terça-feira, 31 de maio de 2016

xadrez dos vetores Lava Jato e procurador-geral - Luis Nassif

http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-dos-vetores-lava-jato-e-procurador-geral

Greve dos petroleiros e o capacho de FHC

Ilustração: Bira/Fup
Por Altamiro Borges, em seu blog
O Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovou nesta segunda-feira um indicativo de greve geral de 24 horas para 10 de junho. Conforme informa a convocatória da entidade sindical, "esta data marcará a primeira grande mobilização nacional que as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizarão contra o governo ilegítimo de Michel Temer". O objetivo da paralisação da aguerrida categoria será denunciar "os ataques à Petrobras, ao pré-sal e aos direitos e conquistas da classe trabalhadora, que estão sendo desmontados pelos golpistas".

Ainda segundo a nota, "as medidas econômicas do governo ilegítimo, anunciadas na semana passada e já em curso, revelam o que vínhamos alertando: o objetivo do golpe é derrubar as conquistas que garantimos a duras penas ao longo dos últimos anos. É retirar direitos da classe trabalhadora, arrochar os salários, reduzir os investimentos do Estado na educação, saúde, habitação e outras áreas sociais, privatizar as empresas públicas, entregar o Pré-Sal e o que restou das nossas riquezas. Estas medidas atendem à Fiesp, às transnacionais, ao mercado de capitais e aos demais financiadores do golpe".

A greve nacional dos petroleiros também servirá como denúncia à nomeação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras. Conforme alerta a FUP, em carta dirigida ao conselho da estatal, este gestor "responde na Justiça a ação por improbidade administrativa, que causou prejuízos de mais de US$ 1 bilhão à companhia". A indicação de Michel Temer ainda não foi aprovada, mas causa temores entre os petroleiros e os acionistas da empresa. "Se isso realmente se confirmar, será a desmoralização do Conselho de Administração e do chamado 'teste de integridade', ao qual Parente deve ser submetido, como determina o estatuto da Petrobras" - afirma a carta, assinada pelo coordenador-geral da FUP.
"O ex-faz tudo de FHC"
De fato, Pedro Parente não seria aprovado por qualquer "teste de integridade". Até a Folha tucana, ao noticiar a sua indicação pelo "presidente interino", tratou o gestor como o "ex-faz-tudo de FHC" - ou seja, como capacho do grão-tucano entreguista e privatista. Conforme registrou a reportagem, Pedro Parente "teve cargos importantes nos governos Sarney e Collor. Com FHC, foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda, ministro do Planejamento e da Casa Civil. Ele foi também o chefe do 'Ministério do Apagão', grupo criado na crise energética de 2001, que derrubou a economia e a fama de bons gestores dos tucanos". Com as quatro derrotas presidenciais do PSDB, Pedro Parente virou presidente do grupo de comunicação RBS, afiliado da TV Globo, e da multinacional Bunge.
Agora, com o Judas Michel Temer, o "ex-faz-tudo de FHC" volta ao governo num cargo estratégico para a soberania do Brasil. Privatista convicto, ele terá a missão de agilizar o plano dos entreguistas, detalhado no documento "Ponte para o futuro" do PMDB, de entregar o pré-sal às multinacionais do petróleo. Ele também não vacilará em reduzir os investimentos na Petrobras, preparando o terreno - sempre sonhado pelos tucanos - para reduzi-la a uma "Petrobrax". Como alerta a carta ao conselho de administração, "a indicação de Pedro Parente coloca em risco o futuro e a credibilidade da empresa".

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Temer coloca a raposa no galinheiro

Por Marcelo Auler, em seu blog

Sem dúvida, é Fantástico. Talvez nem tanto o programa em si, mas a reportagem apresentada na noite deste domingo (29/05) mostrando que o presidente Michel Temer, ao nomear Fabiano Silveira para o ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, não fez nada mais do que colocar a raposa para cuidar do galinheiro.

Se antes era difícil entender os motivos que levaram o governo a acabar com o que dava certo, a Controladoria Geral da União (CGU), agora tudo se clareia. Na verdade, quiseram apenas tumultuar, com mudanças desnecessárias que serviram de provocações junto aos servidores – os quais, no domingo, segundo o jornal O Globo, anunciaram uma paralisação, nesta segunda-feira (30/05) para forçar a saída da raposa, ops, de Fabiano. Certamente, o novo governo imaginava que tumultuando conseguiria tirar o foco do objetivo principal que já não consegue esconder: evitar punições dos atuais governistas que frequentam as listas sujas da Lava Jato.

Curioso é que todos da oposição ao governo Dilma Rousseff, inclusive e principalmente os meios de comunicação das Organizações Globo e seus jornalistas, sempre acusaram o governo legitimamente eleito de querer melar as apurações de corrupção. Mas, não só não conseguiram provar nada contra a presidente e seus ministros, como ainda souberam, através das muitas conversas vazadas, publicadas pela Folha de S. Paulo, na semana que passou, que ela rejeitou qualquer tipo de interferência.

Agora, por meio da Rede Globo, descobrimos que antes mesmo de ser governo, ministros do presidente interino que chegou ao cargo pelo golpe, já tentavam interferir nas investigações. Imagine-se o que não pretendem fazer nos postos em que se encontram?

Quem quer melar?
Lembro, por exemplo, que ao assumir, em março, o ministério da Justiça, o sub-procurador da República, Eugênio Aragão, de maneira infeliz mandou um recado para a Polícia Federal de que trocaria a equipe de investigação se sentisse “cheiro” de vazamento, sem precisar de provas. Os protestos foram gerais.

Minha colega e ex-chefe, Miriam Leitão, por exemplo, escreveu a coluna “O homem amigo“, em O Globo, acusando o então novo ministro de “buscar um pretexto para intervir na equipe da Lava-Jato. Mesmo sem ter tido sequer cheiro de vazamento, ele continuou. Circulam rumores de que ele tem uma lista das cabeças que cortará. O “Valor” ontem falou de duas dessas cabeças: Rosalvo Ferreira, superintende da Polícia Federal no Paraná, e Igor Romário de Paula, diretor de combate ao crime organizado no Paraná. Além, claro, do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello”.

Na época, respaldado na nossa antiga amizade, mandei-lhe uma mensagem dizendo que não era bem isto, ou seja, acabar com a Lava Jato. Mas, sim, botar ordem na casa. Dela recebi uma delicada e gentil resposta, na qual, após confessar ser leitora do blog, insistiu na sua tese:

“Não posso no entanto tapar o sol com a peneira, o que o ministro quer é o que foi dito explicitamente pelo Lula. Não é corrigir eventuais erros, mas interferir no processo de investigação. Neste caso nós estamos vendo os acontecimentos por ângulos inteiramente diferentes. Mas discordância é normal.”

Quem fez pelo DPF
O tempo passou e mostrou quem tinha razão. Pode-se até alegar que a permanência de Aragão foi por um prazo pequeno. Mas, era suficiente para ele, por exemplo, cobrar explicações dos muitos desmandos que foram denunciados por toda imprensa, inclusive, por este blog. Certamente, não teve condições políticas de fazê-lo. Nem tempo para mudar a estrutura.



Os dois meses e pouco em que ele foi ministro, porém, foram suficientes para tomar iniciativas que demonstram justamente o contrário. Em uma delas, antecipou todo o orçamento do Departamento de Polícia Federal (DPF), de 2016, para evitar que reclamassem da falta de recursos para as investigações. Foi capaz ainda de convencer o ministério do Planejamento a fechar um acordo de aumento salarial com os representantes de todas as categorias do DPF, previsto para começar a ser pago no início de 2017. Isto é, se Temer e Henrique Meireles cumprirem o que foi combinado com o governo Dilma. Pessoalmente, tenho minhas dúvidas.

Imagem no exterior
A coincidência maior é que coube ao jornalista Vladimir Neto, filho de Míriam, apresentar o “furo” de reportagem da TV Globo na noite de domingo. Verdade que a reportagem é fruto de mais um dos vazamentos seletivos que ocorrem com frequência na Lava Jato. Desta vez, provavelmente, um vazamento pela turma do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Confesso, como jornalista, receberia de bom grado informação como esta.

Certamente, se o governo interino quiser se passar por sério, hoje ele trocará mais um ministro. O segundo em menos de um mês. Um bom recorde para uma nova administração.



Nas três reproduções acima, os conselhos da “raposa” Fabiano Silveira, a quem Temer encarregou de combater à corrupção, para seu padrinho político, Renan Calheiros, acusado de corrupção por delatores da Lava jato. Fotos: Reprodução da TV Globo

Crime cometido
Vai ser curioso ver o que a equipe do ministro das Relações Exteriores, José Serra, repassará aos diplomatas brasileiros no exterior, tal como mostramos na reportagem A ideologização do Itamaraty para tentar reverter imagem do governo Temer, para que expliquem mais esta contradição, na tentativa de melhorar a imagem de um governo que é tido como golpista.

Há ainda um outro aspecto de toda esta história que precisa ser lembrado, para depois ser cobrado. Fabiano, quando tentou ajudar seu “padrinho político”, o presidente do Senado, Renan Calheiros, ocupava uma cadeira no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instituição criada para justamente zelar pelo bom andamento do Judiciário.

O que ele fez, salvo melhor juízo dos que operam o Direito, tem nome e pena previstos no Código Penal: advocacia administrativa.

Trata-se do Art. 321 do Código Penal: Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena – detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único – Se o interesse é ilegítimo: Pena – detenção, de três meses a um ano, além da multa.

É um assunto para o atual presidente do CNJ, o ministro Ricardo Lewandowski deter-se sobre ele. Teoricamente, o crime foi cometido, pois Fabiano, como diz a reportagem, andou atrás da Força Tarefa da Lava Jato em busca de informações sobre a situação de Calheiros. Mas será que o procurador-geral, Janot, se preocupará em apurar e denunciar se tudo se confirmar? Ou deixará de lado, como tem sido habitual com todas as irregularidades que foram cometidas pela chamada Força Tarefa da Lava Jato, insistentemente denunciadas?

A propósito: no horário do Fantástico, no domingo (29/05) eu viajava de carro do Rio para São Paulo. Por todas as cidades onde passei – é verdade que algumas à distância – não ouvi baterem panelas reclamando da tentativa de melarem a Lava Jato. Foi uma falha de audição minha?

Considerações sobre o Governo Cunha

Política

Hamilton Pereira (Pedro Tierra)*, na Carta Maior

  Menos de duas semanas depois de instalado o regime parlamentarista bastardo conduzido à sombra pelo Primeiro-Ministro Eduardo Cunha, sob os olhos complacentes do Judiciário e o apoio entusiasta do cartel da mídia monopolizada, a sociedade brasileira já experimenta o significado dessa forma de governo e começa a entender porque nossos avós e nossos pais a rejeitaram quando foram chamados a se pronunciar em plebiscitos.

É que num país como o Brasil em que as oligarquias – as arcaicas e as contemporâneas – devoram os partidos, o sistema parlamentarista tenderá sempre a ser apropriado, como no caso presente, por uma camarilha. Por isso a constituição de 1988 consagrou, num momento de grande mobilização popular e, portanto, de grande legitimidade, o presidencialismo no seu texto.  

O Senador Romero Jucá – um dos mais relevantes planejadores do Golpe parlamentarista – foi colhido por uma composição ferroviária! E exposto aos olhos e ouvidos dos cidadãos por meio de um grampo (a mais contemporânea forma de luta política adotada nessa república de Pindorama) e aos olhos e ouvidos do mundo, atentos ao que ocorre nesses tristes trópicos. O então Ministro do Planejamento, pois já não é, expressava ao seu interlocutor nas gravações vindas a público, uma, apenas uma das reais razões do Golpe: deter a Operação policial/judiciária Lava-a-Jato, e “estancar a sangria”.

Traduzindo: para o ex-Ministro a Lava-a-Jato já cumpriu seu papel no Golpe ao afastar o PT da disputa política. Trata-se, naturalmente, de uma suposição. Se seguir operando, a partir de agora será contra nós. Contenhamos pois, o apetite punitivo dos senhores procuradores antes que eles nos peguem na ratoeira e comprometam os objetivos principais: o saque aos direitos dos trabalhadores assegurados pela constituição de 88 e a derrubada do regime de partilha na exploração do pré-sal. Em outras palavras: atropelar a soberania popular para que o Estado Brasileiro possa renunciar à soberania nacional. Esses dois objetivos foram anunciados pelo governo interino, como se interino não fosse, nas suas primeiras iniciativas.

Na primeira semana foi anunciado o assalto sobre as conquistas obtidas pelos setores populares em três décadas de lutas, desde a derrota da ditadura militar. O saque se materializa já nos momentos iniciais do governo interino por meio das reformas trabalhista e previdenciária, da revogação da política de valorização do salário-mínimo e dos cortes de investimento nas áreas de educação, saúde, moradia que caracterizam os alicerces de um Estado de bem-estar social esboçado pelos governos de Lula e Dilma, com o objetivo restaurar o Estado Mínimo sonhado pelo neoliberalismo e derrotado pelos cidadãos nas quatro últimas eleições presidenciais.

O Ministério Cunha-Temer é uma camarilha. É produto direto do espetáculo, em dois atos, a que fomos submetidos durante a votação do 17 de abril e 12 de maio, nas duas casas do Parlamento. Está à altura deles. Não guarda, portanto, nenhum compromisso com o esforço da sociedade para civilizar-se, nem mesmo com aqueles setores que, iludidos em sua boa-fé pelo cartel da mídia familiar, em particular a Rede Globo, saíram às ruas acreditando que estavam contribuindo para combater a corrupção no país.

Os primeiros passos do governo ilustram os verdadeiros objetivos do golpe e as revelações dos últimos dias já não deixam margem para dúvidas: o golpe de estado em curso busca restaurar o regime de privilégios, arranhado pelos governos Lula e Dilma, que se perpetuou no país ao longo de cinco séculos e produziu uma das mais sociedades mais desiguais e violentas do planeta.

Diante da estreia desse trailer de filme de terror oferecida em duas semanas nos perguntamos sobre o que nos espera. Afastado o PT, trata-se naturalmente de uma suposição, agora cumpre preparar o país para entrega-lo a novos dirigentes, os únicos capazes de regenerá-lo, porque moldados de outra matéria, os juízes: Moro? Joaquim Barbosa? Gilmar Mendes? Ou quem sabe José Serra, o operoso chanceler interino que busca – ansioso – anular em alguns dias todas as conquistas construídas pelo Itamarati durante os últimos 13 anos, quando o país se afirmou no cenário internacional numa posição de destaque só comparável com o período do Barão do Rio Branco?

Como chegarão aos seus objetivos é uma incógnita. Mas, diante das tropelias, do apetite e do escárnio dos primeiros dias, imaginam que já têm a chave nas mãos: o povo é contra? Revogue-se o povo em contrário...

A palavra está com as ruas.

*Hamilton Pereira (Pedro Tierra) é poeta. Presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo

http://outraspalavras.net/outrasmidias/capa-outras-midias/o-psdb-prepara-um-golpe-dentro-do-golpe/

http://wp.me/p3C2Pm-1kCO

Acordo de mais de R$ 1-milhão beneficiara auxiliares de limpeza de shopping da capital

http://www.fecesc.org.br/acordo-de-mais-de-r-1-milhao-beneficiara-auxiliares-de-limpeza-de-shopping-da-capital/

Bendine renuncia à presidência da Petrobras e abre caminho para Parente

http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2016/05/30/bendine-renuncia-a-presidencia-da-petrobras-e-abre-caminho-para-parente-diz-fonte.htm