quinta-feira, 12 de abril de 2018

O GRANDE VENCEDOR

Mauro Santayama, em seu blog



(Do blog com equipe) - A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... .  



A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles... 



A cada vez que alguém disser que o Brasil está quebrado por incompetência de governos anteriores quando somos o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, temos 380 bilhões de dólares - mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais - em reservas internacionais, o BNDES está pagando antecipadamente 230 bilhões de reais ao Tesouro e a divida bruta e líquida públicas são menores do que eram em 2002 com relação ao PIB...  

  

A cada vez que alguém gritar que temos que entregar o pré-sal, a PETROBRAS, a EMBRAER, a ELETROBRAS e a Amazônia para os EUA porque somos ladrões e incompetentes para cuidar do que é nosso, como se o governo e as empresas norte-americanas fossem um impoluto poço de honestidade e moralismo e até o genro do Rei da Espanha não tivesse sido  apanhado em cabide de emprego da Vivo depois que esta veio para o Brasil aproveitando a nefasta privatização da Telebras, feita por gente que depois ocupou aqui a Presidência dessa empresa espanhola...



A cada vez que alguém defender raivosamente o livre comércio quando o EXIMBANK e a OPIC norte-americanos emprestam mais dinheiro público que o BNDES no apoio a exportações  e Trump adota sobretaxas contra a importação de aço e aluminio brasileiros e para vender aviões ao governo dos EUA a EMBRAER é obrigada a instalar primeiro com participação minoritária uma fábrica nos Estados Unidos... 



A cada vez que alguém vangloriar o estado mínimo, quando os EUA - que está mais endividado que o Brasil - está programando investir mais de um trilhão de dólares de dinheiro público em  obras de infraestrutura para reativar a economia, tem apenas no Departamento de Defesa mais funcionários federais que todo o governo brasileiro e todo mundo - principalmente a China -  sabe que não existem naçõoes fortes sem estados fortes, ou sem empresas nacionais privadas ou estatais poderosas que é preciso preservar e defender...   



A cada vez que alguém defender a volta de militares golpistas ao poder - porque milhares de militares legalistas foram contra o golpe de 1964 e foram perseguidos depois por defender a Constituição e a Democracia - abrindo mão de votar e suspirar e sentir o cabelo da nuca arrepiar quando vir um reco passar por perto...



A cada vez que alguém afirmar que em 1964 não houve um golpe contra um Presidente eleito, consagrado pelo apoio popular, poucas semanas antes, em um plebiscito amplamente vitorioso...



A cada vez que alguém defender a tortura e a volta dos assassinatos da ditadura, sabendo que em um regime de exceção ninguém está a salvo do guarda da esquina, como aprenderam golpistas que desfilaram pedindo o golpe de 1964 e depois tiveram filhos e parentes assassinados ou torturados pela repressão... 



A cada vez que alguém achar normal - desde que não seja seu parente - que, sem flagrante, uma pessoa possa ser levada para depor pela polícia sem ter sido antes previamente intimada a depor pela justiça...    



A cada vez que informações sigilosas de inquéritos em andamento forem vazadas propositalmente por quem deveria preservar o sigilo de justiça, para determinadas e particulares emissoras de televisão...    



A cada vez que alguém aceitar que um cidadão pode ser acusado,  condenado e encarcerado sem provas e apenas pela palavra de um investigado preso que teve muitas vezes sua prisão  sucessiva imoralmente prorrogada, disposto a tudo para sair da cadeia a qualquer preço...



A cada vez que alguém achar que algum cidadão pode ser acusado de ser dono de alguma propriedade sem nunca ter tomado posse dela ou sequer possuir uma escritura que prove que  é sua...



A cada vez que alguém acreditar que um apartamento fuleiro que vale menos de um milhão de reais pode ter servido de propina para comprar a dignidade de alguém que comandou durante oito anos uma das maiores economias do mundo...



A cada vez que alguém soltar foguetes por motivos políticos, celebrando sua própria ignorância e imbecilidade...



A cada vez que alguém aceitar promulgar leis inconstitucionais para ceder à pressão dos adversários adotando um  republicanismo pueril e imaturo...



A cada vez que a lei aceitar tratar de forma diferente - ou igualmente injusta e ilegal - aqueles que são iguais... 



A cada vez que um juiz ou procurador emitir - sem estar a isso constitucionalmente autorizado - uma opinião política...



A cada vez que juízes ou procuradores falarem em fazer greve para defender benesses como auxílio-moradia quando já ganham muitas vezes - também de forma imoral - perto ou mais de 100.000,00 reais, muito acima, portanto, do limite constitucional vigente, que é o salário de ministros do STF... 



A cada vez que alguém defender que "bandido bom é bandido morto" até algum parente se envolver em um incidente de trânsito ou em uma discussão de condomínio com algum agente prisional, guarda municipal ou agente de polícia...



A cada vez que alguém comemorar a morte de alguém por ele ser supostamente "comunista", ou negro, viciado, gay ou da periferia...



A cada vez que alguém ache normal - e com isso vibre - que candidatos defendam o excludente automático de ilicitude para agentes de segurança pública que matem "em serviço", em um país em que a polícia já é a que mais mata no mundo...



A cada vez que alguém achar que só ele tem o direito ou, pior, a exclusividade de usar os símbolos nacionais e o verde e amarelo - que pertencem a todos os brasileiros...



A cada vez que um ministro da Suprema Corte se calar quando for insultado publicamente por juízes e procuradores ou por um energúmeno qualquer nas redes sociais...



A cada vez que alguém acreditar que água de torneira - abençoada por um sujeito na tela da televisão -  cura o câncer, que a terra é plana, ou que Hitler - obrigado a suicidar-se durante a Batalha de Berlim pelo cerco das tropas soviéticas - era socialista... 



A cada vez que alguém achar que é normal que institutos de certos ex-presidentes tenham ganho milhões com a realização de palestras de um certo ex-presidente e outros institutos de outros ex-presidentes tenham de ser multados em todo o dinheiro ganho por palestras de outro ex-presidente...



A cada vez que alguém ache normal que alguém vá para a cadeia por não ter comprado um apartamento e outros sequer sejam investigados por ter comprado várias outras propriedades imobiliárias por preços abaixo do mercado...  

   

A cada vez que uma emissora de televisão, pratique, nas barbas do TSE, impune e disfarçadamente, política, “filtrando” e exibindo depoimentos “espontâneos” de cidadãos de todo o país, para defender subjetivamente suas próprias teses - ou aquelas que mais lhe agradem - em pleno ano eleitoral... 



A cada vez que alguém adotar descaradamente a chicana e  o casuísmo, impedindo que se cumpra a Constituição, porque está apostando na crise institucional e foi picado pela mosca azul quando estava sentado na principal cadeira do Palácio do Planalto…  



A cada vez que ministros do Supremo inventarem dialetos javaneses ou hermenêuticos lero-leros para justificar votos incompreensíveis e confusos que vão contra a Constituição e que a História não esquecerá nem absolverá...   



O Fascismo estará mais perto da vitória. 



E não perdoará, em sua orgia de ódio, violência e hipocrisia, nem mesmo aqueles que agora estão empenhados, por burrice, oportunismo ou covardia, em chocar o ovo da serpente e abrir-lhe o caminho para o triunfo.

Perversa combinação: desemprego e arrocho

Por Paulo Kliass, no site Outras Palavras: transcrito no blog do Miro.

A opção relativa aos rumos para a política econômica, tal como adotada pelos sucessivos governos a partir de 2015, representou uma verdadeira tragédia para a grande maioria da população brasileira. O diagnóstico equivocado a respeito dos desequilíbrios nas contas públicas foi sendo martelado à exaustão pelos grandes meios de comunicação e pelos arautos do financismo. Como diz a música, parecia mesmo que “tá tudo dominado!” O consenso em torno da agenda conservadora era de tal ordem que Lula chega a sugerir a Dilma o nome de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda. E ela acaba optando por um genérico e nomeia Joaquim Levy para o cargo no início de seu segundo mandato. O estrago estava a caminho.

A estratégia do austericídio proposta pelos representantes do sistema financeiro combinava a perversidade da política monetária hiperarrochada com a irresponsabilidade da política fiscal também contracionista. Ora, essa articulação de taxa de juros nas estratosferas com cortes draconianos e horizontais nas rubricas orçamentárias significava o início do fim. A insanidade era tamanha que os próprios responsáveis pela definição da política econômica promoviam o estrangulamento de qualquer capacidade de se estabelecer uma reação ao prenúncio das dificuldades que já se apresentavam na linha do horizonte.

Mas esse era apenas um dos aspectos da receita preferida pela ortodoxia para promover o tal do “ajuste”. Aliás, esse termo ficou consagrado como a miraculosa panaceia para dar conta de todos os problemas da economia brasileira. Ora, mencionar tão somente o termo “ajuste” tem o mesmo sentido de sugerir as tão badaladas “reformas”. Sem a companhia de algum adjetivo ou qualificação, tanto o primeiro quanto as últimas servem para tudo, nada e qualquer coisa. O ponto sensível é avançar na indagação a respeito de que tipo de ajuste ou reforma se está falando.

“Um certo nível de desemprego saudável”?
E assim o véu da suposta neutralidade da política econômica se esvai completamente. Afinal, não há proposta técnica e isenta nesse domínio. O ajuste recessivo implementado desde então tinha lado e intenção. Pouco a pouco, os economistas conservadores passaram a perder a pose e a vergonha. O principal formulador do programa de Aécio Neves nas eleições de 2014 era o banqueiro Armínio Fraga. Em suas declarações ele nem mesmo se ruborizava ao afirmar que o desequilíbrio era tão forte que se fazia necessário um “certo nível de desemprego saudável” (sic). Outros defensores do establishmentfinanceiro avançavam com críticas em relação aos rendimentos dos trabalhadores e sugeriam que uma das razões da crise residia no elevado nível do salário mínimo e dos vencimentos dos assalariados de maneira geral.

A consequência mais grave de todo esse processo foi a “naturalização” da violência e da dor como as únicas saídas para a crise. A narrativa neoliberal buscava culpabilizar aquilo que assinalavam como o populismo e a irresponsabilidade reinantes desde 2003. Dessa forma, em razão dos pecados cometidos, o país haveria de purgar o sofrimento da cura. A recessão econômica e a queda no PIB converteram-se em metas a serem atingidas. Esse era o caminho da ortodoxia para promover o seu ajuste. Falências pulverizadas por todos os cantos e desemprego desenfreado seriam efeitos inescapáveis.

E assim foi feito. Os resultados todos conhecemos muito bem quais foram. Uma das formas pela qual o IBGE mede o desemprego ocorre pela apuração de uma variável chamada “taxa de desocupação”. A pesquisa chamada “PNAD contínua” registra regularmente o percentual da população desocupada sobre o total da força de trabalho, a chamada população economicamente ativa (PEA).

Vale a pena recordar que durante o último trimestre de 2013, ela estava em seu mais baixo nível histórico: 6,2%. Ao longo de 2014, houve uma ligeira elevação, mas ela terminou ainda em 6,5%. A economia seguia bem e o nível de atividade era bastante razoável. No entanto, a opção pelo ajuste recessivo, na forma do austericídio, terminou por comprometer esse quadro de aparente tranquilidade. Os lucros dos bancos e os ganhos dos setores do topo da pirâmide só fizeram crescer durante o aprofundamento da crise.

Pós austericídio: desemprego aumenta 50%
Ao longo de 2015, o desemprego explode e aumenta de quase 50%: ele sai de 6,8% no início do ano e termina em 9,0% no último trimestre. Em 2016, a recessão se aprofunda ainda mais e a taxa de desocupação fecha o ano em 12%. Em 2017 ela chega a atingir o pico de 13,7% e depois se estabiliza em um patamar em torno de 12%. Ocorre que, para além dos números frios e das estatísticas, essa realidade evidenciava a piora na qualidade de vida da grande maioria de pessoas e famílias, que haviam obtido melhorias significativas desde as mudanças implementadas a partir de 2003. Mas o desemprego foi tratado como uma fatalidade inescapável e o próprio governo Dilma parecia ignorar o drama social instalado. O ministro do Planejamento Nelson Barbosa, por exemplo, às vésperas do golpeachment defendia medidas para retirar direitos dos trabalhadores, como abono salarial, seguro desemprego e pensão por morte.

Para além da taxa de ocupação como medida do desemprego, o IBGE também pesquisa e divulga outros indicadores que retratam a precariedade do mercado de trabalho, em especial nos momentos de crise. Esse é o caso da chamada “taxa de subutilização da força de trabalho”. Por meio de tal informação, pode-se avaliar o impacto das condições econômicas sobre as condições de vida daqueles que só possuem a capacidade de trabalhar como fonte de sobrevivência. Com isso, a taxa de subutilização incorpora também os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e os que fazem parte da força de trabalho potencial. Assim, mesmo que a pessoa não se declare “desempregada” na pesquisa, fica evidenciado que está se sujeitando a condições anormais para assegurar algum rendimento no final do mês.

As informações relativas ao final de 2017 apontam para uma taxa de subutilização de 23,6% em relação ao total da PEA. Isso representa um contingente expressivo de 26,4 milhões de pessoas. Apenas a título de comparação, a mesma taxa atingiu seu mínimo de 14,9% no final de 2013, exatamente quando o desemprego estava também no mais baixo nível 6,2%. Mas o discurso oficial e a “intelligentsia” financista não parecem muito preocupados com os efeitos colaterais de tal escândalo social e econômico.

Brinde à precarização das relações de trabalho
O governo Temer propôs o radicalização de tal tendência, com a Reforma da Previdência e a flexibilização da CLT. Ao invés de sugerir medidas de suavização dos efeitos da recessão sobre o mercado de trabalho, as propostas de políticas públicas apontam no sentido contrário. O contorcionismo retórico é tanto que a precarização das relações trabalhistas ganham nova roupagem sob o manto da narrativa do empreendedorismo. Assim, passam a ser exaltadas as virtudes e as qualidades dos indivíduos que passam a vender pipoca ou produtos/serviços semelhantes no limite da informalidade. Pouco importa se o analista está diante de uma pessoa que cansou de procurar um posto de trabalho, depois de ter sido desempregada. O que vale ressaltar para os cabeças de planilha é o espírito meritocrático dos que vêm de baixo. Afinal, isso só demonstra como a dinâmica do mercado sempre apresenta uma solução de equilíbrio ótimo para todos.

O financismo se mostra sempre muito preocupado com aspectos como “custo Brasil”, “carga tributária”, necessidade de desoneração, justa remuneração dos ativos, entre tantos outros. Clama por todos os lados a exigir responsabilidade fiscal, mas sempre orienta a separar a sua parte privilegiada no bolo dos recursos públicos. Mas quando se trata de sugerir medidas na área social, impera o silêncio. Medidas para retomar o caminho do crescimento e do desenvolvimento com o protagonismo do setor público são descartadas a priori. Pelo contrário, os elogios vão sempre para o caminho do desmonte do Estado e do corte de verbas da área social.

E assim o drama do desemprego continua sua saga de escândalo sempre ignorado pelas elites endinheiradas de nosso triste Brasil.

Lula já é maior que Getúlio: entrou para a história sem precisar sair da vida

Rodrigo Perez Oliveira, Via Facebook
Que Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa.
Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve?
A disputa está ai. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado.
Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho.
Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos.
Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante que os oito anos de seu governo.
Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio.
Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todas as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso.
Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida.
Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível.
Lula sabe que seria impossível sustentar aquela mobilização durante muito tempo e por isso não resistiu. Mas daí a se entregar resignado como boi manso para o abate a distância é grande, muito grande.
Penso mesmo que Lula fez mais que resistir, já que a resistência seria quixotesca, irresponsável. Lula pautou a própria prisão, saiu da posição de simples condenado pela justiça para se tornar o dono da narrativa. Lula foi sujeito do próprio encarceramento, deu um nó nas forças do golpe neoliberal.
Muitos achavam que Lula deveria ter fugido para uma embaixada amiga e de lá partido para o exílio no exterior. Confesso que também pensei assim. Mas Lula é muito mais inteligente que todos nós juntos.
Lula sabe que já viveu muito, sabe que não lhe sobra muito tempo de vida. O que resta agora é a consolidação da biografia, o retorno às origens, seu renascimento como ícone da esquerda brasileira, imagem que ficou um tanto maculada pelos oito anos em que governou o Brasil.
É que no capitalismo não existem governos de esquerda. Governo de esquerda só com revolução e Lula nunca foi revolucionário, nunca prometeu uma revolução.
Todo governo legitimado pelas instituições burguesas será sempre burguês. No máximo, no melhor dos cenários, será um governo de centro sensível às demandas populares. O lulismo foi exatamente isso: uma prática de governo de centro sensível às necessidades dos mais pobres. O lulismo transformou o Brasil pra melhor, com todos os seus limites, com todas as suas contradições.
Mas para encerrar a vida em grande estilo carece de algo mais. Era necessária a canonização política. E só a esquerda canoniza líderes políticos. A direita é dura, cinza, sem poesia.
O golpe neoliberal conseguiu reconciliar Lula com as esquerdas, o que há poucos anos parecia algo impossível de acontecer.
É que pra ser canonizado pelas esquerdas nada melhor que ser perseguido pelo poder judiciário, habitat histórico das elites da terra. Basta lançar no google os sobrenomes da maioria dos nossos juízes, procuradores e desembargadores e veremos os berços de jacarandá que embalaram os primeiros sonhos dos nossos magistrados.
É claro que Lula não planejou a perseguição. É óbvio que ele não queria ser perseguido. Se pudesse escolher, estaria tendo um final de vida mais tranquilo, talvez afastado da política doméstica e atuando nas Nações Unidas. Mas já que a vida deu o limão, por que não espremer, misturar com açúcar, cachaça, mexer bem e mandar pra dentro?
Lula fez exatamente isso: uma caipirinha com os limões azedos que seus adversários togados lhe deram.
Primeiro, ele fez questão de esgotar todos os mecanismos legais. A sentença de Moro, os votos dos desembargadores, os votos dos Ministros da Suprema Corte não são palavras ao vento. São “peças”, para falar em bom juridiquês, que ficarão arquivadas e disponíveis para a consulta, para análise.
Imaginem só, leitor e leitora, os historiadores que no futuro, afastados da histeria e das disputas que hoje turvam nossos sentidos, examinarão a sentença de Sérgio Moro, verão que o juiz não foi capaz de determinar em quais “atos de ofício” Lula teria beneficiado a OS para fazer por merecer o tal Triplex do Guarujá.
É como se Moro estivesse falando: “não sei como fez, mas que fez, ah fez“.
E o voto dos desembargadores do TRF 4, atravessados de juízos de valor, quase sem relar no mérito da sentença?
E o voto de Rosa Weber? Por Deus, o que foi aquele voto de Rosa Weber?
Sei que estou votando errado, mas vou continuar votando errado só porque a maioria votou errado. Uma maioria que só vai votar porque eu vou votar errado também.”
Lula, ao se negar a fugir, obrigou cada um desses togados a deixar impressos na história os rastros da própria infâmia.
Uma vez decretada a prisão, o que fez Lula?
Deu um tiro no peito? Se entregou em São Paulo? Foi pra Curitiba? Fugiu?
Não!
Lula se aquartelou no sindicado mais simbólico da redemocratização brasileira, o sindicado que representa as expectativas que nos 1980 apontavam para um Brasil mais justo, mais solidário.
No apogeu da crise que significa o colapso do regime político fundado na redemocratização, Lula decidiu encenar o seu martírio onde tudo começou.
Naquele que talvez seja o último grande ato de sua vida pública, Lula voltou às origens.
Protegido pela massa de trabalhadores, Lula não cumpriu o cronograma estipulado por Sérgio Moro. Cercado por uma multidão, o Presidente operário transformou o sindicato dos metalúrgicos numa embaixada trabalhista.
A Polícia Federal, o braço armado do governo golpista, disse que não usaria a força. A Polícia Federal sabia que o povo resistiria, que sem negociação não tiraria Lula do sindicado sem deixar uma trilha de sangue.
Lula negociou e, nos limites dados por sua posição de condenado pela justiça, venceu e humilhou a instituições ocupadas pelo golpe neoliberal.
Lula não estava foragido. O mundo inteiro sabia onde ele estava e mesmo assim o Estado brasileiro não foi capaz de prendê-lo no prazo determinado pela justiça golpista. Durante um pouco mais de 30 horas, Lula foi um exilado dentro do Brasil, como se São Bernardo do Campo fosse um República independente, a “República Popular dos Trabalhadores“.
Lula fez de uma missa em homenagem a Dona Marisa Letícia um ato político e aqui temos mais um lance simbólico do Presidente operário: restabeleceu as pontes entre a esquerda brasileira e a Igreja Católica, aliança que tão importante nos anos 1970, quando sob as bênçãos da Teologia da Libertação foi fundado o Partido dos Trabalhadores.
No palanque, junto com o Padre, estavam Lula e as futuras lideranças da esquerda brasileira. Lula dividiu seu epólio em vida, tomou pra si esse ato mórbido ao abençoar Boulos, Manuela e Fernando Haddad.
Lula unificou em vida a esquerda brasileira. Não só unificou, mas pautou, apresentou o programa, cantou o caminho das pedras.
Lula deixou claro que o povo mais pobre precisa comer melhor, precisa consumir, viajar de avião, estudar na universidade. Lula, o operário que durante a vida inteira foi humilhado por não ter diploma de ensino superior, foi o professor de milhões de brasileiros que sonham com um país melhor.
É como se Lula estivesse dizendo: “num país como o Brasil, a obrigação mais urgente da esquerda é transformar o Estado burguês em agente provedor de direitos sociais”.
Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história.
Não, meus amigos, acuado pelas forças do atraso, Lula não deu um tiro no próprio peito.
Lula mandou trazer cerveja e carne e fez um churrasco com seus companheiros e companheiras. Foi carregado pelos seus iguais, foi tocado, beijado. Saliva, suor, pele.
Lula não deu um tiro no próprio peito.
Getúlio é gigante, sem dúvida, mas também era herdeiro das oligarquias. Lula é o único trabalhador que, vindo da base da sociedade, conseguiu governar e transformar o Brasil. Lula já é maior que Getúlio.
Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

#LULALIVRE: FERNANDO MORAIS ENTREVISTA RUI COSTA PIMENTA

https://youtu.be/g9X8Qwz7U98

Lançamento do livro: Golpe de Estado e imposição da política de guerra no Brasil


O vlogueiro do MBL que acossou Ciro Gomes

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo: Transcrito no blog do Miro.
Arthur do Val, agitador profissional do MBL que se apresenta como “Mamãe Falei” (pois é), acusou Ciro Gomes de tê-lo “agredido” durante a abertura do Fórum da Liberdade, na capital gaúcha.

Arthur acrescentou que “um deputado que se absteve no impeachment”, cujo nome não se deu ao trabalho de pesquisar, jogou guaraná em sua perna (!?!).

Demorou horas para mostrar as imagens do terrível atentado.

Fedia a fake news, especialidade da milícia - e era.

No resultado editado por ele, Arthur aparece importunando Ciro, perguntando se ele ainda iria sequestrar Lula e levá-lo a uma embaixada.

Ciro lhe dá dois pescotapas, filmados com câmeras diferentes porque o sujeito vive desse tipo de flagrante armado.

O modus operandi de Arthur não convence nem sequer seus fãs.

“Eu comecei a seguir porque ele propunha um debate. Trocava uma ideia na moral. Mas nesse episódio ele se demonstrou um perfeito babaca”, escreve um desiludido.

O vlogueiro vive de aparecer no meio de gente de esquerda para causar confusão.

Faz uma pergunta mal intencionada, foge como uma galinha - e depois faz seu mimimi patético.

A ideia é causar desordem e violência, como os “camisas pardas” do nazismo, os baderneiros das SA. Bate a carteira e grita “pega, ladrão”.

Essa é sua maneira de fazer campanha para deputado federal.

Em janeiro de 2017, nosso colunista Mauro Donato teve um encontro com ele. Mauro relata um detalhe: Arthur comete a pilantragem e corre para a polícia.

Arthur do Val responde a diversos processos.

Em setembro, foi obrigado pela Justiça a retirar do YouTube ofensas a Luciana Genro, o filho Fernando Genro Robaina e o vereador Roberto Robaina (Psol), pai de Fernando e ex-marido de Luciana.

Ele é o autor de um famoso vídeo com Plínio Zalewski, coordenador da campanha de Sebastião Melo (PMDB) para a prefeitura de Porto Alegre, apontado como peça central de sua morte por amigos e familiares.

Zalewski relatou a amigos um “profundo incômodo” com os ataques. Foi encontrado morto em outubro. A polícia acredita em suicídio.

Numa ação orquestrada, o youtuber se deslocou de São Paulo ao Rio Grande do Sul para “trabalhar” nisso, garantindo que pagou do “próprio bolso”.

“Tudo por ideologia, completamente ideologia”, afirma. Então tá.

O chamego de Ciro foi, antes de tudo, legítima defesa.

O voo da morte com Lula

Por Jeferson Miola, em seu blog: transcrito no blog do Miro

São autênticos e reais os áudios em que um energúmeno se comunicou com os pilotos do monomotor que levou Lula de São Paulo a Curitiba na noite de sábado, 7 de abril.

O diálogo começa com uma orientação macabra: “Tá autorizado abrir a porta aí [do avião], e colocar esse lixo [Lula] pra fora”. A partir daí, seguiu-se o seguinte diálogo:

[piloto do avião] – “Atenção os colegas na fonia, vamos tratar só o necessário tá? Que é meu trabalho aqui, vamos respeitar nosso trabalho. Obrigado”;

[energúmeno] – “Eu respeito, mas manda esse lixo janela abaixo”;

[controladora de tráfego aéreo, que interceptou o diálogo] – “Pessoal, a frequência é gravada e ela pode ser usada contra a gente. Então mantenham a fraseologia padrão na frequência, por gentileza. Quem tá falando agora é o [inaudível]. Por gentileza, mantenham a fraseologia padrão”;

Segundo fontes especializadas consultadas pelo GGN e Revista Fórum, a investigação para se chegar à identificação do autor da sugestão macabra e homicida seria muito simples: “Na imagem [do áudio gravado], aparecem duas numerações: a primeira é a que indica a origem da Torre de Controle aonde foi trocada a conversa. O número 118.900 indica a Torre do Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, Paraná. A lista das frequências da aviação pode ser encontrada em diversos sites e blogs na internet”.

Em nota oficial, a FAB afirmou simplesmente que “podemos afirmar que as referências ao ex-presidente não foram emitidas por controladores de voo”, porém a FAB não se esforçou em identificar o verdadeiro autor desta barbaridade – inclusive para comprovar que não foi um ato insano cometido por um controlador de vôo da FAB.

O GGN revelou ainda que “a própria FAB admitiu que um dos diálogos gravados foi feito desde essa Torre situada no município de Curitiba. Para saber se o autor das declarações partiu de uma Torre de Controle, bastaria à FAB recuperar a comunicação entre o piloto e o controlador, na íntegra, e comparar a voz do funcionário que passava as orientações do tráfego, antes da ameaça, além de acessar o próprio registro da Torre, com o funcionário responsável por se comunicar com aquela aeronave no dia 7 de abril”.

É inescapável pensar na associação entre este vôo da morte do Lula e os vôos da morte da ditadura argentina, que macabramente “desovavam” presos políticos de aviões – “inimigos” da ditadura e da continental Operação Condor – no Oceano Atlântico e no Mar del Plata.

Decorridos 30 dias do atentado fatal que assassinou Marielle Franco e Anderson Gomes; e passadas 2 semanas do atentado a tiros contra a caravana do Lula no Paraná, os órgãos policiais da ditadura Globo-Lava Jato ainda não avançaram 1 milímetro sequer nas investigações para revelar os autores de tais atos terroristas.

Por outro lado, entretanto, estes mesmos órgãos da polícia política do regime fascista já “identificaram” os autores do protesto na residência da Carmem Lúcia em Belo Horizonte – são os integrantes do MST e do Levante Popular da Juventude, que nunca esconderam suas identidades – porque agem à luz do dia – e assumiram desde sempre a autoria do protesto pacífico e sem riscos à vida até mesmo de uma cucaracha.

O fascismo começa primeiro aniquilando os inimigos. E então os fascistas celebram com happys hours, cervejadas e piadas infames.

O problema é que depois, quando o fascismo ganha vida própria e foge ao controle, ele aniquila os próprios fascistas que propagam o ódio, a violência e a intolerância. E aí, então, pode ser tarde.

A ditadura Globo-Lava Jato será vítima da violência, da intolerância e do ódio que ela própria propaga. A ditadura Globo-Lava Jato experimentará do próprio veneno que infunde contra seus inimigos – Lula e o PT.