sábado, 2 de julho de 2016

Olívia Rangel: Valeu, Luiza!


   
A agressão de Lírio, segundo Luiza, começou no restaurante onde eles estavam jantando com amigos. Ao ser perguntado se o casal iria a uma exposição de fotos, Lírio se exaltou. Disse que não iria porque da última vez ele foi confundido com o ex-marido de Luiza, Armando.

Ao chegarem em casa, violência começou com ofensas verbais e xingamentos e evoluiu para um soco no olho, seguido de chutes. O espancamento deixou-a com ficou com quatro costelas quebradas.

O tema da violência doméstica tende a provocar fortes reações. A mais comum é a negação ou o deslocamento do problema para as camadas mais pobres da população. Negar a violência doméstica significa preservar a falsa imagem da família como um ninho de amor. Situá-la em segmentos de baixa renda equivale a isentar deste mal os residentes em domicílios de classes média e alta.

Isso não quer dizer que a violência não seja praticada. Significa apenas que ela não é denunciada ou que é pouco denunciada. A denuncia de Luiza evidencia que a violência doméstica também faz parte da vida dos mais privilegiados econômica e culturalmente. Mas violência entre os ricos, quase não sai nos jornais nem chega às delegacias.

Afinal, trata-se de preservar seu patrimônio e seu status. A fissura na imagem de coesão pode levar a fissuras no controle dos dominados. Daí a necessidade de "vender" uma imagem de alegria, unidade e tranqüilidade. Além disso, os ricos têm acesso a outras formas de resolver seus conflitos como pagar os advogados mais caros, contratar os melhores psicólogos, silenciar juízes. Fica tudo "en famille". Os menos afortunados não têm tanto a perder com o escândalo.

Apesar do medo e do constrangimento, sobretudo por parte das mulheres, não têm um patrimônio a defender nem um status social a preservar. Quando procuram a delegacia ou quando aceitam falar de suas mazelas estão buscando alívio para seus problemas.

A violência contra a mulher é uma manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens, que causaram a dominação da mulher pelo homem, a discriminação contra a mulher e a interposição de obstáculos contra seu pleno desenvolvimento. Trata-se de um dos dispositivos sociais estratégicos de manutenção da subordinação da mulher em relação ao homem.

Acobertada pela cumplicidade da sociedade e pela impunidade, a violência contra a mulher ainda é um fenômeno pouco visível. Os casos que chegam às delegacias são apenas a ponta do iceberg. Isso não é de surpreender, já que, além de vencer o medo e a barreira social da tolerância e do silêncio, a mulher que denuncia uma agressão ainda tem que enfrentar a parafernália jurídica brasileira, reconhecidamente machista.

O que vai a julgamento não é a coação física, o atentado a um direito básico do cidadão e sim o ajustamento da mulher e das famílias a uma moral sexual e a uma concepção dos bons costumes baseados em padrões estereotipados de comportamento. Se a avaliação da vítima mulher não condiz com as normas, a moral, os bons costumes, o veredito é de que a vítima é culpada. A vítima transforma-se em ré. Mesmo com as avanços coquistados, como a Lei Maria da Penha, é difícil tornar a problema público.

O silêncio é cúmplice da violência.A coragem de Luiza, ao ir à imprensa denunciar a agressão, contribuiu para trazer a público e questionar a questão em nossa sociedade. Ela dá voz às milhares de vítimas da violência contra a mulher em nossa sociedade. Valeu, Luiza! * Olívia Rangel é jornalista

Dilma: Mudar para pior, um desastre que não podemos admitir


Agência Brasil/Elza Fiuza
   
"O governo Temer, do vai e vem, está mostrando a que veio: enquanto extingue direitos de todos, distribui bondades a poucos", afirmou Dilma em sua página no Twitter, depois de alertar que "o Brasil tem o que temer".

Meirelles disse que nesta sexta (1º/7) que o ritmo de crescimento dos investimentos com saúde, educação e Previdência Social feitos por Dilma "inviabilizaram" um controle maior das despesas nas últimas décadas. "As despesas com educação e saúde são itens que, na prática, junto com Previdência, inviabilizaram um controle maior de despesas nas últimas décadas", disse.

A presidenta eleita classificou a declaração de Meirelles como "estapafúrdia" e enfatizou: "Ora, senhor Ministro, foram os gastos com educação e saúde que melhoraram a qualidade de vida da população".

"Ao contrário do que parece pensar o governo provisório, os gastos com saúde e educação no Brasil são ainda baixos. Para o Brasil se tornar um país e uma Nação desenvolvida, terá que investir muito mais em educação e saúde do que fez", reforçou Dilma.

"O ministro interino da Fazenda parece se orgulhar ao dizer que 'estamos mexendo na estrutura fiscal pela primeira vez, desde 1988'. Mudar para melhor é muito bom, mas mudar para pior, prejudicando toda a nação e o país, é um desastre que não se pode admitir", concluiu.


Do Portal Vermelho, Dayane Santos com informações de agências

Brexit 2 – sobre a saída da Grã-Bretanha da União Européia

http://rogeriocerqueiraleite.com.br/?p=14970

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Malwee reduz a jornada de trabalho e o salário pelo prazo de três meses


Texto do Jornalista Sergio Homrich.


Jaraguá do Sul - As trabalhadoras e trabalhadores da Malwee matriz, Malwee Malharia e LMG aprovaram a proposta de redução da jornada de trabalho e de salário, feita pela empresa. A votação secreta aconteceu na noite do dia 29 e durante o dia 30 de junho, nas três empresas do Grupo Malwee, e foi acompanhada pelos diretores do STIVestuário. No total, votaram 3.138 trabalhadores da Malwee Matriz e Malharia, sendo que 2.621 (83,53%) foram favoráveis à redução, outros 504 (16,06%) votaram contra - foram registrados ainda sete votos em branco (0,22%) e seis nulos (0,19%). Dos 654 votantes na empresa LMG, 452 (69,12%) foram favoráveis à proposta da empresa e 200 contrários (30,58%) - com um voto nulo e um em branco.

Pelo Acordo, a redução da jornada de trabalho ficou em 8% e de salário, em 4,77%, com vigência de três meses (julho a setembro) e possibilidade de prorrogação por mais três meses, caso a situação econômica não melhore. A medida será adotada tanto no setor de produção quanto no administrativo das empresas. A cada mês, as trabalhadoras e trabalhadoras deverão folgar dois dias com calendário pré-definido pela empresa, sendo que cada dia corresponde a 8h48min da jornada de trabalho e 5h15min do salário.

Antes da votação, o STIVestuário distribuiu Nota de Esclarecimento a todas as trabalhadoras e trabalhadores, manifestando extrema preocupação com a crise econômico-administrativa pela qual passa o Grupo Malwee. "O Sindicato tem como principal objetivo defender o emprego das trabalhadoras e trabalhadores o que, infelizmente, não tem conseguido até o momento, pois as demissões continuam acontecendo. Esta é mais uma tentativa de evitar novas demissões, embora não haja a garantia da estabilidade no emprego, por parte das empresas", advertiu o texto distribuído à categoria no portão da fábrica.

O presidente do STIVestuário, Gildo Antônio Alves, lembra que a proposta inicial da direção do Grupo Malwee era de que o desconto no salário fosse bem maior. "Após sucessivas negociações com a assessoria jurídica e o setor de RH do Grupo Malwee, o STIVestuário conseguiu reduzir esta perda salarial", disse. "Infelizmente, esse é o tipo de votação que o Sindicato não tem vontade de fazer, porque retira salário dos trabalhadores, mas temos a obrigação de negociar e acompanhar a votação. O trabalhador ficou bem à vontade para votar e optou, em ampla maioria, pela tentativa de manter os seus empregos, porque a situação não está fácil", resumiu Gildo Alves.

A quem serve o Banco Central?

Por Paulo Kliass, no site Carta Maior. Transcrito do blog do Miro.

Na segunda-feira, dia 27 de junho, o Banco Central divulgou a sua tradicional Nota à Imprensa versando sobre “Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro”. Uma vez por mês a instituição, que é oficialmente encarregada pela implementação da política monetária e pela regulação do sistema financeiro, vem a público oferecer as informações oficiais a respeito do comportamento desse importante setor de nossa economia.

Há todo um cerimonial envolvido nas diferentes ocasiões em que o órgão subordinado ao Ministério da Fazenda pretende anunciar algum tipo de decisão ou comunicado. Isso vale especialmente para as reuniões do Conselho de Política Monetária (Copom), quando a diretoria do BC decide a respeito do patamar da taxa oficial de juros, a Selic. O mesmo ocorre quando da divulgação da famosa Ata da Reunião desse mesmo encontro do Copom, em que se pretende indicar tendências futuras quanto à política monetária e no que se refere ao comportamento esperado da taxa.

Além disso, o BC tem por atribuição institucional o acompanhamento da evolução da situação das contas públicas do Brasil de uma forma ampla, mais abrangente do que faz o Tesouro Nacional. E assim também é sempre aguardada todo mês a sua Nota sobre Política Fiscal. O mesmo ocorre com a sistemática de monitoramento das contas que o País mantém com o resto do mundo, envolvendo o Balanço de Pagamentos, as Reservas Internacionais e o endividamento em moeda estrangeira. Assim, os interessados esperam pela Nota sobre Setor Externo.

BC: distante no discurso e na prática

Por outro lado, o BC divulga também um estudo mais detalhado a respeito do comportamento da evolução dos preços em nossa economia. Os analistas e estudiosos utilizam o Relatório Trimestral de Inflação como fonte importante de orientação a respeito do fenômeno que guarda uma história sempre muito tensa em nossa sociedade.

Todos esses documentos são apresentados em uma linguagem bastante distante do universo das pessoas ditas “normais”, ainda que sejam indivíduos bem formados e informados. Não apenas o “economês” - como também um novo idioma que se torna bastante apimentado pelo toque do “financês” e do “monetariês” - dificulta o acesso e compreensão daquilo que se pretende divulgar. O raciocínio utilizado também é claramente voltado para os profissionais que lidam com o sistema financeiro em seu cotidiano. Em tese, a transcrição desse código de difícil assimilação para a maioria da população deveria ser tarefa a cargo dos meios de comunicação. No entanto, os jornais e a imprensa em geral só fazem repetir os termos do linguajar dos comunicados em artigos e matérias mais breves. Mas todos permanecem igualmente inacessíveis, sempre repetindo a lógica e os argumentos do próprio financismo e da ortodoxia.

E assim, aqui retomo a pergunta que empresta o título do artigo: a quem serve o BC? Para tanto, recupero a nota a que me refiro no primeiro parágrafo, que pretende oferecer um panorama amplo da dinâmica do mercado financeiro. Dentre tantas informações, considero bastante simbólica a divulgação de informações relativas ao amplo conjunto de diferentes taxas de juros envolvidas nas operações de crédito.

Não se trata, portanto, de analisar mais uma vez aqui as razões que estariam na base da formulação do fundamento macroeconômico da política monetária, a SELIC. Já escrevi bastante a respeito dos equívocos embutidos na manutenção de nossa taxa oficial de juros na estratosfera por tantos anos seguidos e dos enormes prejuízos que tal opção tem causado para nossa economia e nossa população.

Escândalo do “spread” bancário

Um dos aspectos mais intrigantes a respeito de nosso sistema financeiro refere-se à impressionante capacidade das instituições privadas comandarem as decisões dos órgãos públicos em suas decisões estratégicas. O poder do financismo se revela com toda a sua força quando se observa a maneira pela qual se comporta a instituição pública federal que deveria, na verdade, regulamentar os bancos e seus assemelhados. Tal qual uma agência responsável pela regulação e pela fiscalização do setor, caberia ao BC zelar pela manutenção dos direitos de todos os demais setores de nossa sociedade, cada vez mais dependentes do verdadeiro oligopólio exercido pelo financismo na vida moderna.

O relatório sobre as operações de crédito do sistema traz à tona as informações relativas ao escandaloso nível de “spread” praticado pelos bancos - tanto os públicos quanto os privados. Esse conceito procura medir o diferencial entre a taxa de juros oferecida pelos bancos quando depositamos recursos em aplicações e aquela taxa cobrada pelas instituições quando recorremos a elas para alguma operação de crédito. É a chamada diferença entre a taxa de captação e a taxa de empréstimo.

Ora, como a estrutura do sistema bancário é ultra concentrada, não se pode cair no conto de carochinha de achar que as livres forças de mercado atuariam para encontrar a milagrosamente justa taxa de juros de equilíbrio. A plena satisfação dos interesses da oferta e da demanda? Não estamos diante de um mercado da batatinha, onde o preço abaixa no fim da feira e o consumidor eventualmente consegue preços mais interessantes caso se disponha a correr atrás das alternativas existentes. Não gostou das condições impostas pelo Itaú à tua conta corrente? Corra para o Bradesco, talvez você consiga algo mais favorável. Ou quem sabe o Santander? O Banco do Brasil? E a Caixa Econômica Federal? E no final você vai ficar com a triste sensação de que “tá tudo dominado!”

Estamos diante do típico caso de assimetria de poder no mercado e que se faz necessária a presença permanente do Estado como órgão regulador. Caso contrário, só resta mesmo reclamar ao bispo. Mas no caso brasileiro, também nesse quesito a administração pública faz cara de paisagem e opera em favor do capital. Vejamos alguns exemplos que devem fazer corar a maioria dos operadores financeiros de praças como Nova Iorque, Londres ou Tóquio. As informações referem-se ao mês de maio.

Taxas absurdas no cartão de crédito

O “spread” campeão entre campeões continua a ser aquele praticado nas operações de crédito rotativo do cartão de crédito. A média do sistema financeiro é de 471% ao ano. Uma loucura! O banco tem um custo de captação de recursos pouco superior à SELIC (14,25 %) e cobra esse absurdo do cliente pessoa física. Um ano antes, em maio de 2015, a SELIC estava um ponto mais baixa (13,25%). E os bancos já cobravam elevadíssimos 360%. A pergunta que não quer calar: qual foi o misterioso e intrincado fenômeno econômico que fez com que o BC fosse complacente com um aumento de 111% nos juros cobrados dos clientes quando a taxa de captação subiu apenas 1%? Não há nenhum ”risco de inadimplência” - como gostam de encher a boca para falar os defensores da banca - que justifique tal boca de jacaré.

A Tabela abaixo nos mostra que a prática espoliadora nas operações de cartão de crédito vem de muito tempo atrás, pelo menos desde quando essa estatística passou a ser coletada e divulgada oficialmente. Observem a enorme disparidade entre a taxa média cobrada pelos bancos e a SELIC.


Outra modalidade que chama atenção é a dos créditos consignados. Mais de 90% dos recursos desse tipo de operação estão dirigidos para clientes que são servidores públicos e aposentados/pensionistas do INSS. Isso significa que são empréstimos líquidos e seguros, sem nenhum risco de não se cumprir o pagamento. A administração pública se compromete a fazer o débito na conta do tomador do recurso, que tem estabilidade no emprego ou garantia do benefício até o fim da vida. E mesmo assim, a média das taxas cobradas pelos bancos é de 30% - ou seja, um ganho de mais de 100% em relação à SELIC. Quando olhamos para o crédito pessoal “normal”, a taxa anual se eleva para 130%.

Esse relatório exibe com todo o vigor a passividade da instituição ao longo dos anos. O escândalo do nível de “spread” praticado pela banca parece ser tratado como uma naturalidade e uma característica intrínseca à sociedade brasileira. Afinal, somos mesmo assim e tudo indica que aceitamos sem muita reação forte e organizada esse estado de coisas. Para não cometer injustiça, é preciso reconhecer que o BC chegou a pesquisar e divulgar oficialmente a prática do “spread” no sistema financeiro brasileiro. No entanto, as pressões devem ter sido muito fortes, pois as estatísticas foram coletadas apenas durante 2 anos, entre 1999 e 2001.

Ainda que houvesse uma enxurrada de críticas a respeito da forma benevolente ao sistema financeiro com que as informações eram apresentadas na página da instituição na internet, nem mesmo assim houve coragem das sucessivas diretorias para manter a série. Ela foi descontinuada e fica hoje disponível apenas como um registro parado no tempo.

BC: para os banqueiros ou para a sociedade?

Afinal, para quem serve o BC? A galeria dos antigos presidentes da instituição exibe com todo o orgulho um amplo conjunto de ex e atuais banqueiros no comando do banco. Alguns dentre eles são os casos de importantes quadros dirigentes de bancos privados, como Henrique Meirelles (Bank of Boston) e o atual Ilan Goldfajn (Itapu), que saíram de suas empresas para dirigir a autoridade que deveria controlá-los até então. Outros aproveitaram sua passagem pelo BC para se trampolinarem na atividade posterior de banqueiros, como é o caso de Gustavo Loyola, Persio Arida e Armínio Fraga.

O necessário processo de redemocratização e de refundação do Estado brasileiro deve começar pelo questionamento profundo e sincero do abuso de poder do financismo em nossa sociedade. Afinal, não há mais espaço no mundo contemporâneo para tal complacência frente a um processo de espoliação tão explícita. Precisamos de uma autoridade monetária a serviço da maioria da população, os usuários do sistema financeiro, que se constituem no elo mais fraco na relação com a banca. Alguém aí pensou em independência do Banco Central? A resposta até pode ser afirmativa, desde que ele se torne de uma vez por todas independente dos banqueiros!

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

Igualdade, desenvolvimento e luta sindical

Por Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do DIEESE.

A luta sindical tem o objetivo de transformar o mundo e criar as possibilidades para que haja justiça social e todos tenham melhores condições de vida. Com muito custo, houve avanços, mas, facilmente, haverá retrocessos. A distância é longa para ver esse sonho, essa utopia se tornar realidade. A caminhada é árdua e é preciso reunir forças com aliados dispostos a fazer as mesmas apostas.

Construir convergência é um desafio que requer agentes institucionais capazes de criar um referencial comum. Na América Latina, a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), vem atuando de maneira exemplar.

Nos últimos dias, lançou o documento Horizonte 2030 – A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável – que atualiza uma trilogia de estudos iniciada em 2010, com A hora da igualdade: brechas por fechar, caminhos por abrir, continuada depois, em 2012, com Mudança estrutural para a igualdade: uma visão integrada do desenvolvimento e, em 2014, comPactos para a igualdade: rumo a um futuro sustentável (todos disponíveis no endereço eletrônico: www.cepal.org/).

No documento mais recente, a Cepal faz uma nova abordagem do diagnóstico sobre os inúmeros entraves ao desenvolvimento no continente e analisa os limites e os desequilíbrios agravados pela recessão econômica internacional, pela desregulamentação do sistema financeiro, pelo aumento da desigualdade e pela destruição ambiental.

O documento, além de conter um preciso e profundo diagnóstico, traz dados e robusta análise explicativa. Avança na proposição de diretrizes para o fomento do desenvolvimento, com promoção da igualdade e do equilíbrio ambiental.

O texto também aprofunda os elementos para o estímulo à igualdade multidimensional, uma direção normativa para se alcançar. Para tal, propõe um processo de mudança estrutural progressiva que visa a gerar empregos de qualidade, produção econômica de baixo carbono, por meio de uma política macroeconômica para o desenvolvimento que seja capaz de articular ações de curto, médio e longo prazo.

Mobilizar as forças sociais para construir uma sociedade orientada para esse objetivo requer uma economia política capaz de ultrapassar as meras declarações, constituindo, em cada situação histórica, uma agenda capaz de mobilizar coalizões nacionais e internacionais com disposição para construir novas possibilidades de relação entre Estado, mercado e sociedade.

Diante dos graves desafios para sustentar e orientar o desenvolvimento, o documento da Cepal deve ser lido e debatido em profundidade. Seria bom que se tornasse um instrumento catalisador de força social que reage e é capaz de avançar. Trata-se de um referencial que aponta o sentido da luta, elemento essencial para dar significado para nossas ações, fortalecendo um campo de unidade de ação.

Henrique Meirelles era o todo-poderoso da Friboi no período investigado pela PF

Atual ministro da Fazenda de Temer assumiu, em 2012, o Conselho de Administração da J&F, holding que controla o grupo JBS/Friboi; empresa está sendo acusada de envolvimento no pagamento de propinas ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha
Por Redação / Revista Fórum
Na manhã desta sexta-feira (1), a Polícia Federal foi à sede da JBS, dona da Friboi, em São Paulo. A empresa é um dos alvos da ação que investiga um suposto recebimento de propina por parte do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, que teria sido beneficiado por 12 operações de grupos empresariais que obtiveram aportes milionários do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS).
Há suspeitas de que a JBS tenha pago propina, por meio do doleiro Lúcio Funaro, para obter apoio desse fundo. Uma das irregularidades relatadas na delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica, diz respeito à captação de recursos feita em 2012 pela Eldorado Brasil, empresa do grupo J&F, holding que controla o grupo JBS.
O que pouca gente lembra é que a companhia, durante o período investigado pela PF, contou com um nome de peso no comando dos negócios: a atual ministro da Fazenda de Michel Temer, Henrique Meirelles. O ex-presidente do Banco Central, desde março de 2012, está à frente do Conselho de Administração da J&F, a convite do empresário Joesley Batista. Segundo executivos que acompanharam o processo, o contrato previa uma remuneração anual de até R$ 40 milhões para o ministro.
Na ocasião, foi confiada a Meirelles a elaboração de estratégias para expansão da empresa dentro e fora do país. Além de investir em vultuosas campanhas publicitárias, ele também transformou a holding na maior patrocinadora de campanhas políticas do Brasil. Em 2014, o grupo foi responsável por doar R$ 366,8 milhões em patrocínio eleitoral, seguido da construtora Odebrecht, que doou R$ 111 milhões, e do Bradesco, com cerca de R$ 100 milhões.