sexta-feira, 8 de maio de 2020

“Admirável” mundo novo



                                                                                         
      *José Álvaro de Lima Cardoso

     A crise mundial atual é muito grave, pois combina: 1.crise econômica mundial inusitada; 2. Brasil vindo de três anos de estagnação, após dois anos de brutal recessão (2015/2016), situação muito piorada por um golpe de estado; 3.uma pandemia que já é a mais grave do último século; 4.crise política dramática. A crise econômica mundial, acelerada pelo Covid-19, é comparável à Grande Depressão de 1929 em termos de intensidade, com a diferença que a disseminação do impacto sobre a economia está ocorrendo muito mais rapidamente do que na década de 1930.
     A previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que o PIB da economia global cairá 3% em 2020. Para termos uma ideia do significado dessa previsão, a recessão ocorrida na crise de 2008, significou um recuo do PIB mundial de 0,1% em 2009, praticamente um crescimento nulo. Pode-se imaginar o que um recuo de 3% na economia significará para o emprego e para a renda dos mais pobres no mundo. Num dos cenários projetados pelo FMI, as medidas de combate à crise do coronavírus, poderão ser estendidas até 2021, evitando assim um colapso ainda maior da atividade econômica, caso se interrompa os cuidados com a doença, antes da hora adequada.
     O FMI prevê também uma queda de volume no comércio internacional de 11%, neste ano, com derrubada geral dos preços das commodities. Boa parte dessa queda está sendo puxada pelo petróleo, que, além de ter grande peso entre as commodities, sofreu uma queda brutal em suas cotações. No caso do barril WTI, referência para o mercado americano, tem apresentado inclusive cotação negativa. A previsão do Fundo é de uma queda no preço do petróleo de -42% em 2020, devido à baixa demanda global. É bom lembrar que o FMI apresenta este quadro a partir de uma série de variáveis verificadas no momento, isto é, a situação pode ser ainda pior, a depender da duração da pandemia.
     A economias avançadas liderarão a queda do PIB em 2020, com a contração da economia podendo chegar a 6,1%, segundo estimativas do FMI. O maior declínio está sendo esperado para a Área do Euro (-7,5%), em função da gravidade da pandemia na Itália e na Espanha, principalmente. O PIB deverá cair fortemente também no Reino Unido (-6,5%), EUA (-5,9%) e Japão (-5,2%). A situação é dramática: a Alemanha deverá apresentar neste ano a pior recessão do pós-segunda guerra mundial. O desemprego em abril aumentou 13,2%, a primeira vez no pós-guerra que a taxa de desemprego cresce durante o mês de abril. Este é o mês de início da primavera no Hemisfério Norte, período no qual tradicionalmente o mercado de trabalho amplia as vagas. Segundo informações do Ministério do Trabalho Alemão, o número de desempregados aumentou em um ano em 415 mil trabalhadores. O PIB alemão deve cair mais de 6% neste ano, o que afetará toda a economia da Zona do Euro, em função do peso da economia alemã.
     A crise atingiu o mundo todo, como vimos. Mas nos países subdesenvolvidos e atrasados a crise se propaga nas várias dimensões:   
1.choque sanitário decorrente de sistemas de saúde pública, destruídos ou inexistentes;  
2. choque econômico, com redução do mercado interno e colapso da demanda externa em função da recessão global;
3.deflação dramática dos preços das commodities
4. fortes depreciações cambiais. 
     A previsão do FMI para as economias subdesenvolvidas (que a instituição chama de emergentes) é de queda de 1% do PIB neste ano. Para o Brasil, no entanto, a previsão é de um recuo de -5,2%. Taxa semelhante à prevista pelo Banco Mundial para a variação do PIB do Brasil neste ano, de -5%. É possível que esse desempenho esperado do Brasil, abaixo da média latino-americana, esteja relacionado ao fato de que toda essa situação acontece no momento em que o Brasil possui o pior governo da história. O mais entreguista, antinacional e inimigo do povo que o Brasil sequer imaginou ter. Em função dessa combinação sinistra, que se pode qualificar de “tempestade perfeita”, há previsões abalizadas de o Brasil pode se tornar rapidamente o epicentro mundial da pandemia.
     A China, que tem sido o motor da economia mundial, tem previsão de crescimento do PIB de 1,2% para o ano. Se a previsão se concretizar, será o pior crescimento do PIB anual do país desde a recessão de 1976, há 44 anos atrás. Faço aqui um raciocínio elementar: se a China, que tem a economia mais dinâmica do mundo - e é um país que deu uma aula de como se enfrenta uma pandemia - teve o pior trimestre da história em termos econômicos, o que pode acontecer com o Brasil, que, além de vir de uma crise econômica prolongada, em termos relativos é o pior exemplo de enfrentamento da doença do mundo? 
                                                                                                 *Economista 06.05.20

sábado, 2 de maio de 2020

O essencial da Operação Lava Jato


                                                                                   
              José Álvaro de Lima Cardoso                                                                                       

     A exoneração recente de Sérgio Moro do governo Bolsonaro, principal nome da operação Lava Jato, oportuniza um resgate do verdadeiro sentido daquela operação. Na realidade, Moro foi o “chefe de fato” da operação, como ficou evidente pelos vazamentos trazidos nas reportagens da Vaza Jato em de 2019.  Desde o seu início, em março de 2014, já haviam indícios de que a operação Lava Jato tinha sido arquitetada fora do Brasil, possivelmente no Departamento de Estado norte-americano. A Lava Jato foi o grande instrumento do golpe arquitetado pelo imperialismo que, aliás, teve dimensão latino-americana, pois um conjunto de países na América Latina sofreram golpes de estado, com adaptações, claro, às realidades nacionais. Os golpes fazem parte de uma estratégia dos EUA para a região, visando a recuperação de um terreno político e econômico perdido, principalmente na primeira década dos anos 2000.
     Em 2014 já era evidente que o golpe se armava pela via da Petrobrás.  Mas não era fácil tentar denunciar que a Lava Jato era basicamente uma armação para desmontar a Petrobrás e tomar as riquezas reveladas pela descoberta da maior jazida de petróleo do milênio, o pré-sal. A força da operação Lava Jato, e o enraizamento daquelas ideias no meio da população, disseminada pela grande mídia em peso, já deixava evidente que havia alguém muito poderoso por trás do “Mussolini de Maringá” e seu grupo: era simplesmente a maior força da terra, o imperialismo norte-americano.
     Porque a Petrobrás foi o alvo central da operação? Basicamente porque:
 1.Se trata de petróleo: produto fundamental e maior causador de todos os conflitos bélicos nos últimos 100 ou 150 anos e sem substituto no curto prazo como fonte de energia e matéria-prima da indústria;  
2. Petrobrás não é uma empresa e sim uma nação amiga:  é a maior companhia da América Latina, produzia em 2013, 2,6 milhões de barris de petróleo diários, tinha uma força de trabalho de mais de 100 mil trabalhadores, operava em 25 países, tinha um lucro de R$ 23,6 bilhões e era a 13ª maior companhia de petróleo do mundo no ranking da revista Forbes. Era uma empresa (ainda é, não conseguiram destruí-la) maior do que a economia de muitos países do mundo. Como já falou alguém: "a Petrobrás é uma outra nação. Felizmente é uma nação amiga."
     Em função da descoberta do pré-sal em 2006, o governo Lula sancionou em 2010, a lei de Partilha, que visava uma retenção maior da renda petroleira por parte da nação brasileira. Por isso foi tão combatida pelas multinacionais do petróleo e seus aliados dentro do país. Pelo sistema de concessão, que defendem os que tentam derrubar a Lei de Partilha, as multinacionais ficam com 67% do valor do petróleo extraído, em óleo, e deixam no Brasil 10% do valor dele em royalties, pagos em dinheiro, além dos impostos. No sistema de Partilha as multinacionais do petróleo têm que dividir com o Brasil o petróleo retirado, além da Petrobrás ter a exclusividade na operação, o que evita roubos do petróleo retirado.
      Se o Brasil não fosse um pais subdesenvolvido e dependente, a extração de todo o petróleo brasileiro teria que ser um monopólio do Brasil, um monopólio da Petrobrás, a exploração não teria que ser aberta às multinacionais. Todo o subsolo deveria ter esse tipo de política. Mas as multinacionais não “suportaram” nem mesmo a moderada lei de Partilha.     
     Para termos uma ideia, para exploração do poço de Libra, leiloado em 2013, foi montado um consórcio com uma participação societária de 40% da Petrobrás. Segundo os especialistas no setor (especialmente a AEPET), se a Petrobrás não tivesse participação nesse consórcio, o Estado brasileiro arrecadaria R$ 246 bilhões a menos e as áreas de Educação e Saúde perderiam R$ 50 bilhões em royalties, conforme previa a Lei. Além disso, se a Petrobrás fosse contratada diretamente, tendo 100% de participação em Libra ao invés de abrir para leilão, o Estado brasileiro arrecadaria R$ 175 bilhões a mais.
     O que explica um país, que tem uma “nação amiga” como a Petrobrás, que é a maior especialista em exploração em águas profundas e ultra profundas do mundo, abrir negócios para empresas estrangeiras, em uma área na qual o país gastou bilhões de dólares (de dinheiro público) para explorar e mapear? O fato de ser um país subdesenvolvido, ter forças armadas fracas, e ser subserviente aos interesses imperialistas. Além de ter, é claro, uma burguesia extremamente entreguista e inimiga do povo.
     A estratégia dos EUA para a América Latina é impedir o surgimento de potências regionais, especialmente em áreas com abundância de recursos naturais, como é o caso do Brasil. O modelo dos norte-americano proposto para a região é o de países com Forças Armadas limitadas, incapazes de defender suas riquezas naturais, especialmente o petróleo. Só se consegue entender o caso da Venezuela, se compreender-se a estratégia do império estadunidense para a Região. Eles não suportam a Venezuela, porque há mais de dez anos, este país reaparelhou suas forças armadas e armou a população para aguentar uma invasão dos norte-americanos, se precisar. Os norte-americanos estão nesse momento, inclusive, cometendo mais um de seus crimes, que é cercar o pais militarmente, impedindo de chegar remédios e comida, em pleno processo de pandemia.
     A partir do anúncio do pré-sal pelo Brasil, em 2006, os EUA reativaram a 4ª Frota Naval, dedicada a policiar o Atlântico Sul e rejeitaram a resolução da ONU que garantia o direito brasileiro às 200 milhas continentais. A proposta dos americanos, e dos entreguistas, sempre foi tirar a Petrobrás do caminho e possibilitar às multinacionais do petróleo a apropriação dos bilionários recursos existentes no pré-sal que podem chegar a 300 bilhões de barris de petróleo.  Quando a Petrobrás anunciou o pré-sal, os críticos, bafejados pelas multinacionais do petróleo, diziam que o petróleo naquelas profundidades não teria viabilidade comercial. Chegaria tão caro na superfície, em função do custo de petróleo, que não teria viabilidade comercial. Hoje os custos de extração do barril do petróleo, do pré-sal, está a US$ 5, praticamente o custo da Arábia Saudita que explora petróleo praticamente à flor da terra.
     Os vazamentos seletivos da Lava Jato, sempre contra símbolos populares e tudo que significasse promoção do Brasil, somado a um trabalho da grande mídia, despertaram uma reação histérica da classe média, que já sido verificada em outros momentos, como no golpe que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Tal reação, de caráter extremamente preconceituoso e intolerante, desferida contra tudo que pudesse sugerir a soberania do Brasil, foi mais uma demonstração, sem maquiagem, do caráter entreguista da Lava Jato.  Algum dia ficará claro para a maioria da população que a Lava Jato não passou de uma estratégia do império para desmontar a Petrobrás e tomar os recursos do pré-sal.
                                                                                                                         Economista. 30.04.20

sexta-feira, 1 de maio de 2020

¿Habrá "paracaídas de oro" para Sérgio Moro?


                                                                    * José Álvaro de Lima Cardoso
     En su manifestación pública de despedida al gobierno, Sérgio Moro reveló una serie de conducta criminal e ilegalidad administrativa de su parte, como la prevaricación, por no haber comunicado oficialmente a Bolsonaro y PGR las supuestas interferencias de Bolsonaro en las actividades de la Policía Federal. También habría cometido un delito de secreto funcional, al permitir que Bolsonaro tenga acceso a la investigación policial en curso que involucra a uno de sus hijos. Otros juristas también señalan otros delitos o irregularidades. Pero la biografía de Moro muestra que los actos irregulares, "confesados" en ese discurso público, realizados involuntariamente y en el afán de salvar su propia piel, se encuentran entre los más inocentes que cometió, en su ominosa trayectoria como juez y ministro.
     Desde su inicio, en marzo de 2014, ya había evidencia de que la operación Lava Jato había sido diseñada fuera de Brasil, posiblemente en el Departamento de Estado de los Estados Unidos. En 2015, el historiador Moniz Bandeira publicó los vínculos del juez Sérgio Moro con las instituciones estadounidenses, a saber: en 2007, el entonces magistrado asistió a cursos en el Departamento de Estado. En 2008, pasó un mes en un programa de capacitación especial en Harvard, en la Facultad de Derecho. En octubre de 2009, participó en la conferencia regional sobre "Delitos financieros implícitos", promovida en Brasil por la Embajada de los Estados Unidos. Según el historiador (que murió en 2017), la elección, por parte de la revista estadounidense Time, de Sérgio Moro como uno de los diez hombres más influyentes del mundo no fue accidental. Se trataba de presentar a Sérgio Moro y Lava Jato como "intocables", además de mostrar la operación como algo fundamental para un Brasil "tomado por la corrupción".
     La operación Lava Jato esencialmente tenía como objetivo hacer que Petrobrás fuera inviable, que se jactaba del estado (como todavía lo es hoy) de una de las compañías de producción de energía más importantes del mundo. Según las revelaciones del sitio web de Wikileaks (hecho en 2013), el senador José Serra tuvo, en 2010, reuniones secretas con Patrícia Padral, directora de Chevron en Brasil, en las cuales, prometió que, si fuera elegido, revisaría el modelo de Compartir, recientemente aprobado en el Congreso Nacional, debido a los descubrimientos multimillonarios de la presal. No es mucho recordar que José Serra, así como varios políticos pro imperialistas, se salvaron todo el tiempo de las investigaciones de Lava Jato, a pesar de las diversas indicaciones de su participación en la corrupción relacionada con el caso. El 10.01.19, el tribunal suizo finalmente autorizó el envío de información bancaria a Brasil, material que llevó a los investigadores de ese país a concluir que hubo un pago total de R $ 10,8 millones de la empresa constructora en 2006, 2007 y 2009 por cuentas que beneficiaría a José Serra. Como este fue uno de los creadores del golpe de 2016 y la guerra contra la Petrobras pública, no pasó nada.
     Las multinacionales petroleras se enfrentaron directamente al modelo de Compartir, de ahí el apoyo a la conspiración de Lava Jato. Así, de una hora a la siguiente, aparece un juez de primera instancia, con una gran cantidad de información sobre Petrobras, con todo el apoyo y una amplia cobertura mediática. Hubo varios indicios de que los miembros de Lava Jato tenían un poderoso apoyo detrás de ellos. Tenían un sofisticado esquema de comunicación a su disposición, con asesoramiento especializado y amplio apoyo de los principales medios de comunicación, haciéndose eco de sus alegaciones de corrupción. Quejas siempre selectivas, con el objetivo de llegar a políticos vinculados a la izquierda, como en 2019 fue demostrado por los vergonzosos diálogos de los miembros de la operación, publicados por The Intercept Brasil, en el llamado Vaza Jato. El hecho es que, dado el esquema mediático, en 2014/15 fue casi imposible denunciar los crímenes de Lava Jato. El país se sumergió en una especie de hipnosis colectiva, de la que pocos se salvaron.
     Las filtraciones selectivas de Lava Jato, siempre en contra de los símbolos populares y todo lo que significó la promoción de Brasil, sumado al trabajo de los principales medios de comunicación, despertaron una reacción histérica de la clase media, que ya se ha verificado en otras ocasiones, como el golpe de estado que condujo al suicidio.por Getúlio Vargas, en 1954. Tal reacción, de carácter extremadamente prejuicioso e intolerante, contra todo lo que pueda sugerir la soberanía de Brasil, fue otra demostración, sin maquillaje, del carácter de entrega de Lava Jato. Lava Jato provocó enojo por las estrategias nacionales de desarrollo, las políticas nacionales de contenido y el uso de recursos pre-sal para salud y educación. Era claramente una operación contra la soberanía de Brasil, un hecho que la historia se volverá cada vez más cristalina.
     Para aquellos que prestan atención a este tipo de señales, desde el comienzo de la operación, los indicadores de que los objetivos centrales de Lava Jato eran romper Petrobrás fueron muy fuertes, allanando el camino para cambiar la Ley de Compartir y cerrar mercados para la empresa: a) Wikileaks informa que los estadounidenses estaban preocupados por el crecimiento de Odebrecht; b) gran contradicción de las multinacionales con la Ley de Compartir; c) financiamiento por parte de los multimillonarios petroleros, Irmãos Kock, de los movimientos de derecha en Brasil que intentaron desestabilizar al gobierno (como el grupo de extrema derecha, Movimento Brasil Livre); d) visita del Fiscal General de la República, Rodrigo Janot, a los EE. UU., con un equipo de abogados para recopilar información que sirva de munición para iniciar demandas contra Petrobras.
     Las denuncias de Vaza Jato en 2019, que desde el punto de vista legal no dieron lugar a nada, muestran que la evidencia era completamente cierta. Los diálogos revelados entre Sérgio Moro y Deltan Dalagnol son un rosario de confesiones de crímenes cometidos contra Brasil en todos estos años. Además de abrir la obvia participación central de los Estados Unidos en el golpe de estado en Brasil. La prueba del desempeño de los Estados Unidos y su interés en el golpe son dimensiones fundamentales para comprender el torbellino de eventos que ocurrieron en Brasil en los últimos ocho o nueve años. Sin el conocimiento y la concatenación de estos hechos complejos, hoy es muy difícil entender a Brasil. Al igual que en 1954, 1964, y en otros golpes de estado contra el pueblo brasileño, entre los principales grupos de interés en el cupé de 2016, el principal es el del Imperio.
      En 2017, el ciberactivista Julian Assange reveló que el espionaje realizado por la NSA (Agencia de Seguridad Nacional de EE. UU.), El Presidente de la República, otros miembros del gobierno brasileño y Petrobras, fueron directamente relacionado con intereses políticos y económicos, especialmente los del petróleo. Según el mencionado historiador Moniz Bandeira, toda la estrategia del golpe de 2016 se inspiró en el manual del profesor Gene Sharp, titulado "De la dictadura a la democracia", para capacitar agitadores, activistas, en universidades estadounidenses e incluso en las embajadas de los Estados Unidos Este país, para permanecer en el poder, depende cada vez más de los recursos naturales de América Latina y, por esta razón, no quiere perder el control político y económico de la región. La estrategia norteamericana tiene un carácter subcontinental, prácticamente todos los países de América del Sur sufrieron golpes de estado, adaptados a cada realidad social y política. Pero los golpes de estado aplicados en Honduras (2009) y Paraguay (2012) siguieron metodologías bastante similares a las utilizadas en Brasil (2016). Estos fueron ataques llevados a cabo sin la participación abierta de las fuerzas armadas (que actuaron detrás de escena), utilizando los principales medios de comunicación, parte del poder judicial y los políticos de oposición para sacramentar el proceso.
     Durante los gobiernos de Lula y Dilma, Brasil tomó iniciativas que desagradaron al Imperio: acercarse a los vecinos sudamericanos, fortalecer el Mercosur, unirse a los BRICS, votar sobre la Ley de Compartir, un proyecto de fabricación de submarinos nucleares en asociación con Francia, etc. La rendición y la voracidad con la que los gobiernos posteriores al golpe de estado de 2016 comenzaron a disponer de los activos de Petrobras fue un síntoma muy fuerte de que el petróleo fue la principal motivación económica del golpe. Pero el interés de los EE. UU. En el golpe, como se notó después de la toma del poder por el golpe, también está relacionado con las reservas de agua en la región, los minerales, toda la biodiversidad del Amazonas y las posiciones estratégicas desde el punto de vista militar (como hemos visto, Bolsonaro se apresuró a entregar la base de Alcântara).
     Una potencia en América del Sur y vinculada comercial y militarmente a China y Rusia es todo lo que Estados Unidos no quiere. Es por eso que promovieron un proceso de golpe arriesgado en Brasil, que hasta ahora aún no se ha "establecido". No es coincidencia, entre las docenas de acciones destructivas de los golpistas, una de las primeras fue arrestar al almirante Othon da Silva, coordinador del proyecto nuclear en Brasil, y apuntar al proyecto de construcción del submarino de propulsión nuclear, que es esencial para la seguridad llamado el Amazonas azul. El almirante Othon, de acuerdo con expertos en el tema, diseñó el programa submarino nuclear brasileño y fue el principal responsable de lograr la independencia en la tecnología del ciclo del combustible, lo que colocó a Brasil en una posición destacada en el asunto, en todo el mundo. El militar, que recibió todos los honores posibles de las fuerzas armadas brasileñas, es considerado un patriota y un héroe brasileño. La historia nos aclarará mucho, porque los eventos son muy recientes y muchos detalles aún serán aclarados.
     Brasil, con el liderazgo y la experiencia del vicealmirante, había estado desarrollando un programa nuclear muy exitoso con tecnología de punta, y esto molestó al imperialismo estadounidense, que no admite que otros países dominen este tipo de tecnología, especialmente en el continente americano. Los estadounidenses trataron de interferir, conocer los detalles, y Brasil se negó a transmitir información sobre la tecnología utilizada. Según muchos indicios, el programa nuclear brasileño fue espiado por los estadounidenses, que esperaron el mejor momento para que su continuidad fuera inviable.
    Pero está claro que no fueron los ineptos fiscales golpistas, o un juez mediocre de primera instancia, ambos grupos en busca de fama y dinero, como lo mostraron las quejas de Vaza Jato, lo único que destruyó el sector nacional de ingeniería y colocó al almirante Othon en la cárcel. Así como no fueron los operadores visibles de Lava Jato quienes los metieron en la cárcel, cometiendo las mayores atrocidades legales, algunos de los capitalistas más grandes del país, dueños de compañías que invirtieron en todos los continentes. Solo hay un poder que está por encima de eso, que es el imperialismo estadounidense. La capacidad de articular intereses, financiamiento y técnicas proporcionadas por el imperialismo fueron esenciales para el éxito del golpe.
     Sérgio Moro, que está empezando a desmoralizarse por el incesante yugo de los acontecimientos, ahora está intercambiando disparos con Bolsonaro, uno de sus amigos en el golpe de 2016 y el gigantesco fraude electoral de 2018. Ahora que el avión de Moro amenaza caer, el Imperio le otorgará un paracaídas de oro por los servicios que presta, ¿o su criado lo verá chocar?
                                                                                         *Economista.


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Haverá “paraquedas dourado” para Sérgio Moro?


            *José Álvaro de Lima Cardoso
     Em sua manifestação pública de despedida do governo, Sérgio Moro, revelou uma série de condutas criminais e ilicitudes administrativas de sua parte, como prevaricação, por não ter comunicado de ofício e imediatamente à PGR as alegadas interferências de Bolsonaro em atividades da Polícia Federal. Teria também cometido crime de sigilo funcional, ao permitir o acesso de Bolsonaro ao inquérito policial em andamento envolvendo um de seus filhos. Outros crimes ou ilicitudes são também apontados por vários juristas. Mas a biografia de Moro mostra que os atos irregulares, “confessados” naquela fala pública, feita de forma involuntária e no afã de salvar a própria pele, estão entre os mais inocentes que cometeu, na sua nefasta trajetória de juiz e ministro.   
     Desde o seu início, em março de 2014, já haviam indícios de que a operação Lava Jato tinha sido arquitetada fora do Brasil, possivelmente no Departamento de Estado norte-americano. Em 2015 o historiador Moniz Bandeira publicou os vínculos do juiz Sérgio Moro com instituições norte-americanas, a saber: em 2007 o então magistrado frequentou cursos no Departamento de Estado. Em 2008, passou um mês num programa especial de treinamento em Harvard, na Escola de Direito. Em outubro de 2009, participou da conferência regional sobre “Ilicit Financial Crimes”, promovida no Brasil pela Embaixada dos Estados Unidos. Segundo o historiador (falecido em 2017), não foi casual a eleição, pela revista norte-americana, Time, de Sérgio Moro como um dos dez homens mais influentes do mundo. Tratava-se de apresentar Sérgio Moro, e a Lava Jato, como “intocáveis”, além de mostrar a operação como algo fundamental para um Brasil “tomado pela corrupção”.    
     A Operação Lava Jato visou essencialmente a inviabilização da Petrobrás, que ostentava a condição (como até hoje) de uma das mais importantes empresas de produção de energia do mundo. Segundo revelações do site Wikileaks (feitas em 2013), o senador José Serra teve, em 2010, encontros secretos com Patrícia Padral, diretora da Chevron no Brasil, nos quais, prometeu que, se eleito, reveria o modelo de Partilha, recém aprovado no Congresso Nacional, em decorrência das bilionárias descobertas do pré-sal. Não é demais lembrar que José Serra, assim como vários políticos pró-imperialistas, foram poupados o tempo todo das investigações da Lava Jato, não obstante os vários indícios de seu envolvimento com corrupção ligada ao caso. Em 10.01.19 a Justiça da Suíça finalmente autorizou o envio de informações bancárias ao Brasil, material que levou os investigadores daquele país a concluir que houve um pagamento total de R$ 10,8 milhões da construtora em 2006, 2007 e 2009 para contas que beneficiariam José Serra. Como este foi um dos artífices do golpe de 2016, e da guerra contra a Petrobrás pública, simplesmente nada aconteceu.
     As multinacionais do petróleo eram frontalmente contra o modelo de Partilha, daí o apoio à conspiração da Lava Jato. Sem mais nem menos, de uma hora para outra, aparece um juiz de primeira instância, com um volume enorme de informações sobre a Petrobrás, contando com o apoio total e ampla cobertura da mídia. Havia vários indicativos de que os membros da Lava Jato tinham poderoso apoio em sua retaguarda. Possuíam à disposição um esquema sofisticado de comunicação, com assessorias especializadas e amplo apoio da grande mídia, ecoando com força as suas denúncias de corrupção. Denúncias sempre seletivas, visando atingir políticos ligados à esquerda, como em 2019 ficou comprovado pelos vergonhosos diálogos dos membros da operação, divulgados pelo The Intercept Brasil, na chamada Vaza Jato. O fato é que, dado o esquema midiático, em 2014/15 era quase impossível denunciar os crimes da Lava Jato. O país mergulhou numa espécie de hipnose coletiva, da qual poucos se salvaram. 
     Os vazamentos seletivos da Lava Jato, sempre contra símbolos populares e tudo que significasse promoção do Brasil, somado a um trabalho da grande mídia, despertaram uma reação histérica da classe média, que já sido verificada em outros momentos, como no golpe que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Tal reação, de caráter extremamente preconceituoso e intolerante, desferida contra tudo que pudesse sugerir a soberania do Brasil, foi mais uma demonstração, sem maquiagem, do caráter entreguista da Lava Jato. A Lava Jato despertou a ira contra estratégias de desenvolvimento nacional, políticas de conteúdo nacional, e utilização dos recursos do pré-sal para saúde e educação. Foi claramente uma operação contra a soberania do Brasil, fato que a história tornará cada vez mais cristalino.
     Para quem presta atenção nesse tipo de sinais[1], desde o início da operação eram muito fortes os indicadores de que os objetivos centrais da Lava Jato eram de quebrar a Petrobrás, abrindo caminho para mudar a lei de Partilha e fechar mercados  para a empresa: a) denúncias do Wikileaks de que os norte-americanos estavam preocupados com o crescimento da Odebrecht; b) grande contrariedade das multinacionais com a Lei de Partilha; c) financiamento, por parte dos bilionários do petróleo, Irmãos Kock, dos movimentos de direita no Brasil que tentavam desestabilizar o governo (como o agrupamento de extrema direita, Movimento Brasil Livre); d) visita do procurador Geral da República, Rodrigo Janot, aos EUA, com equipe de procuradores para coletar informações que serviriam de munição para abrir processos contra a Petrobrás.
     As denúncias da Vaza Jato em 2019 - que do ponto de vista jurídico não resultaram em nada - mostram que os indícios eram plenamente verdadeiros. Os diálogos revelados entre Sérgio Moro e Deltan Dalagnol são um rosário de confissões de crimes cometidos contra o Brasil em todos esses anos. Além de escancarar o óbvio envolvimento central dos EUA no golpe de Estado no Brasil. A comprovação da atuação, e interesse, dos EUA no golpe são dimensões fundamentais da compreensão do turbilhão de acontecimentos ocorridos no Brasil nos últimos oito ou nove anos. Sem o conhecimento e a concatenação desses complexos fatos, é muito difícil entender o Brasil dos dias atuais. Assim como ocorreu em 1954, 1964, e em outros golpes contra o povo brasileiro, entre os principais grupos de interesses no golpe de 2016 o principal é o do Império.
      Em 2017 o ciberativista Julian Assange, revelou que as espionagens feitas pela NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), à presidenta da República, outros membros do governo brasileiro, e à Petrobrás, estavam relacionadas diretamente a interesses políticos e econômicos, especialmente os do petróleo. Segundo o já citado historiador Moniz Bandeira, toda a estratégia do golpe de 2016 inspirou-se no manual do professor Gene Sharp, intitulado “Da Ditadura à Democracia”, para treinamento de agitadores, ativistas, em universidades americanas e até mesmo nas embaixadas dos Estados Unidos. Este país, para continuar na condição de potência, depende crescentemente dos recursos naturais da América Latina e, por esta razão, não quer perder o controle político e econômico da região. A estratégia norte-americana tem caráter subcontinental, praticamente todos os países da América do Sul sofreram golpes, adaptados a cada realidade social e política. Mas os golpes de Estado aplicados em Honduras (2009) e Paraguai (2012) seguiram metodologias bastante semelhantes à utilizada no Brasil (2016). Foram ataques desferidos sem participação aberta das forças armadas (que atuaram nos bastidores), utilizando os grandes meios de comunicação, parcela do judiciário e políticos da oposição para sacramentar o processo.
     Durante os governos Lula e Dilma, o Brasil tomou iniciativas que desagradaram ao Império: aproximação com os vizinhos sul-americanos, fortalecimento do Mercosul, ingresso no BRICS, votação da Lei de Partilha, projeto de fabricação de submarino nuclear em parceria com a França, etc. O entreguismo e a voracidade com que os governos pós-golpe de 2016 começaram a se desfazer dos ativos da Petrobrás, foi um sintoma muito forte que o petróleo era a principal motivação econômica do golpe. Mas o interesse dos EUA no golpe, como se percebeu em seguida à tomada de poder pelos golpistas, está relacionado também às reservas de água existentes na região, aos minerais, toda a biodiversidade da Amazônia, e a posições estratégicas do ponto de vista militar (como vimos, Bolsonaro apressou-se em entregar base de Alcântara).
     Uma potência na América do Sul e ligada comercial e militarmente à China e à Rússia é tudo o que os Estados Unidos não quer. Por isso promoveram um processo arriscado de golpe no Brasil, que até agora ainda não se “acomodou”. Não por acaso também, dentre as dezenas de ações destrutivas dos golpistas, uma das primeiras foi prender o Almirante Othon da Silva, coordenador do projeto nuclear do Brasil, e alvejar o projeto de construção do submarino de propulsão nuclear, fundamental para a guarda e segurança da chamada Amazônia Azul. O almirante Othon, segundo especialistas da área, concebeu o programa do submarino nuclear brasileiro e foi o principal responsável pela conquista da independência na tecnologia do ciclo de combustível, que colocou o Brasil em posição de destaque na matéria, no mundo. O militar, que recebeu todas as honrarias possíveis das forças armadas brasileiras, é considerado um patriota e um herói brasileiro. A história irá nos esclarecer ainda muita coisa, pois os acontecimentos são muitos recentes e muitos detalhes ainda serão elucidados.
     O Brasil, com a liderança e experiência do vice-almirante, vinha desenvolvendo um programa nuclear muito bem-sucedido com tecnologia de ponta, e isso incomodou o imperialismo norte-americano, que não admite que outros países dominem esse tipo de tecnologia, especialmente no continente americano. Os estadunidenses tentaram interferir, saber de detalhes, e o Brasil se recusou a passar informações sobre a tecnologia utilizada. Conforme muitas indicações, o programa nuclear brasileiro foi objeto de espionagem por parte dos norte-americanos, que esperaram a melhor hora para inviabilizar a sua continuidade.
      Mas está claro que não foram ineptos procuradores golpistas, ou um juiz medíocre de primeira instância - ambos os grupos em busca de fama e dinheiro, como mostraram as denúncias da Vaza Jato - que destruíram, sozinhos, o setor de engenharia nacional e colocaram o almirante Othon na cadeia. Assim como não foram os operadores visíveis da Lava Jato que colocaram na cadeia, cometendo as maiores atrocidades legais, alguns dos maiores capitalistas do país, proprietários de empresas que investiam em todos os continentes. Só tem um poder que está acima desse, que é o imperialismo norte-americano. A capacidade de articular interesses, o financiamento e as técnicas fornecidas pelo imperialismo foram essenciais para o sucesso do golpe.  
     Sérgio Moro, que começa a ser desmoralizado pelo jugo implacável dos acontecimentos, troca agora tiros com Bolsonaro, um de seus comparsas no golpe de 2016 e na gigantesca fraude eleitoral de 2018. Agora que a aeronave de Moro ameaça cair, será que o Império irá lhe conceder um paraquedas dourado pelos serviços prestados, ou assistirá o seu serviçal se esborrachar?
                                                             
                                                                                   *Economista. 27.04.20.


[1] Creio que desde 2015 até agora, quando estava evidente que o golpe vinha pela via da Petrobrás, escrevi cerca de 20 artigos relacionados à petróleo, Petrobrás, e o seus entornos.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

A estratégia é fazer os trabalhadores pagarem a conta da crise



*José Álvaro de Lima Cardoso

     A crise atual é muito grave. É somatório de uma crise econômica mundial inusitada, de cinco anos de estagnação/recessão (provocada por um golpe de Estado) no Brasil e de uma pandemia que já é a mais dramática do último século. A confluência de todos esses fatores ocorre no momento em que o Brasil tem o pior governo da história (o mais entreguista, o mais subserviente ao imperialismo, o mais inimigo do povo), que o Brasil sequer imaginou ter. Não dá para dizer que não possa piorar, pois sempre pode, mas é uma das mais adversas situações das últimas muitas décadas.
     Ao contrário de algumas análises, a pandemia não é a causa da crise econômica, apenas a acelerou. Antes da doença a economia estava longe de estar voando em céu de brigadeiro, muito pelo contrário. O tsunami já vinha se armando há um bom tempo, a epidemia apenas antecipou o agravamento da crise. Na realidade, os aspectos que levaram a economia à crise de 2007/2008 se mantém, aquelas contradições não foram resolvidas. Em boa parte, foram até agravadas, o que tornava uma nova crise inevitável, para mais cedo ou mais tarde.
     O Covid-19 é uma doença desconhecida, para a qual ainda não existe vacina. Pelas informações esta demorará meses, ou anos, para circulação comercial. Por isso não se pode projetar ainda a profundidade e a extensão da doença. Mas o impacto geral das duas crises (pandêmica e econômica) sobre a sociedade está sendo dramático, e será ainda mais. Já se começa a discutir no mundo, inclusive, a situação pós-pandemia, e as incertezas são muito grandes. Sobre como será o mundo pós-pandemia há, claro, um leque de possibilidades. Mas as análises extremamente otimistas sobre o pós-Covid-19, de que o mundo será mais harmônico, de que o medo da doença vai aproximar as pessoas, e por aí vai, pecam por um imprudente otimismo.
     Certamente não será uma doença que irá acabar com o conflito entre capital e trabalho no mundo, e nem com as contradições existentes entre países imperialistas e economias subdesenvolvidas. A tendência, inclusive, é tais contradições se tornarem mais agudas. Esta está longe de ser a primeira epidemia grave que o mundo e o Brasil enfrentam. A gripe espanhola de 1918, por exemplo, causada pelo vírus influenza mortal, matou entre 40 e 50 milhões (os números são desencontrados) de pessoas no mundo todo.  A doença, que tinha sintomas semelhantes com os do Covid-19, matou o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, em 1919. O fato é que a incidência da doença, que matou 30 mil brasileiros (números que devem estar muito subestimados), não aproximou as pessoas e nem aumentou a solidariedade entre elas. 
      Do ponto de vista médico essa crise é muito grave. Para termos ideia, um grupo de pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard (artigo publicado no dia 14.02, na revista Science), concluiu que os esforços de distanciamento social para evitar o colapso hospitalar diante da pandemia de covid-19 podem ser necessários, ao menos de modo intermitente, até 2022. Os EUA, cujo acesso à saúde é privilégios de poucos, é o epicentro da epidemia no mundo, com 742.442 contagiados e mais de 40.585 mortos (até domingo, dia 19.04). São 165.000 mortos no mundo e mais de 2.400.000 contaminados. Os números revelam o ridículo da posição de Donaldo Trump, que ironizou no início da crise os avisos acerca da gravidade da doença.
     A pandemia do covid-19 acelerou e agravou o processo de crise econômica. Este está sendo muito mais profundo e acelerado do que o verificado na crise de 2008 e na Grande Depressão de 1929. O economista Noriel Roubini - cujas análises que antes eram consideradas pessimistas, são agora reputadas como realistas - registra que que naquelas duas grandes crises as bolsas de valores caíram em 50% ou mais, os mercados de crédito congelaram, as grandes falências aconteceram, as taxas de desemprego subiram acima de 10% e o PIB encolheu a uma taxa anualizada de 10% ou mais. Mas todos esses fenômenos aconteceram em três anos, ou mais. Na atual crise, registra Roubini, tudo isso se materializou em três semanas. No último mês, os elementos que compõem a chamada demanda agregada (consumo, gasto de capital, exportações) se encontram em queda livre, como nunca tinha sido observado antes.
     É como se tivéssemos a reincidência de uma grave doença, só que com efeitos mais rápidos sobre o organismo. Obviamente parte dessa velocidade de propagação da crise está relacionada com a globalização da economia, pelo menos em relação à 1929. Mas em 2007 a economia era praticamente tão globalizada quanto hoje. A velocidade com que a informação circula nos mercados hoje, é parecida com a existente em 2007/2008. O dado revela a gravidade da crise.
     Quem detém o poder, como sempre aconteceu em todas as grandes crises no Brasil, está aproveitando a crise atual para liquidar de vez com os direitos dos trabalhadores. Assistimos a aprovação do PL 9236/17, que prevê pagamento de um auxílio emergencial aos mais pobres no valor de R$ 600 mensais (durante três meses para as pessoas de baixa renda afetadas pela crise sanitária). Além do valor negociado ser muito baixo (uma cesta de alimentos, com 13 produtos essenciais para uma pessoa no mês de março, custou em média R$ 517,13 em Florianópolis), o benefício até hoje não chegou nas mãos de uma boa parte das pessoas que necessitam. Em todas as regiões do Brasil, milhares de trabalhadores denunciam que não conseguem sacar o recurso.
     Detalhe importante: pelas condições de tecnologia existentes hoje, e pela existência do Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, montado pelos governos anteriores ao golpe de 2016, o benefício poderia começar a ser pago no mesmo dia de aprovação do PL no Congresso Nacional. Do ponto de vista prático, dada a importância do benefício, justificaria colocar até as forças armadas e forças auxiliares, para viabilizar imediatamente a chegada do recurso no bolso de quem já está passando fome. Não fazer isso é, claramente, uma opção do governo, que está preocupado em gastar o menos possível com os pobres e atender aos ricos.    
     Na madrugada do dia 15.04 a Câmara de Deputados aprovou a medida provisória (MP 9052019, que institui o contrato verde amarelo), editada exclusivamente para retirar vários direitos dos trabalhadores, em plena pandemia do coronavírus. Os novos contratados por meio da carteira de trabalho “verde e amarela”, perdem o direito a um terço de férias e ao décimo terceiro salário. Por essa MP o garçom perde o direto a gorjeta, que passa a ser salário remunerado (sujeito a descontos), os bancários passam a trabalhar oito horas diárias (hoje são 6 horas).
     Essa MP é um aprofundamento da Reforma Trabalhista do Temer, e liquida com alguns direitos dos trabalhadores, que estavam sobrevivendo ao golpe de 2016. Enquanto a população se concentra no enfrentamento da pandemia, e boa parte dela luta para colocar comida na mesa, governo e Congresso Nacional aproveitam para arrebentar com o que havia sobrado de direitos e aprofundar o programa de guerra contra a população. Querem fazer os trabalhadores pagarem a conta da crise, sozinhos.

                                                                                        *Economista   20.04.20

sábado, 18 de abril de 2020

Cuatro años de golpe contra el pueblo, contra la nación, contra el trabajo.



                                                                            * José Álvaro de Lima Cardoso

"Brasil no es una tierra abierta donde construiremos cosas para la gente. Tenemos que deconstruir mucho" (Jair Bolsonaro, el 18 de marzo de 2019, en la sede de la Agencia de Inteligencia Centroamericana - CIA, en Washington).

     La crisis actual en Brasil es inusual. Combina la crisis económica mundial más grave, con Brasil tras cinco años de estancamiento / recesión y una pandemia causada por un virus poco conocido, que ya es el más grave en el siglo pasado. Toda esta confluencia de crisis ocurre en un momento en que Brasil tiene uno de los peores gobiernos de la historia (el más entregado, el más servil al imperio, el más enemigo del pueblo). Este gobierno es fundamentalmente el resultado directo del golpe de estado de 2016. No se habría instalado sin el golpe de estado y el fraude electoral de 2018. Hoy, exactamente hace cuatro años, la Cámara Federal abrió el proceso de juicio político contra la presidenta Dilma Rousseff . Continuando con el proceso, el 12 de mayo de 2016, el Senado Federal aprobó la admisibilidad de la denuncia que solicitó la destitución del Presidente de la República, alegando un delito de responsabilidad.
     Por lo tanto, si tomamos la instalación del caso en la Cámara como un hito, ya tenemos cuatro años del golpe de estado. Es evidente que otros períodos pueden tomarse como referencia, porque el golpe comenzó a articularse, al menos en 2012. Las indicaciones de que algo estaba cambiando en el continente eran muy fuertes. En esa fecha, ya se habían producido los golpes de estado de Honduras (2009) y Paraguay (2012). El imperialismo estadounidense estaba enviando señales claras de que ya no toleraría ningún gobierno progresista en la región.
     Es necesario comprender los fundamentos del golpe, no podemos reaccionar, como si fuera una sorpresa, a cada nuevo ataque del gobierno fascista contra los derechos y la soberanía. Es importante comprender el trasfondo en el que se desarrolla el proceso, de lo contrario, solo nos dejarán en reacción al último mal contra la población, por aquellos en el poder. La audacia del golpe que aplicaron en Brasil (y en varios países del subcontinente latinoamericano) demuestra que los estafadores no entregarán el poder de un beso a la población en los próximos años. Bolsonaro es una continuidad, una profundización del proceso. Apoyó el golpe de estado, fue apoyado por el golpe de estado, en toda la derecha, y principalmente apoya y profundiza el programa de guerra contra la gente todo el tiempo. Lo que hicieron los estafadores en casi cuatro años no fue broma:
1. Han debilitado al estado nacional de muchas maneras (financiera, política, diplomática, militarmente). Como es un golpe coordinado por la burguesía más fuerte del planeta, contra un país subdesarrollado, la idea es desmantelar cualquier deseo que los brasileños puedan tener de ser una nación soberana;
2. Están entregando riqueza nacional en el extranjero: el principal objetivo económico del golpe era el petróleo (que es "el golpe dentro del golpe"), pero vigilan el Amazonas, metales de todo tipo, agua, grafeno, niobio, etc. . Y en riqueza antinatural, empresas estatales;
3. Están destruyendo las políticas de seguridad alimentaria y haciendo que el hambre aumente exponencialmente en Brasil. En solo 3 años después de abandonar el Mapa del Hambre de la ONU (2014), Brasil regresó al infame Mapa. El hecho de que un país con abundantes recursos como Brasil, tenga una porción significativa de la población que se muere de hambre, revela la cara cruel y atrasada de la burguesía brasileña;
4. Pusieron fin a las políticas de soberanía energética que estaban siendo muy trabajadas. Lo que están haciendo con Petrobras comprometerá la seguridad energética del país y está implicando una dependencia externa de los combustibles. Pretenden entregar todo el sistema Eletrobrás;
5. Están tratando de privatizar todo lo que sea posible. Vendieron Embraer a un precio de ganga, que se convirtió en una división de Boeing. A pesar de tener el poder para hacerlo, el gobierno golpista no vetó el acuerdo. Tienen la intención de privatizar todo lo que sea posible y rápidamente. El sistema Eletrobrás, Correios, Banco do Brasil, CEF están en la mira. La privatización de la oficina de correos está prevista para finales de 2021 y podría dar lugar al despido de 40,000 personas. Si la correlación de fuerzas lo permite, también serán entregados a Petrobras. Hay 119 activos federales listados para ser vendidos a precios de banano;
6. Quieren entregar reservas estratégicas de agua a multinacionales, incluido el acuífero guaraní. Temer incluso tuvo reuniones con las multinacionales que controlan el agua en el mundo. Aprobaron una ley en diciembre / 19 que permite el acceso a las fuentes de agua por parte de compañías extranjeras;
7) Redujo drásticamente el presupuesto en ciencia y tecnología. En 2013, el presupuesto del sector fue de R $ 8,5 mil millones. En 2019 fue de 4,4 mil millones, pero recortaron 42%, es decir, se redujo a R $ 2,6 mil millones;
8) Congeló el gasto primario (como educación y salud) durante 20 años, PEC 95, la llamada Enmienda de la Muerte, que ninguno de los países que perdieron guerras aceptaron firmar. Solo en 2019, el presupuesto de salud perdió R $ 9 mil millones debido a la enmienda de la muerte;
9. Terminaron la democracia, haciendo justicia selectiva a través de Farsa à Jato e incrementando la represión de los movimientos sociales. Indios, sin tierra y otras minorías políticas mueren como moscas;
10. Destruyeron las leyes laborales, y junto con ellas desmantelaron el mercado laboral y los ingresos. Hay 27.585 millones de trabajadores subutilizados (desempleados, sub-ocupados, desanimados o inactivos por falta de condiciones) y 12.575 millones de trabajadores desempleados;
11. La desigualdad social explotó con el golpe. Desde que, en 1960, el IBGE comenzó a recopilar información sobre los ingresos de la población en censos demográficos, nunca ha habido un crecimiento tan alto en tan poco tiempo de la desigualdad;
12. El golpe causó el mayor estancamiento económico en la historia de Brasil. No existe un registro previo en las cuentas nacionales de cinco años de recesión y / o estancamiento;
13. La década que termina en 2020 podría considerarse perdida para la industria. En los últimos nueve años (2011 a 2019) la pérdida acumulada es del 15% en la industria. Después de unos cincuenta años, Brasil está saliendo del ranking de los 10 países industriales más grandes del mundo;
     Si la política es entregar la riqueza nacional, los derechos, del mismo modo, no pueden sostenerse. Existe una relación directa entre la soberanía y los derechos de la población. Incluso porque parte de las conquistas de la sociedad cuesta dinero, y es necesario financiarlo con recursos públicos que, en parte, se recaudan con la riqueza que tiene el país.
     Acercarse a China y Rusia, a través de BRICS, conquistar mercados en América del Sur y África, apostar por empresas nacionales, revivir la industria de la guerra (construcción del submarino atómico y otros convencionales, en asociación con Francia, la compra de helicópteros a Rusia y de los jets de Suecia, siempre con transferencia de tecnología), exploración soberana del pre-sal y ponerlo al servicio del pueblo. Todo esto hizo que Brasil tomara un curso de colisión con los intereses del imperialismo, especialmente el norteamericano. No entender este proceso significa dejar de entender lo que sucederá en Brasil en las próximas décadas.

                                                                                         *Economista. 17.04.20.