terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tomaram gosto pelo tapetão

http://goo.gl/E0W8CS

O PT NÃO SABE O PORQUÊ DO ÓDIO... É A SÍNDROME DE ESTOCOLMO

DAVIS SENA FILHO
 
O que me deixa aborrecido e insatisfeito são as lideranças do PT, que ainda insistem em compor e tentar dialogar com setores conservadores e reacionários

Estou a ler notícias na internet e me deparo, para a minha surpresa, com uma notícia no Brasil 247 na qual anuncia que o Partido dos Trabalhadores, "assustado" e também "surpreso" com a rejeição por parte de milhões de brasileiros, principalmente os de São Paulo ao PT, resolveu fazer um levantamento sobre tal questão, que tanta incomoda sua direção, e, consequentemente, seus líderes.
Na verdade o que me incomoda não é a rejeição por parte de cidadãos à agremiação política e partidária trabalhista. O que me deixa aborrecido e insatisfeito são as lideranças do PT, que ainda insistem em compor e tentar dialogar com setores conservadores e reacionários, que, apesar de serem beneficiados, estão sempre dispostos a apunhalar pelas costas o governo popular de Dilma Rousseff, fato este que aconteceu, reiteradamente, quando Lula assumiu a Presidência por oito anos.
A pergunta que se recusa a calar é esta: "Qual é o problema do PT?" Eu mesmo respondo: "O Partido dos Trabalhadores sofre da Síndrome de Estocolmo". É isto mesmo. A sigla trabalhista perdeu o punch e o élan, para não mais se recuperar. O PT, simplesmente, não sabe mais se defender, quanto mais atacar. Por isso, tornou-se um paciente da Síndrome de Estocolmo, que significa a vítima se envolver com seu algoz, de tal modo que passa a sentir "amizade", "piedade" e até mesmo ser cúmplice daquele que o humilha e lhe causa dor e desatino.
Custo a acreditar que o PT precise da ajuda de uma empresa para saber o que está a acontecer no Brasil, sem, no entanto, de acordo com a matéria do "Brasil 247", citar a imprensa de negócios privados, que faz uma das campanhas mais longas e sórdidas que se tem notícia no mundo ocidental quando se trata de atacar violentamente um governo autêntico, popular, legalista e democrático, que se recusa a excluir os milhões de brasileiros pobres dos mercados de trabalho e consumo, bem como permitiu o acesso dos mais humildes à educação, por intermédio das cotas, do Enem, do ProUni, do Pronatec, do Fies e do Sisu.
É impressionante a desfaçatez petista, com a exceção de Lula e mais timidamente a presidenta Dilma, quando se trata de afirmar o sistema midiático privado, desregulado e de DNA golpista está há 12 anos a atacar os governos trabalhistas, a não lhes dar trégua e água, de forma consistente e diuturna, sem falhar um único dia, por meio de mídias cruzadas, no que diz respeito a desqualificar, desconstruir, judicializar e criminalizar a Presidência da República, os ministérios, os órgãos e autarquias governamentais, que ora são administrados pelo PT e seu governo de coalizão.
Não. De forma alguma é necessário o PT contratar uma empresa para saber, por exemplo, por que São Paulo rejeita ou sente ódio pelo Partido dos Trabalhadores. Será que o PT não compreende que São Paulo e sua ideologia e propósitos são similares a estados como o Texas, ou seja, território da União ocupado por moradores politicamente conservadores e voltados para os valores apregoados pelo liberalismo econômico, radicalismo religioso e a crença de que o mercado regula tudo e transforma os homens em seres "livres".
São Paulo, antes de tudo e, historicamente, considera-se autossuficiente, como sempre demonstrou no decorrer de sua história. Edificado com trabalho escravo, com a imigração de europeus pobres e esfaimados e com a migração de sulistas, mineiros e nordestinos, o Estado mais poderoso e conservador do Brasil possui uma das "elites" econômicas mais perversas do planeta, além de se verificar que a classe média paulista e paulistana, em grande parte, coaduna com as ideias, os valores e os princípios daqueles que têm o domínio sobre os meios de produção.
A tradição conservadora da burguesia e da pequena burguesia de São Paulo e do restante do Brasil, somada ao sentimento a meu ver equivocado de se considerar "especial" e, por sua vez, com o direito de viver em um mundo restrito e dedicado a uma pequena parcela da população, faz com que esses setores de sociedade se tornem arrogantes, prepotentes e até mesmo violentos quando se julgam parte de uma "elite" que não deve conviver com os reles mortais, ou seja, o povo brasileiro, responsável maior pelo desenvolvimento do Brasil e pela riqueza da Casa Grande, que sempre se beneficiou de sua força de trabalho.
Portanto, é incompreensível ao tempo que ridículo observar que o PT e seus líderes ainda não perceberam que as manifestações de junho de 2013 não representam apenas momentos de revoltas da classe média, que foi às ruas, não porque o Brasil está envolto com "as maiores corrupções de todos os tempos ou da história", como quer fazer crer a mídia corrupta e meramente de mercado, golpista histórica e entreguista por natureza.
De forma alguma. Nota-se, sobretudo, que a classe média, principalmente a que ideologicamente se identifica com o espectro à direita, sentiu-se preterida quanto à atenção do Governo Federal no que é relativo a receber também benefícios, além de se considerar "traída", no que concerne a se certificar de que as camadas sociais mais pobres ascenderam socialmente, o que se torna um assunto de ordem psicológica, pois se trata de um perverso tabu, que se baseia em preconceitos e intolerâncias históricas enraizadas em sua essência escravocrata alimentada por gerações.
Apesar de a classe média ser tradicionalmente universitária e instruída por causa de sua escolaridade, ela tem enorme dificuldade para enxergar o mundo de forma universal ou completa, porque só consegue visualizá-lo até os limites de seu bairro ou dos lugares que frequenta. Ela não consegue se visualizar no outro, porque o trata como uma sombra que nunca aparece por causa da ausência do sol. Só que as sombras desenham suas silhuetas e este desenho não define cor, raça, credo, classe e origem social e econômica.
A falta dessa compreensão que a leva a ser intelectualmente obtusa e, por seu turno, incapaz de compreender os fatos e as realidades que lhes rodeiam, de forma precisa e pontual. Eis a classe média, que age como o avestruz da anedota que, para deformar e desvirtuar a verdade, recusa-se a reconhecer, por exemplo, os avanços sociais e econômicos conquistados pelo povo brasileiro nos últimos 12 anos.
A partir dessas considerações e realidades, a Casa Grande, assim como seu principal braço de combate aos governos trabalhistas, a imprensa familiar e corporativa, trataram logo de empurrar o PT contra a parede e sufocá-lo. Começaram a atuar em quatro frentes, que atuam e agem de forma sincronizada: o PSDB e seus aliados, a imprensa empresarial, certos juízes do STF (já aposentados e na ativa) e inúmeros promotores, que, além de desejarem aparecer, resolveram fazer política, sem, no entanto, serem titulares de mandatos eletivos, mas, tais quais os coxinhas de classe média, resolveram tomar à frente de questões políticas e de ações administrativas e estruturais a cargo de políticos eleitos legitimamente pelo povo.
Os escândalos do mensalão, o do PT, evidentemente, porque o dos tucanos já está a prescrever, além dos malfeitos na Petrobras são exemplos emblemáticos de combate ao PT e da intenção de criminalizar o Partido e judicializar a política. Quem perde a eleição pelo voto, que é o caso do PSDB, recorre a assuntos de perfis escandalosos com o propósito de desqualificar e desconstruir o adversário, bem como conquistar o apoio de setores da população insatisfeitos com ascensão das camadas mais desprotegidas da sociedade, além de ideologicamente serem contrários a partidos e políticos que elaboram e efetivam programas e projetos de inclusão social.
Para esses segmentos conservadores, o PT é tudo aquilo que eles detestam e rejeitam, porque se trata de um partido que nasceu do ventre das fábricas, além de dialogar com os movimentos sociais e de trabalhadores desde sua fundação, em 1980. Além disso, a Casa Grande é sabedora que o PT é um partido orgânico, ou seja, está inserido na sociedade, em incontáveis segmentos da vida brasileira, de maneira tal que se tornou imperativo para o establishment que a agremiação popular fosse duramente e sistematicamente desconstruídas pelos canais de comunicação desregulados e controlados pela grande burguesia.
E aí, cara pálida, o Partido dos Trabalhadores, equivocado novamente, anuncia que vai contratar uma empresa para saber o porquê de o partido ser odiado. A resumir: Algumas pessoas do PT (sempre é sábio não generalizar) gostam de adular certos setores do status quo. Como esses setores se mostraram resolutamente indispostos a dialogar, o PT, depois de muitos anos no poder, resolveu governar e moderadamente enfrentar aqueles que o ataca, o sangra, o calunia e o injuria.
Essas realidades ficaram claras nas eleições de 2014, e na tentativa de golpe "branco" contra o Lula, em 2005. O PT tem de entender que a comunicação do governo é péssima, bem como quem a chefia não pode ser umbilicalmente ligada ao complexo de comunicação privado, já cansado de demonstrar que não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo. Ponto.
Os petistas, autoridades ou não, precisam urgentemente compreender que a Casa Grande, além de dar nó em pingo d'água e não dar ponto sem nó, não tergiversa quando se trata de seus interesses políticos, comerciais e econômicos. A imprensa, diversificada em inúmeras mídias cruzadas, transformou-se no maior partido de oposição de direita da história do Brasil. O sistema midiático familiar tomou a frente do processo político e pauta, sem titubear, a vida brasileira e suas instituições republicanas.
O PT também tem culpa de permitir que esse processo draconiano ou dantesco acontecesse. O principal partido do Governo foi pusilânime, covarde e se dobrou aos ditames de uma oposição enfraquecida, incompetente e entreguista, praticamente derrotada, praticamente desmotivada para enfrentar o pleito eleitoral.
Aprendi há muito tempo que se tal pessoa é leniente ou permissiva com acusações infundadas, denúncias vazias e calúnias, injúrias e difamações, que não retratam a realidade é porque não se importa com seu presente e futuro, mesmo se o passado foi glorioso, pois repleto de conquistas e trabalhos realizados. É o que está a acontecer com o PT que se dobrou, e, de joelhos, aceita o jogo da direita após ter vencido uma eleição muito difícil, com o apoio irrestrito e voluntário de sua militância, bem como dos blogs progressistas, também chamados de "sujos".
Eis da onde veio a vitória do PT, pois a militância e a blogosfera de esquerda travam uma luta sem trégua e incansável contra a imprensa "oficial" e familiar, pois sustentada há mais de século pelo dinheiro público, do contribuinte. O PT sofre da Síndrome de Estocolmo, porque não reage a seu algoz: a Casa Grande, os tucanos, a mídia alienígena e certos setores do MP, da PF e do Judiciário que deveriam ser enquadrados.
Não cabe ao Governo Trabalhista ao PT, nesta altura do campeonato, não saber e compreender o porquê de tanto ódio. O ódio, a cólera vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Basta ler a história para depois marcar limites e territórios no que tange aos adversários. Quem cala, consente. O PT que trata de melhorar sua comunicação com o povo, efetivar o marco regulatório para as mídias e responder, de pronto, todas as acusações que forem injustas, manipuladas e infundadas. Sempre, sem vacilar. Não sei o que é pior: se a Síndrome de Estocolmo do PT ou o complexo de vira-lata e a veia golpista da Casa Grande. É isso aí.
Curti

Encarar os fatos

Por Antonio Delfim Netto
Estamos num momento muito importante. Ele definirá qual será nosso futuro nos próximos quatro anos e deixará marcas na nossa história até o fim dos tempos. As próximas gerações vão continuar a "ler" na evolução gráfica do nosso PIB os seus instantes de "avanços" e de "retrocessos". Todo o resto que hoje parece sólido, o tempo dissolverá: os erros e os acertos das políticas sociais e econômicas voluntaristas, os bônus ou os ônus externos, os exageros monetários, fiscais, salariais e cambiais, os argumentos falaciosos, a contabilidade "criativa", as tentativas de violações das identidades da contabilidade nacional e os desmandos administrativos praticados em gigantescas empresas estatais. Até os bons resultados e as críticas impertinentes serão esquecidos.
A grande certeza - comprovada por nosso passado - é que tudo será corrigido, com custos maiores ou menores, dependendo da inteligência e da aceitação da realidade por parte do renovado poder incumbente. No eletrocardiograma dos períodos de FHC, de Lula e de Dilma, só restará o crescimento do PIB e, talvez (apenas talvez), um registro mais leve dos avanços nas políticas que incentivaram o aumento da igualdade de oportunidade. O fato é que nem estas, nem o Brasil foram descobertos em 1994! A crueldade estatística é que as escaras produzidas no indicador do PIB, não importa se por má sorte ou pelas contradições entre a política social e a econômica, não desaparecerão. São perdas definitivas que atrasaram nosso avanço relativo na construção da sociedade civilizada. O governo Dilma Rousseff terá registro por muitos motivos, mas será lembrado, de 2018 em diante, pela marca que deixar no PIB. No período FHC, o PIB cresceu pouco: 2,3% ao ano. No período Lula, melhorou: 4,1% ao ano. No período 2011-2014, apenas 1,6% ao ano. A herança do primeiro mandato é pesada. Para repetir a pobre performance do PIB total de FHC, será preciso crescer pelo menos 12% no período 2015-2018, ou seja, 3% ao ano, em média, o que não parece tarefa trivial.
É tempo, portanto, de enfrentar fatos elementares incontornáveis:
Governo Dilma será lembrado pela marca que deixar no PIB
1) Que para a sociedade não existe nada que não consuma recursos. A passagem grátis de ônibus do Paulo nem é seu "direito", nem é "dever" do Estado: ela será, necessariamente, paga pelo Pedro. O Estado, que tem o monopólio da força, pode obrigar a transferência do custo cobrando imposto do Pedro e registrando o subsídio do Paulo no orçamento. Mas isso tem um limite na paciência do Pedro!
2) A sociedade não pode distribuir o que ainda não foi produzido, a não ser recebendo um presente externo (uma melhoria das relações de troca, que é sempre transitória como aconteceu em 2003-2010) ou tomando emprestado no exterior (que a nossa experiência mostra que sempre termina muito mal). Logo vamos ter de nos acomodar com nossos próprios recursos.
3) Que essas duas restrições não são "ideológicas". São "físicas". Elas abrigam neoclássicos, marxianos, keynesianos, kaleckianos e até marcianos e impõem cuidadosa harmonia entre as políticas redistributivas e o nível de investimento que determina a taxa de crescimento do PIB. Sem crescimento, por motivo interno (investimento e exportação) ou externo ("bônus" ou "dívida"), a redistribuição continuada levará ao desastre. Isso nada tem a ver com a defesa do "capitalismo", considerado como um fenômeno "quase natural" e o "horizonte intransponível da sociedade civilizada", como querem alguns ingênuos "cientistas" que esquecem a história. Ele é um mero instante naquela construção, como mostraram Karl Marx (1818-1883), Max Weber (1864-1920), John Maynard Keynes (1883-1946), Joseph Schumpeter (1883-1850), Karl Polanyi (1886-1964), Fernand Braudel (1902-1985) e Albert Hirschman (1915-2012).
4) Que a política fiscal bem conduzida é a mãe de todas as políticas. É ela que: a) permite uma política de "meta de inflação" crível que quando; b) apoiada por uma política salarial que "acredita" na "meta", permite o aumento relativo do salário real e o controle da taxa de inflação com pequenas manobras sobre a taxa de juro real de longo prazo e c) deixa espaço para uma política cambial que estimula o nível interno de atividade.
5) A situação interna e a externa hoje não são nada favoráveis. Um programa crível, mas apoiado apenas num duro ajuste fiscal pontual e no aumento da taxa de juros real, poderá nos levar a uma recessão da qual não nos livraremos sem graves custos sociais, econômicos e políticos. Por outro lado, um programa de "pouco mais do mesmo" aprofundará o desânimo e continuará a piorar os indicadores sociais e econômicos até que ocorra uma crise.
Salta aos olhos que, em parte por conta da própria estagnação do PIB, a situação fiscal não é sustentável. Sua correção, entretanto, exige um programa transparente que a corrija em dois ou três anos, mas cuja credibilidade antecipe expectativas favoráveis aos investimentos e dê conforto aos trabalhadores no inevitável processo de ajuste. Não resta ao governo outra alternativa que não seja a de cooptar a confiança do setor privado para ajudar a realizá-lo.
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Perguntas ao futuro do governo Dilma

Saul Leblon, no Carta Maior


É possível ser governo e colocar a história em banho-maria?

E nesse fogo brando, entregar aos centuriões do mercado o comando de setores chaves da economia, sem perder o poder da iniciativa política na sociedade?

É possível  trazer os conflitos  de classes para dentro da equipe de governo, entregando ao dinheiro organizado  a cogestão do mandato, e ainda assim avançar para construir uma hegemonia que dê ao campo progressista a  capacidade de, no passo seguinte, inverter a sensação atual?

A de que vencemos, mas  não levamos.

É possível contemplar os protagonistas do terceiro turno em curso, outorgando-lhes fatias do Estado que não conquistaram nas urnas, sem perder o apoio mobilizado daqueles que há 12 anos sustentaram a aposta no projeto oposto, renovada por mais quatro em outubro de 2014?

É possível fazer tudo isso sem transformar o segundo mandato de Dilma em um frango desossado da Sadia, destrinchado e servido em pedaços inversamente proporcionais à métrica das urnas?

Elucubrações fervilhavam nos círculos progressistas neste fim de semana marcado pela sinalização –ainda não oficial—dos nomes que integrarão o núcleo duro do governo Dilma na área da economia.

A ver para crer, o pelotão será encabeçado pelo centurião do arrocho fiscal, Joaquim-Mãos-de-Tesoura-Levy. O cetro lhe foi   merecidamente atribuído no 1º governo Lula, cujo início ortodoxo agora se aconselha a Dilma em resposta ao cerco conservador, semelhante, em certos aspectos, ao terceiro turno armado em 2003.

Coube então ao mesmo Levy, no comando da Secretaria do Tesouro, ao lado de Antônio Palocci, na Fazenda, adotar o receituário de arrocho fiscal e juros altos para combater a inflação, quebrar o descontrole da dívida pública e resgatar a confiança dos investidores.

A travessia funcionou naquele caso.

E não se pode esquecer que as condições herdadas do ciclo tucano eram acentuadamente piores que as atuais:  a inflação lambia os 13%; a dívida pública transitava acima de 60% do PIB; uma perversa associação entre déficit externo alto e reservas indigentes convidava à fuga de capitais. O dólar bailava nas alturas.
Levy/Palocci/Meirelles (este importado diretamente do Banco de Boston para o BC de Lula) mostraram logo a que vinham.

A Selic foi esticada a 26% ao ano (hoje é de 11,5% e já paralisa o país); o superávit primário foi fixado em 4,25% do PIB ( este ano, descontados os investimentos do PAC e desonerações, será próximo a zero).

A tesoura nos gastos foi inclemente, com um  porém.

A área social  foi poupada: o investimento neste caso aumentou  o equivalente a  0,58% do PIB entre 2003 a 2006.

O Bolsa Família deu um piso à pobreza extrema.

Mas  foi sobretudo o aumento do salário mínimo, de 40% no período,  que funcionou como contrapeso ao arrocho, beneficiando milhões de famílias e aposentados.

A inércia do desastre tucano e o aperto econômico provocaram uma redução de 12,6% do rendimento médio real do trabalhador no primeiro ano do primeiro governo Lula.

A taxa média de desemprego nas cinco regiões metropolitanas subiu de 11,7% para 12,3%.

Em 2004, o PIB  retomou um ritmo forte de crescimento (4,9%), e a taxa de desemprego caiu  para 11,5%. Não o suficiente, ainda, para reverter a ladeira do rendimento real dos assalariados, que recuou mais 0,7%.

Só em 2005 ele cresceria, de fato, 2%; sem beneficiar, todavia, os trabalhadores com carteira assinada (que tiveram queda de 0,8% na renda real no ano).

Essa receita politicamente delicada pode ser digerida sem um ônus maior porque uma válvula de escape econômica estava incrustrada em sua moldura estratégica.
Essa válvula de escape encontra-se indisponível hoje.

No primeiro governo Lula, o arrocho interno foi compensado por uma expansão do mercado mundial da ordem de 4,5% ao ano.

Puxava-o a locomotiva asiática.

Com crescimento médio de 11% no período, a China sozinha respondia por 40%  do estirão global.

A forte demanda chinesa por matérias-primas e alimentos resultou na decolagem das cotações mundiais das commodities agrícolas e minerais.

O Brasil foi beneficiado nas duas pontas.

Entre 2002 e 2011, as exportações brasileiras quadruplicaram;  a alta dos preços correspondeu a cerca de 65% deste resultado.

O peso das commodities nos embarques   saltou de 45% para 60%. Mas os produtos manufaturados também ganharam espaço triplicando as vendas para uma América Latina  favorecida  pela mudança nos termos das trocas internacionais.

O saldo comercial médio do país  entre 2003 e 2007  foi de US$ 38 bilhões (10 vezes maior que o de 2013).

O conjunto deu ao Brasil a inédita vantagem de superávits  em transações correntes –de 1% a 2% do PIB-- contra déficit atual da ordem de 3,5%.

Portanto, se hoje os nomes se repetem na sinalização de uma estratégia parecida o pano de fundo global é adversamente distinto.

A estagnação decorrente da implosão da ordem neoliberal, com comércio declinante e a locomotiva chinesa a meio vapor,  subtrai  ao país o espaço acomodatício que a implementação da receita original requisitaria.

Um atenuante de peso não pode ser minimizado.

O desarranjo interno atual, repita-se, é incomparavelmente mais brando do que o desmantelo legado pelo ciclo tucano. Isso faz diferença.

 Hoje, a relação dívida pública/PIB encontra-se estabilizada na faixa dos 37% contra 60% em 2002; as reservas passam de US$ 370 bi, dez vezes maiores que o saldo deixado pelos governos do PSDB; a inflação declinante, de 6,4%, está abaixo do teto da meta, sendo a metade dos 12,3% produzidos pelo neoliberalismo tucano.

Se a equação mais favorável dá a Dilma maior poder de controle sobre os paladinos do arrocho, persiste, todavia, o vácuo estratégico.

A ausência de dinamismo produtivo –antes favorecido pela expansão mundial--  pode algemar a economia a uma bola de neve de retração de investimento, desemprego  e esgarçamento social.

Que peça do tabuleiro seria capaz de desarmar essa emboscada fatal?

Desde logo, fica claro que é preciso ir além do amparo aos mais pobres, de 2003.

Essa conquista está precificada nos impasses atuais.

E, deixemos de miragens: os mercados não deflagrarão um novo ciclo expansivo por obra e graça dos acenos de Levy e Tombini.

A hipótese de que se possa injetar racionalidade ao capitalismo brasileiro com a paradoxal adoção, mesmo parcimoniosa, de sua irracionalidade na gestão econômica, soa otimista.

O buraco é mais fundo.

‘O Brasil não tem mais um empresariado com projeto de desenvolvimento’, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ainda a mascar o cardápio ministerial que recusa a enviar ao seu sistema digestivo.

‘Na Inglaterra, nos anos 20, também foi assim’, diz o economista ecumenicamente reconhecido como referência intelectual no debate do desafio brasileiro.

Sem renunciar à serenidade característica, ele estica um fio histórico que vai muito além da fulanização das escolhas ministeriais:

‘Nesse vácuo de projeto, o comando da sociedade fica submetido aos impulsos rentistas. É preciso entende-los para não subestimar o seu impacto e o seu alcance’, delineia para cravar o alvo de sua preocupação: o risco de uma deriva brasileira.

‘O rentismo age compulsivamente na tentativa de preservar sua riqueza das incertezas intrínsecas ao sistema. A isso corresponde uma forma social. Essa que vivemos. Com as suas consequências políticas, econômicas e humanas. A Inglaterra dos anos 20 viveu um quadro equivalente e entrou em decadência’, adverte o economista.

E descortina em seguida: ‘ A decadência inglesa foi a grande referência de Keynes; boa parte de sua obra é a busca de uma resposta a isso. O Brasil corre o risco de ingressar em um processo de decadência precoce, assim como precocemente assiste à desindustrialização’, resume.

A incapacidade de o país estruturar uma alternativa política a essa espiral explica que um mês depois da vitória eleitoral progressista, aguarde-se o anúncio de Joaquim-Mãos-de-Tesoura-Levy para comandar a Fazenda do segundo governo Dilma.

Não é uma jabuticaba brasileira.

‘Assiste-se em todo o mundo a uma regressão da macroeconomia’, arremata Belluzzo citando a insuspeita  avaliação de um dirigente mundial do CityGroup.

Por regressão macroeconômica entenda-se o fato de que a supremacia financeira, contra a qual Keynes lutou incansavelmente, deixou de figurar como o ‘germe de uma decadência’ curável com antígenos produtivos do próprio sistema.
O rentismo não é uma patologia do capitalismo no século XXI.

É um desdobramento inerente à dinâmica de um sistema deixado à própria lógica.
Sem os contrapesos de forças em sentido contrário, o capitalismo quanto mais dá certo, mais dá errado. Nos seus  próprio termos.

O rentismo é o seu auge para os detentores do capital. E o abismo para a sociedade.

Nesse percurso avesso às convergências racionais as crises regurgitam uma desordem constitutiva.

E assumem invariavelmente a forma de superprodução - “de capital e não de mercadorias”, diria Belluzzo.

É justamente  a reprodução em metástase do capital fictício, decorrente do desmonte do aparato regulatório do pós-guerra, que levou à captura dos mercados, das elites, da mentalidade de uma parte da classe média e do horizonte empresarial  –bem como de todo o sistema político--  pela lógica rentista.

A mesma que agora engessa o desenvolvimento brasileiro.

A ascensão de ‘Joaquim-Mãos-de –Tesoura-Levy’ é a expressão atual desse círculo de ferro.

Não se espere de Dilma Rousseff  a rendição incondicional a esse arranjo que seus sucos gástricos tiveram enorme dificuldade de processar.

É um arranjo.

É visto como provisório.

Pelos dois lados.

E a buliçosa busca de um atalho para o impeachment, que desfila solta na praça,  sinaliza  o quão tênue é o endosso do conservadorismo a essa trégua.

Ilude-se, portanto, quem imagina que um país pode ser colocado no modo de espera sem que seus conflitos estruturais se aprofundem, emparedados pelo estreitamento do horizonte econômico local e global.

A dificuldade extrema  de injetar racionalidade aos capitais que se comportam, todos, como capital estrangeiro diante da sociedade no século XXI, é o calcanhar de Aquiles do keynesianismo nos dias que correm.

Leia-se, da esquerda desafiada a gerir o sistema sem dispor, ainda, de meios para transformá-lo.

Mas é, também, a fonte da vertiginosa transparência política que assumem os impasses do desenvolvimento em nosso tempo.

Vale dizer, o manto da racionalidade técnica deixa um ‘Joaquim Mãos de Tesoura Levy’ tão exposto quanto o rei nu aos olhos de uma criança.

A irracionalidade financeira reina  em todo o mudo capitalista.

No Brasil ela requisita 5,5% do PIB por ano ao pagamento de juros aos rentistas.

É quase a metade de um orçamento público já insuficiente para expandir a logística social e urbana.

 As portas de saídas ‘técnicas’, portanto, não parecem conduzir a lugar algum exceto ao miolo do labirinto.

Nele  está sepultada a margem de manobra para harmonizar  a supremacia financeira  e o desenvolvimento com equidade social.

Fuga para frente a bordo de uma expansão acelerada, que acomode o que é incompatível?

Tampouco aqui se oferece uma alternativa à estagnação neoliberal.

Ademais da hegemonia rentista, a receita do pós-guerra enfrenta hoje os limites da equação ambiental.

Ao contrário do que pontifica o econeoliberalismo de Marina e assemelhados, o que se recomenda é justamente um alargamento da indução política sobre o investimento e a distribuição para reconciliar a qualidade de vida com o imperativo da sobrevivência ecológica.

Na arrastada definição do ministério de Dilma pulsam, assim, a crueza dos conflitos e a crueza das opções em jogo.
Antes de personificarem a solução os nomes debulhados ilustram o tamanho e a profundidade dos  impasses.

Quando a  abundância de capitais se transforma em um poder antagônico à abundância de investimentos requeridos pela sociedade, não há ‘ajuste técnico’ que conduza ao desenvolvimento.

 Não é possível ser governo e colocar a história em banho-maria.

Mas é possível ser governo e assumir que, para honrar as tarefas que lhe competem, será preciso cogerir o país em coesa sintonia com a sociedade, munida dos meios necessários a esse fim.

Leia nesta pág. a reportagem sobre a agenda da conferências  nacionais da cidadania programadas para 2015.

Pode estar aí um pedaço do fio da meada, desde que seja concebido assim e assim respeitado  para valer.


Dilma e quem ganhou as eleições

Por Bepe Damasco, em seu blog: Transcrito do Blog do Miro

Jabuticaba não é a única coisa que só dá no Brasil. Nesse país difícil de ser entendido, uma candidata vence de forma épica uma eleição, derrotando a poderosa aliança entre grupos de mídia, mercado financeiro, grandes empresários e quase todos os candidatos que concorreram no primeiro turno. Dilma teve forças para derrotar também a maior campanha de ódio já vista na nossa história republicana. Contudo, é a pauta de quem perdeu a eleição que toma conta da agenda política do país.

Não surpreende que a mídia monopolista, derrotada pela quarta vez consecutiva, só fale em ajuste fiscal, corte nos gastos sociais, compromisso com o superávit primário, aumento dos juros para conter a inflação e fim do quadro de pleno emprego como instrumento para segurar a demanda, frear o consumo e, assim, segurar os preços. O que preocupa é que a movimentação de bastidores do governo visando a formação da nova equipe econômica reflita quase que integralmente os anseios e as aspirações do mercado, ou seja, de quem perdeu a eleição.

Não está escrito nem na legislação eleitoral nem na Constituição brasileira que o candidato que porventura vença por uma pequena margem tenha suas prerrogativas de chefe de Estado e de governo reduzidas. O projeto que ganhou as eleições foi o que prioriza a inclusão social, a redução da miséria e da pobreza, o investimento crescente em programas sociais, o Prouni, as cotas para negros nas universidades e no serviço público, o Ciência sem Fronteiras, o Pronatec, o Minha Casa, Minha Vida, o Mais Médicos.

Espero que o governo da presidenta Dilma não esqueça do protagonismo dos jovens e das mulheres no segundo turno de sua campanha. Aliás, a juventude das manifestações de junho de 2013, que, embora crítica dos governos do PT, voltou às ruas nas eleições para impedir o brutal retrocesso de uma vitória de Aécio, deu uma espécie de chance derradeira ao petismo. Ou o governo acelera e aprofunda as reformas, especialmente a política e a dos meios de comunicação, ou cedo ou tarde terá que se ver com uma multidão de jovens desencantados.

Sabemos que o jogo da política é pesado. Que a correlação de forças, no Congresso e na sociedade, tem de ser levada em conta, que a oposição se fortaleceu com a votação recebida, que é dura a construção da governabilidade com um parlamento ainda mais conservador e fisiológico.

Claro que o governo não deve se descuidar nesse flanco. Se ter maioria parlamentar é fundamental para qualquer governo, em relação aos governos de esquerda, então, nem se fala. Além de imprescindível para tocar o dia a dia do governo e aprovar seus projetos, uma maioria consistente é fator decisivo para inibir aventuras golpistas e irresponsáveis.

Mas, diante da encruzilhada história em que se encontra, a energia emanada pelos atores sociais e políticos durante a campanha não pode ser desperdiçada pelo governo. Os movimentos sociais, as mulheres, os jovens e os negros que deram a vitória à Dilma, clamam por reforma política e por uma nova lei de radiodifusão para o Brasil. A presidenta se comprometeu com a reforma política, com Constituinte exclusiva e plebiscito popular durante a campanha. Nas entrevistas de TV que se seguiram à sua vitória, defendeu também a regulação econômica da mídia.

A hora dessas reformas é agora.

Briga de cachorro grande

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Capitalismo no século XXI



Por Thomaz Ferreira Jensen

Esta semana estará no Brasil o economista francês Thomas Piketty, autor do livro “O Capital no Século XXI”, resultado de 15 anos de pesquisa e publicado originalmente em francês em agosto de 2013, com imensa repercussão a partir da edição em inglês, lançada nos EUA pela editora da Universidade de Harvard. A vinda de Piketty é parte do lançamento da edição em português.
O livro, de quase mil páginas, apresenta e analisa uma imensa quantidade de dados estatísticos sobre renda e, especialmente, riqueza acumulada pelas famílias em 30 países do mundo, ao longo dos últimos dois séculos.
Piketty utiliza dois conceitos de distribuição de renda. A distribuição interpessoal da renda, que descreve como a renda gerada, de capital e de trabalho, é distribuída entre as famílias. E a distribuição funcional da renda, que descreve a divisão da renda entre capital (lucro) e trabalho (salários).
O autor afirma que o capitalismo tende à concentração de ambas, interpessoal e funcional. Uma das ideias básicas de Piketty é que, numa economia onde a taxa de rendimento sobre o capital supera a taxa de crescimento da economia como um todo, a riqueza herdada sempre crescerá mais rapidamente do que a riqueza conquistada.
Entre o século XIX e 2012, o estudo aponta que a produção anual cresceu em média 1,6% enquanto o rendimento do capital aumentou de 4 a 5% ao ano. Hoje 1% da população tem 43% dos ativos do mundo. Os 10% mais ricos detém 83%.
Nos EUA, os 10% de população com rendimento mais elevado passaram a deter 50% da renda total, sendo que esse percentual era de 35% na metade do século passado. Entre países mais igualitários, como a Suécia, a renda total foi de 25% para os 10% mais ricos. Nos mais desiguais, subiu a 60%. Sobre o patrimônio, a diferença é muito mais extrema. Nos países mais igualitários, os 10% mais ricos têm 50% do patrimônio. Nos mais desiguais, varia de 80% a quase 100%.
O Brasil não está entre os países estudados por Piketty. Segundo ele, “tentamos muitas vezes, mas não conseguimos dados apropriados para a nossa pesquisa. O problema é a falta de transparência em dados referentes a Imposto de Renda, por exemplo.”
Entretanto, os principais indicadores de desigualdade no Brasil, referentes à 2012, informam que os 10% mais ricos detém 42% da renda, enquanto 13,3% cabiam aos 40% mais pobres, e a renda real do trabalho do 1% de mais ricos era 87 vezes superior à dos 10% mais pobres.
Em sua análise sobre a concentração de riqueza, Piketty argumenta que a partir de certo nível de riqueza, a renda gerada pelo capital é tão elevada que é possível sustentar níveis elevadíssimos de consumo e simultaneamente acumular e legar para seus herdeiros mais do que se recebeu. Para os muito ricos, torna-se relativamente barato gerir o patrimônio e conseguir retornos elevados, fato não possível para os pequenos poupadores.
Segundo o estudioso, a relativa melhora distributiva nas seis décadas entre 1914 e 1974 deveu-se à sucessão de tragédias – duas guerras mundiais e, entre elas, a Grande Depressão – que destruíram muito capital. Adicionalmente, no pós-Guerra houve em diversos países a imposição de impostos confiscatórios sobre a riqueza, além de apoio a instituições que aumentaram o poder de barganha do trabalho frente ao capital e a criação do Estado de bem-estar social.
Essa dinâmica foi quebrada pelo neoliberalismo de Reagan (EUA) e Thatcher (Inglaterra). O pacote de políticas que inclui a desregulamentação dos diversos mercados, forte redução das barreiras comerciais nos anos 80, e, nos anos 90, das barreiras à mobilidade internacional de capitais, além da privatização de diversos setores produtivos, alterou o poder de barganha dos trabalhadores nos países centrais. Sem a regulação estatal, o capitalismo retomou seu rumo concentrador.
A fortíssima concentração da renda do trabalho nos 1% mais ricos da população está associada principalmente aos elevados salários dos presidentes de empresas e operadores do mercado financeiro. Como documentado por Piketty, os elevados rendimentos dessas duas categorias profissionais explicam aproximadamente 90% do fenômeno.
Piketty considera que a economia de mercado com propriedade privada dos meios de produção é a forma mais eficiente de organização da atividade econômica. Por isso, suas proposições de política diante do quadro de crescente desigualdade que analisa, são instituir imposto de 15% sobre o estoque de capital no mundo e outro de 80% sobre os rendimentos acima de 500 mil dólares ao ano. Além disso, defende transparência obrigatória em todas as transações bancárias. Ele próprio considera algumas destas soluções utópicas. E, de fato, é mais fácil imaginar um colapso do capitalismo do que a elite consentir com estas ideias.
Piketty demonstra, portanto, que hoje é a receita do capital, e não a renda do trabalho, que predomina no topo da distribuição de renda. Dessa forma, destaca que, além de estarmos retornando ao século XIX, em termos de desigualdade de renda, estamos no caminho de volta ao capitalismo patrimonial, na qual o topo da economia é ocupado por dinastias familiares.

Thomaz Ferreira Jensen, economista, membro do conselho consultivo da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.