Dilma, o sindicalismo foi ativo, obteve ganhos reais
para suas categorias, conseguiu legalizar as Centrais, apoiou as
políticas de inclusão social e deu um salto de qualidade ao compor a
Pauta Unificada.
A
ascensão de Marina sinaliza a reversão desse ciclo. A ideia de “nova
política”, na essência, fere também o sindicalismo, que não se adequa à
suposta onda modernizadora. Marina combate o imposto sindical; aprova a
Convenção 58 da OIT; seu programa agasalha a terceirização; seus
conselheiros econômicos são neoliberais; a conselheira-mor do Itaú
coloca um banqueiro em posição só vista na campanha de FHC, que teve o
dono do Bamerindus como tesoureiro.
Tudo isso aponta contra o movimento sindical. A terceirização, como está posta, é a gota do veneno letal.
João Franzin é consultor de jornalista da Agência SindicalE-mail: joaofranzin@agenciasindical.com.br
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