Artigo de Fernando Brito, do Tijolaço, extraído do Conversa Afiada Oficial.
Desde que a decisão do Supremo de tirar a
“exclusividade” de Sérgio Moro sobre a investigação dos casos de
corrupção surgidos a partir da Lava Jato já era possível notar. E,
agora, com os sinais de que o PMDB pode voltar à base do Governo e a
divulgação das contas de Eduardo Cunha, o “senhor do impeachment” na
Câmara, torna-se evidente que vai surgir um pipocar de “denúncias”
contra Lula.
Como num jogo de xadrez, onde a perda de peças faz
mirar quase que exclusivamente no Rei os movimentos, a oposição – quem
quiser se esqueça da frase da ex-presidente da Associação de Jornais,
Judith Brito, sobre quem era a oposição no Brasil – segue o roteiro de
evitar que: a) os fatos desmontem a capacidade de Eduardo Cunha de
criar a “crise do impeachment” com a votação – mesmo transversa, através
do famoso “recurso de plenário” – dos pedidos de impedimento da
Presidenta da República e b) a construção de uma situação mínima de
viabilidade política do Governo que reabilite suas condições de
administrar, mesmo sem brilho, e não arraste para o fundo as
possibilidades de Lula candidatar-se em 2018.
Para isso, tudo
vale. Desde atribuir “crime” ao que é absolutamente legítimo, a atuação
do ex-presidente em favor da projeção internacional de empresas
brasileiras no exterior até histórias estrambóticas envolvendo “o filho
do Lula”, embora variando de filho, desta vez…
(Sobre o assunto, leia o ótimo “O estupro diário do jornalismo“, publicado agora há pouco pelo Luís Nassif.)
Este
e o caminho principal, paralelo a um “recapeamento” da “via de
esquerda” da candidatura Marina Silva, esburacada pelo apoio a Aécio
Neves ano passado, com a ajuda do vício udenista de parte do PT que não
entende – ou não liga – para o fato de que, antes de tudo, está em
questão a luta para que não se restabeleça a hegemonia conservadora que
sempre marcou o Brasil.
Fora, é claro, a insatisfação com a perda
de “boquinhas” – seja pelas dificuldades econômicas, seja pela
necessidade de ceder espaços – que deixa “bolada” muita gente de baixos
teores ideológicos.
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