https://youtu.be/qXZ3upLVBSI
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Lembram da “ferrovia sem grão” da Folha? Olhem que mico pagaram…
1 de julho de 2015 | 12:53 Autor: Fernando Britono Tijolaço.
Segundo a agência EFE, reproduzida pelo G1, “o Brasil assumirá a liderança das exportações mundiais do setor agrícola em 2024, consolidando assim os avanços que o setor registrou no país nos últimos anos, afirmaram nesta quarta-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento da Europa (OCDE) e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A continuação do crescimento da safra até 2024 será baseada na melhora da produtividade e da expansão das lavouras, destacaram as duas entidades em um capítulo dedicado ao Brasil no relatório anual de Perspectivas Agrícolas.”
Mas a renda do país com esta produção vai se manter estável ou até cair, segundo as mesmas previsões.
Uma das razões é boa: o aumento do consumo interno, o que representa melhores padrões alimentares para o brasileiro.
A outra, ruim: os baixos preços das commodities agrícolas no mercado mundial, um fenômeno histórico de dominação colonial, que sempre consistiu em comprar barato da colônia, enquanto a metrópole vendia caro seus manufaturados.
Curiosamente, porém, neste caso o país mais tecnologicamente desenvolvido do mundo, os EUA, tem interesses e “desinteresses” que nos podem afetar.
Porque os EUA vão perder justamente para nós a posição de maior produtor agrícola mundial.
Mas, ao contrário do que acontece conosco, eles não se desesperam por déficits comerciais, porque produzem o verde mais lucrativo do mundo, o dólar.
Como é o padrão de riqueza mundial e, calcula-se, dois terços da moeda emitida por lá circulam ou estão entesourados no exterior – e, portanto, não contam como expansão monetária – podem cobri-lo com emissões e endividamento que se torna mera contabilidade.
Exatamente como acontece com o petróleo, forçam o rebaixamento dos preços internacionais dos preços agrícolas.
Como faziam com o petróleo até os anos 70, quando a Opep pôs fim – parcial – à festa.
É fácil falar que os produtos agrícolas têm “baixo valor agregado”, deixando de considerar o que consomem de terra, água, sol (energia) e meio-ambiente. Se eles não abrem mão de dar subsídios à agricultura (cerca de US$ 13 bilhões) é porque sabem, há muito tempo, que comida é tão estratégica quanto energia e exércitos.
Aqui, uma elite burra e botocuda não entende porque o país deve investir em infraestrutura para a produção agrícola, que demanda insumos cada vez mais raros e caros como os que se listou antes e que, embora subam e desçam ao sabor de crises internacionais, têm uma tendência histórica de alta.
Como a baboseira da Folha contra o “faraônico” projeto de escoamento de grãos do Brasil Central.
E isso porque não se fez, até hoje, em nome das carências alimentares do planeta, uma “Opec”, Organização dos Países Exportadores de Comida.
A Onda: As serpentes da segunda noite estão nas ruas
Léa Maria Aarão Reis no site Carta Maior
Decidimos passar na frente da dupla Cantet-Padura a resenha do filme alemão A Onda, (de Dennis Gansel/ 2008), aguardando na fila de trabalho, para reforçar o coro de vozes de alerta para o perigo do ovo da serpente do nazifascismo chocado no Brasil. Ovo já estalado e transmutado nas serpentes que circulam pelas ruas – pelo menos nas ruas das nossas grandes metrópoles.
Na época do seu lançamento, Die Welle causou grande comoção na Alemanha. Nas dez primeiras semanas foi visto por mais de dois milhões de espectadores. O ensaio no qual foi inspirado, The third wave, é de autoria de um professor americano que relata um experimento realizado com seus alunos de nível médio, em uma escola de Palo Alto, na Califórnia, em 1967. Os fatos são reais.
Este trabalho do professor Ron Jones deu origem ao livro homônimo ao filme - The wave, de Morton Rhue – que se tornou leitura obrigatória no currículo das faculdades de ensino alemãs. O filme traz o assunto para o cenário alemão – poderia ser qualquer outro - , em uma adaptação livre, e para a época atual.
Ron Jones conta como um professor de ensino médio, ao decidir fazer sua experiência pedagógica, pode manipular e intoxicar os garotos com uma ideologia autocrática atraindo-os com símbolos, uniformes, saudações, espírito de corpo, pichações, roupas com slogans, provocações públicas e, com muita sutileza, despertando e estimulando preconceitos adormecidos em relação aos que não se sentem à vontade e se contrapõem para aderir ao seu movimento. Discriminando, agredindo - até fìsicamente - e insultando.
Em A Onda, o professor Rainer Wenger propõe esse perigoso exercício “unificador” aos meninos que não acreditavam na possibilidade de se repetir um regime totalitário na Alemanha de hoje. A participação dos alunos, terceira geração pós Segunda Guerra, é entusiasmada. Rainer começa o experimento para demonstrar como é fácil manipular as massas. O método adotado é simular um governo ditatorial representado por ele próprio. Os alunos, a população governada por ele.
O principal motivo do professor Wenger – assim como Jones na vida real – ao iniciar este processo foi se concentrar nos argumentos dos alunos que diziam não conseguir entender como tantos alemães foram coadjuvantes do nazismo. A obra mostra como ideologias nascidas da serpente podem estar acima de um povo que se cala. E, no final, acaba inocentado porque foi exposto à poderosa e hipnótica corrente mental.
A última sequência do filme, cuja narrativa todo o tempo é ágil e absorvente, com ritmo ajustado, mostra uma assembleia dos membros do movimento, afinal batizado de A Onda, convocada pelo professor no auditório da escola. Herr Wenger (como exigia ser chamado pela ‘população’ escolar) percebe que a experiência está fugindo do seu controle. Deseja esvaziá-la e terminá-la. Tarde demais. A história acaba em tragédia.
Outro cenário em um auditório – este, para dois mil alunos, lotado como o do professor Rainer: o da PUC/RS, em Porto Alegre, mês passado. O palco está montado para o Fórum da Liberdade*, é decorado com os logotipos dos patrocinadores oficiais do evento - Souza Cruz, Gerdau, Ipiranga e RBS (afiliada da Rede Globo) – e apresentam a atraente guatemalteca Gloria Alvarez, de 30 anos, filha de pai cubano e mãe descendente de húngaros.
Companheira ideológica da blogueira cubana Yoani Sánchez com quem realizou um périplo de trabalho pelas capitais da América Latina este ano ( palestras, seminários, apresentações variadas) subvencionadas ambas por grupos e instituições da direita radical dos EUA e de think thanks conservadores americanos, Alvarez é recebida com aplausos pelos meninos da PUC-RS também eles entusiasmados assim como os do professor Rainer. Começa pregando perigosas besteiras. Sempre aplaudida, às vezes de pé, por uma plateia que ela sabe bem, com seu talento e graça, inflamar por meio da tal corrente hipnótica.
Algumas das suas perniciosas abobrinhas:
“Não há minorias; a menor minoria é o indivíduo, e a ele o que melhor serve é a meritocracia”.
“É essa a verdade, meus queridos amigos do Brasil - todos somos egoístas. E isso é ruim? É bom? Não, é apenas a realidade.”
“Imaginem que, nesse auditório, alguns queiram o direito à educação, outros o direito à saúde, outros o direito à moradia. ... se eu dou a vocês a educação todos aqui vão pagar por isso; e vocês vão ser VIPs e eles, cidadãos de segunda categoria. Se eu dou a eles a saúde, todos neste auditório vão pagar pela saúde deles, e eles vão ser VIPs. Se eu dou a esses as moradias, vou ter que tirar de todos vocês para dar moradia a eles, e eles vão ser os VIPs. Isso não é justiça social; é desigualdade perante a lei.” Risos, muitos risos de aprovação e aplausos.
A sequência na PUC-RS poderia ser encaixada, com brilho, no filme A Onda onde a manipulação política é apresentada através da escola.
Aliás, a propósito da onda gaúcha lembramos um estudo produzido na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais que diz sobre o filme alemão: “O vazio de identidade com o qual a juventude sofre; o consumismo desenfreado presente na sociedade capitalista, a ausência de projetos coletivos e o desinteresse das pessoas, em geral, pela política, podem levar à alienação política e ao cultivo de lideranças autoritárias.”
Mas outras formas existem de produzir a tal poderosa corrente hipnótica que intoxica, aliena e entorpece. É a que estamos vivendo com exacerbo nesta hora do Brasil com a onda radical de lavagem de cérebros da nossa população por parte da mídia. Da velha mídia concentrada nas cinco famílias, mas em particular da mídia/globo monopolista agindo em cadeia nacional de televisão fechada e aberta, em jornais, rádios e revistas de ampla circulação.
A corrente se alimenta dos bonecos de pano enforcados de Lula e Dilma, na manifestação da Paulista. Da camiseta abjeta do cafajeste estampada com a mão do presidente Lula. Das ameaças de morte à deputada Maria do Rosário e da pichação diante da residência de Jô Soares. A temerária abordagem agressiva, na rua, a um pai petista com o bebê no colo. Os adesivos insultuosos. A provocação recente dos grupinhos ridículos – mas não inocentes -, no domingo da ciclovia paulista. A vulgaridade e a ignorância de um apresentador domingueiro barato, de TV. As duas agressões ao ex-ministro Mantega. As ironias e as caras-e-bocas das jornalistas que analisam (?!) movimentos políticos. A desinformação premeditada. A informação cuidadosamente manipulada. O jornalismo de esgoto.
Estes rebentos do regime ditatorial civil- militar, agora já adultos, este viveiro de serpentes brasileiras faz relembrar um poema que muitos acreditam, equivocadamente, ser de autoria de Brecht. Chama-se No caminho, com Maiakóvsky e é do niteroiense Eduardo Alves da Costa. Foi escrito em 1936, em plena Alemanha nazista.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Neste momento nós estamos na segunda noite.
Projeto de José Serra que promete entregar o PréSal começou em 2010
Transcrito do blog Economia & Política
Segundo telegrama do
WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse..a eleição de
2010. Não venceu, mas, como senador, está tentando cumprir a promessa de
doar a Petrobras para os americanos.
Com uma hora e 20 minutos de atraso, o plenário do Senado iniciou na terça-feira, 30, uma sessão temática para discutir o projeto de lei do Senado, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), sobre a participação da Petrobras na exploração do pré-sal. O projeto de Serra acaba com a obrigação de a Petrobras ser operadora única e de ter participação mínima de 30% na exploração do pré-sal.
O principal motivo da demora do encontro foi que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros senadores participaram na manhã de hoje de um café da manhã com o ex-presidente Lula.
Para debater o tema, foram convidados, entre outras personalidades, o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima; o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Jorge Marques de Toledo Camargo; o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida; e o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
Quem é Adriano Pires
A ANP, quando [no governo FHC/PSDB] era chefiada por David Zylbersztajn, genro de Fernando Henrique Cardoso, tinha em sua álta cúpula o senhor Adriano Pires, hoje o bam-bam-bam das "Organizações Globo" e do "Instituto Milenium" para assuntos de petróleo. Na eleição presidencial do ano passado, o candidato derrotado, Aécio Neves (PSDB), convidou Adriano Pires, ex-superintendente da ANP para coordenar seu programa de energia.
Haroldo Lima, ex-ANP, é agora ‘consultor’ da HRT
Diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por oito anos, Haroldo Lima agora é consultor da petroleira HRT, fundada em 2008 por ex-funcionários da Petrobrás. A empresa foi habilitada pela agência para participar do 11º leilão de petróleo em 2013.
A HRT tem 19,7% de participação de estrangeiros em seu capital social. Em julho de 2011, a empresa vendeu 45% de 21 blocos no rio Solimões para a anglo-russa TNK-BP. O contrato entre HRT e TNK prevê a opção de a segunda – na qual a British Petroleum possui 50% de participação - poder aumentar em 10% sua participação, ou seja, alcançaria 55% nos blocos na Amazônia. A proposta é o segundo item da pauta de votações do plenário do Senado na terça-feira à tarde. Antes disso, no entanto, os senadores têm que apreciar a Medida Provisória 670, que já passou pela Câmara, e concede reajuste escalonado por faixas da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.
Ciente que não tem votos para barrar a iniciativa de Serra, o Palácio do Planalto decidiu apoiar a proposta alternativa do líder do governo no Senado e ex-diretor da Petrobras, Delcídio Amaral (PT-MS), para que ao menos a estatal tenha preferência nos leilões do pré-sal.
Em 2010, quando José Serra foi candidato a presidência, a "Folha" publicou:

Com uma hora e 20 minutos de atraso, o plenário do Senado iniciou na terça-feira, 30, uma sessão temática para discutir o projeto de lei do Senado, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), sobre a participação da Petrobras na exploração do pré-sal. O projeto de Serra acaba com a obrigação de a Petrobras ser operadora única e de ter participação mínima de 30% na exploração do pré-sal.
O principal motivo da demora do encontro foi que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros senadores participaram na manhã de hoje de um café da manhã com o ex-presidente Lula.
Para debater o tema, foram convidados, entre outras personalidades, o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima; o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Jorge Marques de Toledo Camargo; o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida; e o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
Quem é Adriano Pires
A ANP, quando [no governo FHC/PSDB] era chefiada por David Zylbersztajn, genro de Fernando Henrique Cardoso, tinha em sua álta cúpula o senhor Adriano Pires, hoje o bam-bam-bam das "Organizações Globo" e do "Instituto Milenium" para assuntos de petróleo. Na eleição presidencial do ano passado, o candidato derrotado, Aécio Neves (PSDB), convidou Adriano Pires, ex-superintendente da ANP para coordenar seu programa de energia.
Haroldo Lima, ex-ANP, é agora ‘consultor’ da HRT
Diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por oito anos, Haroldo Lima agora é consultor da petroleira HRT, fundada em 2008 por ex-funcionários da Petrobrás. A empresa foi habilitada pela agência para participar do 11º leilão de petróleo em 2013.
A HRT tem 19,7% de participação de estrangeiros em seu capital social. Em julho de 2011, a empresa vendeu 45% de 21 blocos no rio Solimões para a anglo-russa TNK-BP. O contrato entre HRT e TNK prevê a opção de a segunda – na qual a British Petroleum possui 50% de participação - poder aumentar em 10% sua participação, ou seja, alcançaria 55% nos blocos na Amazônia. A proposta é o segundo item da pauta de votações do plenário do Senado na terça-feira à tarde. Antes disso, no entanto, os senadores têm que apreciar a Medida Provisória 670, que já passou pela Câmara, e concede reajuste escalonado por faixas da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.
Ciente que não tem votos para barrar a iniciativa de Serra, o Palácio do Planalto decidiu apoiar a proposta alternativa do líder do governo no Senado e ex-diretor da Petrobras, Delcídio Amaral (PT-MS), para que ao menos a estatal tenha preferência nos leilões do pré-sal.
Em 2010, quando José Serra foi candidato a presidência, a "Folha" publicou:

WIKILEAKS OS PAPÉIS BRASILEIROS
Petroleiras [estrangeiras] foram contra novas regras para pré-sal
Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse
Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo
Por JULIANA ROCHA, de BRASÍLIA e CATIA SEABRA, de SÃO PAULO [na "Folha de São Paulo")
"As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.
É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.
"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.
Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado [o modelo de concessão, implantado em 1997 por FHC/PSDB, muito mais dadivoso para as petroleiras estrangeiras].
"O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras", disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. "Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada."
Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. "Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor", disse.
SENSO DE URGÊNCIA
O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.
O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem "senso de urgência". Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: "Vocês vão e voltam".
A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio [que a repassou ao governo dos EUA em Washington, segundo revelado pelo Wikileaks].
Petroleiras [estrangeiras] foram contra novas regras para pré-sal
Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse
Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo
Por JULIANA ROCHA, de BRASÍLIA e CATIA SEABRA, de SÃO PAULO [na "Folha de São Paulo")
"As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.
É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.
"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.
Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado [o modelo de concessão, implantado em 1997 por FHC/PSDB, muito mais dadivoso para as petroleiras estrangeiras].
"O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras", disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. "Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada."
Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. "Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor", disse.
SENSO DE URGÊNCIA
O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.
O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem "senso de urgência". Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: "Vocês vão e voltam".
A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio [que a repassou ao governo dos EUA em Washington, segundo revelado pelo Wikileaks].
A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.
Desde 1997, quando [o PSDB/FHC] acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um "modelo de concessão" [muito festejado pelas petroleiras estrangeiras].
Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.
Com a descoberta [pela Petrobras] dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.
Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.
A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.
Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras [em vez da Chevron] como "operadora-chefe" também é relatado com preocupação.
O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam "turbinar" a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil [contrária à generosa doação à Chevron].
O consulado cita que o Brasil se tornará um "player" importante no mercado de energia internacional [e os EUA não desejam esse poder fora de suas empresas].
Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque "o PMDB precisa de uma companhia".
Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área [do pré-sal e] de influência brasileira."
Se voce não for assinante [da "Folha"], leia aqui no post de 2010: WikiLeaks mostra telegramas em que José Serra queria entregar Pré-Sal para os americanos
FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula" (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/06/projeto-de-jose-serra-psdb-que-promete.html#more). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].
Desde 1997, quando [o PSDB/FHC] acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um "modelo de concessão" [muito festejado pelas petroleiras estrangeiras].
Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.
Com a descoberta [pela Petrobras] dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.
Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.
A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.
Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras [em vez da Chevron] como "operadora-chefe" também é relatado com preocupação.
O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam "turbinar" a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil [contrária à generosa doação à Chevron].
O consulado cita que o Brasil se tornará um "player" importante no mercado de energia internacional [e os EUA não desejam esse poder fora de suas empresas].
Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque "o PMDB precisa de uma companhia".
Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área [do pré-sal e] de influência brasileira."
Se voce não for assinante [da "Folha"], leia aqui no post de 2010: WikiLeaks mostra telegramas em que José Serra queria entregar Pré-Sal para os americanos
FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula" (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/06/projeto-de-jose-serra-psdb-que-promete.html#more). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].
Fecha-se o cerco à Petrobras
"A fragilidade da base de sustentação do governo no Congresso coloca em risco a soberania nacional e o futuro da Petrobrás. Aproveitando-se do impacto da Operação Lava Jato na situação financeira da empresa, parlamentares notadamente defensores de empresas e interesses externos apresentam projetos de lei que alteram a Lei 13251/2010, que estabelece a Petrobrás como operadora única do pré-sal, com participação mínima de 30%. No Senado, tramita em regime de urgência projeto do senador José Serra (PSDB-SP). E na Câmara, dois projetos na mesma linha, dos deputados Jutahy Jr. (PSDB-BA) e Domingos Sávio (PSDB-MG).
Em contraposição a esses projetos oportunistas e entreguistas foi criada a "Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás", que reúne 199 deputados e 41 senadores. A AEPET tem participado ativamente das atividades da Frente, fornecendo subsídios técnicos e informações relevantes – como o documento “As 14 principais razões porque a Petrobrás dever ser a operadora única do pré-sal” (ler neste blog em http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2015/06/14-razoes-de-petrobras-ser-operadora.html ).
O presidente da AEPET, Felipe Coutinho, afirma que o açodamento da discussão no Congresso é uma clara tentativa de se impedir o debate democrátivo. Para ele, num momento em que a Petrobrás dá claros sinais de recuperação financeira e bate recorde sobre recorde de produção no pré-sal, não existe urgência em se discutir mudanças na Lei da Partilha.
“Os campos em operação e em desenvolvimento são suficientes para atender e desenvolver o mercado interno. Logo, não há urgência em se alterar a legislação que só seria válida para novos leilões. Essa pauta atende ao interesse das multinacionais do petróleo e do sistema financeiro”, afirma Coutinho.
O vice-presidente da Associação, Fernando Siqueira, que também faz parte do "Movimento em Defesa da Petrobrás" (Modepe), tem ido frequentemente à Brasília apresentar aos parlamentares as teses de defesa.
Embora o número de parlamentares da Frente seja grande, Siqueira mostra-se preocupado com defecções de última hora e alerta:
“É preciso atenção dioturna de todos aqueles que acreditam na capacidade da Petrobrás e nas imensas possibilidade que o pré-sal traz para o país”, conclui Siqueira.
Além de retirar a obrigatoriedade e o percentual mínimo da Petrobrás na operação do pré-sal, esses parlamentares também querem atingir a política de conteúdo nacional, importante instrumento de alavancagem da indústria brasileira, com enorme potencial de criação de empregos.
Junta-se ao oportunismo das propostas a visão imediatista que alguns políticos têm, como o governador do Rio de Janeiro, Luiz Carlos Pezão, que também passou a questionar a capacidade da Petrobrás como operadora única do pré-sal. Parece esquecer-se que o alto grau de crescimento do Estado nos últimos 10 anos é reflexo, em grande parte, dos desdobramentos da descoberta e exploração do pré-sal pela Petrobrás. "
FONTE: escrito por Alex Prado e publicado no "Jornal GGN" (http://jornalggn.com.br/blog/alex-prado/fecha-se-o-cerco-a-petrobras-por-alex-prado).
Assinar:
Postagens (Atom)