segunda-feira, 2 de março de 2015

Da necessária proteção aos manifestantes de 13 e 15 de março


Durante a semana o PSDB desistiu do impeachment como forma de desestabilizar o governo Dilma. Não enxergamos tudo e, certamente, nem todas as variáveis estão explícitas, mas o recuo está influenciado por uma série de fatores que tornaram essa derrubada institucional inviável. Poderíamos citar o posicionamento do PMDB pela estabilidade institucional em rede nacional, ou o que vem por aí na lista da Operação Lava Jato, ou a aprovação da CPI do HSBC ou o fracasso político do lockout dos caminhoneiros, que não logrou criar o clima de caos a que estava destinado, ou o posicionamento do PT de ir para as ruas, e há possivelmente mais que não sabemos.
O refluxo desse golpismo institucional e “por dentro” da lei não pode nos desmobilizar. A conjuntura é extremamente imprevisível e a agenda da instabilização do país parece ser parte da que atinge outros países não alinhados à hegemonia americana e provavelmente não se circunscreve mais, apenas, aos limites da política nacional.
O fato inicial dessa nova era de guerra não declarada é, a meu ver, a criação do Banco dos BRICs e a reunião no Brasil dos chefes de Estado da América Latina para aquilo que a história mostrará como o velório das instituições de Bretton Woods e a emergência de um mundo multipolar.
O PSDB é apenas uma peça do tabuleiro de xadrez brasileiro, em meio a diversos outros tabuleiros como o da Argentina, o da Venezuela, o de Cuba, ou o da Rússia/Ucrânia. Todos remetem à tentativa nessa crise de hegemonia de Restauração do poder americano. Instabilizam e geram situações de golpe em diversos países.
Vivemos, pois, um jogo de poder internacional acirrado ao nível de uma guerra. Essa verdadeira guerra pode assumir feições de guerra mesmo, como na Ucrânia, de retrocesso político como no Egito, de terra arrasada como na Líbia, ou de instabilidade política como no Brasil. Há muito em jogo e não podemos ser ingênuos.
Sem o PSDB promovendo o impeachment essas forças tentarão encontrar outros protagonistas para instabilizar o poder no Brasil. A força da democracia demonstrou aos nossos inimigos que não há espaços para um golpe institucional entre nós. Mas, naturalmente, não tendo conseguido fazer saltar o ferrolho institucional, a guerra poderia assumir outras feições.
A ameaça a segurança de Janot, a morte de Nisman na Argentina e o assassinato do principal opositor a Putin na Rússia são fatos desconexos ou refletem um mesmo modus operandi de uma força que age internacionalmente?
O que parece estar em andamento é uma nova guerra fria contra o mundo multipolar.
Aos especialistas em conflitos a reflexão sobre que aspectos da defesa nacional devem ser fortalecidos para estarmos à altura de defendermos a Soberania Nacional e a nossa própria existência como nação no mundo que se seguirá à fase atual, que se parece mais com os anos que antecederam a primeira guerra mundial, quando impérios centenários ruíram, do que aos anos 60 que pariram ditaduras em toda parte, como parte de um acerto geopolítico mundial.
Se analisarmos a sucessão de fatos dos últimos meses veremos que o que houve foi uma tentativa bem construída de criar um colapso institucional no Brasil onde o impeachment apareceria como a melhor alternativa. Tivemos direito a tudo: a propostas do mundo jurídico de aniquilamento da capacidade da engenharia pesada nacional, a uma greve de caminhoneiros no velho estilo Chile dos anos 70, ao rebaixamento da nota da Petrobrás (a única grande petrolífera que ainda deu lucro em 2014) e a um noticiário negativo sem tréguas.
Alguém detém essa agenda, a constrói e não conseguiu elevar a temperatura da política nacional aos níveis de ebulição necessários a fazer eclodir o golpe paraguaio? Penso que sim. É complexo demais para ser espontâneo.
Embora o insucesso do impeachment deva ser frustrante para o jogador de xadrez de rosto velado com quem a nação brasileira joga o seu futuro, ele deve dizer-se que o jogo não acabou. E nós temos que saber disto.
Na Ucrânia os fatos que precipitaram a queda do governo foram os massacres da praça Maydan. Ali, franco-atiradores nunca identificados, mataram policiais e manifestantes anti-russos com balas que a perícia depois provou serem as mesmas. Admite-se que os atentados se deveram a ação de neonazistas, mas em nome de quem? De quem era a agenda golpista na Ucrânia?
O jornal El País nos brindou, (advertência de boa fé? análise imprecisa? informação de boa fonte?), com a hipótese da guerra civil. Não é o nosso perfil. Matriz portuguesa, somos um país de sincretismos e recomposições. Mas o tabuleiro não é nosso. Há um terceiro de rosto coberto.
Diz o ditado que prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém...
Nas manifestações vindouras de 13 e 15 de março, os brasileiros que compartilham, apesar das divergências políticas profundas, uma só e mesma nacionalidade, podem estar sob o risco da ação do jogador de xadrez com quem jogamos o nosso futuro e a nossa sobrevivência e que mostrou o rosto na Ucrânia.
Não conhecemos essa quadra da história em que fomos projetados por sermos hoje um país que conta na formação do poder internacional, um papel novo para nós, mas é melhor não sermos ingênuos.
A presença das forças de segurança para proteger os manifestantes deve, conforme vejo, ser maciça e ostensiva tanto no dia 13 quando defenderemos o governo Dilma e a Petrobrás, quanto no dia 15, quando uma oposição sem o PSDB defenderá o Impeachment e o Fora Dilma.
Não sejamos bobos, talvez o Brasil deva estar armado até os dentes para assegurar que essas manifestações ocorram no clima de tranquilidade que é o da nossa melhor tradição.
Não sabemos até onde a coisa vai, mas, se considerarmos que o Procurador Geral da República foi desaconselhado a tomar voos comerciais...

Vídeos inéditos do evento histórico que lançou o movimento Aliança Pelo Brasil, Em defesa da Soberania Nacional


site de Hildegard Angel



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Eu não poderia deixar de brindar os cariocas e também todos os brasileiros, neste  450º Aniversário da Cidade do Rio de Janeiro, com um presente à altura da comemoração.
Dessa forma, estou postando aqui os vídeos inéditos de um acontecimento importante e pontual, reunindo várias entidades de forte expressão, com apoio da maioria das centrais sindicais, que há de ficar para a história das lutas soberanas do nosso país: o lançamento do Manifesto ALIANÇA PELO BRASIL – EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL – acontecido esta semana no Clube de Engenharia.
O objetivo é defender a Petrobrás, a Engenharia Nacional, as empresas de construção e os cerca de meio milhão de empregos gerados por elas contra a voracidade estrangeira, que, com apoio de uma mídia oportunista, aproveita-se de um momento de fragilidade (ou até cria/acentua essa fragilidade) para tomar de assalto o nosso setor de óleo e gás e a própria atividade empresarial.
O presidente do clube, Francis Bogossian, abriu o evento pedindo atenção ao momento “gravíssimo” que atravessa a Nação e a seus possíveis desdobramentos futuros, prevendo o risco da paralisação dos investimentos da Petrobrás para o emprego de 500 mil trabalhadores do ramo de engenharia. Para ilustrar, recorreu à imagem: “Não se pode punir os filhos pelos erros dos pais”, e lembrou que a Petrobrás responde por 10% do PIB e 80% dos investimentos do PAC, envolvendo, sobretudo, obras de infraestrutura.
Finalizando seu introito, propôs: “Para salvar bancos, criou-se no Brasil o Proer. Por que não criar um programa para a engenharia nacional, obviamente sem deixar de punir corruptos e corruptores?”.
Em seguida, falou o engenheiro José Carlos de Assis, coordenador do Movimento,  expondo sua Justificativa, que aqui está, inicialmente em texto, prosseguindo através da fala do próprio engenheiro Assis, no vídeo abaixo.
Justificativa do movimento: Coordenador José Carlos de Assis
Defesa da Petrobrás e das políticas centrais para o petróleo, principalmente o Pré-Sal:
  1. Garantia do Tesouro, através do BNDES, de assegurar os recursos necessários para as necessidades de caixa de curto prazo e para sustentar os programas de investimento em curso da Petrobrás (mais de 10% da economia brasileira) tendo em vista o objetivo de evitar perdas na paralisação de obras e investimentos, preservando-se a estrutura do emprego em torno da cadeia do petróleo;
  2. Comprometimento explícito do Governo com o modelo de operadora única no regime de partilha do Pré-Sal e com a política de conteúdo nacional de equipamentos, sempre tendo em vista a geração e preservação do emprego no Brasil;
  3. Comprometimento do Governo com a defesa da Engenharia Nacional, evitando a ruptura da cadeia de pagamentos e recebimentos por simples suspeitas de irregularidades na operação Lava Jata, colocando como condição fundamental o pagamento das folhas salariais na cadeia do petróleo e do setor público;
  4. Comprometimento do Governo com as políticas de mobilização dos recursos do pré-sal para educação e saúde públicas;



Abaixo, a série de apresentações começa com a de Reynaldo Barros, presidente do Crea-RJ, sucedido pelos demais anunciados pelo presidente da mesa.

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O Ex-ministro Roberto Amaral foi enfático: na sua avaliação já houve um golpe de Estado no País, que estaria sendo dirigido atualmente por um Congresso conservador (o presidente da Câmara) ancorado pela mídia, em detrimento do que o povo decidiu nas últimas eleições.
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O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe/UFRJ, lembrou que a Petrobrás foi alvo da espionagem dos Estados Unidos.
Petrobrás  presidente do CREA - Reynaldo Barros e Francis Bogossian
O presidente do Crea-RJ, Reynaldo Barros (na foto com Francis Bogossian) contabilizou em 30% do PIB a participação conjunta dos setores de óleo, gás e engenharia na economia nacional.
Petrobrás José Carlos Assis e Roberto Saturnino Braga
José Carlos de Assis e Roberto Saturnino Braga – Foi uma tônica nos discursos dos participantes a punição dos envolvidos nos episódios de corrupção na Petrobrás.
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Na primeira fila do auditório do Clube de Engenharia, o combativo engenheiro Ricardo Maranhão
 Fotos de Marcelo Borgongino
 Manifesto ALIANÇA PELO BRASIL – EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL
A Nação se defronta com um dos maiores desafios de sua história abalada que está por forças internas e externas que ameaçam os próprios alicerces de sua independência e de sua soberania. As investigações policiais em torno de ilícitos praticados contra a Petrobras por ex-funcionários corruptos e venais estão dando pretexto a ataques contra a própria empresa no sentido de transformá-la de vítima em culpada, assim como de fragilizá-la com o propósito evidente de torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização.
A Petrobras é a espinha dorsal do desenvolvimento brasileiro. A cadeia produtiva e comercial do petróleo e do setor naval, por ela liderada, representa mais de 10% do produto interno bruto, constituindo a principal âncora da indústria de bens de capital. É uma criadora e difusora de tecnologia, de investimentos e de produtividade que beneficiam toda a economia brasileira. Foi graças aos esforços tecnológicos da Petrobras que se descobriram, em 2006, as reservas do pré-sal, e é ainda graças a sua tecnologia original de produção que o Brasil já retira do pré-sal, em tempo recorde, cerca de 700 mil barris diários de petróleo, que brevemente alcançarão mais de 2 milhões, assegurando autossuficiência e a exportação de excedentes.
Deve-se à Petrobras a existência de uma cadeia produtiva anterior e superior do petróleo e da indústria naval, induzindo o desenvolvimento tecnológico da empresa privada brasileira, gerando emprego e renda que, no caso de empresas nacionais, significa resultados que aqui mesmo são investidos, desdobrando-se em outros ciclos de produção e consumo na economia.
Tudo isso está em risco. E é para enfrentar esse risco que o movimento social e político que estamos organizando conclama uma mobilização nacional em favor da Petrobras, instando o Governo da República a colocar todos os instrumentos de poder do Estado em sua defesa, de forma a mantê-la íntegra, forte e apta a continuar desempenhando o seu papel de líder do desenvolvimento nacional e a enfrentar, por outro lado, o desafio do seu enfraquecimento planejado por forças desnacionalizantes e privatistas internas e externas.
Ao lado da defesa da Petrobras vemos o imperativo de proteger a Engenharia Nacional, neste momento também ameaçada de fragmentação e de liquidação frente ao risco de uma desigual concorrência externa. Repelimos com veemência eventuais atos de corrupção ocorridos na relação entre empresas de engenharia fornecedoras da Petrobras, e seremos os primeiros a apoiar punições para os culpados, mas somos contra a imputação de culpa sem provas, e a extensão de culpa pessoal a pessoas jurídicas que constituem, também elas, centro de geração de centenas de milhares de empregos, de criação de tecnologia nacional e de amplas cadeias produtivas, e de exportação de serviços com reflexos positivos na balança comercial.
Todos que acompanham negociações internacionais conhecem as pressões que recaem sobre o Brasil e outros países em desenvolvimento no sentido de abertura de seu mercado de construção pesada a empresas estrangeiras. Somos inteiramente contrários a isso, em defesa do emprego, da renda e do equilíbrio do balanço de pagamentos. Se há irregularidade na relação entre as empresas de construção e a autoridade pública que sejam sanadas e evitadas. Mas a defesa da Engenharia Brasileira implica a preservação da empresa brasileira à margem de qualquer pretexto.
Não é coincidência os ataques à Petrobras, ao modelo de partilha da produção que a coloca   como operadora única do pré-sal, à política de conteúdo local, à aplicação exclusivamente na educação e na saúde públicas dos recursos do pré-sal legalmente destinados a esses setores,   à Engenharia Brasileira como braço executivo de grande parte de seus investimentos, e também ao BNDES, seu principal financiador interno, que tentam fragilizar rompendo sua relação com linhas de financiamento do Tesouro: tudo isso faz parte não propriamente de ataques ao governo mas de uma mesma agenda de desestruturação e privatização do Estado em sua função de proteger a economia nacional.
É nesses tópicos mutuamente integrados que concentramos a proposta de mobilização nacional que estamos subscrevendo, e que está aberta à subscrição de outras entidades e de todos os brasileiros que se preocupam com o destino de nossa economia e de nosso país. Estamos conscientes de que o êxito dessa mobilização dependerá da participação do maior número possível de entidades da sociedade civil, de partidos políticos e das cidadãs e cidadãos individualmente. E é da reunião de todos que resultará a afirmação da Aliança pelo Brasil em defesa da Petrobras, do Estado social-desenvolvimentista e de um destino nacional de prosperidade.

Como atender às justas exigências dos caminhoneiros?

José Augusto Valente no Carta Maior

  
Em entrevista que dei à Carta Maior (clique aqui), na semana passada (25/2), fiz questão de ressaltar que esse movimento de paralisações tem duas vertentes.

A primeira visa a reivindicar algumas questões que são importantes para os motoristas autônomos.

Porém, a segunda é uma movimentação visando a engrossar as manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma.

Concluí a entrevista propondo duas ações críticas para isolar o movimento golpista: sancionar o Projeto de Lei 4.246-D/2012, sem vetos, o mais rápido possível; e, imediatamente, iniciar uma negociação com os governadores para reduzir a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel e, com isso, compartilhar com eles esse problema, que não é apenas da esfera do governo federal.

O ministro Rossetto, em reunião com as lideranças formais dos caminhoneiros, propôs a assinatura do Projeto de Lei, sem vetos, desde que fossem suspensas as paralisações. Em relação ao preço do diesel, garantiu que o valor seria congelado por seis meses.

Essas medidas atenderam às reivindicações das legítimas lideranças dos caminhoneiros. Entretanto, como se imaginava, a parcela dos manifestantes, que querem apenas o impeachment da presidenta Dilma, não aceitou as bases do acordo e continua com as paralisações. Na verdade, trata-se de organizar piquetes em pontos estratégicos de grande volume de tráfego, promovendo cenários de caos. Com isso, as lideranças golpistas passam a idéia de que todos os autônomos querem as paralisações.

Entendo serem positivas as medidas adotadas pelo governo, mas insisto em que os governadores devem ser integrados a esse esforço para resolver o problema do diesel que afeta, de fato, todos os caminhoneiros. Para se ter idéia, vejamos a incidência do maior imposto sobre o preço do diesel, que é o ICMS, nos estados:

12% - Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo

17% - Pernambuco e Piauí

18% - Goiás

25% - Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Rondônia, Mato Grosso do Sul e demais estados

Portanto, se todas as alíquotas forem reduzidas para algo em torno de 10%, haverá um impacto significativo no preço do diesel, na maioria dos estados brasileiros. Para viabilizar a implementação dessa medida, o executivo federal pode utilizar compensações de investimentos em rodovias ou outras áreas.

Além disso, está prevista a entrada da taxa de Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que promoverá novo aumento nos combustíveis, em maio próximo, com uma alíquota de 0,17%. Não seria nenhum absurdo excluir ou reduzir a incidência da CIDE sobre o diesel para o transporte rodoviário de cargas, aumentando-a, levemente, nos demais combustíveis.

Com essas duas medidas, o preço final do diesel sofreria uma redução sensível promovendo ganhos para o transportador, especialmente para os autônomos.

Não há como reverter esse clima de insatisfação sem mexer no valor do diesel, que tem um peso muito grande nos custos operacionais dos caminhoneiros, gerando real insatisfação.

E isso explica uma tendência de manipulação de parcela do movimento para o “Fora Dilma”, único objetivo de duas ou três lideranças. Essa parcela está prometendo invadir Brasília, nesta segunda-feira (2/3), para construir um cenário de caos, de elevado valor para aqueles que fomentam o permanente desgaste do governo Dilma.

Urge reverter essa situação, indo no âmago da questão e compartilhando com os governadores a busca da solução da redução do preço final do diesel.
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José Augusto Valente - especialista em logística.



Lucía e Pepe, uma história de amor

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/lucia-e-pepe-uma-historia-de-amor/

domingo, 1 de março de 2015

Segurança social do brasileiro no começo do século 21


Marcio Pochmann na Rede Brasil Atual


A complexidade e emergência da questão social no Brasil neste começo do século 21 exigem um segundo movimento de constitucionalização do Estado em direção à maior eficiência e eficácia das políticas de segurança social. Para isso, a redefinição de ações que se voltem para a horizontalização das políticas de proteção (previdência, assistência e saúde), promoção (educação, cultura e trabalho) e infraestrutura (habitação, urbanismo e saneamento) social.
Nesse sentido, o imperativo da integração orçamentária e da interssetorialização das políticas públicas articuladas por ações matriciais no território para enfrentar, em novas bases, as mudanças socioeconômicas transmitidas pela transição para sociedade de serviços. No Brasil, isso significa que nas duas próximas décadas, a população tende, por exemplo, a alterar profundamente a composição etária, com o considerável envelhecimento dos brasileiros.
No ano de 2040, por exemplo, a população poderá ser menor do que a esperada para 2030, cuja dependência demográfica deverá aumentar mais diante da relativa diminuição da população jovem e a expansão do segmento de maior idade. Atualmente, menos de um quarto dos brasileiros tinha menos de 15 anos de idade, enquanto que em 1992 era mais de um terço da população total.
Todas essas profundas mudanças demográficas estão sendo acompanhadas por alteração não menos importantes na situação familiar, que a cada ano eleva a presença de famílias monoparentais, com chefiada das mulheres ou idosos. Assim, a decrescente capacidade dos novos arranjos familiares prover por meio de decisões individuais condições adequadas de vida, passa a exigir cada vez mais a redefinição do papel das políticas de atenção social.
Simultaneamente, sabe-se que o avanço da sociedade de serviços coloca na esfera do conhecimento a principal posição de ativo estratégico em termos de geração de renda e riqueza. Não obstante a melhora educacional dos últimos anos, o Brasil encontra-se ainda distante do necessário patamar de ensino-aprendizagem.
Na nova sociedade em construção, a conclusão do ensino superior deve ser tornar a base para o ingresso no mercado de trabalho, bem como a educação transforma-se na medida imprescindível para a vida toda. No Brasil de hoje, menos de 15% do segmento etário de 18 a 24 anos encontram-se matriculados no ensino superior e a partir do ingresso no mercado de trabalho, em geral, as possibilidades de continuar estudando pertencem fundamentalmente a poucos.
Para os 20% mais ricos, a escolaridade média supera os dez anos, enquanto os 20% mais pobres mal chegam aos cinco anos. Na condição de negro, nem isso ocorre.
A persistência da dispersão de objetivos e a fragmentação das políticas sociais impõem elevado custo-meio de operacionalização que poderia ser rebaixado sem maior comprometimento da efetividade e eficácia, ademais de inibir o clientelismo e paternalismo que terminam por obstruir a perspectiva necessária da emancipação social e econômica da população beneficiada.
Somente no âmbito das ações para crianças e adolescentes contabilizam-se, por exemplo, a existência de quase 110 programas dispersos em diversos ministérios na esfera federal, sem contabilizar ainda iniciativas semelhantes conduzidas por governos estaduais e municipais. Essa dispersão das ações sociais significa a fragmentação e sobreposição institucional que aumentam o custo-meio da operacionalização e compromete a eficácia e eficiência das políticas de segurança social.
Por outro lado, pode-se notar que as iniquidades ainda existentes no tratamento concedido pelo conjunto das políticas não se localizam somente na natureza do gasto social, mas fundamentalmente na forma do seu financiamento. A prevalência da regressividade na estrutura tributária que sustenta as políticas públicas no Brasil onera proporcionalmente mais os pobres do que os ricos.
Por isso, o financiamento das políticas sociais continua a potencializar o patamar da desigualdade que vem originária da distribuição primária da renda e riqueza. Mesmo não tendo registrado o mesmo desempenho observado nas economias centrais, o Brasil perseguiu uma trajetória recente de avanços nas políticas de segurança social desde a Revolução de Trinta e, sobretudo, após a Constituição Federal de 1988.
Apesar das especificidades de um país periférico, o país melhorou em várias medidas de atenção social, sem, contudo, ainda romper definitivamente com a natureza da exclusão social. Se o objetivo das políticas públicas for o enfrentamento da totalidade das vulnerabilidades da população, a ação governamental de médio e longo prazos exige não apenas e exclusivamente a ação setorial, mas, sobretudo e cada vez mais, a matricialidade das políticas de segurança social.
É nesse sentido que proposição da consolidação das leis sociais no Brasil assume importância estratégica. A necessária institucionalização dos mais recentes êxitos das políticas sociais permitiria evitar o constrangimento da descontinuidade temporal das políticas públicas, ao mesmo tempo em que possibilitaria modernizar e ampliar o alcance do aparelho de Estado em torno da racionalização de procedimentos e recursos.
Por fim, a obtenção da maior efetividade, eficiência e eficácia do conjunto das políticas públicas voltadas para a segurança social, especialmente quando a transição para a sociedade de serviços torna-se inexorável. Não obstante os históricos obstáculos e limites impostos ao avanço do sistema de bem estar social, o Brasil possui, atualmente, a inédita oportunidade política de consolidar o rumo de um novo desenvolvimento capaz de combinar melhora econômica com avanço social. Assim, as pazes com o futuro socialmente justo e economicamente sustentável tornam-se possíveis a partir de uma maioria política que assuma o protagonismo de conceber junto com o povo o que historicamente lhe foi negado: o bem-estar coletivo.
Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp

Ex-diretor da ANP denuncia golpe contra a maior petroleira do mundo

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qd8_KA_YvY4

Caminhoneiros: um sinal de alarme ignorado pela imprensa

Observatório da Imprensa - Código Aberto

Por Carlos Castilho em 25/02/2015

O governo de Salvador Allende começou a cair, em 1973, quando os caminhoneiros chilenos iniciaram uma greve reivindicatória que acabou se transformando num movimento político que colocou a classe média do país contra o primeiro presidente socialista eleito nas urnas.
Quem cobriu aquele protesto, ocorrido há 41 anos, inevitavelmente associa a greve chilena com a brasileira atual e sente um frio na espinha porque os desdobramentos apontam na direção de uma crise institucional de consequências imprevisíveis. Allende sabia que seu destino já estava traçado muito antes de um golpe militar do qual a maioria dos chilenos se arrepende até hoje.
A greve dos caminhoneiros paralisou o abastecimento da população e o funcionamento da indústria, estrangulando a jugular da economia do país. A imprensa chilena da época, radicalizada política e ideologicamente, cobriu apenas o factual do protesto, deixando de lado as causas e principalmente as consequências do movimento. A desconstrução do governo Allende deu origem a um golpe militar que se transformou num capítulo trágico na história do país.
Tanto em 1973, no Chile, como agora no Brasil o protesto dos caminhoneiros não tem uma estrutura sindical e nem um comando central visíveis. Ele assume a forma de uma guerrilha rodoviária onde há apenas indícios de um comando centralizado porque há coordenação dos bloqueios de estradas. Se tudo ficasse apenas nas mãos dos motoristas, o movimento não mostraria tanta eficiência.
Os principais jornais brasileiros até agora não foram mais fundo nas origens e estrutura do protesto, o que revela uma decisão editorial e política que tem inevitáveis desdobramentos. O principal deles é ampliação do clima de incerteza na população e nos segmentos empresariais. Uma incerteza que vem crescendo desde as eleições do ano passado e que pode chegar a um ponto crítico se a greve dos caminhoneiros provocar a falta de alimentos, combustíveis e produtos essenciais (como remédios, por exemplo) nas principais capitais brasileiras.
Isso aconteceu no Chile em 1973 e levou, na época, a população do país a um estado de perplexidade quase catatônica que neutralizou preventivamente qualquer tipo de resistência a uma ruptura institucional. Este tipo de alerta não está sendo veiculado pela imprensa, o que deixa o público sem uma noção exata dos riscos a que ele poderá estar sujeito. Um dos papéis-chave da imprensa em situações de pré-crise é fornecer à população elementos para que ela avalie como lidar com o um possível desabastecimento alimentar, com a paralisação dos transportes públicos e privados, e o aumento da insegurança pessoal.
O que estamos assistindo agora aqui no Brasil é um paulatino agravamento das tensões que geram irritação progressiva e perda de controle emocional e político. Protestos podem rapidamente degenerar em pancadaria, depredações e vítimas pessoais por conta do clima de polarização e radicalização de posicionamentos político-ideológicos.
Ao não tratar estes temas como uma preocupação pública, a imprensa está brincando com fogo. A omissão informativa pode ser coerente com a oposição ao governo Dilma Rousseff, mas qualquer analista político ou sociológico sabe que o risco de descontrole cresce na medida em que a governabilidade é transformada em arma na luta pelo poder.