quarta-feira, 3 de outubro de 2018
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
O caminho mais curto para a barbárie
*José Álvaro de Lima Cardoso
Um
dos aspectos que têm influenciado as negociações coletivas neste momento é a inflação,
que está relativamente baixa, em torno de 4% no ano. Em princípio, percentual
baixo de inflação facilita ganhos reais, apesar da resistência patronal. Por
experiência, em mesa de negociação sabe-se que, com uma inflação em torno de 10%,
por exemplo, é mais difícil a conquista de ganho real. Esta é, portanto, a hora
de tentar obter um percentual acima da inflação na negociação coletiva. O
pleito de ganho real não requer raciocínio muito rebuscado: não é o fato de que
os preços variaram relativamente pouco, que o trabalhador não precise melhorar
o seu salário real, que é muito baixo.
Afinal, apesar da inflação no varejo estar em torno de 4%, os salários,
em geral, se encontram na linha da sobrevivência. Segundo o DIEESE, uma cesta
básica, para um adulto em Florianópolis, por exemplo, está custando R$ 431,30,
que é metade (49%) do salário mínimo nacional líquido. Em agosto de 2018, o
salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas
deveria equivaler a R$ 3.636,04, ou
3,8 vezes o salário mínimo nacional.
Como
mostram os dados sobre o peso da alimentação nos salários, este no Brasil são
efetivamente muito baixos: segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasileiro,
que recuou no ano passado, está em R$ 2.112 (PNAD Contínua). Esse fato, em si,
é razão mais do que suficiente para que os sindicatos de trabalhadores busquem permanentemente
o aumento real nos salários. Estes dados, ao mesmo tempo, mostram a importância
de uma regulação mínima das relações de trabalho no Brasil, como a existência
do Salário Mínimo. O IBGE nos informa que em 2017 houve queda do salário médio
real no Brasil, decorrência de uma grave recessão e de um ataque em massa aos
direitos e à renda dos trabalhadores, a partir do golpe de Estado (que está em
desenvolvimento). Podemos imaginar o que aconteceria com os salários médios, se
fosse abolido o Salário Mínimo, como sonha uma parcela do empresariado.
No
Brasil é muito comum, após uma custosa negociação em mesa, que proporciona 1%
de ganho real aos salários, as empresas, ao longo dos meses subsequentes à
negociação, ajustar seus custos com mão de obra. Isto é feito através da redução
do quadro de pessoal e também via rebaixamento salarial por meio da enorme rotatividade que caracteriza o mercado de trabalho
no País. As empresas demitem os trabalhadores que ganham um pouco mais e
contratam trabalhadores com o piso, ou até, se o acordo permitir, com salários
abaixo do piso nos 90 dias de experiência. Em períodos de crise como o atual,
inclusive, aumenta a diferença entre a média dos salários de demissão e de
contratação. Neste momento estou participando de uma negociação onde o salário
de admissão é 15% inferior ao de admissão. Como a rotatividade no Brasil é
enorme, aquele 1% cedido na negociação a título de ganho real, é compensado
largamente por essa estratégia de achatamento de salários reais.
É
comum empresas gigantes, de âmbito multinacional, com receita anual em torno de
R$ 50 ou R$ 60 bilhões, praticarem salários médios de admissão de R$ 1.200 ou
R$ 1.300, muito próximos dos pisos salariais estaduais, que são mínimos também,
apesar de terem sido obtidos com muita luta sindical. Nessas grandes empresas,
comumente o peso de pessoal no custo total são extremamente baixos: 10% ou 15%
do valor líquido obtido com a receita líquida de vendas. Isto significa que o
impacto de uma negociação de ganho real, nas despesas com pessoal, para cima ou
para baixo, geralmente é muito reduzido, porque só incide sobre 10% do custo
(que é o custo de pessoal). Aspectos como juros e câmbio, regra geral, têm impacto
muito mais significativo sobre o custo de empresas com essas características.
Em
resumo, a maioria das negociações coletivas no Brasil é realizada para discutir
a reprodução alimentar mínima do trabalhador e sua família. Se faz uma campanha
salarial com muita dificuldade e, ao fim e ao cabo, se obtém o direito de
renovar a condição de o trabalhador comprar comida todo mês para ele e sua
família. Os padrões salariais no Brasil, para a maioria, não permitem nada além
disso. E ainda existem os incautos, inclusive no interior da classe
trabalhadora, que são contra a atuação dos sindicatos. A história do mundo
revela que, sem sindicatos e organização dos trabalhadores o caminho para a
barbárie nas relações entre capital e trabalho seria muito curto.
*Economista.
Salto de Haddad e o protagonismo do eleitor
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
Faltavam alguns minutos para as sete da noite de segunda, 24, quando a notícia de uma nova escalada de Fernando Haddad no Ibope circulou no whatsapp dos jornalistas que participavam de uma entrevista coletiva com o candidato do PT no Instituto Lula. Coube ao repórter Joaquim de Carvalho, do Diário do Centro do Mundo, cumprimentar Haddad pela novidade, que confirma uma análise corrente entre os observadores mais atentos e indica uma virada espetacular numa disputa marcada por tantas idas e voltas e uma tensão crescente até o final.
Como era previsível, momentos depois teve início o espetáculo inesquecível dos olhares perdidos e comentários angustiados da bancada de comentaristas da GloboNews, inconsolável diante de números que configuram uma possível tragédia no horizonte já próximo. Demonstrando que a memória política da maioria dos brasileiros tem uma consistência raras vezes reconhecida por analistas incapazes de enxergar as luzes próprias da consciência popular, Haddad cresce aos saltos, e ganha perto de 1,4 milhão de novos eleitores por dia.
Referindo-se ao flagelo monumental produzido pelo governo Temer, antes mesmo que os números do Ibope fossem divulgados Fernando Haddad explicou o que se passa no país: "as pessoas estão percebendo. Por isso o Lula quase ganhou no primeiro turno". Em outro momento, ele faria uma menção a uma outra expressão do mesmo fenômeno, ao recordar que, antes de se passarem de dois anos da derrota na eleição municipal de 2016, ele vence Bolsonaro nas intenções de voto na capital paulista.
O crescimento do candidato do Partido dos Trabalhadores demonstra o papel do eleitor como protagonista de uma eleição decisiva em nossa história política, numa evolução que desmoraliza armações feitas às suas costas.
Ocorre 72 horas depois de Fernando Henrique Cardoso ensaiar uma intervenção-surpresa na campanha, pela divulgação de um documento politicamente desonesto, a Carta as Eleitoras e Eleitores, no qual teve a cara dura de nivelar Fernando Haddad a Jair Bolsonaro, convocando o eleitorado encontrar um "candidato que não aposte em soluções extremas". O texto não era uma peça isolada.
Serviu de introdução a uma operação que incluiu uma visita-relampago de Bill Clinton a São Paulo, na qual o ex-presidente dos EUA -- responsável por uma empréstimo de US$ 40 bilhões que em 1998 salvou a reeleição de FHC num país quebrado -- pediu aos brasileiros que não votassem "com raiva". Reorientado no novo curso, a campanha de Geraldo Alckmin na TV adquiriu a estética sombria de filmes de filmes B de terror, sem resultados visíveis, pelo menos de imediato. O próprio candidato tucano ganhou um pontinho mas segue um ponto abaixo do patamar no qual se encontrava há quinze dias.
Mencionado como outro alvo possível de transações de bastidor, tratado com interesse fora do comum pelas Organizações Globo nos dias anteriores, Ciro Gomes não saiu do lugar e segue parado em 11 -- desde ontem, esse patamar é a metade daquilo que Haddad acumulou até aqui.
Num comentário feito antes que os números do Ibope fossem conhecidos publicamente, Haddad fez questão de recordar o esforço pela unidade com Ciro. "Trabalhei intensamente por isso", disse, lembrando conversas reservadas em torno de uma chapa comum, que vieram a público por iniciativa da outra parte, nas quais, afirma, nunca colocou condições sobre quem teria a candidatura presidencial. Numa das versões em circulação naquele período, quando o TSE ainda não havia liquidado definitivamente a candidatura de Lula, Ciro teria direito a ficar com a cadeira de vice -- mas seria promovido a titular caso o candidato presidencial fosse impedido.
Voz disciplinada em defesa da unidade com o candidato do PDT, evitando responder críticas com novas críticas, única forma de fugir de uma espiral mutuamente destrutiva, o comportamento de Haddad é consistente com sua própria visão dos riscos e armadilhas da política brasileira atual. A análise foi anunciada em 2016, quando --- e isso era novidade no período -- ele disse que a campanha presidencial de 2018 poderia ser transformada numa disputa "da direita contra a extrema-direita".
O ponto aqui é que Haddad não se limitou a fazer uma simples análise dos fatos, mas incluiu um engajamento para modificar a realidade adversa, numa luta paciente mas firme para dobrar o desalento e o ceticismo de boa parte de eleitores e militantes, lembrando que "depois de 500 anos de história temos a oportunidade de mudar o que está aí".
Se até há pouco a simples viabilidade de sua candidatura era colocada em dúvida em várias conversas, o vigor exibido pelos números mais recentes mostra uma situação confortável -- para dizer o minimo. Se a maioria dos estudiosos está convencida de que a informação de que Haddad é o sucessor escolhido por Lula já chegou a quase totalidade do eleitorado interessado, seria ilusório imaginar que, em todos os casos, a substituição de candidatos se faz pelo piloto automático.
Os 22% anunciados pelo Ibope marcam um salto de grande envergadura, ainda mais notável enquanto os adversários permanecem no mesmo lugar.
Num país onde a popularidade do PT chegou a 29% e as intenções de voto de Lula batiam em 39% quando ele foi retirado da campanha, é fácil enxergar um bom espaço -- em terreno já cultivado -- para novos avanços em futuro próximo.
Essa é a questão essencial quando se examina o futuro, nas próximas semanas. A ameaça "à democracia é real", diz Haddad, recordando as "formas contemporâneas" que as ditaduras têm assumido em vários países, como regimes autoritários que desrespeitam os direitos e as liberdades, sem exibir a fisionomia clássica que apresentaram ao longo do século XX.
Ele recorda que uma declaração do presidente do STF, Dias Toffoli, comprometendo-se com o respeito ao resultado das urnas, chegou a ser comemorada quando, em situações normais, seria uma questão que sequer deveria ter sido colocada. Também critica a "naturalização" de ataques a direitos consagrados pela Constituição. Diz: "não vejo ninguém indignado".
A ascensão de Haddad na campanha coincide com um novo sinal político, enviado por várias camadas geológicas da sociedade brasileira e um horizonte político muito mais amplo do que o PT. Iniciado como o Movimento Mulher Unidas contra Bolsonaro, a campanha "Ele não" se transformou numa mobilização social de vulto.
Sob a sombra de uma árvore de organizações femininas e feministas, ali se encontram a fina flor do universo intelectual brasileiro e as torcidas organizadas dos principais times de futebol. Incluindo militantes e ativistas de vários partidos, mas sem qualquer definição partidária, o "Ele não" ganha corpo e impulso para se transformar numa grande reação democrática contra o fascismo na reta final do primeiro turno, realizando uma defesa vigorosa das garantias democráticas que permaneceu silenciosa até aqui.
O progresso de Haddad se explica pela história e pelo horizonte do Partido que representa. Por suas ligações únicas com a maioria do povo, o PT é a força politica capaz de unir as duas questões que envolvem o destino da maioria dos brasileiros e brasileiras. A questão social, que se tornou ainda mais urgente após o cruel trabalho de destruição de conquistas e direitos que protegem a população contra a miséria mais degradante. Também é a força comprometida com a questão democrática e o respeito ao Estado Democrático de Direito. Com essas bandeiras, Haddad tem condições de liderar o resgate do país. São duas faces da moeda que separa a civilização da barbárie.
Alguma dúvida?
Faltavam alguns minutos para as sete da noite de segunda, 24, quando a notícia de uma nova escalada de Fernando Haddad no Ibope circulou no whatsapp dos jornalistas que participavam de uma entrevista coletiva com o candidato do PT no Instituto Lula. Coube ao repórter Joaquim de Carvalho, do Diário do Centro do Mundo, cumprimentar Haddad pela novidade, que confirma uma análise corrente entre os observadores mais atentos e indica uma virada espetacular numa disputa marcada por tantas idas e voltas e uma tensão crescente até o final.
Como era previsível, momentos depois teve início o espetáculo inesquecível dos olhares perdidos e comentários angustiados da bancada de comentaristas da GloboNews, inconsolável diante de números que configuram uma possível tragédia no horizonte já próximo. Demonstrando que a memória política da maioria dos brasileiros tem uma consistência raras vezes reconhecida por analistas incapazes de enxergar as luzes próprias da consciência popular, Haddad cresce aos saltos, e ganha perto de 1,4 milhão de novos eleitores por dia.
Referindo-se ao flagelo monumental produzido pelo governo Temer, antes mesmo que os números do Ibope fossem divulgados Fernando Haddad explicou o que se passa no país: "as pessoas estão percebendo. Por isso o Lula quase ganhou no primeiro turno". Em outro momento, ele faria uma menção a uma outra expressão do mesmo fenômeno, ao recordar que, antes de se passarem de dois anos da derrota na eleição municipal de 2016, ele vence Bolsonaro nas intenções de voto na capital paulista.
O crescimento do candidato do Partido dos Trabalhadores demonstra o papel do eleitor como protagonista de uma eleição decisiva em nossa história política, numa evolução que desmoraliza armações feitas às suas costas.
Ocorre 72 horas depois de Fernando Henrique Cardoso ensaiar uma intervenção-surpresa na campanha, pela divulgação de um documento politicamente desonesto, a Carta as Eleitoras e Eleitores, no qual teve a cara dura de nivelar Fernando Haddad a Jair Bolsonaro, convocando o eleitorado encontrar um "candidato que não aposte em soluções extremas". O texto não era uma peça isolada.
Serviu de introdução a uma operação que incluiu uma visita-relampago de Bill Clinton a São Paulo, na qual o ex-presidente dos EUA -- responsável por uma empréstimo de US$ 40 bilhões que em 1998 salvou a reeleição de FHC num país quebrado -- pediu aos brasileiros que não votassem "com raiva". Reorientado no novo curso, a campanha de Geraldo Alckmin na TV adquiriu a estética sombria de filmes de filmes B de terror, sem resultados visíveis, pelo menos de imediato. O próprio candidato tucano ganhou um pontinho mas segue um ponto abaixo do patamar no qual se encontrava há quinze dias.
Mencionado como outro alvo possível de transações de bastidor, tratado com interesse fora do comum pelas Organizações Globo nos dias anteriores, Ciro Gomes não saiu do lugar e segue parado em 11 -- desde ontem, esse patamar é a metade daquilo que Haddad acumulou até aqui.
Num comentário feito antes que os números do Ibope fossem conhecidos publicamente, Haddad fez questão de recordar o esforço pela unidade com Ciro. "Trabalhei intensamente por isso", disse, lembrando conversas reservadas em torno de uma chapa comum, que vieram a público por iniciativa da outra parte, nas quais, afirma, nunca colocou condições sobre quem teria a candidatura presidencial. Numa das versões em circulação naquele período, quando o TSE ainda não havia liquidado definitivamente a candidatura de Lula, Ciro teria direito a ficar com a cadeira de vice -- mas seria promovido a titular caso o candidato presidencial fosse impedido.
Voz disciplinada em defesa da unidade com o candidato do PDT, evitando responder críticas com novas críticas, única forma de fugir de uma espiral mutuamente destrutiva, o comportamento de Haddad é consistente com sua própria visão dos riscos e armadilhas da política brasileira atual. A análise foi anunciada em 2016, quando --- e isso era novidade no período -- ele disse que a campanha presidencial de 2018 poderia ser transformada numa disputa "da direita contra a extrema-direita".
O ponto aqui é que Haddad não se limitou a fazer uma simples análise dos fatos, mas incluiu um engajamento para modificar a realidade adversa, numa luta paciente mas firme para dobrar o desalento e o ceticismo de boa parte de eleitores e militantes, lembrando que "depois de 500 anos de história temos a oportunidade de mudar o que está aí".
Se até há pouco a simples viabilidade de sua candidatura era colocada em dúvida em várias conversas, o vigor exibido pelos números mais recentes mostra uma situação confortável -- para dizer o minimo. Se a maioria dos estudiosos está convencida de que a informação de que Haddad é o sucessor escolhido por Lula já chegou a quase totalidade do eleitorado interessado, seria ilusório imaginar que, em todos os casos, a substituição de candidatos se faz pelo piloto automático.
Os 22% anunciados pelo Ibope marcam um salto de grande envergadura, ainda mais notável enquanto os adversários permanecem no mesmo lugar.
Num país onde a popularidade do PT chegou a 29% e as intenções de voto de Lula batiam em 39% quando ele foi retirado da campanha, é fácil enxergar um bom espaço -- em terreno já cultivado -- para novos avanços em futuro próximo.
Essa é a questão essencial quando se examina o futuro, nas próximas semanas. A ameaça "à democracia é real", diz Haddad, recordando as "formas contemporâneas" que as ditaduras têm assumido em vários países, como regimes autoritários que desrespeitam os direitos e as liberdades, sem exibir a fisionomia clássica que apresentaram ao longo do século XX.
Ele recorda que uma declaração do presidente do STF, Dias Toffoli, comprometendo-se com o respeito ao resultado das urnas, chegou a ser comemorada quando, em situações normais, seria uma questão que sequer deveria ter sido colocada. Também critica a "naturalização" de ataques a direitos consagrados pela Constituição. Diz: "não vejo ninguém indignado".
A ascensão de Haddad na campanha coincide com um novo sinal político, enviado por várias camadas geológicas da sociedade brasileira e um horizonte político muito mais amplo do que o PT. Iniciado como o Movimento Mulher Unidas contra Bolsonaro, a campanha "Ele não" se transformou numa mobilização social de vulto.
Sob a sombra de uma árvore de organizações femininas e feministas, ali se encontram a fina flor do universo intelectual brasileiro e as torcidas organizadas dos principais times de futebol. Incluindo militantes e ativistas de vários partidos, mas sem qualquer definição partidária, o "Ele não" ganha corpo e impulso para se transformar numa grande reação democrática contra o fascismo na reta final do primeiro turno, realizando uma defesa vigorosa das garantias democráticas que permaneceu silenciosa até aqui.
O progresso de Haddad se explica pela história e pelo horizonte do Partido que representa. Por suas ligações únicas com a maioria do povo, o PT é a força politica capaz de unir as duas questões que envolvem o destino da maioria dos brasileiros e brasileiras. A questão social, que se tornou ainda mais urgente após o cruel trabalho de destruição de conquistas e direitos que protegem a população contra a miséria mais degradante. Também é a força comprometida com a questão democrática e o respeito ao Estado Democrático de Direito. Com essas bandeiras, Haddad tem condições de liderar o resgate do país. São duas faces da moeda que separa a civilização da barbárie.
Alguma dúvida?
O plano terrorista de Bolsonaro
![]() |
| O croqui do plano de Bolsonaro na matéria da Veja |
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
Em 1987, uma reportagem da Veja revelou que Jair Bolsonaro elaborou um plano terrorista para explodir bombas em quartéis e outros locais estratégicos no Rio de Janeiro.
Bolsonaro e outro militar, Fábio Passos, queriam pressionar o comando.
“Sem o menor constrangimento, Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio”, escreveu a repórter Cássia Maria.
“O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas Pires Gonçalves. De acordo com Bolsonaro, se algum dia o ministro do Exército resolvesse articular um golpe militar, ‘ele é que acabaria golpeado por sua própria tropa, que se recusaria a obedecê-lo’”.
Leônidas tentou desmentir a história, mas a revista publicou desenhos feitos à mão pelo próprio Bolsonaro, mostrando a adutora de Guandu, que abastece o Rio, e o rabisco de uma carga de dinamite.
O ato grave de indisciplina culminou em 15 dias de cadeia para o então capitão.
Documentos foram publicados pelo DCM com exclusividade.
O STM, por nove votos a quatro, considerou–o inocente, mesmo depois de uma comissão interna do Exército, chamada de Conselho de Justificação, tê-lo excluído do quadro da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e de suas explicações não terem sido consideradas satisfatórias.
Bolsonaro alegou que não conhecia Cássia. E depois a ameaçou de morte, contou ela.
Cássia afirma que, quando se preparava para depôr no caso, encontrou Bolsonaro.
Ele fez um gesto com as mãos, como se estivesse disparando uma arma contra ela. “Você vai se dar mal”, disse-lhe.
Cássia passou a precisar de proteção policial.
A história foi registrada na revista e no Jornal do Brasil (veja os recortes).
Trinta e um anos depois, esse sujeito é líder nas pesquisas eleitorais, com basicamente os mesmos métodos.
Em 1987, uma reportagem da Veja revelou que Jair Bolsonaro elaborou um plano terrorista para explodir bombas em quartéis e outros locais estratégicos no Rio de Janeiro.
Bolsonaro e outro militar, Fábio Passos, queriam pressionar o comando.
“Sem o menor constrangimento, Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio”, escreveu a repórter Cássia Maria.
“O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas Pires Gonçalves. De acordo com Bolsonaro, se algum dia o ministro do Exército resolvesse articular um golpe militar, ‘ele é que acabaria golpeado por sua própria tropa, que se recusaria a obedecê-lo’”.
Leônidas tentou desmentir a história, mas a revista publicou desenhos feitos à mão pelo próprio Bolsonaro, mostrando a adutora de Guandu, que abastece o Rio, e o rabisco de uma carga de dinamite.
O ato grave de indisciplina culminou em 15 dias de cadeia para o então capitão.
Documentos foram publicados pelo DCM com exclusividade.
O STM, por nove votos a quatro, considerou–o inocente, mesmo depois de uma comissão interna do Exército, chamada de Conselho de Justificação, tê-lo excluído do quadro da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e de suas explicações não terem sido consideradas satisfatórias.
Bolsonaro alegou que não conhecia Cássia. E depois a ameaçou de morte, contou ela.
Cássia afirma que, quando se preparava para depôr no caso, encontrou Bolsonaro.
Ele fez um gesto com as mãos, como se estivesse disparando uma arma contra ela. “Você vai se dar mal”, disse-lhe.
Cássia passou a precisar de proteção policial.
A história foi registrada na revista e no Jornal do Brasil (veja os recortes).
Trinta e um anos depois, esse sujeito é líder nas pesquisas eleitorais, com basicamente os mesmos métodos.
terça-feira, 25 de setembro de 2018
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
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