domingo, 7 de janeiro de 2018

Os dois golpes de 2018

Por Mauro Santayana, na Revista do Brasil:
Transcrito no blog do Miro.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou o dia 24 de janeiro como data para a apresentação do resultado do julgamento dos recursos impetrados pela defesa de Lula contra a sua condenação no caso do tríplex do Guarujá. Lula foi condenado, kafkianamente, por ter supostamente “recebido” R$ 3,7 milhões na forma de um apartamento que nunca foi dele – a propriedade está em nome de um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal – e de obras nesse apartamento. Segundo seus acusadores, seriam “recursos oriundos” de propinas da Petrobras, quando todo mundo sabe, incluídos os funcionários da empresa, que ele nunca se envolveu diretamente com a gestão da companhia.

Em qualquer lugar do planeta, ninguém poderia ser condenado por ter recebido algo que nunca foi seu. No país arbitrário, hipócrita e surreal em que estamos vivendo, com o descarado uso político da “justiça” por grupelhos partidários de juízes de primeira instância e procuradores do Ministério Público, isso não é apenas possível, como a parte mais poderosa da mídia endossa e aplaude tal absurdo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Apenas para efeito de comparação, a mesma “justiça” que se adianta para condenar Lula em segunda instância, no tempo recorde de seis meses, com objetivo de impedir que ele concorra à presidência da República, em uma eleição em que é franco favorito, levou 12 anos para julgar um ex-governador tucano – Eduardo Azeredo, também ex-presidente do PSDB – em primeira instância e mais dois para julgá-lo na segunda, sem confirmar sua prisão e reduzindo, no final, a sua pena.

Mas para uma imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é a coisa mais comum do mundo.

Tivessem um mínimo de pudor, aqueles que querem condenar Lula esperariam outro, entre os muitos processos que estão sendo movidos contra ele, que tivesse um mínimo de provas ou verossimilhança.

Mas isso exigiria, diante de seu constante crescimento nas pesquisas, um precioso tempo.

A mesma justiça que quer homologar a condenação de Lula em tempo recorde, nega à sua defesa o acesso a supostas provas contra ele.

Mas para certa imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é merecedor, apenas, de se fazer cara de paisagem e também a coisa mais banal do mundo.

O povo brasileiro tem o direito de escolher, sem interferência de quem quer que seja, o candidato –qualquer que seja ele – que mais lhe aprouver nas próximas eleições. E de ver subir a rampa do Palácio do Planalto aquele que tiver mais votos.

Há dois golpes em andamento para 2018.

O primeiro, já anunciado, será dado, diante do mundo inteiro, no dia 24 de janeiro: impedir – com uma condenação furada, feita com base em delação premiada e em uma armação jurídica – que o principal candidato concorra às eleições. Isso equivale a um golpe de Estado aqui como em qualquer lugar do globo. É interferir descarada e diretamente na história de um país que conta com a quinta população e o quinto maior território do planeta, como se isso aqui fosse uma República de Banana. (Ou melhor dizendo, alô, alô, sociedade civil organizada; alô, alô, defensores do Estado de Direito e da Democracia: de “bananas”.)

Uma coisa leva à outra.

O segundo golpe – depois não adianta dizer que a cigana não avisou – também já está sobejamente anunciado.

Ele também é filho torto da “justiça” e tão hediondo e temerário quanto o primeiro. E equivalerá a promover, historicamente, a deliberada, assumida e desavergonhada entrega do país ao fascismo, pela “justiça” brasileira – tente-se ou não tapar o sol com a peneira, caso se confirme a decisão já claramente sinalizada por juízes, desembargadores, e até mesmo ministros da Suprema Corte. E não me venham disfarçar ou mascarar isso com especulações fantasiosas ou a edificação de improváveis e imponderáveis, oníricas, quimeras eleitorais – no dia 30 de outubro de 2018.

Os abutres que operam e sustentam o golpe




*José Álvaro de Lima Cardoso.
     Recentemente a Petrobras fechou acordo na justiça norte-americana para pagar US$ 2,95 bilhões pelos supostos prejuízos causados aos especuladores dos EUA com os casos investigados pela Lava Jato. Não se trata de decisão judicial: através de acordo a direção da Petrobrás atendeu às exigências dos investidores. Para termos ideia do vira-latismo que representa esse acordo, o seu valor é quase 7 vezes o montante que a empresa recuperou com a Lava Jato (R$ 1,475 bilhão). O detalhe é que a Petrobrás, que foi a empresa vitimada pela corrupção de alguns de seus executivos, está pagando indenização bilionária e antecipada aos especuladores norte-americanos.
     O motivo da ação judicial são os prejuízos que os especuladores tiveram com a queda do preço das ações no mercado financeiro americano, uma decorrência dos ataques à empresa com a operação golpista Lava Jato. Todos sabem que investimentos em ações são de risco, o investidor pode ganhar ou perder dinheiro, dependendo da composição do investimento e de uma série de outras variáveis. Quando um investidor corre riscos extraordinários com determinada ação, procura compensar isso através de uma rentabilidade maior. Rentabilidade esta que garante uma “gordura financeira”, em caso de queda do valor das ações. É assim que o mercado de ações funciona. Imaginem se os brasileiros que compraram ações da empresa norte-americana de tecnologia Apple, uma das mais requisitadas no mercado, entrassem com ações na justiça por prejuízos advindos da queda do preço das ações da empresa.    
     Segundo as primeiras informações, os beneficiários da bilionária transação são basicamente seis fundos chamados de "abutres", fundos especulativos que compram títulos de dívida não pago ou em quebra, visando ter lucros exorbitantes no médio ou longo prazo. Esses fundos compram títulos a um preço muito mais baixo do que o seu valor real e exigem pela via judicial o pagamento total da dívida, o que pode significar a soma de juros e multas, além do valor principal. Muitos países pobres do hemisfério sul já foram vítimas dos abutres, que têm como norma ameaçar e fazer chantagem com ações legais.
    Esses fundos montam, na verdade, esquemas profissionais de extorsão, ou seja, adquirem as ações de determinado título já prevendo processar o emissor. São fundos picaretas, que não trazem nenhum benefício para a sociedade e não por acaso são chamados de abutres. Segundo informações de especialistas, o acordo da Petrobrás é o maior acordo jamais fechado por uma empresa estrangeira nesse tipo de ação, dentro dos EUA. Existem mais 13 ações judiciais nos EUA contra a Petrobrás e o acordo abre um precedente contra a empresa. Obviamente foi um acordo de lesa pátria, contra a Petrobrás e contra os interesses nacionais. É um acordo que fragiliza a empresa e revela uma profunda subserviência dos atuais dirigentes da Petrobrás aos investidores norte-americanos.
     Os “abutres” internos devem estar eufóricos com o acordo, pois apoiam tudo que possa prejudicar a Petrobrás e favorecer os EUA, sejam empresas ou o governo daquele país. Procuradores, juízes e e agentes públicos trocaram informações o tempo todo, inclusive alimentando órgãos de espionagem norte-americanos com informações que, posteriormente, foram usadas contra a Petrobrás. Como uma companhia que foi vítima de ladrões aceita se submeter a pagar uma indenização bilionária, mesmo antes de haver qualquer decisão judicial? Mesmo que houvesse decisão da justiça teria que ser questionada, e teriam que ser esgotadas todas as possibilidades jurídicas e políticas antes de se assinar um acordo deste tipo, lesivo ao país e à empresa. É que o golpe foi perpetrado, patrocinado, e é mantido por abutres, internos e externos.
                                                                                                                                  *Economista.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Petrobrás 2017: o ano em que a verdade é aceita como evidente por si própria

por Felipe Coutinho (*)

"Caiu a ficha! ”. Nos telefones públicos, orelhões, quando se completava a ligação a ficha caia.
A expressão quer dizer que esse é o momento em que se passa entender alguma questão. Esse é o fato marcante para a Petrobrás em 2017. A verdade passou a ser aceita por si própria, sem ser ridicularizada ou rejeitada com violência. A maioria dos petroleiros e dos brasileiros percebeu a "Construção da Ignorância sobre a Petrobrás". A partir de agora é evidente que a Petrobrás não está (e nunca esteve) quebrada, que não precisa vender seus ativos para reduzir a dívida, que a privatização prejudica o fluxo de caixa e compromete o futuro que já se torna presente. (Coutinho, A construção da ignorancia sobre a Petrobrás, 2017) (AEPET, Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender seus ativos, 2017)
“Toda verdade passa por três estágios. No primeiro, ela é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como evidente por si própria. ”
Arthur Schopenhauer
Agora está na cara “O mito da Petrobrás quebrada”, é óbvio que houve uma propaganda de choque e terror, a serviço das multinacionais do petróleo e dos agentes do sistema financeiro que as controlam. Estão desmascarados os executivos que giram através de portas giratórias entre a administração pública e corporações privadas. Eles são os modernos feitores e capitães do mato, a serviço do novo ciclo colonial da exportação de petróleo cru, que só podem debater em ambientes controlados do cartel midiático. Interventores e porta vozes do capital internacional se entendem bem. Antes desfilavam seus egos como os salvadores da pátria, agora se escondem e só oferecem entrevistas para microfones amigos. (Oliveira & Coutinho, O Mito da "Petrobras quebrada", 2017) (AEPET, Editorial: Portas giratórias, 2017)
Alguns leitores cuidadosos podem agora se perguntar, será? Será que realmente a maioria dos petroleiros percebeu? Será que os brasileiros tomaram consciência do que se passa com a Petrobrás e o petróleo brasileiro?
Penso que sim, vamos as evidências.
Com relação a percepção dos petroleiros podemos recorrer a pesquisa de ambiência realizada pela Petrobrás. A última pesquisa foi feita em janeiro/17. Pedro Parente e seus executivos, confiantes, incluíram duas perguntas inéditas:
“71 - O Plano de Negócios e Gestão 2017-2021 está na direção certa.
Resultado: 37% favoráveis
72 - Confio nas decisões tomadas pela Direção Superior diante dos desafios da companhia.
Resultado: 31% favoráveis” (Petrobras, 2017)
O percentual de respondentes foi muito baixo, apenas 64% do total.
Apenas 31% dos 64% que responderam, em janeiro de 2017, confiavam nas decisões tomadas pela “Direção Superior”. Ou seja, menos de 20%, um em cada cinco, responderam favoravelmente e confiantes nas decisões do presidente, conselheiros e diretores da Petrobrás. Veja bem, a pesquisa foi realizada em janeiro de 2017. Ao longo do ano, a confiança certamente piorou diante do resultado das privatizações da malha de gasodutos (NTS), do campo de Carcará etc. (AEPET, NTS: crônica de um prejuízo anunciado, 2017) (AEPET, Voto AGO-AGE da Petrobras em 15/12/2017, 2017)
Em dezembro de 2017, a “Direção Superior” anunciou que não haverá pesquisa de ambiência em janeiro de 2018. Para um bom entendedor... essa decisão basta, para afirmar que a verdade sobre a Petrobrás foi revelada e já é auto evidente para os petroleiros em 2017.
E os brasileiros? Será que perceberam que o impeachment foi um golpe para “estancar a sangria da lava jato... com o Supremo, com tudo”? Como dito pelo senador Jucá. Notaram que tomaram o poder para aumentar a exploração dos trabalhadores e penalizar aposentados e estudantes, com as reformas trabalhistas e da previdência, em benefício de megaempresários e banqueiros? Entenderam que serviu para o capital internacional se apropriar dos ativos da Petrobrás e do petróleo brasileiro?
Não dispomos de pesquisas recentes que tratam de todas as questões. No entanto, podemos recorrer a pesquisa do Ibope, realizada em novembro/17, para aferir a percepção dos brasileiros. Perguntados se o impeachment significou melhora ou piora em relação ao governo Dilma, apenas 6% responderam que foi uma “melhora”, contra 52% que afirmaram que foi uma “piora”. (Rosário, 2017)
A banda do Titanic não para
Enquanto a maioria dos petroleiros e dos brasileiros toma consciência, Temer e Parente perseguem seus objetivos.
A meta de redução do endividamento da Petrobrás é temerária. Não é um indicador estratégico recomendável para uma empresa com potencial de crescimento, como é o caso da Petrobrás. O indicador e a meta são arbitrários, assim como a antecipação do seu alcance de 2020 para 2018. A redução da alavancagem é desnecessária, mas poderia ser alcançada sem vender ativos até 2021. (Oliveira & Coutinho, A principal meta da Petrobras, na gestão Parente, é temerária, 2017)
Insistir na atual estratégia de focar na produção de petróleo cru e privatizar os ativos que aumentam seu valor é confrontar a realidade. Mais sensato é mudar a estratégia, agregar valor ao petróleo, interromper a venda de ativos e preservar a atuação corporativa integrada, o que garante a geração de resultados diante da variação dos preços do petróleo. Enfim, é preciso entender a realidade, mudar o plano estratégico e parar de enfrentar desnecessários desafios auto impostos. Ao invés de errar no planejamento, culpar a realidade e insistir no erro esperando que a realidade mude, é melhor compreender a realidade e mudar o rumo estratégico. (Oliveira & Coutinho, A realidade desafia a estratégia atual da Petrobras, 2017)
Desde que Temer ascendeu ao poder, o governo assumiu a agenda das multinacionais do petróleo e de seus controladores. Trata-se da agenda do sistema financeiro internacional e dos países estrangeiros que controlam as multinacionais, privadas e estatais.
Mas o que exatamente desejam as multinacionais e seus controladores? Querem a propriedade do petróleo brasileiro, ao menor custo possível, com total liberdade para exportá-lo. Querem acesso privilegiado ao mercado brasileiro. Querem comprar os ativos da Petrobrás a preço de banana. Querem garantir a segurança energética dos seus países, no caso das estatais. Querem maximizar o lucro no curto prazo, no caso das privadas. (Coutinho, Temer assume agenda das multinacionais do petróleo e desgraça o Brasil, 2017)
A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, em outubro de 2016. Desde então, foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 deve chegar a 82% do total importado pelo Brasil. (AEPET, Política de preços de Temer e Parente é “America First! ”, 2017)
Soberania e desenvolvimento
O petróleo é uma mercadoria especial, na medida em que não tem substitutos em equivalente qualidade e quantidade. Sua elevada densidade energética e a riqueza de sua composição, em orgânicos dificilmente encontrados na natureza, conferem vantagem econômica e militar àqueles que o possuem. (Coutinho, A energia é o meio e a Petrobras é a chave para o desenvolvimento soberano do Brasil, 2017)
Não há substituto para o petróleo barato de se produzir, mas ele acabou e a humanidade vive as consequências econômicas e sociais deste fato. Informações da indústria mundial, o investimento em Exploração e Produção (E&P) e a produção agregada desde 1985 evidenciam o aumento do custo médio de se encontrar e produzir cada barril adicional de petróleo, com severas consequências para a indústria e a sociedade. (Coutinho, O fim do petróleo barato e do mundo que conhecemos, 2017)
O desenvolvimento do Brasil depende da utilização dos nossos recursos naturais em benefício da maioria dos brasileiros. Temos que superar a sina colonial e condenar as elites que servem aos interesses estrangeiros, em prejuízo da maioria. Os antigos senhores de engenho e seus feitores, são hoje os 0,01%, os rentistas, os executivos vassalos das corporações multinacionais e, no topo da cadeia parasitária, os banqueiros. (Coutinho, A energia e o desenvolvimento soberano em 10 lições, 2017)
A tomada de consciência é condição necessária, porém insuficiente, para que a maioria dos brasileiros se unam e se organizem para tomar a direção da História e assim promover as mudanças desejadas e urgentes.
Referências
AEPET. (2017). Editorial: Portas giratórias. Fonte: http://www.aepet.org.br/…/i…/948-editorial-portas-giratorias
AEPET. (2017). Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender seus ativos. Fonte: http://www.aepet.org.br/…/Existe-alternativa-para-reduzir-a…
AEPET. (2017). NTS: crônica de um prejuízo anunciado. Fonte: http://www.aepet.org.br/…/720-nts-cronica-de-um-prejuizo-an…
AEPET. (2017). Política de preços de Temer e Parente é “America First! ”. Fonte: https://felipecoutinho21.wordpress.com/…/politica-de-preco…/
AEPET. (2017). Voto AGO-AGE da Petrobras em 15/12/2017. Fonte: http://www.aepet.org.br/…/1151-desinvestimento-ja-causa-per…
Coutinho, F. (2017). A construção da ignorancia sobre a Petrobrás. Fonte:
https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/…/a-construcao…
Coutinho, F. (2017). A energia e o desenvolvimento soberano em 10 lições. Fonte: http://www.aepet.org.br/…/641-a-energia-e-o-desenvolvimento…
Coutinho, F. (2017). A energia é o meio e a Petrobras é a chave para o desenvolvimento soberano do Brasil. Fonte: Blog Ocupar a Petrobras: https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/…/a-energia-c3…
Coutinho, F. (2017). O fim do petróleo barato e do mundo que conhecemos. Fonte: https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/…/o-fim-do-pet…
Coutinho, F. (2017). Temer assume agenda das multinacionais do petróleo e desgraça o Brasil. Fonte: https://felipecoutinho21.wordpress.com/…/temer-assume-agen…/
Oliveira, C., & Coutinho, F. (2017). A principal meta da Petrobras, na gestão Parente, é temerária. Fonte: Blog Ocupar a Petrobras: https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/…/a-principal-…
Oliveira, C., & Coutinho, F. (2017). A realidade desafia a estratégia atual da Petrobras. Fonte: https://felipecoutinho21.wordpress.com/…/a-realidade-desaf…/
Oliveira, C., & Coutinho, F. (2017). O Mito da "Petrobras quebrada". Fonte: Blog Ocupar a Petrobras: https://felipecoutinho21.files.wordpress.com/…/o-mito-da-pe…
Petrobras. (2017). Pesquisa de ambiência de janeiro de 2017.
Rosário, M. d. (2017). Pesquisa Ibope confirma que impeachment foi golpe. Fonte: https://www.ocafezinho.com/…/pesquisa-ibope-confirma-que-i…/
(*) Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Blog: https://felipecoutinho21.wordpress.com/
Este artigo se encontra em http://www.aepet.org.br/…/1185-petrobras-2017-o-ano-em-que-…

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Feliz 2018, ano em que o bicho vai pegar

Por Bepe Damasco, em seu blog

2017 marcou a aceleração do roubo dos direitos do povo pela quadrilha que ocupa o governo da República e a entrega das riquezas estratégicas da nação aos capitalistas estrangeiros.

Contudo, o ano termina com os golpistas encurralados numa autêntica "sinuca de bico". É que a aliança mafiosa entre o capital, as instituições do Estado e o cartel da mídia, protagonista do planejamento e da execução da ruptura da ordem constitucional, fecha o ano fazendo água por todos os lados.

Nem o mais pessimista entre os articuladores do pacto de submundo que deu origem à farsa do impeachment poderia supor que o principal alvo da guerra contra a soberania popular e as políticas de inclusão social, à esta altura do campeonato, não só liderasse com folga as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais, como ampliasse seu espaço cativo no coração do povo.

Enquanto Lula é cada vez mais Lula, o juiz de piso Sérgio Moro, o inquisidor de Curitiba, despenca na aceitação da sociedade. Se é verdade que a mobilização popular contra a destruição do país se situa num patamar bem aquém do necessário para desalojar os verdugos da democracia hoje ou amanhã, também salta à vista a rejeição dos brasileiros e brasileiras às contrarreformas de Temer, cujo lugar na história como o governante mais odiado pelo povo está assegurado.

E, em que pese todo o aparato de que dispõe, o conservadorismo antidemocrático foi incapaz de parir um candidato com viabilidade eleitoral. Como disse em vídeo recente o bravo José Dirceu, por todas essas razões não há nenhum exagero em dizer que saímos vitoriosos em 2017. Qualquer dúvida é só comparar com o final de 2016, levando-se em conta onde estávamos e onde estamos. No entanto, o jogo decisivo será jogado mesmo é em 2018.

Lula encarna um país justo, inclusivo e sobreano. Defendê-lo é defender a democracia e o país que no qual viverão os nossos filhos e netos. O desafio é o maior das últimas décadas : ocupar Porto Alegre, pacífica e democraticamente, mas com coragem e determinação para enfrentar a reação fascista, e a partir daí apostar todas as fichas em um movimento crescente de massas capaz de levar Lula nos braços do povo de volta ao Planalto.

No ocaso de 2017, quero agradecer a todos e todas que me deram a honra da leitura ao longo do ano e desejar-lhes um 2018 repleto de conquistas e realizações.

O Brasil da casa grande e da senzala

 
(JB) - O Datafolha acaba de divulgar análise estatística multivariada sobre a base de dados da última pesquisa nacional de intenção de voto, com o objetivo de identificar nichos da população brasileira em que são observadas altas concentrações de eleitores dos dois principais candidatos à Presidência da República até o momento.   
 
Nenhuma grande surpresa.
 
Entre garotos brancos escolarizados de até 24 anos – com uma compreensível ignorância que advêm também da idade e uma enorme penetração nas redes sociais - Bolsonaro é majoritário.
 
Quando a idade sobe para mais de 33 anos – a idade de Cristo - o desempenho do ex-capitão cai e Lula ganha disparado entre os nordestinos de modo geral e entre mulheres mais velhas negras e de menor renda, que ainda não usam todos os recursos de seus celulares, mas têm título de eleitor e não dão bola para as redes sociais.
 
O eleitor de Bolsonaro é contraditório.
 
Conservador em itens como segurança e corrupção, defensor – “bandido bom é bandido morto” - do desempenho violento e genocida da polícia no combate – custe o que custar – aos crimes da “periferia” – onde, ironizando, diz que segundo os “direitos dos manos” só moram “santinhos” – e apoiador - no país em que a polícia mais mata no mundo - de que se armem os “homens de bem” contra “vagabundos”, ele não é, paradoxalmente,  contra a  descriminalização da maconha ou, a priori, do aborto.
 
As velhas senhoras de Lula são, poderíamos dizer, mais coerentes.
 
Elas sabem – sem necessitar conhecer precisamente os números - que o salário mínimo aumentou de 81 para quase 300 dólares depois que Lula foi eleito, que a renda per capita saiu de 2.810 dólares em 2002 para 10.183 dólares em 2015, e que a economia cresceu, também segundo o Banco Mundial,  praticamente 5 vezes, de 504 bilhões de dólares em 2002  para quase 2.4 trilhões de dólares em 2014.
 
Que o preço do gás – e da gasolina - ficou praticamente sob controle durante anos e que foram construídas no nordeste mais de um milhão de cisternas,  e, em todo o país, quase 3 milhões de casas populares.      
 
Lula desistiu de comprar um apartamento que hoje pertence à Caixa Econômica Federal.
 
Bolsonaro desistiu de receber doação de campanha de uma empresa investigada por corrupção, e estornou dinheiro ao partido, pegando com o partido uma quantia do mesmo valor.
 
Lula é acusado de beneficiar seus parentes.
 
O irmão de Bolsonaro, que recebia, segundo noticiado pelo SBT, mais de 17.000 reais como funcionário da ALESP - enquanto administrava uma rede de lojas de venda de móveis de sua propriedade no interior de São Paulo – foi demitido quando veio à tona o fato de que ele, apesar de receber esse montante, não estava comparecendo ao “trabalho”.
 
Lula é acusado por seus inimigos de dizer que “não sabia de nada”.
 
Bolsonaro negou ter conhecimento do “emprego” do irmão, dizendo a mesma coisa.
 
Para a “justissa” da República de Curitiba e os jovens eleitores do messiânico ex-capitão do Exército, Lula é um bandido condenado e Bolsonaro – que, assim como Lula, do nosso ponto de vista, não deveria ser incomodado pela “justissa” nem devido aos erros do irmão nem pelo financiamento de campanha – é paradigma de honestidade.
 
O primeiro corre o risco de ser proibido de ser candidato, enquanto o outro corre o risco de ser eleito presidente da República devido justamente à descarada, já anunciada,  interferência da “justissa” no processo político e eleitoral brasileiro, impedindo uma disputa direta por livre manifestação popular e que vá para o Palácio do Planalto aquele que tiver mais votos.
 
O estudo do Datafolha esclarece o porquê da diferença e o que está por trás de Lula estar na frente das pesquisas para a eleição presidencial do próximo ano.    
 
Quem é maioria entre os procuradores da Operação Lava Jato, com suas fotos posadas,  seus impecáveis penteados – na cabeça só gumex – e seus armanianos ternos?
 
Oh! Surpresa!
 
Na maioria dos casos, jovens brancos, de alta renda, preconceituosos, conservadores,  “escolarizados”, que passaram em concurso graças a cursinhos pagos pelos pais, ou, em certos casos, por moverem, com a ajuda deles,  ações, ou as senhoras de baixa renda que compõem, com outros segmentos menos favorecidos, a maioria da população brasileira?     
 
O que existe por trás da campanha jurídico-midiática contra Lula, em plena marcha no Brasil deste momento?
 
Sem querer ser simplista ou ignorar outros  fatores - no fundo, no fundo - é a mesma e velha luta de classes, senhores.
 
É o Brasil sendo o Brasil da Senzala e da Casa Grande.
 
Publicado em 26/12/2017