Faleceu nesta
terça-feira (7), no Rio de Janeiro, Maria Augusta de Toledo Tibiriçá
Miranda, 97 anos, veterana das causas da democracia, da igualdade de
gênero e da soberania nacional. Médica, Maria Augusta participou como
articuladora da histórica campanha “O Petróleo é nosso”, da luta pela
redemocratização e em defesa da soberania nacional.
Imagem de Maria Tibiriça no filme O Petróleo tem que ser nosso, a última fronteira. A médica Maria Tibiriça partiu de sua militância pelo Brasil, mas não sem deixar homenagens de todos que reconhecem seu legado. Ainda na infância, com a mãe Alice Tibiriçá, atuou na campanha contra a hanseníase.
Personagem emblemática do campo progressista, a idade avançada não a impedia de continuar a militância e atualmente ainda exercia a presidência do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecom).
Testemunha de muitas ditaduras, nesse quase um século de vida, ela militou pela redemocratização do Brasil na década de 1940 e em seguida no movimento feminista, participando da criação da Federação de Mulheres do Brasil. Presidiu o Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon), criado por Barbosa Lima Sobrinho . Recebeu o Diploma Bertha Lutz em 2010.
O presidente estadual do PCdoB-RJ, João Batista Lemos, emitiu uma nota de pesar em nome do Partido. Batista afirma que ela se tornou “um ícone da luta pela soberania nacional e pelos interesses mais nobres do nosso povo. Ainda destaca a autoria do livro “O Petróleo É Nosso! – A luta contra o Entreguismo, pelo Monopólio Estatal (1983)”, considerado “referência histórica para todos os brasileiros e brasileiras”.
O Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois também lamentou o falecimento e reverenciou esta “porta-voz do movimento O Petróleo é Nosso e vítima da ditadura militar”.
O Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon) a tinha como Presidente de Honra, e, na pessoa de Lincoln de Abreu Penna, destacou a coincidência de sua partida no dia da fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde ela “protagonizou emocionantes momentos de sua militância em defesa dos princípios da soberania nacional e na defesa intransigente de postulados caros ao povo brasileiro”. “E na sede dessa entidade, juntamente com o doutor Barbosa Lima Sobrinho, manteve acesa a luta patriótica e popular. Sua atitude altaneira combinava com o bom trato nas relações sociais e políticas, marcando suas posições sem perder a ternura.
Outra coincidência desta data, lembrada por Penna, é a celebração do Dia Mundial da Saúde. “Sabe-se, que Maria Augusta herdara de sua mãe, Alice Tibiriçá, a bandeira de luta pela saúde pública no País. E para completar esta data registre-se que foi também nesse dia que se deu a criação da organização Mundial de Saúde, em Genebra”, cita o presidente do Modecon.
No entanto, Penna ressalta a importância para a campanha do monopólio do petróleo da luta de Maria Tibiriça, “que juntamente com seu companheiro e pai de seus filhos, o professor Henrique Miranda, correram o País afora com o destemor dos que sabem enfrentar as adversidades em nome do bem comum”. “Sua trajetória de vida jamais será esquecida, porque sua fibra e determinação irão, com certeza, nos embalar para dar continuidade a tantos outros enfrentamentos em prol do povo brasileiro, pois sua presença mais do que nunca estará em nossas lembranças”, conclui a nota do Modecon.
A União Brasileira de Mulheres (UBM) não esqueceu sua homenagem ao “valoroso legado de lutas em defesa dos direitos das mulheres”. Como uma das fundadoras da Federação de Mulheres do Brasil, ainda na década de 1940, ela deixa uma referência muito forte para o movimento que a UBM representa. A homenagem da entidade feminista ainda destaca o papel de Maria Tibiriça durante as perseguições da pela Ditadura Militar, quando teve dois filhos presos — um deles torturado, “sem, contudo, jamais ter esmorecido em sua convicção democrática, progressista e nacionalista”. Lembra ainda, que, em 2010, o Senado Federal lhe concedeu o Diploma Bertha Lutz “em reconhecimento de seu papel fundamental na conquista da democracia e cidadania das mulheres brasileiras”. “A vida quase centenária de Maria Augusta Tibiriçá Miranda se confunde à trajetória de lutas travadas pelo povo brasileiro. Uma vida dedicada às causas populares, democráticas e feministas, cuja melhor forma de celebrar é continuando sua luta!”, diz a nota da UBM.
O jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, também registrou o falecimento da ativista paulista, que “se dedicou intensamente à campanha "O petróleo é nosso", a partir de 1947, além de pautas médico-sociais e feministas”.
Veja o documentário “O Petróleo Tem Que Ser Nosso - Última Fronteira (2009)”, com entrevista de
Maria Tibiriçá, única mulher dentre 34 entrevistados sobre o assunto.
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