O Conversa Afiada reproduz texto de Clara Ant, diretora do Instituto Lula.
Como se sabe, nenhum colonista (ver no ABC do C Af) piguento resumiu de forma mais cortante a tentativa de minimizar o significado do atentado que o Ataulpho Merval (também no ABC do C Af): ele se referiu a um “buraquinho”.
No mesmo dia, porém, sem que esse fosse o alvo, o Janio de Freitas lhe deu a devida resposta.
Clara segue a mesma linha:
Amig@s,
desde
sexta feira (31/8/15) estou tentando encontrar palavras para transmitir
meu sentimento com relação ao que está ocorrendo ultimamente no nosso
Brasil e particularmente depois que uma bomba (link 01) foi arremessada
ao local do Instituto Lula do qual sou diretora com muito orgulho e onde
trabalhei anos a fio antes mesmo de participar do governo federal nos
dois mandatos de Lula.
Para mim, uma bomba atirada contra a sede
do Instituto Lula (ou de qualquer outra instituição) é um ataque à
democracia. Para mim, que fui criada por dois sobreviventes do nazismo e
me formei politicamente na tradição trotskista, o ataque à democracia é
indubitavelmente um ataque à humanidade, à liberdade.
Penso que
se o desrespeito às pessoas (autoridades ou não), se o deboche dos
seres humanos, se a zombaria do direito e dos direitos, se linchamentos e
estupros, não despertam em nós preocupação e não nos levam à ação
política, talvez estejamos vivendo um momento extremamente perigoso.
Muitos
apontam nesses atos e atitudes um comportamento fascista. Provavelmente
se trate mais de manifestações de brutalidade e ignorância do que de
fascismo propriamente dito. Mas certamente o alastramento desses
comportamentos pode sim levar ao enaltecimento e à consolidação de um
rumo fascista.
Não faltou na Alemanha quem não se importasse com
o ato de empurrar os comunistas para a ilegalidade em 1933 e com a
chamada “solução final” em 1941/42 estruturada para exterminar o povo
judeu (link 02). Não faltou também, na União Soviética quem achasse que
era normal condenar, prender e inclusive matar, os dissidentes para
supostamente garantir a revolução socialista.
Aos que nalguns
órgãos de imprensa tentaram minimizar o episódio da bomba no Instituto
Lula por se tratar de uma bomba caseira, observo que não faltam
dispositivos caseiros com potencial letal (link 03) e rememoro a
tragédia provocada pelo “simples” envelope dirigido à OAB que matou a
Sra. Lyda em 1980. (link 04) .
Não paro de pensar, cada vez que
revejo as imagens, o que teria sido se alguém estivesse passando por lá
no momento da explosão.
Por fim, reproduzo aqui o relevante
alerta de Jânio de Freitas na Folha de hoje (02/8/15): “É bem possível
que a bomba de agora seja vista, depois, como um ponto inicial.” E
conclui gravemente com a frase: “Nem sugiro de quê”. (link 05)
Clara Ant
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