segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PPA e a estratégia de desenvolvimento do Brasil


Clemente Ganz Lúcio [1]

O governo federal e os governos estaduais estão em pleno processo de elaboração do planejamento e da estratégia de governo por meio do PPA (Plano Plurianual) para o período de 2016 a 2019, uma obrigação legal de todos os governantes eleitos.

Por meio do PPA, são definidos objetivos, diretrizes, programas, políticas e ações, bem como as fontes de financiamento e o orçamento que sustentarão o PPA.

O governo federal, mais uma vez, fez um processo de consulta e participação social na elaboração do PPA. Sob a coordenação da Secretaria Geral da Presidência da República e do Ministério do Planejamento, a proposta inicial para o PPA começou a ser debatida pelas organizações da sociedade civil em abril. O processo foi aberto no Encontro do Fórum Interconselhos, seguido de encontros nas cinco regiões, reuniões temáticas e setoriais. Mais de 3.500 lideranças participaram dos eventos, que produziram e reuniram quase mil propostas para o PPA.

Nesta semana, aconteceu o segundo encontro do Fórum Interconselhos, quando foi apresentado, para quase 300 lideranças de entidades da sociedade civil, o resultado sistematizado da consulta. Na oportunidade, além de reunir e apresentar as propostas que formam a contribuição da sociedade civil, o governo apresentou a sistematização da segunda versão do PPA, já com uma proposta que procurou incorporar as contribuições da sociedade civil. Na oportunidade, os participantes debateram as propostas de conteúdo do PPA.

Até o final de agosto, o governo concluirá e enviará para o Congresso Nacional a proposta de PPA , para debate e votação até o final do corrente ano. Esse mesmo calendário deve ser seguido pelos governos estaduais em relação às respectivas casas legislativas.

A relevância do PPA evidencia-se porque, ao apresentar as diretrizes, os objetivos, as políticas, as ações e os recursos financeiros, está sendo definida a estratégia geral para o desenvolvimento do país ou da região, a partir da ação do Estado e da capacidade deste de articular e coordenar a ação com o setor privado. Indica-se assim as bases para o sistema de produção econômico, da infraestrutura produtiva e social, das políticas públicas em todas as áreas, seja para o campo ou para a cidade.

As entidades da sociedade civil demandaram a implantação de um processo participativo permanente para o monitoramento e a avaliação da implementação do PPA, que será debatido pelo Fórum Interconselhos e pelo governo, para ser implantando a partir do próximo ano.

Outro passo importante, há muito demandado pela sociedade civil, foi a implantação de mecanismos de participação permanente, por meio da internet. Nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff lançou o site Dialoga Brasil, um fórum de participação permanente, a partir do qual todos os brasileiros poderão apresentar contribuições, propostas, avaliações e críticas, bem como terão oportunidade de conhecer as propostas apresentadas, acompanhar os debates e conhecer os programas em execução pelo governo federal.

A plataforma Dialoga Brasil já apresenta 14 temas e 80 programas prioritários em execução pelo governo federal. Está aberta a consulta para quatro pontos: saúde, educação, segurança pública e redução da pobreza, com vários programas em cada um deles. O endereço para acesso, participação e contribuição da sociedade civil é www.dialoga.gov.br.




[1] Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

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