quinta-feira, 28 de maio de 2015

Primavera Árabe virou show de horror

Por Mauro Santayana, em seu blog:

Prometeram-lhes a Primavera. Mas nenhuma flor brotou de seus cadáveres, a não ser as formadas pelas algas e organismos marinhos que cobrem os seus corpos no fundo do Mediterrâneo.

Disseram-lhes que haveria paz, justiça, progresso, conforto e liberdade. E em troca lhes deram o caos de que procuram fugir a qualquer preço, a guerra, a injustiça, a destruição, o medo, a opressão e a miséria, e atacaram, com seus aviões e navios e as bombas e balas de seus mercenários, seus países, suas lojas, suas escolas, seus consultórios, seus poços e suas fontes, seus campos de trigo, seus bosques de oliveiras, matando seus cavalos, suas vacas, suas ovelhas, e explodindo suas pontes e seus templos.

Suas casas e ruas agora estão em ruínas. Seus móveis e os retratos de seus pais foram queimados para fazer fogo e assar o pão escasso enviado por outros povos, muitos de seus filhos e filhas morreram e os que sobraram não vão mais aos parques, nem ao zoológico, nem à escola, e caçam ratos entre os escombros em que se misturam os restos de mesquitas, igrejas e sinagogas.

Aqueles que prometeram a Primavera transformaram professores, agricultores, trabalhadores, médicos, engenheiros, comerciantes, em fantasmas que vagueiam agora aos milhares, enterrando seus velhos e seus recém-nascidos por trilhas, montanhas, mares e desertos hostis e inóspitos, sem poder prosseguir diante de fronteiras e portos que não permitem a sua entrada, obrigando-os a fazer dos restos de suas túnicas e bandeiras farrapos imundos que cobrem seus frágeis abrigos e tendas provisórias.

Aqueles que haviam lhes prometido a Primavera tinham dito que era preciso que seus ditadores caíssem, para que fossem felizes. E para derrubar os antigos líderes de seus países, dividiram seus povos e as armas que trouxeram de fora, equipando exércitos de assassinos, de sádicos, estupradores e mercenários, permitindo que seus bandidos fossem e matassem.

Foi assim que eles derrubaram, então, aqueles que governavam antes. Os enforcaram ou espancaram na rua, como cães, até a morte, destruíram as estradas, ferrovias, aeroportos, avenidas, represas, aquedutos, viadutos, hospitais, as estátuas e os palácios que Saddam, Kadafi, haviam construído, e mataram também seus filhos, para que não os vingassem, e aqueles que um dia os tinham apoiado, e espancaram e assassinaram também seus filhos pequenos e violentaram suas filhas e mulheres.

“Vão”, disseram os que haviam prometido que semeariam a Primavera. E seus assassinos foram. Os mesmos que agora voltaram-se contra eles, que degolam seus prisioneiros ajoelhados na areia, e se espalharam em bandos e seitas pelo Oriente Médio e o Norte da África.

Eles querem montar um Estado – Islâmico, eles o chamam – onde antes existiam, de fato, a Líbia, a Síria e o Iraque. Estão às portas de Bagdá. Tomaram Ramadi e Palmira. E cobiçam Trípoli e Damasco.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Agressão a Mantega: ou petistas reagem ou param de ir a redutos de rico casca-grossa


Por Eduardo Guimarães, em seu blog "da Cidadania"

"Em cerca de uma semana, dois ex-ministros dos governos Lula e Dilma foram alvos de baixarias em restaurantes: Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde de Dilma e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais de Lula, e Guido Mantega, ministro do Planejamento de Lula e ministro da Fazenda de Dilma até o ano passado.

Mantega já fora vítima de agressão verbal em público em fevereiro, quando foi ao hospital Albert Einstein visitar um amigo doente. Padilha foi agredido verbalmente na semana retrasada no restaurante Varanda Grill, no bairro paulistano do Itaim Bibi.

As agressões físicas e morais em público por razões políticas não estão ocorrendo somente contra petistas de carteirinha ou membros de governos petistas. Cidadãos comuns vêm sendo agredidos mesmo que não tenham preferência pelo PT. Basta usarem alguma peça de roupa vermelha e passarem ao lado de grupos radicais de extrema-direita que deram de fazer ponto em bairros “nobres” de São Paulo com a finalidade de promoverem essas agressões contra qualquer um que seja “suspeito” de ser petista.

Desta vez, Mantega foi agredido em um restaurante, segundo reportagem da "Folha" de São Paulo:

“(…) Ao ouvir as primeiras provocações, o petista parou e perguntou quem havia falado com ele. Um senhor assumiu a autoria do comentário e disse que só não falaria mais em ‘respeito’ à mulher de Mantega. O ex-ministro tentou responder, mas foi interrompido por vaias. Dois clientes saíram em defesa do petista, pedindo ‘educação’ aos demais. O primeiro pediu que Mantega voltasse ao restaurante e o cumprimentou. O ex-ministro foi vaiado novamente e então deixou o local. Em seguida, uma senhora pediu que parassem com a provocação (…)”

Qualquer semelhança com o que aconteceu com judeus e comunistas durante a ascensão do nazismo não é mera coincidência. Trata-se do mesmo processo de envenenamento social que desencadeou um dos maiores horrores da história da humanidade.

Porém, aqui vamos nos ater a agressões a pessoas públicas que participaram de governos petistas, como Mantega e Padilha.

Durante as duas agressões a Mantega e a agressão a Padilha, a reação dos agredidos foi pífia ou não existiu. Padilha ainda respondeu alguma coisa, porém de forma absolutamente contida, como mostra o vídeo da agressão que sofreu por parte de um ricaço paulistano há poucos dias. Já Mantega, nas duas oportunidades em que foi agredido, não reagiu.

Esses ataques a homens públicos petistas só ocorrem em São Paulo e em locais frequentados por uma classe média alta ou rica que é bastante conhecida dos paulistanos. Este que escreve, assim como qualquer paulistano, sabe muito bem que esse tipo de gente está sempre por aí fazendo barraco.

Os endinheirados da capital paulista adoram fazer barraco em locais públicos. Maltratam garçons, funcionários do comércio e até uns aos outros. São pessoas grandiloquentes, cheias de “razão” que acham lindo incomodarem as pessoas ao redor com seus discursos furiosos quando se veem contrariados de alguma maneira.

Particularmente, eu reagiria. Gente que começa a dar “piti” em um restaurante está incomodando as outras pessoas. É gente mal-educada que não sabe qual é a opinião dos outros no entorno, mas que acha que sua opinião tem que prevalecer e, assim, não se peja em abusar dos ambientes em que está inserida. Essa gente tem que ser enfrentada, a meu ver.

Tanto em uma situação como a que enfrentou Padilha quanto nas que enfrentou Mantega, eu responderia à altura. Ao agressor de Padilha, diria que é deprimente alguém que está almoçando em um restaurante tão caro ser contra um programa que permite que pessoas pobres tenham médico. Aos agressores de Mantega eu exigiria que respeitassem pessoas que estavam no local e que não concordavam com eles ou mesmo as que concordavam mas não se sentiam bem com baixaria em público.

No caso de Mantega, por visivelmente ser uma pessoa educada e sóbria nas duas agressões que sofreu acabou dando vitória aos agressores ao sair com o rabo entre as pernas, apesar de ter sido defendido por pessoas civilizadas que estavam no local da segunda agressão. No caso de Padilha, sua frase sobre o programa "Mais Médicos" atender 64 milhões de brasileiros foi claramente insuficiente.

Há pessoas que não têm condições de se meter em bate-bocas públicos. Claro que é extremamente desagradável e estressante. Porém, deixar que esses fascistas atinjam seu objetivo é estimular novas agressões. Um homem público tem que pensar na coletividade e ao coonestar atitudes como essa ao não reagir, estão sendo cúmplices de seus agressores.

Uma outra alternativa aos petistas eminentes, que podem ser reconhecidos e agredidos em restaurantes chiques e outros redutos da elite é deixarem de frequentar esses lugares.

Não foi revelado qual foi o restaurante em que Mantega foi agredido no último sábado, mas parece bastante verossímil que tenha sido em um restaurante sofisticado de algum bairro nobre de São Paulo.

Muitas vezes, vale mais a pena ir a um bom restaurante – no sentido gastronômico – em regiões mais populares da cidade do que frequentar esses espaços gourmet e sair aborrecido, caso não haja disposição para enfrentamentos. O que não dá para fazer é insistir em ir a esses lugares e, uma vez agredido, sair com o rabo entre as pernas.

Na Alemanha dos anos 1920, os setores daquela sociedade que eram fustigados nas ruas pelos nazifascistas optaram por suportarem calados as agressões. No início, em vez de comunistas e judeus se organizarem e reagirem, deixaram que o processo de ascensão de intolerância germinasse. Deu no que deu. O Brasil não pode cometer o mesmo erro."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães, em seu blog "da Cidadania"   (http://www.blogdacidadania.com.br/2015/05/agressao-a-mantega-ou-petistas-reagem-ou-param-de-ir-a-redutos-de-rico-casca-grossa/).

Entrevista com médico do trabalho

https://www.youtube.com/watch?v=aT8yOVKz8B4

domingo, 24 de maio de 2015

O pacote chinês para além da ferrovia transoceânica

José Augusto Valente no Carta Maior
postado em: 24/05/2015
Presidentes da China e do Brasil assinaram, nesta semana, 35 acordos de cooperação, englobando áreas como planejamento estratégico, transportes, energia e agricultura. Com isso, Brasil e China enviaram ao mundo um forte sinal de fortalecimento das relações dos Brics. Há muita coisa importante nesses acordos bilaterais assinados, mas ganhou destaque na imprensa a possibilidade de construção de uma ferrovia ligando os oceanos Atlântico e Pacífico.

O propósito deste artigo é comentar esse ponto, mostrando que há um acúmulo histórico sobre o assunto, e apontar os desafios a superar que estão colocados.

Já em 1996, um estudo desenvolvido pelo Geipot teve como objetivo caracterizar possibilidades de ligações terrestres e fluviais entre o Brasil e a Bolívia, o Equador, o Chile e o Peru. O estudo analisou dez corredores alternativos, distribuídos em toda a extensão do território brasileiro e em grande parte da América do Sul.

Por outro lado, no período 2001-2009, no âmbito da Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Suramericana – Iirsa, foram identificados dez eixos. Quatro abrangem áreas de influência situadas entre os oceanos Atlântico e Pacífico, sendo, portanto, de especial interesse para o Corredor Bioceânico.

Mais recentemente, a Valec estudou a Ferrovia Transcontinental, planejada para ter aproximadamente 4.400 km de extensão em solo brasileiro, entre o Porto do Açu, no litoral do estado do Rio de Janeiro e a localidade de Boqueirão da Esperança/AC, como parte da ligação entre os oceanos Atlântico, no Brasil, e Pacífico, no Peru. Entre Campinorte/GO e Vilhena/RO, com estimados 1641 km de extensão, essa ferrovia é denominada Ferrovia de Integração do Centro Oeste – Fico e está no Programa de Aceleração do Crescimento (Pac).

Segundo o acordo firmado agora entre Brasil e China, será feito o estudo de viabilidade técnico-econômica da ligação da Fico até um porto no Peru, atravessando a cordilheira dos Andes.

Embora a China visualize a possibilidade de reduzir o custo logístico da importação significativa que faz de soja brasileira, a finalidade de integração sul-americana deve ser igualmente ou mais valorizada neste projeto.

Nesse sentido, um aspecto a ressaltar é que a mesma infraestrutura ferroviária para transporte de carga poderá ser utilizada para passageiros, com veículos que podem desenvolver até 200 km/hora (tecnologia Pendolino).

Do ponto de vista da integração, as cargas de maior valor agregado produzidas nos países sul-americanos poderiam ser movimentadas em menor tempo e custo, com impacto significativo para as nossas economias.

Voltando ao interesse declarado dos chineses, que é soja e minério de ferro, a dúvida quanto à redução do preço final da soja, por conta de eventual redução de custo, reside no fato de que, na cadeia logística da soja, o elo forte é o embarcador, ou seja, aquele que comercializa sua a produção. Assim, qualquer redução de custo logístico provavelmente será apropriada pelo embarcador, uma vez que ele controla toda a cadeia, definindo o preço no mercado e contratando os operadores logísticos. Além disso, tem comprador garantido.

Outra dúvida é quanto à flexibilidade da tarifa cobrada no Canal do Panamá, por onde passam os navios saindo dos terminais do norte e nordeste do país, ou mesmo de Santos, São Francisco do Sul e Paranaguá em direção à China. Como o frete marítimo é, normalmente, a metade do frete ferroviário, o que pesa, atualmente, é o "pedágio" do Canal. Há, portanto,  a possibilidade de que esta tarifa seja reduzida o suficiente para garantir que o transporte marítimo continue sendo a melhor alternativa.

De todo modo, o estudo de viabilidade dirá o que é possível em relação a esse mercado. Assim, estou animado quanto ao objetivo de integração sul-americana e um pouco cético quanto ao principal objetivo da China ao financiar esse estudo.
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José Augusto Valente
é especialista em logística.



Com China e banco dos Brics, geopolítica aponta para virada do Brasil

Conjuntura
Investimentos que a China anunciou para o país e a consolidação do banco dos Brics faz frente à conspiração midiático-judicial-tucana financiada pelos EUA, em especial pelas indústrias Koch
 
por Miguel do Rosário,  em O Cafezinho publicado 

Brasília Antes de reproduzir uma notícia importante, sobre a aprovação na Câmara do banco dos Brics, permitam-me algumas especulações. Algumas podem parecer paranoicas, mas estamos diante de uma virada geopolítica tão grande, com movimentos tão definidos, que podemos nos dar ao direito de suprir o que não sabemos com um pouco de imaginação.
Mesmo que nos faltem elementos para fechar o quebra-cabeça, isso não afetará o resultado final da análise, que é baseado em fatos: a China está trazendo para o Brasil os recursos que os EUA estão tirando. Exemplo: enquanto o sistema judiciário americano tenta ferrar a Petrobras, a China está assinando acordos sucessivos para emprestar dinheiro à estatal, já anunciou investimentos aqui da ordem de R$ 200 bilhões para cima, e acertou com o Brasil a criação do banco dos Brics, que alocará outros bilhões na infra-estrutura brasileira.
Passei uma tarde inteira, na quarta, conversando com parlamentares, da Câmara e do Senado, e uma das teorias que circulam naqueles ambientes é a seguinte: a conspiração midiático-judicial-tucana para destruir a cadeia de indústrias do setor de petróleo é financiada pelos EUA, em especial pelas indústrias Koch, de propriedade dos irmãos Koch, os empresários mais ricos dos Estados Unidos.
Os irmãos Koch atuam em quase todas as etapas do setor, e são grandes especuladores no mercado mundial de petróleo. Os Koch são ainda os principais financiadores do partido republicano, em especial de suas franjas mais radicais, como o Tea Party.
Outra teoria, e essa é a mais plausível de todas, porque há mais fatos: vários desses grupos “jovens”, que organizam marchas antigoverno no Brasil recebem dinheiro americano. Vem pra rua, Revoltados on Line, Movimento Brasil Livre, essa turma toda recebe, em alguns casos até sem o saber, dinheiro dos Koch ou de outro grupo vinculado à direita americana e às suas empresas de petróleo.
Os irmãos Koch fazem lobby pelo fim da lei de conteúdo nacional, e pelo fim do monopólio da Petrobras como operadora, para que eles mesmo possam oferecer seus serviços e produtos à Petrobrás. Ou mesmo substituir a Petrobrás.
Corre à boca pequena no congresso que os tucanos não estão preocupados com a crise na cadeia de indústrias ligada ao petróleo e à construção civil, sob ataque político violentíssimo de setores conspiracionais do Ministério Público, porque o dinheiro deles já está garantido pelo Tio Sam.
O alto tucanato foi aos EUA, dias atrás, e seus membros foram homenageados num regabofe com bilionários.
Não me entendam mal. Ao contrário do clichê que se tem de um blogueiro progressista, não sou nenhum esquerdista antiamericano. Ao contrário, acho que o Brasil deveria desenvolver muito mais parcerias com os EUA, sobretudo nos campos da tecnologia da informação, ciências e cultura.
Mas evidentemente não faz sentido destruir a indústria brasileira de petróleo e substituí-la por empresas controladas pelos irmãos Koch, que representam o que existe de mais golpista, corrupto e reacionário nos EUA. Se existia corrupção na relação entre as indústrias brasileiras e a Petrobras, com a entrada dos Koch essa corrupção seria alçada a uma magnitude muitíssimo superior.
A relação entre o dinheiro americano e a política brasileira ficou clara durante as eleições de 2014. Sempre que Dilma caía nas pesquisas, as ações da Petrobrás subiam, empurradas por pressões especulativas exercidas a partir da bolsa de Nova York.
O capital internacional, que ainda existe e não é delírio de mentes paranoicas esquerdistas, tem sede nos EUA e defende, em primeiro lugar, os interesses econômicos e políticos dos EUA.
É aí que mora o problema: os EUA nunca tiveram uma visão generosa para com o Brasil, porque nunca dependeram de nós para nada. Com exceção, talvez, do café, que não tem importância estratégica nenhuma.
Já a China realmente precisa do Brasil, porque depende de nossos produtos agropecuários e minerais. Interessa à China que o Brasil se mantenha forte, estável e em crescimento, com uma política independente dos EUA, e por isso ela está ajudando o Brasil a superar a atual crise.
Os fundamentos da indústria brasileira foram lançados na década de 40, quando o então presidente Getúlio Vargas usou a geopolítica da época para obter grandes financiamentos dos EUA.
Dilma está fazendo a mesma coisa. Está jogando o jogo macro da geopolítica para trazer ao Brasil grandes investimentos em infra-estrutura.
E de quebra ainda conseguirá desinfetar a maioria dessas conspirações midiático-judiciais, cuja principal arma seria espremer e ressecar a economia brasileira.
A história do poder americano sugere fortemente que mantenhamos o nível de paranoia em estado de alerta. Mas se quisermos nos ater estritamente aos fatos públicos, nossa análise não muda muita coisa.
Em termos gerais, as pressões políticas que vem dos EUA continuam negativas. E não é porque os EUA são malvados e os chineses, bonzinhos.
Os EUA, à diferença da China, não têm interesse, por exemplo, em financiar a nossa infra-estrutura.
No frigir do bolinho de arroz, isso é o que importa: obter recursos, muitos recursos, para financiar nossos trens, metrôs, portos e estradas.
Conseguimos isso com a China, o que forçará os EUA a também alocarem recursos aqui, se não quiserem perder influência e negócios.
Enfim, parece que Dilma, desta vez, soube ficar do lado certo do vento.
Leia a notícia abaixo:
Do site do PAC
Câmara aprova Banco do Brics que tem como prioridade financiar infraestrutura
22 de Maio de 2015
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (21) a criação de um banco de desenvolvimento com atuação internacional ligado ao Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os países representam 42% da população mundial, 26% da superfície terrestre e 27% da economia mundial. O principal objetivo do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) é financiar projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável – públicos e privados – dos próprios membros do bloco e de outras economias emergentes.
O NBD será uma instituição aberta a qualquer membro das Nações Unidas. Os sócios fundadores, no entanto, manterão poder de voto conjunto de pelo menos 55%. Além disso, nenhum outro país individualmente terá o mesmo poder de voto de um membro dos Brics.
Para o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), Claudio Puty, a aprovação do banco representa uma nova fonte de recursos para financiar projetos em áreas estratégicas aos países do bloco. “O investimento em infraestrutura é essencial ao desenvolvimento e à retomada do crescimento econômico brasileiro”, afirma. O secretário lembra que a criação do NBD “é ainda mais relevante em um momento que o Brasil está prestes a lançar um plano de investimentos em infraestrutura”, comentou. Os recursos da nova instituição, acredita o secretário, poderão ajudar no financiamento privado dos empreendimentos.
“Uma condição necessária ao planejamento de investimento de longo prazo é reconhecer os limites orçamentários que os países em desenvolvimento enfrentam. Assim é preciso buscar formas distintas e inovadoras de financiamento que combinem recursos públicos e privados. É nesse sentido que o NBD se institui como instrumento estratégico para o desenvolvimento dos países do bloco”, destaca Puty.
O acordo autoriza o novo banco a operar com um capital de US$ 100 bilhões. Este valor pode ser alterado a cada cinco anos pelo Conselho de Governadores, órgão máximo da administração do NBD, formado por ministros dos países fundadores.
Além dos empréstimos, o NBD poderá fornecer assistência técnica para a preparação e implementação de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável aprovados pela instituição; criar fundos de investimento próprios; e cooperar com organizações internacionais e entidades nacionais, públicas ou privadas.

2015, o ano que já acabou

Antonio Lassance no Carta Maior

  O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, teve a infeliz tarefa de ser o porta-voz do que foi mais que o anúncio de contingenciamento... foi a lavratura do atestado de óbito do que o governo pretendia fazer no ano de 2015.

O governo revelou, nesta sexta (22), o que pretende deixar de fazer, retendo recursos em caixa. O governo pretende guardar R$ 69,9 bilhões. Alguém que já foi vendedor de loja de varejo deve ter dado a dica do R$1,99: 70 bilhões seria um número muito redondo e ainda mais feio.

A previsão de receitas da União para este ano caiu em 5,3%, dado o ritmo de desaceleração. A retração do PIB foi agora reavaliada em -1,2%.

Os gastos serão cortados não nas áreas corretas, mas nas erradas. O PAC, isso mesmo, o programa do qual a presidente era a mãe, sofreu um corte na carne da ordem de R$ 25,9 bilhões. O Ministério das Cidades e as áreas de saúde e educação serão as mais penalizadas.

O que o ex-desenvolvimentista e atual ministro do Planejamento fez, em nome de toda a equipe econômica (Levy e Tombini estavam presentes ao anúncio “em espírito”), foi mais do que divulgar uma notícia ruim.

Barbosa transformou esta sexta-feira em uma “Black Friday”. A economia do país está em liquidação, e o governo transformou alguns de seus artigos mais preciosos, como as obras do PAC e o orçamento da Saúde e da Educação, em sucata.

As consequências políticas a serem colhidas no segundo semestre deste ano e nas eleições de 2016 tendem a ser dramáticas para um governo já bastante fragilizado.

Todos sabem que o ajuste era necessário. Mas o governo “errou na mão”, tanto no tamanho do ajuste quanto, principalmente, no endereço de quem deveria pagar a conta.

Com isso, essa equipe econômica perdeu a chance de evitar a recessão, de manter o desemprego em patamares baixos e de fugir do risco de que o desempenho da economia seja equiparado em mediocridade ao período de Fernando Henrique Cardoso.

Quem sabe, em se tratando dessa equipe econômica, esse não seja um problema; talvez seja esse mesmo o plano.
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